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sexta-feira, 27 de março de 2026

O abismo entre nossa fé e nossas ações - Ronaldo Lidório

 


"Dá-me uma visão da tristeza infinita, milhares correndo em direção ao juízo de Deus. Dá-me uma visão de terras distantes, perdidas sem Cristo, mãos estendidas. Mostra-me a agonia do Getsêmani, dá-me o amor dele pelo mundo."

Wesley Duewell

 

Há hoje na igreja de Cristo um grande abismo entre o que cremos e a forma como agimos. Somos capazes de crer no amor cristão, mesmo contemplando terríveis choques denominacionais dentro do corpo de Cristo. Cremos na comunhão entre os santos, apesar de alguns possuírem mais do que necessitam e outros não terem nem sequer alimentos à mesa. Cremos na unicidade do corpo de Cristo, mesmo que grupos se neguem a adorar a Deus em conjunto com outros irmãos. Cremos na igreja como célula de expansão da fé cristã ao mesmo tempo em que negamos todo tipo de envolvimento financeiro, litúrgico ou humano com missões mundiais. Cremos na universalidade do corpo de Cristo, apesar de não cedermos o “pastor local” para nenhum trabalho fora da “igreja local”, e assim por diante. Partimos ao meio nossa eclesiologia.

Certa vez, um irmão me perguntou: “Teologicamente, até onde deve ir a ação da igreja?” Após algum tempo refletindo, cheguei à conclusão de que a igreja necessita ir até onde vai o sacrifício de Cristo.

“E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.” (Ap 5.9.)

O sacrifício de Cristo vai até ao último povo perdido da Terra, e é até aí que a igreja deve ir.

Temos de entender que nenhum despertamento missionário irá acontecer enquanto não nos dispusermos a viver segundo o que cremos. Precisamos voltar a ser uma igreja visionária, que traduza a sua teologia diante da gritante angústia do mundo sem Cristo; que tenha os valores do reino de Deus; que entenda de uma vez por todas que uma alma vale mais que o mundo inteiro; que ofereça sua vida, seus filhos e suas forças para que ao fim, com lágrimas nos olhos e alegria no coração, contemplemos, ajoelhados, lado a lado, homens de todas as extremidades da Terra louvando conosco ao Cordeiro Jesus, formando com os santos, de todas as gerações, a grande multidão dos salvos no último dia. Uma igreja visionária é uma igreja que põe a mão no arado e ara a terra.

Ronaldo Lidório – Missões: O desafio continua


sábado, 14 de março de 2026

Um segundo do fluxo de tudo

 


Um único segundo de contemplação do fluxo, de tudo o que acontece apenas no planeta Terra – os processos fisioquímicos dos elementos naturais e dos seres vivos, suas interações, o macro e médio e o micro dos muitos e interligados sistemas, seria o suficiente para colapsar nosso cérebro.

Um segundo.

De contemplação.

Mas Deus, de alguma maneira, executa o fluxo de tudo. Imagine então como deve ser um segundo de execução. Não há o que imaginar; há um abismo que não se pode transpor. Tenha paz com sua incompleta compreensão de Deus. Apegue-se ao que dele está revelado, traduzido: Deus se manifestou entre nós através de Jesus Cristo, sua forma solidária e salvífica; e Deus é amor.

Sammis Reachers

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Uma reflexão sobre a incoerência

 


Pr. Reynoldo Frenzel

A incoerência é como uma nuvem que encobre o sol. O Espírito Santo não brilha nas ações daqueles que são incoerentes. A incoerência anda de mãos dadas com a falsidade que, por sua vez, dá as mãos à hipocrisia. Sua raiz alimenta-se da inveja e produz os frutos da injustiça, do desamor, da desagregação e da morte.

Assim como não se constrói uma cidade da noite para o dia, a incoerência é construída gesto após gesto, tijolo após tijolo. Quando evitamos ou corrigimos a primeira pedra que constrói o edifício de uma vida incoerente ou removemos, pelo arrependimento e confissão, as incoerências cometidas, asseguramos a construção de uma vida sadia, equilibrada e feliz.

A incoerência é como sapato apertado: incomoda, cria bolhas e dificulta a caminhada. O primeiro a sofrer suas consequências é o próprio incoerente. É comparável àquele que armou ciladas e, ao se descuidar, caiu na armadilha que ele mesmo armou. É só uma questão de tempo. A incoerência tem um passado intranquilo e acusador, um presente inseguro e culposo e um futuro ameaçado e infeliz.

Há pessoas que aceitam a incoerência dos outros e fecham os olhos e os ouvidos à luz e ao som da verdade. Ao se tornarem cúmplices, tornam-se seus iguais. Quando concordamos com incoerências é como apertar as mãos de alguém que tem espinhos escondidos. Ambos se machucam e se envenenam.

Só Jesus nunca foi incoerente e não aceitou o jogo da falsidade. Sua autenticidade, firmeza, coragem, honestidade, pureza e determinação são fontes de constante inspiração. Seus discípulos bebem dessa água límpida e coerentemente dão dessa água da vida aos outros também.

 Lembro-me do dia que voltei triste de uma reunião com cristãos e disse à minha esposa: "Foram desleais comigo!" Ela sentiu meu aborrecimento e retrucou: "Se foram desleais contigo, o que impede que continues a ser leal?" – A incoerência dos outros não justifica minha própria incoerência. Seguir a Jesus é seguir a coerência do Evangelho, em palavras e ações, em todas as circunstâncias e momentos.


Do livro Um Olhar para o Vale


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

O trabalho: Sua bênção e sua necessidade



 Sérgio Nilo Schmidt

Necessito trabalhar. É próprio de toda criatura humana trabalhar. Quem nunca trabalha não é ser humano. Necessito realizar meus sonhos. Trabalhar é concretizar os sonhos. É colocar nas mãos e no mundo aquilo que se passa na mente e no coração. E como é lindo poder sonhar e realizar o sonho! E como é frustrante sonhar e só permanecer no sonho. Sonhei escrever esta meditação e estou concretizando meu sonho. Estou me realizando, realizando uma atividade e realizando meus sonhos.

Muitos não sonham e trabalham simplesmente como animais que sentem necessidade de sobreviver. É um trabalho escravo. É como o boi que vai para as pastagens obrigado para saciar sua fome. Assim muitas pessoas não sonham e trabalham como escravos para poder matar seu instinto de sobrevivência. Trabalhar para comer. Isso é muito pouco.

O mundo do trabalho é tão imenso quanto o mundo. Não tem limites. Na realidade, tudo é trabalho. Desde o construir uma ponte até o plantar um jardim, desde montar uma aeronave até cuidar de uma criança, desde dirigir um trator até costurar uma roupa, desde dirigir um país até votar para escolher o dirigente, desde lavrar a terra até pentear uma criança, desde realizar um esporte até compor um poema, desde escrever e ler um livro até o silêncio de colocar-se em oração. Toda atividade é um trabalho.

O que não realiza um sonho não deve ser feito. É degradante o trabalho que só visa a lucros materiais. É detestável o trabalho que é feito por fazer, sem a alegria de ser um construtor deste universo. E miserável o trabalho que é feito como escravo.

Meu trabalho deve ser alegria, solidariedade, fraternidade, realização de sonhos. Quero ver fora, no mundo, na sociedade, na terra, na máquina, nas pessoas, os sonhos concretizados.

Um dia Cristo disse, vendo o povo que só trabalhava para comer, beber e se vestir: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6.33). Devo sonhar com o Cristo, para que meu sonho não se torne somente terra. Tenho que sonhar com o Cristo, para que meu trabalho comece aqui para durar eternamente. Trabalhar para realizar os sonhos e sempre um novo trabalhar para realizá-los? quero jeito de ser. Que sonhos trago comigo para o dia de hoje? E como quero trabalhar para realiza-los?

Do livro Um Olhar para o Vale


terça-feira, 9 de setembro de 2025

O que é Contentamento? Um texto de Ruth Senter

  


Contentamento É...

 

Ruth Senter

 

Eu ouvia a voz, mas não tinha condição de enxergar a pessoa. Ela estava do outro lado do armário do vestiário. Acabara de chegar da aula de natação matinal. Sua voz assemelhava-se à própria manhã: forte, animada, cheia de vida. Às 6h 15 da manhã, atrairia a atenção de qualquer pessoa. Eu ouvi sua voz firme:

— Dolores, gostei muito do livro que você pegou para mim na semana passada. Sei que a biblioteca fica fora de seu caminho. Não consegui parar de ler. Solzhenitsyn é um grande escritor. Estou feliz por você ter-me sugerido o livro dele.

— Bom-dia, Pat — ela cumprimentou outra nadadora. Por um instante, a voz melodiosa calou-se. Em seguida, ouvi-a dizer: — Você já viu um dia tão esplêndido como este? Vi um par de cotovias enquanto caminhava esta manhã. Isso nos traz alegria de viver, não?

O tom da voz era bom demais para ser verdade. Quem pode ser tão agradecido a essa hora da manhã? A voz dela tinha um certo requinte. Talvez fosse uma mulher rica, sem nada para fazer o dia inteiro, a não ser tomar uma xícara de chá em sua varanda e ler Solzhenitsyn. Eu ficaria animada às 6 horas da manhã se pudesse nadar e ler um livro ao longo do dia. Ou se possuísse uma casa de campo nos bosques do Norte.

Contornei o armário em direção aos chuveiros e fiquei frente a frente com a dona daquela voz jovem. Ela estava arrumando seus apetrechos. O uniforme amarelo de faxineira ficava bem assentado naquela mulher de uns 50 anos. Era um uniforme que eu conhecia, acompanhado de vassouras, esfregões, panos de pó e baldes. Uma empregada do local onde eu nadava. Ela deu um leve sorriso para mim, pegou sua sacola de plástico das Lojas Americanas e caminhou apressada em direção à porta, dizendo: "Tenha um glorioso dia" a todos que encontrava.

Eu não consegui tirar da mente aquele uniforme amarelo, enquanto dava minhas braçadas e afundava o corpo na espuma da piscina de hidromassagem. Meus dois companheiros estavam entretidos em uma conversa. Pelo menos um deles estava. Sua voz cansada e triste falava de dores nos joelhos causadas por artrite, aneurisma no coração, noites sem dormir e dias repletos de mal-estar.

Nada estava bom ou na medida certa. A água estava quente demais, os jatos d'água não eram suficientemente fortes para seus joelhos endurecidos, e os médicos haviam demorado muito para diagnosticar seu caso. Com sua mão enfeitada com um anel de brilhante, ele retirou a espuma branca do rosto. Parecia um ancião, mas suspeitei que também tivesse uns 50 anos.

O uniforme amarelo e o anel de brilhante, surpreendente e silencioso contraste, provaram mais uma vez para mim que, quando Deus diz que "religiosidade. acompanhada de contentamento significa prosperidade", Ele quer dizer exatamente isso. Naquela manhã, eu vi contentamento e descontentamento. Tomei a decisão de jamais me esquecer disso.

De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” – 1 Timóteo 6:6-10

Do livro Histórias para o Coração, de Alice Gray (org.)


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

450 CITAÇÕES SELECIONADAS DE STANLEY JONES EM LIVRO GRATUITO - BAIXE O SEU!

 

Eli Stanley Jones (1884—1973) foi um missionário protestante, teólogo e autor norte-americano que dedicou sua vida ao trabalho evangelístico na Índia. Stanley chegou a ser chamado por veículos de mídia de “o maior missionário do mundo”, mas definia-se a si mesmo como um evangelista. Seu esforço de contextualização e promoção do cristianismo entre culturas orientais e seu ímpeto em busca da unidade cristã em prol da Grande Comissão encantaram e mobilizaram a muitos, não sem escandalizar a alguns. Sua luta contra o preconceito racial e social transcendeu fronteiras e religiões, influenciando líderes como Martin Luther King Jr., que se inspirou em sua biografia de Gandhi — de quem Jones fora amigo — para adotar a não-violência no movimento dos direitos civis.

Seus muitos livros — mais de 25 títulos —, alguns dos quais best-sellers, redundaram em lucros revertidos para a obra. Fiel aos preceitos de John Wesley, Jones foi incansável em pregar, em doar, em arder. Pregou mais de 60.000 sermões durante sua vida. Estadista do Reino de Deus, Jones foi um cristão global de fato e direito, décadas antes deste termo fazer sentido.

Num tempo (ou numa sucessão de séculos!) de tantos teólogos preocupados apenas com o teologar, seguros em suas cátedras, púlpitos e urbes, sem maior ou ao menos inteiro compromisso com a Grande Comissão — observe a sua estante, é o caso de mais deles do que você imagina — o exemplo colossal de Jones é um modelo a ser admirado e replicado, se tivermos almas à altura do chamado que pesa sobre todos nós.

Neste e-book GRATUITO, apresentamos um apanhado do pensamento de Jones, na forma de 450 trechos (citações), coligidos de diversos de seus livros.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Envelhecendo em Deus - Stanley Jones

 


Na juventude oferecemos a Deus o nosso entusiasmo; na velhice oferecemos a ponderação, a experiência, a simpatia — qualidades impossíveis de oferecer em outra época. Envelhecer, não somente em graça, mas também em gratidão, é o privilégio do cristão; assim, o cristão não deve suportar a velhice; deve usá-la.

Quando, pela primeira vez, fui à Índia não me aclimatei bem, e caí vários meses com febre. Quase valeu a pena ter febre para ter o privilégio de receber as visitas da bondosíssima senhora hindu chamada "Mãe Carolina". Sua face bronzeada estava sempre radiante e ao levantar-se depois de ter orado ao meu lado, invariavelmente inclinava-se e beija-me a fronte febril. Quando ela saía do quarto eu sentia ter recebido um anjo — conscientemente. Ora, se fosse jovem, teria perguntado, timidamente, da varanda como eu estava e teria ido embora, mas a velhice tem o privilégio de entrar nos santuários íntimos e deixar os seus beijos onde são mais necessários. Sim, a velhice tem o privilégio de penetrar nos santuários das almas de pessoas, inescrutáveis para a juventude. A velhice tem liberdades tanto quanto a juventude. Por isso, toda vez que olho no espelho e vejo o cabelo tornar-se grisalho, somente me alegro. Regozijar-me-ei quando for branco! Pois todo ano da vida tem sido mais belo que o anterior, e por que não o seria até o fim — o fim que é apenas um novo começo?

Trecho do livro Cristo e o Sofrimento Humano.


sexta-feira, 4 de julho de 2025

Juliana e o vulcão, ou a erupção de nossa tragédia política

 

Sammis Reachers

Nesta semana este país gigante e ferido de patologias genéticas que lhe embotam o raciocínio e o convívio (escolha a sigla que lhe agradar) se viu mobilizado.

Juliana Marins, niteroiense como eu, foi vítima de uma tragédia.

Mas sua tragédia pessoal/familiar revelou outras em seu bojo. Logo o país ainda polarizado se viu num embate: Onde está o presidente Lula, o Lule de tantos, que não providenciou seja o resgate do corpo vivo, seja o translado do cadáver? Pior, enviou jatinho da FAB para resgatar antiga “comparsa de falcatruas” dos tempos do Mensalão...

A monstruosidade de muitos se mostrou não na empatia com a Juliana ou seus restos mortais, mas em usar um fato trágico como artefato político, granada de concussão para tentar atordoar o outro lado.

E a monstruosidade foi prontamente respondida com outra monstruosidade (é a guerra, baby): Lula, o Lule misógino, machista e racista das massas bichas e machas, aprovou o gasto com o translado de corpos de brasileiros.

Há praticamente CINCO MILHÕES DE BRASILEIROS RESIDINDO NO EXTERIOR.

CINCO MILHÕES.

Fora os turistas.

Não, eu não quero, não posso e nem preciso pagar essa conta. Nem o país que eles escolheram deixar para sempre ou por momento.

Mas Juliana era turista. Turista de AVENTURA, que é aquele que escolhe o risco, e extrai do perigo, prazer. Sim, mesmo sabendo dos riscos, mesmo apesar dos riscos. Mesmo apesar da família, seu receoso apoio ou constrangida oposição. Ficou claro o desenho? Turista de AVENTURA. Aventurou, aventurou e morreu. Uma tragédia. Pessoal e familiar. Arthur, filho de Campina Grande e garçon em Barcelona, acaba de morrer em terras espanholas. Embolia pulmonar. Agorinha. Sua morte nos comove? Adelaide, maquiadora de Nova Iguaçu, acaba de morrer em Berna, na Suíça. Caiu de uma escada de três míseros degraus, dentro de casa. Cabeça na quina da pia. Morreu assim como todos os CINCO MILHÕES de brasileiros no exterior irão morrer, antes, durante e após você e eu.

Tudo isso é para expor o ridículo de nossa situação. O país não tem que enviar jatos da FAB, esse elefante branco e voador, com seus orelhões de dumbo ou do diabo, para resgatar criminosos “perseguidos”. E nem cadáveres, seja de trabalhadores pátrios, seja principalmente de aventureiros.

Mas bom senso desertou de nós há uma década ou quase duas, e a situação da inocente Juliana só serve para expor com toques de filme splatter o horror de nossa película. Por sinal, já ouviu nossa trilha sonora? Somos o país de Poze e Oruam, de Gusttavo Lima e de Enrique & Juliano...

Além da guerra, a política é a única ocupação onde um porco pode entregar o máximo de sua porquidão. Uma arena onde ele pode ofertar o seu pior para o cosmos.

Lula, como antes fez Bolsonaro, se mostra fraco ou porco demais: Os ventos do populismo – leia-se, desejo de reeleição, essa monstruosidade que não deveria existir – o faz lançar âncora onde quer que possa conseguir mais votos, de um bolsa-luz (na verdade, luz elétrica de graça para quem consome pouco), CNH gratuita para o pobre que pode comprar carro, mas não pagar por uma carteira (?), ao translado de corpos de aventureiros. Amanhã tem Flamengo, time de meu coração e de um terço da pátria aurirrubra: Eu e você pagamos a conta para que um fique deitado em sua casa ou casebre assistindo a Copa do Mundo de Clubes, luz e bolsas em dia, enquanto eu não posso, pois estou dando expediente no trabalho. E do trabalho, na hora apertada do almoço, assisto à comoção sobre outro aventureiro que curte a vida adoidado, não compartilhando seu prazer (justo, pois é particular), mas compartilhando sua desdita, pois pago os custos finais de sua aventura.

Esse desejo lulista de perpetuar-se no poder, pondo em risco a economia do país, é tão deletério quanto os arroubos golpistas e provincianos do idiota da aldeia Bolsonaro, outro que se revelou populista, mas tarde e sem talento, que talento no que seja sempre lhe faltou na vida.

Contra essa dualidade demoníaca de Lule x Bozo, quem se apresenta? A direita como a tupiniquim carrega em si o vírus totalitário; a esquerda outra que não a lulista é ainda mais perniciosa; os liberalóides passam do ponto: propondo Estado mínimo, querem mesmo é Estado nenhum. Marina se aquietou e aniquilou, conformada, um dos casos mais sinistros de implosão-política-sem-escândalos da história pátria. Ciro Gomes, o eterno injustiçado, não consegue falar a língua de nosso povo e até de nossas "elites", feridos todos de analfabetismo funcional (o "mal do século" brasileiro).

Primeira, segunda e terceira vias assoreadas, interditadas por lama perfumada. Precisamos de uma quarta, quinta, sexta vias. Mas de que bueiro emergiriam?

Estamos todos futricados, como diria meu pai.


*****


Sammis Reachers é escritor e editor. Paga suas contas como professor de Geografia. É licenciado também em História e em Artes Plásticas, e graduado em Biblioteconomia.


domingo, 15 de junho de 2025

Eu serei cristão - Daniel A. Poling

 


Eu serei cristão. Como uma linha vermelha que percorre a minha vida, que o concerto me obrigue a estar nos caminhos de Jesus e de acordo com a sua vontade.

Eu serei cristão. Com meu corpo, minha mente, e meu espírito, centrados em Cristo, para que eu possa descobrir a sua vontade; para que eu possa andar pelos seus caminhos; para que eu possa conquistar meus colegas; e para que, ‘em todas as coisas, Ele possa ter a proeminência’.

Eu serei cristão. Com minha voz de paixão, em uma época que se tornou fria e cínica, por causa da fé vacilante e de obras acanhadas; com minha resposta ao chamado macedônio, de continentes espirituais não conquistados e não explorados.

Eu serei cristão. No meu coração, no meu lar, no meu grupo, na minha nação — agora, para ajudar a salvar a América, para que a América possa servir ao mundo.

Eu serei cristão. Através de todas as linhas de cor e classe, em todos os relacionamentos humanos, independentemente de circunstâncias temporais, apesar de ameaças, e sem pensar em recompensas.

Eu serei cristão. Para que o cristianismo possa se tornar tão militante quanto o fascismo; tão terrível contra o mal quanto o ódio que Deus tem do pecado; tão terno com os fracos quanto o seu amor pelas criancinhas; tão poderoso quanto a oração dos justos, e tão sacrifical quanto a Cruz no Calvário.

Eu serei cristão... e que Deus me ajude.

 Daniel A. Poling


in Comentário Devocional da Bíblia, de Lawrence Richards (CPAD)


quarta-feira, 30 de abril de 2025

ESCOLA SUPERIOR DA AVAREZA - Mário Ribeiro Martins

 

ESCOLA SUPERIOR DA AVAREZA

Mário Ribeiro Martins*

(REPRODUÇÃO PERMITIDA, DESDE QUE CITADOS ESTE AUTOR E O TÍTULO, ALÉM DA FONTE).


A Bíblia apresenta, embora sem nomeá-las, várias Escolas: Escola dos Profetas, Escola de Alexandria, Escola Mosaica, Escola Judaica, Escola Paulina, entre outras. Todas tiveram seus fundadores e seguidores. A Bíblia apresenta uma escola "sui generis": A Escola Superior de Avareza. Caim teria sido seu fundador, nos primórdios da humanidade, se é que foi o resto imprestável da sua lavoura que ele separou para entregar ao Senhor, como alguns supõem.
Mas esta escola, como todas as outras do Velho e Novo Testamento, teve os seus seguidores, dos quais a Bíblia guarda tristes e horripilantes memórias. Um deles foi Judas Iscariotes que revelou seu instinto bestial e avarento quando Maria, irmã de Lázaro, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, derramou sobre os pés de Jesus e os enxugou com suas madeixas. Foi aí que Judas disse: "Por que não se vendeu por trezentos dinheiros, Senhor?" Judas não queria o dinheiro para o Senhor, mas para a sua bolsa.
Quantas vezes se ouve: para que comprar terreno para a Igreja, se o dinheiro tem de sair do nosso bolso? Judas provavelmente diria: é melhor não comprar móveis, porque desde a fundação da Igreja estamos acostumados com velhos bancos e nunca morremos. Mas Judas fez muito mais do que isto. Diz Mateus que por causa dele os discípulos se indignaram contra Jesus.
Dois outros discípulos da Escola Superior da Avareza foram Ananias e Safira dos quais a Bíblia apresenta uma ingrata memória. Foi mais fácil Deus ressuscitar a Lázaro, abrir o Mar Vermelho ou o Rio Jordão do que abrir o coração avarento de Ananias e Safira. Haviam dado profissão de fé. Haviam sido imersos nas águas batismais. Haviam preenchido uma ficha. Sabeis qual? A ficha da fidelidade e da honra, escrita não com letras e tinta, mas com lágrimas caídas dos seus olhos nos dias das perseguições.
Vivemos no mundo dos símbolos: a aliança representa a união matrimonial, o batismo simboliza uma nova vida, o diploma é a expressão da formatura, a ficha que o membro de uma igreja assina representa a fidelidade. Mas a avareza fez com que Ananias e Safira pensassem: nos dias de Cristo não era assim, a gente dava quando queria, dava voluntariamente e a obra foi realizada. Agora estes apóstolos querem até saber quanto nós ganhamos com a venda da propriedade. Verdadeiro crediário, Safira! Vamos dar quanto nós entendemos! Foi aí que Pedro disse: "Não mentiste aos homens, mas a Deus". É provável que Ananias ao ouvir as palavras de Pedro ainda tenha pensado: é um verdadeiro crediário, pesquisou a minha vida e soube por quanto vendi a propriedade!
Estas são as argumentações da avareza. Ananias e Safira foram fulminados. Deus não conseguiu vencer a avareza. Aquelas mesmas portas largas pelas quais entraram, por elas saíram. Entraram como bons crentes e saíram como maus mordomos. Como Ananias e Safira, há aqueles que entraram para as igrejas como crentes, mas saem por causa da avareza, levando na consciência as marcas de um mau mordomo.
A Escola Superior da Avareza ainda existe e seus seguidores estão espalhados por toda parte: entre pastores, diáconos, professores da Escola Dominical, alunos, verdadeiros "Cains" que dizem: o fogo do altar também pode acender-se com os restos da minha lavoura. Esta meditação é uma advertência para que não se cometa o pecado da avareza. (JORNAL BATISTA. Rio de Janeiro, 16.09.1973).



MÁRIO RIBEIRO MARTINS - ERA PROCURADOR DE JUSTIÇA E ESCRITOR.

sábado, 1 de março de 2025

E-BOOK GRATUITO: Vivendo a Alegria - 200 Citações Selecionadas

 


Alegria.

Imersos num turbilhão de sentimentos e solicitações, bombardeados por informação – muitas vezes tóxica, opressiva, rasa –, feridos por receios e ansiedades,  buscamos alegria, como quem busca, sem saber, a essência da vida. Mas não a alegria passageira, conquistada ao obter uma promoção no trabalho ou comer uma coxinha sem peso na consciência: ansiamos por alegria duradoura, cientes talvez de que o estado alegre é o nosso estado natural, perdido em alguma curva da história individual ou da espécie.

A alegria contagia e precisa ser assim: Somos seres gregários, e a alegria verdadeira passa por compartilhar este sentimento com os demais, numa troca luminosa.

Aqui, reunimos uma inspiradora coleção de citações, coligidas de autores os mais diversos, sobre este tema que é saúde para o corpo e o espírito. E, ao final deste volume, oferecemos uma reflexão sobre a conquista da verdadeira alegria, muralha contra o desespero e o vazio que nos rondam como que dia e noite.

 

Para baixar gratuitamente o seu exemplar, CLIQUE AQUI.


domingo, 27 de outubro de 2024

15 breves reflexões sobre Jesus Cristo, por Sammis Reachers

 


Jesus encarnado é a quebra da meta-alteridade de Deus, o infinitamente inapreensível tornado infinitamente ao lado.

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Quanto mais acumulo quer riquezas quer dívidas, amigos ou opositores, decepções ou alegrias, e experiências com os anos de vida, mais percebo que, estando cheias ou vazias minhas despensas, para tudo, sobretudo e contra tudo, Jesus é tudo o que tenho.

Sou um cristão e, deixados os eufemismos no capacho, isso significa que não há um centímetro do corpo de Cristo que eu não tenha apunhalado, e persista em perfurar novamente, num vai-e-vem tragicômico de crimes e arrependimentos. Cada segundo de respiração minha é um absurdo, uma explosão milagrosa, cataclísmica, de perdão e graça. Kierkegaard falava com razão que a fé verdadeira exige um salto para o absurdo, e a loucura da cruz, do Deus apunhalado, é esse absurdo.

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi, o melhor dos homens?

 *   *   *

Seria impossível aproximarmo-nos satisfatoriamente de Deus se Ele não se tivesse feito homem. E isso não pela ausência ou ineficiência de qualquer revelação, mas sim porque, seres caídos (e isso significa: mui distanciados), ser-nos-ia impossível evitar a desconfiança, seja da maior das graças, seja do maior dos deuses, tão distanciadamente alto, que vê-lo é impossível, vê-lo é morrer. Mas, como desconfiar do andrajoso Rabi galileu?

 *   *   *

A um tempo Fonte e Receptáculo de todos os tesouros da Ciência e da Sabedoria: enquanto permanecermos reféns do pó, jamais entenderemos tudo o que Ele FUNDOU naquela CRUZ. O mistério da encarnação, a sublimação máxima: um muro para o entendimento, uma esperança instigante para os ainda agrilhoados ao pó, pela revelação vindoura da glória imarcescível - e então PLENAMENTE compartilhada.

 *   *   *

Eu não sei quem eu sou, mas Cristo, sei bem quem tu és. E sabendo quem és, em ti encontro quem sou.

 *   *   *

Às vezes pode ser cansativo, algumas vezes até irritante, e vezes há que até mesmo, sim!, é humilhante.

Mas nada se compara ao suportado pelo CORDEIRO.

ELE é digno. No dia mau, na crise, quando não puder suportar sequer a expressão do próximo, ou quando não puder suportar sequer o seu próprio rosto no espelho, olhe nos imutáveis olhos do Cordeiro. Apanhe força, arranque-a da Fonte.

Continue seu combate, seu serviço, sua missão.

 *   *   *

Maria busca a máscara chamada filhos; João, a máscara dita paz. Antônio a máscara poder, Marcela a máscara fama. Desmascaradas suas fragilidades, o que todos buscam é por redenção. E só o Cristo, aquele que ressuscitou, a possui e a dá, graciosamente, a quem lhe pede.

 *   *   *

Somos deuses suicidados, ressuscitados por Deus que por nossas mãos se suicidou.

“A palavra da cruz é loucura para os que perecem”.

 *   *   *

Deixar de compartilhar a verdade com medo de magoar o ouvinte, é acabar magoando a verdade.

E a verdade não é uma relatividade ou generalidade, mas uma singularidade, um ‘norte’ fundacional para todas as coisas. Ao fim e ao cabo, a verdade é uma pessoa: Cristo, de onde toda verdade emana.

 *   *   *

Há rei que peça que você mate; há Rei que peça que você morra. Inevitavelmente um desses dois vai definir seu estar e seu porvir. O que lhe solicita que morra é na verdade Senhor da Vida, e a dará a você, a Vida além do tempo, além do calculável. O que ordena que você mate, ao fim e ao cabo nada pode, senão morrer contigo, e arrastá-lo para compartilhar para sempre de seu castigo, o castigo dos usurpadores. Pois só existe um Rei.

 *   *   *

Em Cristo as genealogias são pó, assim como é pó toda honra obtida ao largo da cruz.

 *   *   *

Toda rota que não leva a Cristo é rota de colisão.

 *   *   *

Descobrir que Jesus existe,

Descobrir quem Ele é:

Eis tudo.

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Sammis Reachers

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domingo, 26 de maio de 2024

Três máximas para uma vida vitoriosa

 


Tenho por prazer antigo vasculhar livros em busca de máximas, citações que comportem, em resumo e forma, o suprassumo da sabedoria humana. Nessa jornada de sofá deparei-me com um turbilhão de frases desconcertantes, que nos levam em direções inesperadas; outras, portadoras de um poder de fulminação capaz de nos fazer tombar, extasiados. Mas o que percebi, no acumulado, é que a sabedoria humana fundamental (exprimível, sempre, na forma de máximas) é simples, e pode ser apreendida, conservada e praticada por qualquer pessoa.

Bem, de minha parte, se me coubesse lhe apresentar um resumo de sabedoria, eu poderia tecer máximas de máxima simplicidade e surpreendente economia. Sua falsa obviedade, seu ar simplório, escondem o segredo de uma vida bem vivida, em tudo proveitosa – para si e para os demais navegantes de nossa espécie. Vamos lá?

 

Uma máxima em apenas três palavras: Creia em Cristo

Em duas: Seja homem

E em uma única palavra: Aja

 

Ah, mas eu sou mulher... Pois bem minha filha, faça isso, SEJA MULHER, com o melhor que puder entregar.

 

Sammis Reachers


sábado, 16 de março de 2024

KIERKEGAARD: 21 citações sobre a FÉ

 


1.               A fé é a mais elevada paixão de todos os homens.

 

2.               A fé é a paixão pelo possível e a esperança é a companheira inseparável da fé.

 

3.               Fé significa precisamente a inquietude profunda, forte, bem-aventurada, que impulsiona o crente, para que ele não possa aquietar-se neste mundo, de modo que se ele se aquietou completamente também cessou de ser um crente; pois um crente não pode assentar-se calmamente, tal como a gente se assenta com o cajado na mão, um crente caminha adiante.

 

4.               A fé enxerga melhor no escuro.

 

5.               A fé é um absurdo. Seu objeto é extremamente improvável, irracional e para além do alcance de qualquer argumento… Suponhamos que alguém decida que quer adquirir fé. Acompanhemos essa comédia. Ele quer ter fé, mas ao mesmo tempo também quer ter a certeza de que está dando o passo certo – então empreende um exame objetivo da probabilidade de estar certo. E o que acontece? Por meio desse exame objetivo da probabilidade, o absurdo torna-se algo diferente: torna-se provável, cada vez mais provável, extremamente provável, absolutamente provável. Agora essa pessoa está pronta para acreditar e diz a si mesma que não acredita da mesma maneira que os homens comuns, como sapateiros ou alfaiates, mas apenas depois de ter pensado toda a questão de forma adequada e compreendido sua probabilidade. Agora está pronta para acreditar. Mas vejam, nesse exato momento torna-se impossível para ela acreditar. Algo que é quase provável, possível ou extrema e absolutamente provável é algo que a pessoa pode quase conhecer, praticamente conhecer ou bem aproximadamente conhecer – mas é impossível crer. Pois o absurdo é objeto de fé e o único objeto que pode ser crível.

 

6.               A fé não resulta da investigação científica; não tem de todo uma origem direta. Pelo contrário, nesta objetividade há a tendência para perder o interesse pessoal infinito pela paixão que é a condição da fé, o ubique et musquam [lat.: por toda parte e em nenhum lugar] no qual a fé pode brotar.

 

7.               A incerteza objetiva, sustentada na apropriação da mais apaixonada interioridade é a verdade, a mais alta verdade que há para um existente. Lá onde o caminho se desvia (e onde é esse ponto não se pode estabelecer objetivamente, pois ele é, precisamente, a subjetividade), o saber objetivo é suspenso. Objetivamente ele tem, então, apenas incerteza, mas é exatamente isso que tensiona a infinita paixão da interioridade, e a verdade é justamente a ousada aventura de escolher, com a paixão da infinitude, o que é objetivamente incerto. Observo a natureza a fim de encontrar Deus e, de fato, vejo onipotência e sabedoria, mas vejo também muita outra coisa que preocupa e perturba. A summa summarum [lat.: soma total] disso é a incerteza objetiva, mas precisamente por isso a interioridade é tão grande, porque a interioridade abrange a incerteza objetiva com toda paixão da infinitude.

 

8.               Sem risco não há fé. Fé é justamente a contradição entre paixão infinita da interioridade e a incerteza objetiva. Se eu posso apreender objetivamente Deus, então eu não creio; mas, justamente porque eu não posso fazê-lo, por isso tenho de crer; e se quero manter-me na fé, tenho de constantemente cuidar de preservar na incerteza objetiva, de modo que, na incerteza objetiva, eu estou sobre “70.000 braças de água”, e contudo creio.

 

9.               Com efeito, a fé tem duas tarefas: vigiar e descobrir a cada momento a improbabilidade, o paradoxo, para então, com a paixão da interioridade, permanecer firme. […] Onde o entendimento desespera, lá a fé já está presente, a fim de tornar o desespero bem decisivo, para que o movimento da fé não se torne uma transação dentro da esfera de negociações do entendimento.

 

10.          O cristianismo ensina que tudo o que é essencialmente cristão depende somente da fé; quer, portanto, ser precisamente uma ignorância socrática e com temor de Deus que por meio da ignorância guarda a fé contra a especulação, vigiando para que o abismo da diferença qualitativa entre Deus e o homem possa ser mantido como é no paradoxo e na fé, a fim de que Deus e o homem, ainda mais terrivelmente do que nunca no paganismo, não se transformem de algum modo, philosphicepoetice [filosoficamente, poeticamente], numa unidade — no sistema.

 

11.          Tenho que confessar que jamais encontrei, no curso de minhas observações, um só exemplar autêntico do cavaleiro da fé, sem com isso negar que talvez um homem em cada dois o seja...

 

12.          Não é permitido a ninguém fazer acreditar aos outros que a fé tem pouca importância ou que é coisa fácil, quando é, pelo contrário, a maior e a mais penosa de todas as coisas.

 

13.          O verdadeiro cavaleiro da fé é uma testemunha, nunca um mestre.

 

14.          Enquanto que até agora a fé teve na incerteza um pedagogo proveitoso, ela deveria ter seu maior inimigo na certeza. De fato, se se exclui a paixão, a fé deixa de existir, e certeza e paixão não se atrelam juntas.

 

15.          Para quem serve a demonstração? A fé não precisa dela, pode até mesmo considerá-la sua inimiga. Ao contrário, quando a fé começa a se envergonhar de si mesma; quando, como uma amante que não se contenta com amar, mas que no fundo se envergonha de seu amado e por isso precisa provar que ele é algo de notável; portanto, quando a fé começa a perder a paixão; portanto, quando a fé começa a deixar de ser fé, aí a demonstração se torna necessária para que se possa desfrutar da consideração burguesa da descrença.

 

16.          Pobre, incompreendida, maior de todas as paixões: fé.


17.  O engenhoso pagão disse: Dá-me um ponto lá fora e eu moverei a terra; o nobre disse: Dá-me um grande pensamento; oh, a primeira coisa não se deixa fazer, e a segunda não adianta o bastante. Só há uma única coisa que pode ajudar, mas esta não pode ser dada por um outro alguém: crê, e transportarás montanhas!


18.               Não existe a obediência fora do sofrimento, a fé não existe fora da obediência, a eternidade não existe fora da fé. No sofrimento a obediência é obediência, na obediência a fé é fé, na fé a eternidade é eternidade.


19.               As tarefas, tanto da fé quanto da esperança, e do amor e da paciência e da humildade e da obediência, em suma, todas as tarefas humanas repousam sobre a certeza eterna, na qual têm paradeiro e aprovação, de que Deus é amor.


20.               Fé e dúvida não são dois tipos de conhecimento: são paixões opostas.


21.               O engenhoso pagão disse: Dá-me um ponto lá fora e eu moverei a terra; o nobre disse: Dá-me um grande pensamento; oh, a primeira coisa não se deixa fazer, e a segunda não adianta o bastante. Só há uma única coisa que pode ajudar, mas esta não pode ser dada por um outro alguém: crê, e transportarás montanhas!


Frases extraídas do e-book gratuito 150 Frases de Soren Kierkegaard.

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