quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Mamonismo, a maior religião global



"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro".

Mateus 6:24


Lendo a tão pedagógica passagem bíblica, me ocorreu uma interessante reflexão. Se Jesus diz que não se pode servir a dois senhores, logo, segundo o próprio Jesus, a maior religião do mundo seria o mamonismo (adora$ão a Mamon - o bom e velho dinheiro, o deus sem rosto e inventor das máscaras), superando o cristianismo e o Islã com considerável vantagem. Mas há um problema: Aneste$iados, não sabemos reconhecer ou computar uma tão imensa multidão, que porventura nos abarca, e assim a principal religião humana, por carência de livro sagrado ou código definidor, segue como se não existisse, e no entanto por tudo responde.
Como se não existisse, sim, para nós, pois naquele Tribunal Celeste consta que há o nome de cada membrado na portentosa seita.

sábado, 21 de outubro de 2017

Buscando a direção de Deus - O fruto do trabalho de George Washington Carver


O fruto do trabalho de George Washington Carver

Infinitas plantações de algodão haviam sugado os nutrientes do solo sulista. Os fazendeiros pós-guerra civil enfrentaram uma terra arrasada e uma plantação devastada. George Washington Carver, um professor no Instituto Tuskegee do Alabama, ofereceu uma solução. Mudar a cultura e restaurar nitrogênio e fertilizante ao solo. Cultivar batata-doce, feijão-de-corda, soja e, acima de tudo, amendoim. Mas Carver não conseguiu convencer os fazendeiros.
Foi necessário que casulos de besouros o fizessem.
Saindo do México, eles se deslocaram em enxame, através do Texas, e entraram na Louisiana e no Mississipi. Por volta de ') 1915, o inseto consumidor de algodão havia atingido o Alabama. Carver viu a praga como uma oportunidade. "Queimem o seu algodão infestado", ele declarou, "e plantem amendoim."
Mas quem os compraria?
Uma viúva idosa bateu à porta de Carver. Depois de plantar e colher o amendoim, tinha centenas de quilos sobrando. Ela não estava sozinha. Carver descobriu celeiros e armazéns abarrotados, de amendoim. Estava estragando nos campos por falta de um mercado.
Anos depois ele se lembrou de como se retirou para o seu lugar favorito na mata; buscando a sabedoria de Deus.
— Ó, Deus, por que fizeste este universo? — ele exclamou. — Você quer saber demais para esta sua mente pequena. Pergunte-me algo que seja do seu tamanho — o Criador respondeu. Então eu disse: — Querido Senhor, diga-me, o homem foi feito para quê? — Homenzinho, você ainda está pedindo mais do que pode controlar. Abrevie a extensão do seu pedido e melhore o intento. Então, fiz a minha última pergunta: — Senhor, por que fizeste o amendoim? — Assim está melhor — respondeu. E me deu um punhado de amendoins e voltou comigo para o laboratório, e juntos nos pusemos a trabalhar.'
Trabalhando dia e noite, Carver despedaçou o amendoim e libertou a química mágica que transformaria o prejuízo em lucro. Em menos de cinco anos, a produção de amendoins transformou o seu território do Alabama em uma das áreas mais ricas do Estado. Durante toda a sua vida, Carver extraiu mais de trezentos produtos do amendoim.
Esta parte fala sobre você encontrar o seu amendoim — a tarefa feita sob medida que honra a Deus, ajuda os outros e emociona você.

- Max Lucado em “Quebrando a Rotina” Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 21-22.

sábado, 16 de setembro de 2017

O capitalismo e o comunismo no que possuem de mais sórdido, na NetFlix


Assisti nesta semana a dois filmes bem diferentes, dois filmes (na Netflix) para você aprender sobre SORDIDEZ.
 Em First They Killed My Father vemos a colheita maldita que foi a implantação do comunismo no Camboja, pela história real de uma família desfeita nas fazendas coletivas, alistamentos compulsórios e outras fornalhas marxistas.
Já em Capitalismo: Uma História de Amor, de Michael Moore, o alcagueta-mor do Império, vemos a sordidez inacreditável do capitalismo e seus mecanismos de vampirização e prostituição daquele que foi feito à imagem e semelhança de Deus.
Dois filmes para aprendermos sobre SORDIDEZ, sobre sistemas que em suas raízes e processos (práxis, práticas) negam o cristianismo ensinado no Sermão do Monte; para aprendermos que um outro caminho precisa ser tomado.
Recomendo que você os assista. Como gosto de provocar, são filmes para serem exibidos nas EBDs das igrejas.

Construir a justiça e viver o Sermão não são tarefas fáceis ou redutíveis a maniqueísmos; pelo contrário, são as cargas mais pesadas já dadas, a longa porta estreita que indica que, sim, um outro mundo é possível, mesmo neste rascunho traçado em pus (nosso mundo), mesmo enquanto esperamos pela nossa Pátria Celeste.

Sammis Reachers

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Um livro de citações em comemoração aos 500 Anos da Reforma Protestante




      Este é um livrinho singelo. São apenas 39 páginas, reunindo citações de temática diversificada da lavra daqueles que chamamos de Reformadores, tais como Lutero, Calvino e Zwinglio, e também dos assim chamados Pré-Reformadores, como Savonarola, Huss e Wycliffe, cujo esforço e eventual martírio foram precursores da Reforma maior que havia de vir.

      Neste ano comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Por ocasião de tal efeméride, devemos ter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

      Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No mais, aqui estão: os pais reformadores, em suas próprias palavras.



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domingo, 16 de julho de 2017

Projeto de Evangelização Nacional 2018

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A Palavra de Deus
Por: João Cruzué
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Uma pessoa conhecida nossa presenciou, não faz muito tempo, uma cena lamentável,. Achei o assunto oportuno, para uma comentário da situação atual da Igreja Evangélica no Brasil. Se, por acaso, você gostar deste artigo, por favor, faça o seu projeto e passe adiante este texto, sendo que desta vez não precisa colocar meus créditos. Seguinte,  o Brasil precisa de Jesus dentro de cada lar, para iluminar a mente de cada ente na busca de solução urgente para os grandes problemas do cotidiano: problemas de saúde, dependência de drogas, depressão, desemprego, fome, alcoolismo e suicídio. 

Não devemos nos enganar, achando que projetos políticos vai trazer honra para a Igreja e a solução para os problemas do país, porque isto não vai acontecer.  Também não devemos nos iludir, esperando pelo dia em que nosso líder máximo de nossa Igreja vai chegar em nossa congregação com um plano abrangente de evangelização das almas perdidas que se encontram escravizadas pelo diabo. Respeitando as exceções,  pode ser que ele não ache isto prioritário...

Vamos a alguns fatos.

1) Recentemente, sofri a perda de um parente querido. Tive a oportunidade de visitá-lo no Hospital. Eu já havia trabalho seis anos em um deles. Sei muito bem o que esperar de um Hospital público, apesar do empenho da maioria de seus servidores. O que revi ali me deixou muito preocupado. Em poucas palavras, entre a vida de um velho e a de um jovem, dada a falta de quase tudo, os médicos  estão, a contragosto, escolhendo de quem vai viver e, por conseguinte, quem vai morrer.  Na balança das escolhas, os velhos sempre saem perdendo.

2) Na periferia das grandes metrópoles, antes,  era possível ver o povo pentecostal trabalhando em projetos de evangelização: cultos ao ar-livre, visita às comunidades, evangelização de porta-em-porta... . Hoje, excetuando o trabalho dos Testemunhas de Jeová que não mudaram sua metodologia, via de regra, não existe mais  crente evangelizando.  O que tenho presenciado  tem sido a ação "evangelizadora" das facções do tráfico de drogas. O país está literalmente apodrecendo  por falta do sal e da luz  que só Igreja tem. 

Mas como?  se há uma dezena delas em cada Rua? Sim, isto é verdade,  mas o evangelho que pregam fica restrito às quatro paredes. Em lugar do "ide-por-todo-mundo", está sendo praticado o "quem-quiser-venha-aqui-e-beba".

3) Você então poderia questionar-me: E o evangelho neo-pentecostal? Ele não está tão fortemente presente no Rádio e na TV? Sim, ele está. Todavia, Deus me perdoe a franqueza, aquele evangelho, na verdade,  tem funcionado como atividade-meio. A julgar pelo foco e insistência durante os cultos o objetivo dele tem sido a busca incansável por aquilo que está no bolso dos fiéis.  Prove! Sim, eu posso. Outro dia eu vi e ouvi na TV um fulano que se diz Bispo e que se veste de saco, sugerindo aos fiéis que não tivessem dinheiro que fizessem um empréstimo no banco para fazer com ele uma doação pela "fé" para sua igreja. Nisso eu pude ver a ação de um falso profeta, explorando gente desesperada por um milagre de Deus. Não posso racionalizar com um evangelho desses.

Depois de ter dito estas coisas, você pode perguntar para mim: acabou? E eu vou dizer: quase.

4) Lembra do que falei no começo, de que você poderia se decepcionar com a visita do líder maior da Igreja na sua congregação? Então, escute isso. Uma pessoa amiga contou-me que o Pastor Presidente da sua Igreja estava visitando a congregação em um culto de santa ceia. Junto dele, veio parte de sua família. No final da pregação, aquele líder da Igreja começou anunciar  - não um projeto nacional de evangelização para ganhar para Jesus as almas dos que estão perdidas no pasto do diabo, mas a pré-candidatura de um familiar seu a um cargo de representação política. E não foi isso a primeira vez, mas uma de muitas. Evangelizar? ora evangelizar...

5) Para concluir segue este quinto exemplo. Uma jovem médica, da família de uma congregação conhecida, tirou a própria vida, cometendo suicídio. Apesar de médica, bem empregada, ganhando bem, aparentemente, não houve ninguém que ouvisse a voz do Espírito Santo para ir até ela conversar. Ou pior, o Espírito falou, mas a pessoa não foi. Quero acrescentar duas coisas. Segundo soube, ela tinha se afastado da Igreja. E acho eu que  Igreja também havia se afastado dela.  

Assim está a situação atual das grandes Igrejas Evangélicas no Brasil. 

Tenho visto as lideranças de grandes Igrejas focadas na representação política. Está virando rotina grandes Igrejas fundando partidos políticos para se dar bem no poder.  Não condeno aos crentes o exercício da política e aos que não têm chamada ministerial, não vejo problema e concorrer a cargos de representação política. Entretanto, quero lembrar que apesar de tantos pastores em cargos políticos, os hospitais continuam sem recursos financeiros, os velhinhos nas UTIs continuam indo embora para dar chances a uma criança ou a um jovem. Quanto ao evangelho neo-pentecostal ele fermentou, sim,  a ação da Igreja, trocando sua atividade-fim pela atividade-meio. A paixão pelas almas pelo amor ao dinheiro.  Enquanto isso o sistema do tráfico de drogas segue firme "evangelizando" as crianças e jovens periferia das grandes cidades.

Ponto.

Depois de ter dito coisas tão deprimentes, quero dizer que não vim aqui apenas para repetir palavras de desânimo, tal como profeta Elias escondido na caverna. Não! Eu vim para dizer algo especial. Assim como Deus deu três tarefas para Elias vencer o desânimo, este mesmo Deus tem grandes promessas para cada brasileiro. Não vou iludir a mim nem a você esperando ou achando que a partir de hoje cada Pastor que ler este texto irá depois para sua casa, sentar à mesa da cozinha, para desenhar um projeto de evangelização sob a inspiração do Espírito Santo. 

Eu estou aqui para dizer que a solução dos problemas de nossa nação ainda é  Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele, sim,  tem boas novas de perdão, regeneração, salvação, mudança de coração para traficantes, bandidos, crentes desviados, suicidas, pastores falsos-profetas, políticos ladrões e aviõezinhos do tráfico.

Quando isto vai acontecer? Quem irá anunciar estas boas novas aos ouvidos destas almas? Sabe, isto é tarefa para mim e para você. Disse Jesus assim: onde estiver dois ou três reunidos em Meu nome, ali eu também estarei no meio deles. O ano de 2018, assim como o ano de 2017, é o ano aceitável da misericórdia de Deus. 

Se eu e você tivermos consciência disso, podemos começar a fazer a obra de Deus ainda esta semana.  Um projeto de evangelização começa  quando alguém dá lugar à voz do Espírito Santo que pergunta: Quem enviaremos, e quem há de ir por Nós?  Acredito muito no poder de uma conversa durante uma visita a uma ovelha desviada, uma vista a um doente no hospital. Oportunidades há muitas, basta começar com apenas uma por semana e manter a disciplina. Isto faz parte de um Projeto Nacional de Evangelização. Se você orar, se você interceder, o Espírito Santo vai lhe ajudar a decidir sobre o que fazer e quando fazer.

O que você vai ganhar com isto? Eu posso dizer com certeza que quando o Espírito de Deus vê em seu coração o que está disposto a fazer, ele vai se alegrar. E quando Ele se alegra, o coração de quem Lhe dá lugar também se enche de grande alegria.  Peço que faça seu projeto, trabalhe nele toda semana, e passe o assunto adiante para mais 2 crentes amigos.

cruzue@gmail.com 









quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dá-te e imita a Deus


"Toda a nossa vida é assim: desde o momento em que abrimos os nossos olhos pela manhã até quando os fechamos à noite, temos o poder de criar e o poder de destruir, o poder de dar os nossos dons – grandes e pequenos – e o poder de os recusar.
Provavelmente nenhum de nós encontrará alguma vez um homem a morrer na berma da estrada. E a maior parte de nós raramente será chamada a fazer um sacrifício realmente significativo por outra pessoa. Mas todos nós iremos encontrar milhares de pessoas cujas vidas podemos tornar um pouco mais ricas, um pouco mais felizes porque estávamos lá e porque demos o que tínhamos.

A cada momento cada um de nós tem alguma coisa a dar, alguma coisa que é precisa. Dá-la-emos? Temos de dar, simplesmente porque dar os nossos dons é a única maneira possível de encontrar a felicidade. A vida não é um desporto de bancada! Dar os nossos dons – todos eles, todos os dias – é a única maneira de realizar a nossa vida, a única maneira de crescermos à imagem e semelhança de Deus."

P. Dennis Clark

quinta-feira, 18 de maio de 2017

À ENTRADA DA TERRA DO LEITE E MEL




(Livro de Números, XIII )

Como os olhos dos doze às portas do leite e do mel
o desânimo vai ter olhos e as alegrias diante das videiras
de enormes cachos serão menores que o medo
o desânimo fará aumentar nas retinas
a estatura dos homens, gigantes como colossos
ocupam  as portas, o medo bate nos olhos
o desânimo aconselha cuidados,  regressar
às areias do deserto, à cabeça escondida na areia
e às sombras dos pequenos arbustos, não temos
ainda braços para abraçar a Terra Prometida.

16-05-2017

©  J.T.Parreira

quarta-feira, 17 de maio de 2017

As Camélias do meu Jardim

As camélias do meu jardim

Quando estive pela última vez visitando a minha mãe no interior do estado,
eu trouxe de lá algumas mudas de camélias que, cresciam próximas à casa onde nasci.
Sabendo que ela não viveria mais por muito tempo,
eu as trouxe como uma homenagem a ela que sempre cuidava tão bem das suas camélias.
Plantei-as no meu jardim, em São Leopoldo, e elas vingaram.
No rigor do inverno, época em que minhas camélias estão em flor, converso com elas e
dou-me conta de algumas coisas.
As camélias do meu jardim florescem no seu devido tempo,
tanto as vermelhas como as brancas.
Elas florescem em São Leopoldo do mesmo modo como floresciam cinqüenta anos atrás
em São Pedro do Sul.
Estou convencido de que algumas coisas nesse mundo de Deus não mudam.
Existe uma força maior que as mantém como são.
No livro de Gênesis está escrito: “Deus falou, porei nas nuvens o meu arco;
ele será um sinal da aliança entre mim e a terra” (Gen 9,3).
O arco do qual o texto fala é o arco-íris.
O povo da época via nele um sinal de que Deus mantém este mundo,
que zelará pela sua preservação, que manterá os corpos celestes no seu curso e,
assim creio, cuidará que aquilo que é verdade permaneça sendo verdade.
Dizemos que tudo muda. Efetivamente nós mudamos, os tempos mudam, a natureza
se renova, os valores mudam. E é bom e necessário que assim seja.
Mesmo assim, creio que aquilo que está por trás de tudo, o que sustenta o universo,
os valores essenciais que norteiam a conduta humana não mudam. Não podem mudar.
Se estes mudam tudo se desagrega. Alguns fundamentos precisam permanecer,
tanto para o equilíbrio do universo, quanto para o equilíbrio da sociedade.
O que é bom, o que é justo e correto não pode ser relativizado.
As camélias do meu jardim não são imunes às mudanças do tempo,
elas – como todos nós – sofrem as influências do meio ambiente.
Mas, ao preservarem sua essência de camélias vermelhas e brancas,
que florescem no seu devido tempo, tanto em São Pedro do Sul quanto em São Leopoldo
ou na longínqua Austrália, elas dão um testemunho silencioso de que há leis,
verdades e valores fundamentais que precisam permanecer e ser cultivados
ao longo de toda vida e em todos os tempos e em todos os lugares.
Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 23/09/2006

terça-feira, 9 de maio de 2017

"Mas irmão Sammis, por que você faz livros de graça?"


"Ideias não podem ser possuídas. Elas pertencem a quem quer que as compreenda." 
Sol LeWitt 

Mas há quem me pergunte, de quando em vez e algo inocentemente, o porquê dos livros gratuitos. Porque todo livro deveria ser gratuito, salvo o gasto em papel, gasto que não tenho. 
 "Mas o obreiro é digno de seu salário." Dê um salário ao obreiro, ora pois; o direito autoral vai muito além disso, é uma usurpação ad-infinitum (100 anos? Isso é o infinito, pois transcende a vida de um homem), um ato de lesa-humanidade. 
Ideias contundentes quando estrondam contra a concha em que o $istema lhe nutriu, hum? Isso começou há não muitos séculos, em terras de Adam Smith, e foi aperfeiçoado em terras de von Mises, mas isso é outro e mais complexo assunto, com sua própria carga nauseabunda.
O importante sobre uma aculturação, uma cangalha, é que nunca é tarde para ser livre, para deitar o fardo d'outros pelo chão. E basta despir-se um pouco para perceber a clareza de tudo isso, dessa transcendência, essa TRANS-pessoalidade do/no mundo das ideias, essa corrente unidirecional (para a frente, sim, mas isso não denota necessariamente uma fé cientificista no "progresso") e construto coletivo, VISCERALMENTE e aprioristicamente coletivo, que as ideias são. 
"Se cheguei até aqui foi porque me apoiei nos ombros de gigantes", dizia Newton, o Isaac. O Conhecimento é assim: nada surge do nada, todo conhecimento é CONHECIMENTO DERIVADO, elo de uma cadeia que nasceu no barro, nasceu em Adão. 
Por essas e outras que eu, o bom aluno que nunca gostou da escola, terminei como professor... 
Poderia estar ganhando dinheiro, mas sou tolo ou homem demais pra isso. Não sou um individuado e ambulante centro do Universo, sou um elo ínfimo num esforço amplo, membro de um corpo cumprindo sua função, seja o corpo social, seja o corpo de Cristo, sem que isso tolha minha individualidade e singularidade.

Sammis Reachers

sábado, 29 de abril de 2017

O perdão, a transcendência possível e suficiente


Não existe experiência de transcendência mais prática, mais alcançável - e no entanto mais luminosa e libertária - do que PERDOAR. Pois foi da vontade de Deus tornar, DESTA FORMA, a transcendência, a aproximação e vislumbre por imitação (a Ele!), disponível a cada ser humano da Terra. 
 Há quem a busque (por séculos que ainda não findaram) no isolamento de um mosteiro, um seminário, ou na quietude de sua casa de praia, sua concha de aconchegos - libertos do fluxo - e brincando (pois fora do fluxo, da Realidade, estamos num tubo de ensaio, ambiente controlado pois hermético onde só se pode fantasiar, brincar, SIMULAR), talvez, de perdoar, mas o quê? As pedras? 
A transcendência Deus quis que a encontrássemos na tormenta, no Coliseu e em Auschwitz. O velho Deus incompreendido.

S.R.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Brasil e Alemanha lançam selo conjunto pelos 500 anos da Reforma Protestante

Em comemoração aos 500 anos do movimento protestante, entra em circulação simultaneamente nos dois países um selo com a efígie de Martinho Lutero, mentor da renovação da Igreja.
Nesta quinta-feira (13/04) as empresas de correios do Brasil e da Alemanha lançam simultaneamente um selo e um carimbo comemorativos dos 500 anos da Reforma Protestante.
Ambos os selos levam o retrato de Lutero e a frase "No princípio era a palavra", lema também dos festejos dos 500 anos, cujo ponto alto será em 31 de outubro. Neste dia, em 1517, o monge e professor de Teologia Martinho Lutero teria pregado suas 95 teses na porta de uma igreja de Wittenberg, iniciando o movimento de renovação da fé cristã.
O selo, produzido em parceria com o serviço postal da Alemanha, será quase igual nos dois países, diferenciando-se apenas no idioma. O selo brasileiro terá o valor facial de 4,15 reais e o da Alemanha, 0,70 euro, como um selo comum.
A imagem é a mesma para as duas edições. O selo foi concebido pela designer Antonia Graschberger, de Munique, também responsável pelo carimbo, que estampa a Rosa de Lutero, símbolo usado pelo teólogo a partir de 1530, para autenticar suas cartas e obras.
Correos do Brasil lançam carimbo postal comemorativo dos 500 anos da Reforma Luterana
Esta é a segunda vez que os Correios do Brasil prestam homenagem ao mentor da Reforma: em 1983 foi lançado um selo alusivo aos 500 anos do nascimento de Lutero. E é a nona vez que selos brasileiros focalizam a Alemanha. A última série, lançada de 2013, celebrou o Ano da Alemanha no Brasil.
O selo brasileiro entra em circulação nesta quinta-feira simultaneamente em seis cidades brasileiras: Brasília, Porto Alegre, Cândido Rondon, Porto Velho, Cuiabá e Curitiba. A embaixada da Alemanha na capital federal celebra a emissão conjunta em 17 de maio próximo.
Na Alemanha, o selo entra em circulação nacional também nesta quinta-feira. No início de abril já havia sido lançada no país uma moeda de prata de 20 euros em alusão ao Ano da Reforma.
Ao saudar o lançamento do selo, o pastor Egon Kopereck, presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil disse: "Brasil e Alemanha se uniram para testemunhar ao mundo que a Reforma Luterana foi um marco na história, que trouxe bênçãos para a sociedade em geral e, especialmente, para o mundo cristão."

quarta-feira, 1 de março de 2017

Alguns pensamentos do A. W. Tozer


Temo porque os cristãos modernos são de falar muito e de fazer pouco. Usamos a linguagem do poder, mas as nossas ações demonstram fraqueza.
Um ministro ineficaz, semimorto, é uma propaganda melhor para o inferno que um bom homem morto.
Existe um verdadeiro perigo nos esforços de alguns de substituir a vida pela organização, de tal maneira que mesmo que tenham um nome para viver, estão espiritualmente mortos.
Não é o corpo na verdade o que ilumina, mas o Espírito da verdade.
O meu serviço será julgado por Cristo, não pelo que tenha feito, mas por quanto mais poderia ter feito.
Aos olhos de Deus, as minhas dádivas não são medidas por quanto dei, mas por quanto deixei para mim uma vez que separei a minha dádiva.
Santos que não são santos; essa é a tragédia do cristianismo.
Se um homem tratar de pôr a fé de Cristo junto com a opinião humana, ou trata de provar que os seus ensinos estão em harmonia com esta filosofia ou aquela religião, ao procurar defender a Cristo na realidade o está rejeitando.
Devemos odiar o pecado em nós mesmos e em todos os homens, mas jamais devemos subestimar o homem que se encontra no pecado.
Procurar Deus nas inspiradas Escrituras deixando de lado a sua própria revelação, não somente é fútil, como também perigoso.
Permaneça próximo de Jesus, e todos os lobos do mundo não poderão te ferir!
A verdadeira adoração procura a união com o ser amado, e é um esforço ativo para salvar a distância entre o coração e Deus a quem adoramos.
Quando encontro a alguém que se acha muito acomodado neste mundo e em seu sistema, sinto-me obrigado a duvidar que alguma vez nasceu verdadeiramente de novo. Na verdade, todos os cristãos que conheço que fazem algo para Deus são aqueles que não estão acordes à sua época, que não estão em concordância com a sua geração.
Eu não creio que nenhum bem duradouro possa provir de atividades religiosas que não lancem as suas raízes nesta qualidade da criatura: o temor. O animal que está dentro de nós é muito forte e seguro de si mesmo. Até que não tenha sido vencido, Deus não se revelará aos olhos da nossa fé.
O Espírito Santo não é um luxo que pretende criar cristãos de luxo, como também uma capa com letras douradas e cobertas de couro faz que um livro seja de luxo. O Espírito é uma necessidade imperativa. Só o Espírito eterno pode realizar obras eternas.
Existe a arte de esquecer, e cada cristão deveria fazer-se destro nisto. Esquecer as coisas que ficam para trás é uma necessidade positiva se é que vamos nos converter em algo a mais que bebês em Cristo.
Algo agradável na relação com o nosso Pai celestial é descobrir que nos ama pelo que somos, e que valoriza o nosso amor mais que muitas galáxias de novos mundos.
Hoje, como em todos os séculos, os verdadeiros cristãos são um enigma para o mundo, um espinho na carne de Adão, um enigma para os anjos, o deleite de Deus e a habitação do Espírito Santo.
Os pais da igreja escreveram dizendo que se um homem sente que está ocupando algum lugar no reino de Deus, isso é orgulho, e até que isso morra, na realidade não ocupa lugar algum.
O homem que está seriamente convencido de que merece ir para o inferno, possivelmente não vá para lá, enquanto que o homem que está seguro de que merece o céu, com toda segurança nunca entrará nesse bendito lugar.
O cientista moderno perdeu a Deus no meio das maravilhas deste mundo; nós os cristãos estamos em verdadeiro perigo de perder a Deus no meio das maravilhas de sua Palavra.
Qualquer avivamento que venha a uma nação e deixe às pessoas tão apaixonadas por dinheiro como antes e tão absorvida pelos prazeres mundanos, é uma armadilha e um engano.
Em muitas igrejas o cristianismo foi diluído de tal maneira, que a solução se tornou tão fraca que se fosse veneno não afetaria a ninguém, e se fosse remédio não curaria a ninguém.
É de duvidar que Deus abençoe a um homem grandemente antes que Ele o tenha ferido profundamente.
Um cristão real é um caso raro, sem dúvida. Ele sente amor supremo por Aquele a quem nunca viu; fala todos os dias familiarmente com alguém a quem não pode ver; espera ir para o céu pela virtude de Outro; se esvazia para estar cheio; admite que está errado se pode declarar-se reto; desce para levantar-se; é mais forte quando é mais fraco; mais rico quando é mais pobre e mais feliz quando se sente pior. Morre para poder viver; abandona para ter; dá de presente para guardar; vê o invisível; ouve o inaudível.
Fé é ver o invisível, mas não o inexistente.
Tenho achado que Deus é cordial e generoso e em todos os sentidos é fácil de viver com ele.
Eis aqui uma prova para ver se a sua missão na vida terminou: se ainda está vivo, é porque não.
Meu fogo não é grande, mas é real, e pode haver alguns que podem acender a sua vela em sua chama.
Como podemos desculpar essa paixão pela publicidade tão claramente evidente entre os líderes cristãos? O que dizer sobre a ambição política nos círculos da igreja? Ou sobre a enfebrecida palma que se estende por mais e maiores ‘oferendas de amor’? Ou sobre a egolatria desavergonhada entre cristãos? Como podemos explicar nós, um grosseiro homem de culto que habitualmente levanta um e outro líder popular ao tamanho de um colosso? O que dizer sobre o obsequioso ‘beija-mão’ a homens enriquecidos por aqueles que pretendem ser pregadores legítimos do evangelho? Há só uma resposta a estas perguntas; é simplesmente que nestas manifestações nós vemos o mundo e nada mais que o mundo. Nenhuma profissão apaixonada de amor pelas 'almas' pode trocar o mau pelo bom. Estes são os mesmos pecados que crucificaram a Jesus.
Quase tudo associado com o ministério pode ser aprendido com uma quantidade média do uso da inteligente. Não é difícil pregar ou dirigir assuntos da igreja ou atender uma chamada social; os casamentos e enterros podem ser conduzidos facilmente com um pouco de ajuda do Emily Post e o Manual do Ministro. Pode-se aprender a fazer um sermão tão facilmente como fabricar sapatos – introdução, conclusão e tudo. E assim com todo o trabalho do ministério que se faz na igreja de valor médio de hoje. Mas a oração é outra questão. Ali Mrs. Post está incapacitada, e o Manual do Ministro não pode oferecer assistência. Ali o solitário homem de Deus deve lutar sozinho, às vezes com jejum, lágrimas e cansaço inexprimível. Ali cada homem deve ser original, porque a verdadeira oração não pode ser imitada nem pode ser aprendida de ninguém.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Don Richardson: O inigualável sacrifício de Cristo


O homem não-regenerado é duplamente perseguido! Primeiro, ele sente a eternidade, em direção à qual se move - partícula finita que é - como alguém estranhamente destinado. A seguir, descobre gravada em seu próprio coração uma lei que o condena a não atingir o seu destino eterno!
Não é de admirar que Paulo tenha escrito em outro ponto: “ Ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Co 9.16). Nada mais pode dar fim a esta dupla perseguição do homem!
Aqueles dentre nós que estudaram as jornadas do apóstolo ainda mais profundamente no domínio gentio, descobriram que a sua observação cumpriu-se de maneiras que ele mesmo talvez jamais tivesse julgado possíveis. Por exemplo: Uma das exigências da lei mosaica era um estranho rito anual envolvendo dois bodes machos. Ambos os bodes eram primeiro apresentados ao Senhor (Lv 16.7). A seguir, o sumo sacerdote hebreu tirava sortes para escolher um dos bodes como oferta sacrificial. Depois disso, ele matava o bode escolhido e aspergia seu sangue sobre o “ propiciatório” (Lv 16.15).
O que acontecia ao outro bode? 
O sumo sacerdote impunha as mãos sobre a cabeça dele, depois confessava os pecados do povo, colocando-os simbolicamente sobre o segundo bode. Uma pessoa indicada para a tarefa levava então o mesmo para longe do povo e o soltava no deserto. Uma vez que o “ bode emissário” desaparecia de vista, o povo hebreu começava a louvar a Javé pela remoção de seus pecados.
Quando João Batista apontou para Jesus e disse: “ Eis o Cordeiro de Deus, cue tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29), ele identificou Jesus Cristo como o cumprimento perfeito e pessoal do simbolismo hebreu do bode expiatório. Eram necessários dois animais para representar o que Cristo iria realizar sozinho quando morresse pelos nossos pecados. Não satisfeito em simplesmente expiar nossos pecados, Ele também removeria a própria presença dos mesmos!

Trecho do livro O Fator Melquisedeque (Editora Vida Nova).


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A centralidade de Cristo - Erasmo de Roterdam


Fixa-te em Cristo como o seu único e absoluto bem. Não ame nada, nem te entusiasme com nada, nem queira nada que não seja Cristo, ou por Cristo. E não aborreça nada, nem despreze nada, nem fuja de nada, mas sim do pecado ou por causa do pecado.
O que faça -veles ou durma, comas ou bebas, descanse ou divirtas- tudo te acontecerá para acrescentar mais o seu prêmio. E assim acontecerá inclusive com alguns vícios menores, os que caem em nosso caminho para a virtude, se converterão para ti em motivo de prêmio. Mas se o teu olho é mau e olhas para outra coisa que não seja Cristo, então, o próprio bem que faz não reportará em fruto e até pode ser pernicioso. Toda coisa boa que não for bem feita é defeituosa. Tudo, pois, o que achar em seu caminho para a meta do supremo bem, terá que recusar ou aceitar enquanto estorva ou favorece a sua caminhada.
Os próprios filósofos vêem certos fins imperfeitos e intermediários, nos quais não terá que se deter, nem convém servir-se ou gozar deles. Como são meios, nem todos ajudam ou atrapalham de igual modo os que caminham para Cristo. Da mesma maneira, terá que recusá-los ou assumi-los na medida em que impedem ou favoreçam o seu caminhar para ele. O conhecimento, por exemplo, é mais útil para a piedade que a beleza, as forças do corpo ou as riquezas. E ainda que todo o saber possa se referir a Cristo, no entanto, uns conduzem melhor que outro em seu caminho.
Este fim é o que tem que medir a utilidade ou inutilidade dos meios. Amas o saber? Estupendo; ame-o por Cristo. Mas se o amas para saber por saber, fique ali onde era preciso seguir adiante. Mas se amas as letras para melhor poder achar e conhecer a Cristo, oculto nos mistérios das Escrituras -e uma vez conhecido, o ama; e conhecido e amado, o dás a conhecer e te alegras disso-, então aplica-te ao estudo das letras. Mas não além do que possa contribuir para um sólido conhecimento. Vale mais saber menos e amar mais, do que saber mais e não amar.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Riqueza, frágil segurança


Joselir Martins

O ensinamento cristão ensina que o perigo não está no ambiente que o homem vive, o perigo está no próprio homem. O meio mais perigoso que existe para o homem é o meio confortável. Os fabricantes modernos tem procurado muitos meios de aumentar o buraco da agulha para que o camelo possa passar mais confortavelmente, mais à vontade! Um camelo bem econômico, bem diminuído, fruto dos 'biólogos' modernos, dos cristãos modernos, da igreja moderninha. Sem preces nem ladainha, mas com muitas hipocrisias.
Jesus ensinou que seria muito provável que os ricos não sejam dignos de confiança. Por isso mesmo é que éle é rico. Que os homens que dependem do conforto desta vida são corruptíveis. Financeiramente corrupto, politicamente corrupto e espiritualmente corrupto.
Ele ensinou também que ser rico é correr riscos de desastre moral. E que não é errado se submeter aos ricos, errado é sempre confiar nos ricos. Já que no altar dos ricos, o deus adorado não é outro, senão, MAMOM. O deus que oferece pão tirado das pedras. O deus pão -duro. O deus que oferece as glórias mais mundanas e pálidas.
O mistério do Evangelho é justamente ensinar que só faz a diferença quem sai dos bancos das catedrais e vai se encontrar com Deus no deserto! O mistério do Evangelho é o que o homem é, não o que o homem tem. "A vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui" ( Lucas 12:15).
A igreja verdadeira foi justamente edificada sobre a pedra, para poder um dia ir para cima. Porque para Deus, fragilidade também é força. Força esta que faz com que os fracos se sintam fortes, que os últimos se sintam os primeiros e os pobres ricos.

A PAZ!!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Henri Nouwen e Philip Yancey: "Por sede de amor".


Minha única conversa longa com Henri Nouwen ocorreu logo depois de ele ter voltado de São Francisco, onde havia trabalhado por uma semana numa clínica para doentes de Aids. Naquela época, eu não sabia nada sobre as questões sexuais de Nouwen. Ele me contou o que vira no distrito de Castro. A palavra gay parecia totalmente fora de lugar naquele local, bem no apogeu da crise da Aids. Rapazes morriam todos os dias, e milhares andavam apavorados, sem saber se eram portadores do vírus. Mesmo nas lojas em que eram vendidas camisetas espalhafatosas e objetos que beiravam o obsceno, o medo pairava como um denso nevoeiro sobre as ruas. Não apenas o medo, disse ele, mas também o senti-mento de culpa, o ódio e a rejeição.
Na clínica, Nouwen ouvia histórias pessoais. "Sou um padre, este é meu trabalho. Ouço as histórias das pessoas. Elas se confessam a mim." Ele me contou de jovens banidos de suas próprias famílias, forçados a se prostituir nas ruas. Alguns deles tinham centenas de parceiros com quem haviam se encontrado em casas de banho, cujos nomes nunca souberam, sendo que, de um desses parceiros, eles haviam contraído o vírus que agora os estava matando. Nouwen olhou para mim com seus olhos penetrantes, brilhando de compaixão e dor. "Philip, aqueles rapazes estavam morrendo - literalmente - por causa de sua sede de amor." Ele prosseguiu, contando-me histórias individuais que ouvira ali. Todos os relatos tinham em comum a busca por um lugar seguro, por um relacionamento estável, por um lar, por aceitação, por amor incondicional, por perdão - a própria busca de Nouwen, percebi depois. 

Philip Yancey, no livro Alma Sobrevivente (Ed. Mundo Cristão).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SALMO DE NATAL


Alexey Kondakov  "Le Chant des Anges", de Bouguereau


Meu Deus, Meu Deus, por que nos abandonaram
Nestes lugares vazios?
Em trânsito de Belém da Judeia  para o mundo
Circunscrito dos homens, viajando
Em todos os comboios, com o sono
Do Menino em sobressalto, com anjos
Sem sapatos, que adormecem os ouvidos
Do Menino e de Maria
A tocarem nos intervalos do silêncio
Um glória a Deus na terra da alegria.


07-12-2016


© João Tomaz Parreira  

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

La Bruyère e a necessidade de Deus


Chamo mundanos, terrestres ou grosseiros aqueles cujo espírito e coração estão apegados a uma pequena porção do mundo que habitam, que é a terra; que nada estimam, que nada amam do além: homens de tão estreitos limites como aquilo que julgam seus domínios e possessões, cujo tamanho pode ser medido e cujas fronteiras podem ser mostradas. Não me surpreende que homens que se apoiam assim num átomo cambaleiem em seus mínimos esforços para sondar a verdade e que sua visão tão curta não lhes deixe atingir a Deus, através do céu e dos astros. Não percebendo a excelência do que é espírito nem a dignidade da alma, sentem menos ainda como esta é difícil de satisfazer, como a terra inteira é inferior a ela, como lhe é necessária a existência de um ser soberanamente perfeito, que é Deus, e quanto é indispensável uma religião que o revele e o garanta. Compreendo facilmente, pelo contrário, que é natural a esses espíritos caírem na incredulidade ou na indiferença e fazer com que Deus e a religião sirvam a política, isto é, a ordem e o ornamento deste mundo, única coisa, segundo eles, que merece atenção.

La Bruyère in Caracteres