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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma Líder Na Reforma Protestante - Katharina Von Bora





Wilma Rejane

"Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher", diz o ditado. Sou admiradora de Martinho Lutero, líder da reforma protestante, mas pouco se fala de sua esposa. Tive, portanto a curiosidade de pesquisar sobre ela, a mulher que fez Lutero desistir da batina e formar uma família. É bem verdade, Lutero já não concordava com muitos preceitos do catolicismo, inclusive o celibato.

Lutero escreveu em um de seus artigos: "Quando Deus fez o homem e a mulher, Ele abençoou e lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos.  Essa passagem nos da a certeza de que o homem e a mulher têm o dever e a obrigação de se unir para se multiplicar".


Katharina Von Bora


Nasceu em 29 de Janeiro de 1499, na Alemanha. Com apenas 5 anos de idade foi estudar em regime de internato, em convento católico, onde permaneceu até 1523.  Ela foi educada por um professor e aprendeu latim numa época em que as mulheres não conseguiam ler nem mesmo a própria língua. Katharina fugiu do convento com mais 11 freiras. Ela e as demais ouviram falar do Ensino Bíblico de Lutero, consideraram seus princípios e quiseram deixar o convento. Um comerciante ajudou na fuga.Pois é, Katharina Von Bora, foi embora do convento para sempre!

Casou com Lutero dois anos após a sua fuga, em 1525. Consta-se que ela era uma ótima gerente familiar. Apesar dos fundos limitados e um grande número de hóspedes, plantou legumes e comprou uma fazenda com criação de bovinos, frangos e cerveja fabricada.







O casal teve seis filhos e ainda adotou mais quatro. A família,era considerada modelo na Alemanha. Lutero chamava sua esposa de "estrela da manhã de Wittinberg". Katie viveu por mais seis anos após a morte do esposo em 1546.

Katarina abriu as portas da sua casa para que monges, freiras, padres que escancaravam seus corações pra verdade de Deus e se tornavam adeptos da Reforma se refugiassem, mesmo sabendo que estavam entrando num tempo de perseguição e isso pudesse resultar numa invasão ao seu lar. Existiram vezes, que 25 pessoas moravam em sua casa, sem contar ela, Lutero, as crianças e os  órfãos  de quem cuidavam!

Lutero nunca se negava a ajudar um necessitado. Sempre oferecia dinheiro a quem precisava e logo logo, acabou com as lindas porcelanas que Katarina ganhou de presente de casamento, vendendo-as para conseguir dinheiro e abençoar aqueles que lutavam pela causa da graça de Cristo! 

Katy cuidou de Hans Lutero, seu primeiro filho, ao mesmo tempo em que seu esposo passava por uma terrível depressão. Ela se sentava ao seu lado e lia a Bíblia pra ele edificando seu coração. Conciliou as tarefas da casa, de hospedagem, mãe, esposa com a árdua tarefa de ajudar Lutero na tradução das escrituras para o alemão. Ouvia os desabafos de Martinho e sabia que cada vez que ele saia para pregar podia não o ver voltar, pois quanto mais pregava, mais inimigos Lutero ganhava. Expandir o Reino e as verdades bíblicas significava para Katarina poder ficar viúva. Mas ela sempre o encorajava: “Deus cuidará de nós. Não tema! Pregue!”.

Ela era admirável. Sua postura permitia Lutero pregar livremente e arriscar sua vida pela Verdade! Katarina não escreveu nenhum livro nem pregou nenhum sermão, mas sua inestimável ajuda possibilitou que o marido fizesse isso. Ela foi um grande apoio pra ele. Como Lutero mesmo disse a um amigo: “Minha querida Katy me mantém jovem e em boa forma também (risos). Sem ela eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita bem minhas viagens e, quando volto, está sempre me esperando. Cuida de mim nas depressões. Suporta meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho e, acima de tudo ama a Jesus. Depois de Jesus, ela é o melhor presente que Deus em deu em toda a vida... Se um dia escreverem a história da Reforma da Igreja espero que o nome dela apareça junto ao meu e oro por isso.”.


Bem, Lutero ficaria decepcionado ao saber que o nome da esposa nunca é citado quando o assunto é Reforma da Igreja, mas aos mais sensatos nunca ficará esquecido o ditado reformado: " Ao lado de um grande homem, há sempre uma grande mulher" por isso, Katarina Van Bora marcou presença na história.


quinta-feira, 23 de junho de 2011

Esposa de um Pastor



“E prometo ser fiel na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te, por todos os dias da minha vida”...

Prometo que faremos do nosso lar um jardim, e nele cultivaremos o amor, o perdão e a fé. Um lugar de paz e santidade, onde o Espírito Santo tenha prazer em habitar...
Prometo caminhar ao teu lado, por onde quer que andares. Seja em caminhos pedregosos ou aplainados, prosseguirei com firmeza segurando a tua mão...
Prometo sempre me lembrar, que antes de ser meu, és um obreiro do Senhor, pois desta forma nunca deixarei que o meu egoísmo seja um impedimento à tua chamada...
Prometo nunca exigir de ti, além do que podes me dar, mas sempre entender que tudo que me dás, é o melhor que tens a oferecer...
Prometo que juntos, criaremos nossos filhos na admoestação do Senhor, pois só assim teremos filhos obedientes, cidadãos de caráter e servos fieis ao Senhor...
Prometo me esforçar, para estar sempre bela para te agradar, isto sem nunca me descuidar da verdadeira beleza, que vem do nosso interior e permanece através dos tempos...
Prometo ser uma mulher virtuosa e cuidar do nosso lar com tanta dedicação, que sendo humilde nos parecerá um palácio, embora na terra nos lembrará o céu ...
Prometo não me esquecer, que ser a esposa de um pastor, não é simplesmente ser “uma privilegiada” entre tantas mulheres. Não, ser esposa de um pastor é antes de tudo um desafio, que só pode ser vencido com os joelhos no chão...
Enfim... Eu prometo nunca me esquecer das minhas promessas.

Norma Penido

Visite o blog da autora: http://normapenido.blogspot.com

terça-feira, 9 de março de 2010

Um grande nó a ser desatado

Créditos da imagem: veja.abril.com.br

Já elogiei as mulheres por seu dia, com direito até a poesia. Ih! Tô ficando chique. Pois bem, leio no JC Online, esta manhã, 08/03, que em 10 anos cresceu 10% a quantidade de lares aonde o capitão é uma mulher. Esta é a realidade social que mais nos toca, mulheres que trabalham para sustentar a família. Muitas delas sozinhas com eles, se virando como podem. Em nossa igreja há ao menos uma que sobrevive da reciclagem de lixo, mas segue em frente tocando o barco. Outras foram abandonadas por homens sistematicamente adúlteros. Ainda outras deram um erro na vida e herdaram um filho da relação promíscua.

E quando esta mulher, que toca a vida sozinha, decide casar novamente? Como as tratamos? Sempre oramos em nossas igrejas pelos problemas das pessoas, e quando falamos de casamento, visualizamos apenas as jovens. Mas é urgente nos preocuparmos com as mulheres que estão sozinhas, tendo filhos ou não. Recentemente, uma irmã de mais de 60 anos, viúva, nos procurou, dizendo que havia encontrado um novo amor. Uns diriam: enxirida! Outros: avoada! Eu digo: Deus abençoe a nova união! Se alguém sente o desejo de casar novamente, livre e desimpedido que é, e encontra dentro da compatibilidade bíblica outra pessoa, por que não? É triste viver na solidão. Os filhos casam e vão embora, e as pessoas passam a conviver consigo mesmas. Há quem goste, mas a maioria teme a opinião pública e sublima suas necessidades, que nem sempre se resumem a sexo, mas incluem companheirismo, compartilhamento e a amizade que decorre de um relacionamento feliz e verdadeiro.

Não podemos proibir as pessoas de serem felizes. Especialmente as mulheres, que são a parte mais prejudicada do relacionamento quebrado, pois, via de regra, precisam cuidar da casa e dos filhos. Infelizmente, as tendências deste novo tempo desenham mulheres assim como guerreiras, vencedoras, etc. Mas a realidade é que há um vazio enorme aí, e boa parte das mulheres ditas independentes o são por sua estabilidade financeira, o que nem sempre reflete estabilidade emocional, além de não ser a situação da maioria. As não evangélicas podem amenizar o problema se entregando aos prazeres, nem que seja nos relacionamentos fortuitos, que, por sinal, mais desgastam do que resolvem. E as evangélicas, o que farão?

Oremos por este problema neste dia, que seja mais uma das preocupações em relação às mulheres.

Publicado em Reflexões Sobre Quase Tudo! Proibida a reprodução sem autorização do autor: Daladier Lima dos Santos.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Falácias sobre o ministério feminino...


Créditos: www.ministeriogracasobregraca.com

Já há algum tempo gostaria de escrever algo sobre este assunto, mas não tive tempo. Eis-me aqui agora com um pouco dele a incomodar vocês.

Uma argumentação bastante utilizada pelos contrários á ordenação feminina é que Paulo escreve que o bispo seja casado, marido de uma só mulher... (I Tm 3:2). Segundo tais intérpretes, o apóstolo não diz: A diaconisa ou bispa seja casada, esposa de um só homem... E usam outras passagens com a mesma intenção (At 6:3, 20:28, I Tm 3:8,12,13, Tt 1:7). É uma falácia deslavada. Eu entendo esta questão, como uma dificuldade para compreender construções frasais. Paulo está selecionando um do mesmo grupo. Ele está falando para um grupo de desejosos ao episcopado (por acaso, uma palavra FEMININA no grego!!!!), destacando quais características deviam ter.

Mas, vamos aprofundar um pouquinho (porque minha corda é curta). O DITNT* informa, na história filológica da palavra, que Homero usou pela primeira vez a palavra episkopos (bispo, supervisor), para designar o trabalho de Artêmis como guardiã de uma cidade grega, como se sabe uma deusa. O título também foi empregado por ele para designar autoridades de um estado. Na LXX** era usado para sacerdotes, juízes, feitores e supervisores. Por sua vez o verbo episkopêo (ter cuidado) é usado duas vezes, genericamente, em Hb 12:15 e I Pe 5:2. O versículo de I Pe 5:1 é fundamental para compreender a argumentação do primeiro parágrafo. Ele diz: AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles... Ou seja, Paulo dá o destaque a si mesmo no grupo, um entre os demais.

Outra falácia é que diácono é sempre um termo masculino. A palavra vem de diakonos, em grego, e no texto de Romanos 16, falando de Febe, o NTGA*** traz a classificação do termo como feminino (substantivo acusativo feminino singular). Portanto, em consonância com a mulher a que se refere, que diga-se de passagem, provavelmente é que levou a carta aos Romanos, uma revolução para a época. Esta relevância é corroborada com a declaração de Atos 17:4,12. As mulheres obtiveram na igreja papel de destaque, antes relegado na sinagoga e no templo. Um aspecto esquecido da questão é que I Tm 3:8-11, relata as características dos diáconos e atribui estas mesmas às respectivas mulheres, ops! às mulheres que exerciam o diaconato! Não esqueça da partícula "da mesma sorte", com a mesma finalidade, e que gynaikos (mulher, esposa) é traduzida aí como esposa em algumas versões, que trazem a mesma palavra como mulher no versículo 12. Por que esta diferença? Equivalência dinâmica? Será que estas características somente seriam afeitas às esposas dos diáconos? E as esposas dos presbíteros?

O mesmo DITNT, falando a respeito de I Tm 2:12, destaca o que já falamos aqui, quando dissemos que Paulo utiliza uma estrutura ontológica, assim como I Tm 2:11-15. Diz o texto:
Paulo aqui declara sua própria posição e praxe, que corresponde à sua posição judaica herdada, e para as quais acha fundamento na criação e na queda.
Esta postura dissimulada de Paulo, era, como já falamos, um eco do que se aprendia na sinagoga. A Meguilá, um dos tratados talmúdicos, dizia: A mulher não lê o trecho da Torá, por amor à honra da congregação. O rabino Eliezer ben Hyrcanos chegou a dizer que aquele que ensina a Lei à sua filha, ensina-lhe estultícia. Outro tratado rabínico dizia: Antes a Lei seja queimada do que entregue às mulheres. E o rabino Judá ben Elai declarava: Deve-se pronunciar três doxologias todos os dias: Louvado seja Deus que não me criou pagão! Louvado seja Deus que não me criou mulher! Louvado seja Deus que não me criou pessoa iliterata!

A mulher, entretanto, como destacou o Paulo Brabo, não chegou a este desmerecimento por ordem divina, como querem fazer crer nossos comentaristas opositores. A Bíblia faz concessões culturais como a escravidão, o dote, a escolha de maridos, que são reprováveis para nós. Isso não visa legitimar tais conceitos, mas apenas registrar sua imbricação****. A tensão registrada nas cartas paulinas retrata a dificuldade de anular conceitos arraigados na mente judaica, assim como ainda os temos hoje.

Um ilustre comentarista, por exemplo, registrou em seu blog que por conta da mulher ser frágil e emocional, haverá mais rupturas na igreja onde ela pastorear! Que falácia! Quantas rupturas não houve em igrejas dirigidas por homens? O ensino de Paulo é tal que ao mesmo tempo que diz: As mulheres sujeitem-se a seus maridos, afirma: Cada um de vós esteja sujeito uns aos outros no temor de Cristo (Ef 5:21)! Como este comentarista entre outros encararia Maria Madalena ungindo Jesus para a morte? Coisa que nenhum homem fez!? Ou sendo listadas na galeria dos heróis da fé, Sara e Raabe? Outrossim, a ênfase no diferencialismo x igualitarismo (que vejam) não resiste a uma exegese de, por exemplo, I Coríntios 7:4 e Gálatas 3:28.

Temos, portanto, que muitas coisas da vida prática da igreja, acontecem em decorrência do que queremos ver e não de como devem ser. Para exemplificá-las recorremos a um texto bíblico. Quando os que estavam reunidos no Cenáculo, em torno de 120 pessoas, homens e mulheres, e se conjecturou que estavam bêbados porque falavam em línguas, Pedro disse: Estes homens não estão embriagados... (Atos 2:13-15). Eram somente homens ali? Será que as mulheres não receberam o Espírito Santo? Vejo em tudo isto um resíduo ancestral da queda, a partir do momento que Eva foi a indutora do pecado de Adão.

Por fim, temos a falácia da modernidade. Segundo seus defensores, a ordenação feminina seria um sinal dos tempos, uma novidade teológica. Cumpre-nos informar:
1) Plínio, imperador romano, registra ter interrogado duas diaconisas da Igreja Primitiva, numa falsa acusação de canibalismo (alguém achava que ele comiam o corpo e o sangue do Senhor);
2) Crisóstomo, em 407 d.C, pastor de Constantinopla, registra ter 40 diaconisas e 80 diáconos. Destacando uma delas, Olímpia, para enviar-lhe várias cartas;
3) As diaconisas deram lugar ás freiras no desenvolvimento da Igreja Católica;
4) No Concílio de Laodicéia, 364 d.C., foi proibido a ordenação de mulheres. Se foi proibido é porque existia!
5) Na obra Constituições dos Apóstolos Sagrados, um manual da Igreja Primitiva, escrita em Constantinopla, no quarto século d.C. é mencionado que uma mulher para ser diaconisa deveria ser virgem ou viúva;
6) O Concílio da Calcedônia, 451 d.C., estipulava que as diaconisas que receberam a imposição de mãos aos quarenta anos, mas se casassem, seriam amaldiçoadas;
7) Em 533 d.C., o imperador romano, Justiniano I, decretou que os estupradores de virgens, viúvas ou diaconisas dedicadas a Deus, deveriam ser golpeados até a morte;
8) Até a instituição do celibato são mencionadas várias mulheres diaconisas, muitas das quais a partir desse instante passaram a não se relacionar com seus maridos;
9) Em 1853 foi consagrada a primeira pastora pela Igreja Unida de Cristo;
10) Em 1940, havia cerca de cinqüenta mil diaconisas luteranas na Alemanha, na Holanda, na Escandinávia, na Suíça e nos EUA. Um dos sites luteranos informa que a igreja possui no Brasil 70 pastoras e 42 diaconisas!
11) 23/04/2005 Cassiane é consagrada a primeira pastora da Assembléia de Deus, Ministério Madureira.

Finalizo, lembrando o que Paulo disse em Filipenses 4:2,3 e destaco o último parágrafo da reportagem da Revista Enfoque Gospel, número 56:
“A mulher na hierarquia evangélica: o pastorado feminino” foi o tema de dissertação de mestrado em Sociologia da Religião da cientista social Maria Gorett Santos. Das 15 pastoras que ela entrevistou, apenas uma teve problemas em seu casamento por causa do ministério. As impressões que Gorett teve foram positivas. Ela ressaltou a preocupação das entrevistadas em equilibrar a família e o ministério, sem ferir o princípio da obediência e da submissão ao homem. A conclusão da estudiosa é que a mulher se torna pastora por necessidade da Obra de Deus e seu discurso não é feminista, já que prega a submissão à figura masculina.

* Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento
** Septuaginta, versão grega do Velho Testamento, escrita por volta de 280 a.C.
*** Novo Testamento Grego Analítico
**** Diz-se das partes de um agregado que se sobrepõem parcialmente umas às outras, como as telhas de um telhado, as escamas dos peixes.

Publicado originalmente em Reflexões Sobre Quase Tudo!