sexta-feira, 4 de julho de 2014

Vital Brazil - Da herança na Ciência aos herdeiros na fé



Texto de Noemi Vieira. Colaborou com a apuração pastor Ronan Boechat de Amorim

Ele já trabalhou como condutor de bonde, tipógrafo, escrivão da polícia e, segundo uma de suas filhas mais novas, Eliá Brazil Protásio, chegou a dizer que gostaria de fazer Engenharia Civil. Mas sua colaboração para a humanidade estava na área das ciências biomédicas. Filho de José Manoel dos Santos Pereira Júnior e Mariana Carolina dos Santos Pereira, Vital Brazil Mineiro da Campanha foi um dos médicos e cientistas mais importantes para história da saúde pública no país, em tempos que a peste bubônica assolava o mundo e saneamento básico nas grandes cidades era artigo de luxo.
Apesar de todas as conquistas, Vital teve muitas dificuldades para se tornar um uma referência nas ciências biomédicas. Como sua família era pobre, as chances de se tornar médico na sociedade do Império eram praticamente nulas. Geralmente, os estudantes de medicina no Brasil eram oriundos de famílias ricas, dado ao alto custo do curso. 
A família de Vital não tinha condições de bancar sua faculdade. Seu pai, José Manoel, trabalhava de caixeiro viajante para sustentar a família. Foi essa profissão, inclusive, que levou a família de Vital Brazil a percorrer diversas cidades do estado de Minas, até se estabelecer definitivamente em Caldas. Nessa cidade que Vital teve o início de sua formação educacional e religiosa, fundamentada no cristianismo.

Ao chegar em Caldas, José Manoel conheceu um pastor presbiteriano e se converteu ao Evangelho. O pai de Vital Brasil conseguiu apoio da igreja e colocou o filho no Colégio Morton. Depois de algum tempo, José Manoel o matriculou no curso para formação de ministros. Mas, fato é que Vital Brazil teve de trabalhar duro para pagar seus estudos básicos em São Paulo e, posteriormente, a faculdade de medicina no Rio de Janeiro. Depois de algum tempo formado, Vital foi à França ampliar seus estudos de laboratório, em Paris.
A formação religiosa no Colégio Morton e na missão para ministros proporcionou a Vital um profundo conhecimento bíblico, que foi repassado para os filhos ao longo de toda a sua vida. Eliá Brazil conta que Vital sempre ensinou os princípios cristãos para a família. “Meu pai cultivava o hábito de fazer culto doméstico”, relembra.
Apesar de sua convicção de fé, Vital Brazil teve dificuldades em permanecer membro da igreja presbiteriana, dado à sua dedicação ao trabalho como médico e pesquisador. “Ele fazia experiências no domingo, faltava cultos, tinha que sacrificar animais por causa de suas experiências, e o pastor não aceitava isso”, conta Eliá, acrescentando que, por essas razões, a liderança da igreja resolveu excluí-lo da membresia. Com a expulsão, Vital tornou-se um “livre pensador” que lia a Bíblia, cria em Deus e mantinha uma vida de oração. Quanto a seus filhos, Vital Brazil os ensinou freqüentar a Escola Bíblica Dominical desde a mais tenra idade.
Resultado: a semente do evangelho ficou plantada na vida dos filhos e netos. Alvarina Brasil Esteves, uma de suas filhas mais novas, continua freqüentando a presbiteriana até hoje, na cidade de São Paulo. Suas filhas (netas de Vital) fazem parte do Exército da Salvação. Hoje, Eliá Brazil é membro da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro e sua tia, Dinorá Vital Brazil, que a levava para a igreja quando pequena, foi membro da igreja Metodista até sua morte. Ela foi também professora e diretora do Bennett.
O Vital nunca freqüentou a igreja Metodista. Mas, Eliá, suas filhas mais velhas, duas irmãs e alguns de seus sobrinhos estudaram no Bennett. Eliá fez o ginásio no Bennett e suas filhas mais velhas fizeram até o ensino médio.
Eliá conta que, apesar de todo o conhecimento científico deixado por Vital para as ciências biomédicas, o maior tesouro que guarda do pai é seu caráter de homem íntegro. “Ele não aceitava mentira, sempre esteve do lado da justiça e da verdade e ensinou isso a todos os filhos”, revela Eliá.


Referência na Saúde Pública
Contemporâneo de Oswaldo Cruz, médico responsável pela educação sanitária do Brasil no início do século 20, Vital trabalhou como médico na Força Pública e no Serviço Sanitário em São Paulo e, mais tarde, na cidade de Botucatu. Como servidor público, Vital chefiou a comissão sanitária em Cachoeira, no vale do Paraíba, durante as epidemias de febre amarela, cólera e varíola que assolavam a região. Também combateu a peste bubônica na cidade de Santos, contraindo doença durante o trabalho, que quase lhe custou a vida.

Nascido em 28 de abril de 1865, em Campanha, Minas Gerais, Vital Brazil também foi responsável pela descoberta das vacinas antiofídicas no país. Suas observações quanto aos acidentes causados por serpentes venenosas, em Botucatu, o estimulou a estudar sobre o assunto, abandonando a clínica para trabalhar no Instituto Bacteriológico de São Paulo, hoje Instituto Adolfo Lutz.
Vital se tornou conhecido por causa da sua dedicação à saúde pública e aos estudos experimentais que significavam o começo das pesquisas no Brasil. Sua fama contribuiu para que fosse chamado pelo governo do Estado de São Paulo para ajudar a criar um Instituto Soroterápico que produzisse soros e vacinas que combatessem as epidemias que assolavam a população. Foi nessa época que surgiu o Instituto Butantã, em São Paulo, logo após suas primeiras observações.
Durante esse tempo, Vital descobriu um soro contra os venenos de cascavel e jararaca, as duas espécies que mais faziam vítimas, e, posteriormente, aceitou o desafio de produzir antiofídico já no cargo de diretor do Instituto Butantã.
Vital dirigiu o instituto por 20 anos e o transformou numa referência mundial quanto ao combate de mortes por envenenamento.
Atualmente, o instituto desenvolve estudos e pesquisas na área de Biologia e de Biomedicina, relacionadas com a saúde pública. Também produz vacinas e soros para uso profilático e curativo. Realiza missões científicas no país e no exterior. Além disso, o Butantã colabora com órgãos da Secretaria da Saúde e do Ministério da Saúde no combate a surtos epidêmicos, além de realizar cursos especiais e publicações sobre suas áreas de atuação, que são oferecidos a empresas, estudantes, militares e à população em geral.
Depois de deixar a direção do Butantã – por questões políticas – Vital foi convidado pelo Estado do Rio de Janeiro para fundar o Instituto Vital Brazil, em Niterói, em 1919, no qual permaneceu trabalhando até sua morte. Hoje, o instituto que leva seu nome tornou-se um grande centro de pesquisas, de ensino, desenvolvimento e Produção de imunobiológicos, medicamentos, insumos e tecnologia para saúde.

Um comentário:

Carlos Hamilton disse...

Paz do Senhor, te convido para conhecer meu blog Mesa de Conversa. Já estou te seguindo e sempre voltarei para aprender mais da parte de Deus.

Abraços

Carlos Hamilton
www.mesadeconversa.com