domingo, 8 de setembro de 2019

Folheto gratuito para a evangelização de marinheiros (em português e inglês)


Há algum tempo, iniciamos um projeto de criação de folhetos evangelísticos, com mensagens contextualizadas para grupos específicos. A ideia era principalmente contemplar aqueles grupos/segmentos que não possuem material específico disponível no mercado ou na internet. Neste esforço, uniram-se a nós o irmão Julio do site Missões em Suas Mãos e diversos outros colaboradores. Os primeiros frutos deste esforço foram o folheto para RODOVIÁRIOS, seguido de MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA e GAMERS.
Agora, um sonho antigo se realiza, com a publicação de um folheto dedicado à evangelização de MARINHEIROS (marítimos / aquaviários). E o melhor: disponibilizamos o folheto, além de em PORTUGUÊS, também em INGLÊS, o que aumenta em muito o seu alcance.
O arquivo do folheto (em PDF), está disponibilizado em DOIS formatos: um ideal para a impressão em CASA, e outro otimizado para a impressão em GRÁFICAS. Você pode imprimir quantos exemplares quiser, sem precisar de autorização. Solicitamos apenas que os folhetos não sejam VENDIDOS.
Compartilhe esse recurso com igrejas, missões, missionários e obreiros que possam ter interesse no material. E lance a semente, para a glória de Deus e salvação dos que perecem!

PORTUGUÊS
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INGLÊS
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LEIA ABAIXO A MENSAGEM:

O SALMO DOS MARÍTIMOS
Uma versão dos marítimos, do Salmo 23, foi publicada no Boletim do Capelão da Armada, em Washington. Sua autoria é atribuída a J. Roger, comandante da marinha mercante, que o teria escrito durante a Segunda Guerra Mundial. Diz o seguinte:
"O Senhor é o meu piloto; eu não cairei. Ele me alumia em meio às águas escuras; conduz-me a canais profundos; guia o meu barco. Orienta-me pela estrela da santidade por amor do Seu nome. Ainda que eu navegasse por entre as trovoadas e tempestades da vida, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo. O Teu amor e o Teu cuidado me abrigam.
Preparas um porto perante mim na Terra da eternidade; unges as ondas com óleo; o meu barco desliza suavemente. Certamente que a luz do Sol e das estrelas me favorecerão todos os dias da minha viagem, e descansarei no porto do meu Deus para sempre."
Seja na navegação de cabotagem ou de longo curso, são muitas as dificuldades com que o marítimo ou aquaviário pode se deparar. Hoje a navegação eletrônica e seus muitos aparelhos facilitaram a vida dos que se dedicam à navegação, mas ainda assim os riscos existem. Da mesma forma ocorre em nossas vidas: Hoje estamos bem, com saúde e segurança financeira e emocional; mas inesperadamente podemos atravessar tempestades como desemprego, abandono, depressão...
 Em meio a um temporal, a Bíblia fala sobre marinheiros que “clamam ao Senhor na sua angústia; e ele os livra das suas dificuldades. Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as suas ondas. Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto desejado” (Sl 107.27-30).
Há mais de dois mil anos atrás, numa travessia de barco pelo Mar da Galileia, os discípulos de Jesus, muitos deles pescadores, viram-se em apuros durante um vendaval que perigava tombar sua pequena embarcação. Em meio àquele desespero, Jesus descansava tranquilamente. Ao ser acordado, Jesus repreendeu os ventos e o mar, que imediatamente acalmaram-se; e disse aos seus discípulos sobre a necessidade de terem e exercitarem sua fé nEle.
Pois é baseado na fé em Cristo que obtemos socorro e salvação para nossas vidas. O pecado causou o nosso afastamento de Deus. Boas obras, por mais que sejam ou nos pareçam valorosas, não podem cobrir a dívida dos nossos pecados, que todos os dias é multiplicada. Deus assim propôs a solução para a dívida da humanidade em seu próprio Filho, pois Cristo viveu sem pecados e morreu sem culpa, fazendo-se culpado em nosso lugar, e pagando de uma vez por todas a nossa dívida. Por isso a Bíblia diz: “Aquele que crer... será salvo” (Mc 16.16). Nenhuma tempestade será poderosa o bastante para nos separar da salvação oferecida por Aquele que criou os céus, a terra e os mares. Ele mesmo prometeu, após ressuscitar e subir aos céus, onde vela por nós: “E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28.20b).
Deus oferece hoje, através de seu filho Jesus Cristo, a sua mão estendida, um porto seguro com oferta de paz, ajuda e salvação eterna. Aceite hoje a este amigo que não trai ou abandona, e que deseja estar contigo a cada instante e por toda a eternidade.
Leia a Bíblia e aprenda mais sobre o plano de Deus para a salvação da humanidade. Alimente-se e seja fortalecido com as suas maravilhosas promessas. Faça uma oração, conversando com Deus, assim como você fala a um amigo, e confesse seus pecados, pedindo para Jesus tomar conta de sua vida e suas ações de agora em diante. Busque a comunhão com outros cristãos em uma igreja, ou num grupo de estudo bíblico aí mesmo em sua embarcação. Deus ama você!
S. R. 

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Para maiores informações, escreva para:  sreachers@gmail.com

domingo, 28 de julho de 2019

SE NÃO TIVER JESUS NA (sua) ESCRITA


Posso escrever excelentes textos de aconselhamento ou de auto-ajuda; falar de coisas dignas da vida e de como construir um futuro promissor. Mas se o meu texto não tiver Jesus e Sua Palavra, de nada me valerá.
 
Posso demonstrar todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos nas áreas de administração, psicologia, secretariado e diplomacia; posso analisar os fatos da vida, das guerras, da política e do mundo; mas se a minha análise não contemplar Jesus e Sua biografia, nada adiantará.
 
Posso descrever as situações psicológicas da humanidade, indicando análises e psicanálises de valor; posso avaliar no tempo e no espaço as razões e os motivos culturais, sócio-econômicos e cronológicos que levam a raça humana a agir como age dentro de suas gerações; mas se não olhar tudo isso sob o prisma de Jesus, nenhum significado relevante e permanente haverá.
 
Um escritor cristão precisa de Jesus. Ele não se divorcia de Cristo ao escrever os seus textos. Ele não abdica de sua fé para introduzir conceitos psicológicos ou psicanalíticos diversos. Toda a sua fala está construída sobre os valores que sedimentaram-se em seu coração pela fé que vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Cristo.
 
É impossível esconder o cristianismo no texto de quem é, de fato, um cristão. Mas é impossível encontrar Cristo naquele que não o mantém nem na mente e nem no coração, só na nomenclatura (cristão) ou nos adornos e enfeites (crucifixos e paramentos). As lâmpadas acesas clareiam; as apagadas nem são encontradas, pois mantém tudo no escuro.
 
Ao final de tudo os conceitos que hoje temos de psicanálise, psicologia, administração, auto-ajuda, posições políticas e diplomacia poderão mudar, acabar, melhorar, piorar. Tudo passará.
 
Mas aquele que mantém Cristo em tudo o que faz e, principalmente naquilo que escreve, tornará os seus textos relevantes para todo o tempo em que o mundo permanecer.
 
Pois tudo passa e toda a sua concupiscência; mas aquele que escreve fundamentado em Cristo em em Seus valores terá seu texto considerado atemporal, pois fundamentado nos imutáveis valores do Senhor.
 
Obs: ofereço ao escritor que fala bonito, mas
que deixou-se seduzir pelo humanismo, esquecendo-se
do Redentor que lhe dotou do dom da escrita.
 
por Wagner Antonio de Araújo

domingo, 14 de julho de 2019

ORAI PELOS ENCARCERADOS - Wagner Antonio de Araújo


Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo. (Hb 13:3)
 
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. (Mt 25:36)
 
Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, (2Pe 2:12)
 
A moderna sociedade interpreta a prisão como um meio de ressocialização. Porém, interiormente, o nosso coração clama por punição, justiça. Justamente por falta deste elemento de retribuição é que acontecem diversos crimes e justiça com as próprias mãos, sempre impróprias, desproporcionais e sem moral.
 
As prisões brasileiras estão repletas de pessoas que devem pouco, enquanto muitos dos que muito devem estão ou no poder ou no empresariado. Os valores deste país não são nem justos e nem bíblicos. Honra-se o ímpio e pune-se o justo. Porém, entendendo-se que crime é crime, a prisão separa aqueles que devem e têm que pagar; separa aqueles que são um perigo para a sociedade, pelo menos teoricamente.
 
Mas são prisões horríveis e infernais. Um preso gasta R$1.400,00 de sustento em SP e R$4.200,00 numa prisão tercerizada do Amazonas. São os nossos impostos que pagam essa mantença. Um dinheiro desses poderia prover locais limpos, bem guardados, arejados, seguros, disciplinados, com organização e regras. Contudo, assim como um grande cano cheio de vazamentos, o dinheiro de cada preso irriga a corrupção de tantos, que vivem dos desvios públicos. Ao preso reserva-se gaiolas abarrotadas, latrinas imundas, salões insalubres, servidores inseguros e despreparados e uma ampla liberdade de circulação de gente e comunicação com o crime exterior das cadeias. Ou seja: o preso está apenas alocado na cela; mas continua em plena atividade criminal. No exterior um preso precisa usar telefone público e em frente de servidores públicos; aqui eles possuem até rede de comunicação por internet.  Nós, do lado de fora, ficamos perplexos. Eles, do lado de dentro, criam suas instituições paralelas, verdadeiros mini-estados onde celebram suas datas, defendem seus cidadãos e punem os seus inimigos. Ou seja: um poder paralelo que não tem limite. Por esta razão o país está perplexo e agora, através da mídia, expõe publicamente toda a podridão e a dimensão deste mal.
 
Mas, o que os três versículos que citei no início têm em comum com esta meditação?
 
1) O Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, ordena aos cristãos para lembrarem-se dos encarcerados e maltratados, e diz que deveríamos sentir a sua própria dor. Que dor? Não estão lá por demérito próprio? Muitos sim, mas outros não. Há gente inocente que está presa. Imaginemo-nos no lugar de um inocente, preso por engano, que é obrigado a submeter-se à submissão animal e ao fétido ambiente prisional para não ser morto. Um pai de família injustiçado, um jovem confundido, um perseguido por racismo, um jurado de morte no bairro onde vivia. Deus diz que devemos orar por eles. E pelos outros, pelos que merecem estar lá? Também orar, pois, atrás de toda essa bárbara satanização de vida, existe um resto da imagem original de Deus no coração de cada homem. E, se despertados em seu entendimento e em sua morte espiritual, poderão ter um autêntico encontro com Deus, uma transformação radical de vida. Poderão tornar-se novas criaturas e serem transformados nas celas. Libertados na prisão!
 
2) Jesus diz que esteve preso e que foram vê-lo. Quando esteve preso? Ele mesmo responde: quando fizermos isso por alguém, teremos feito a Ele. Como comparar Jesus a um marginal encarcerado? Não há comparação. A aplicação é outra: com o mesmo amor com que faríamos uma visita ao Senhor Jesus, deveríamos também nos ocupar e visitar um aprisionado, levando a ele uma atitude de autêntico amor. Porém, com critério e com cuidado, para que não nos tornemos reféns de atitudes nobres, mas imprudentes. Visitar Jesus na prisão é não esquecê-los como se fossem restos depositados num chiqueiro. Pensar e visitá-los é encaminhar a eles a mensagem de Cristo, os cuidados de Cristo, o amor em prática através de cuidados, de ajuda, de solidariedade com a família sofredora. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Se fizermos isso como que para Jesus, faremos com amor. E Jesus disse que entenderá ser para Ele mesmo que fizemos.
 
3) Os blasfemos, violentos, maus, perecerão. Sim, é o que a Bíblia promete. Muito além da justiça humana, que é falha e imperfeita, a justiça divina saberá punir para sempre e de forma exemplar aquele que possui maldade intrínseca à sua natureza. Pessoas que não apenas matam, mas degolam, arrancam o coração, desossam, cospem, fazem vazar as entranhas, riem, se divertem a jogar futebol com a cabeça de um inimigo, tudo isso virá a juízo diante do Grande Trono Branco, onde o Justo Juiz impetrará a sentença final: a perdição eterna no lado de fogo e enxofre, onde o seu bicho não morre e onde o fogo nunca se apaga. Sofrimento eterno, não aniquilação eterna. Será terrível, horrendo, monstruoso, mas a Justa Justiça saberá dosar, impetrar, punir e fazer imperar a vontade do Criador. Nós sabemos quem são essas pessoas? Não. E por que não? Não são os que são cruéis? Sim, mas até um cruel pode ser, subitamente, alcançado pela luz do Céu e converter-se dos seus maus caminhos. Até um ímpio por completo pode ser transformado numa nova criatura, num novo nascido, num salvo pelo sangue de Cristo. O Apóstolo Paulo afirmou: Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. (1Tm 1:15).
 
Lembremo-nos que José do Egito foi um presidiário. E alí na prisão Deus usou a sua vida, tirando-o de lá e transformando-o no primeiro ministro do Egito. Daniel, o profeta, também; foi salvo da boca dos leões. Pedro, Paulo, João, Barnabé, Silas, todos foram encarcerados e diversos deles morreram decapitados, queimados, morreram na prisão. Mas eram crentes e luz para a glória de Deus. Há gente do Senhor nas prisões horrendas deste país. E nós devemos orar por eles. Orar e sustentá-los espiritualmente. Corresponder-nos com eles. Se possível, visitá-los. Apoiar o trabalho de missionários que se dedicam a levar o evangelho aos encarcerados. Buscar a justiça para os que ali sofrem injustamente. E clamar para que os ímpios e violentos criminosos sejam salvos pelo sangue de Jesus Cristo, fazendo chegar às mãos deles, aos ouvidos deles a Santa Palavra de Deus, única espada de dois gumes, capaz de converter um criminoso de seus erros e pecados.
 
Nesta semana triste para o Brasil, quando sessenta presos foram decapitados em Manaus por outros prisioneiros de grupos rivais, quando pensamos no grave problema prisional que vivemos como nação, pensemos nesta imensa população carcerária e elevemos aos céus as nossas preces, as nossas orações, em favor dos prisioneiros, para que os que lá estão injustamente sejam libertados, para que os convertidos do Senhor sejam protegidos e aguentem a difícil vida carcerária e para que os ímpios e criminosos, possuídos pelo Diabo, sejam libertados e transformados pelo poder de Deus.
 
Não nos esqueçamos do que o Senhor Jesus citou, em cumprimento ao Seu próprio ministério messiânico:
 
O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (Is 61:1)
 
 
Wagner Antonio de Araújo

domingo, 5 de maio de 2019

150 esboços sobre a Oração e diversos outros recursos em livro gratuito


Uma antologia é fundamentalmente um filtro e uma espécie de condensador (meta)literário. Por seu caráter de antologia, e por antologiar gêneros diversos, como frases, sermões e orações, agregando a isso outros recursos práticos, este humilde e gratuito livro, que circula apenas em formato eletrônico, se configura num dos mais significativos livros sobre a Oração já publicados em língua portuguesa. 
Nosso objetivo, ao nos apoiarmos nos ombros de gigantes e usufruirmos dos recursos da lavra dos mais diversos irmãos e ministérios, não é trazer prejuízo a qualquer, mas prestar um serviço à Igreja de Cristo. E cumprir a vocação da literatura cristã de ofertar o melhor conteúdo possível ao máximo de pessoas possíveis, da maneira mais graciosa possível, rendendo nisso glórias ao Deus vivo, de onde todo o bem emana.
Estão aqui coligidas em torno de mil citações, de autores os mais diversos da cristandade, citações divididas em duas partes: Frases Gerais sobre a Oração e Frases sobre a importância da Oração nas obras de Evangelização e Missões.
Para além disso, coligimos 150 esboços de sermões sobre o tema da Oração. Tais esboços, claro esteja, prestam-se igualmente como estudos bíblicos, muito oportunos para os momentos devocionais em particular ou em grupo.
Coligimos ainda trechos de orações de grandes nomes do cristianismo, desde Pais da Igreja como Clemente de Roma até nomes recentes como Martin Luther King. Tais textos não devem ser tomados como modelos rijos e nem prestam-se a objetos para a repetição, mas objetivam apenas ilustrar e aclarar aspectos da oração e dar notícia da devoção e correição de fé de nossos co-herdeiros da graça de Cristo.
Como referido, agregamos a este livro recursos outros que poderão auxiliar todos aqueles que trilham os caminhos da comunhão divina através da oração. Concordância Bíblica ExaustivaDatas Comemorativas para a Intercessão específica, um modelo de Diário de Oração e outros recursos, são itens que irão enriquecer a devoção do leitor.
Oração é oração praticada; sua ciência é quase toda ela empírica, desenvolvida pelo contato dos joelhos no chão e a abertura de coração.
Que este humilde livro, mais do que agregar conhecimento teórico, enriqueça seu ferramental prático e lhe constranja a orar mais e melhor, crescendo de fé em fé, até assenhorear-se de todas as promessas de Deus a que só temos acesso através da oração.
Compartilhe este livro, sempre gratuitamente, com todos os irmãos ao seu alcance.

Sammis Reachers
Organizador

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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Batalha Espiritual: Separação entre a luz e as trevas


Keka Gomes 

“E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.” (Genesis 1.3-5)

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6.10-12)

Em meio às trevas Deus além de manifestar a luz ele observa que ela em si é boa, ao contrário das trevas, e faz uma clara separação, uma oposição.
A Luz manifesta a Verdade. No escuro nada enxergamos. Quando existe claridade neste plano físico podemos identificar aquilo que está perante nossos olhos, assim é quando temos acesso à Luz espiritual, nós compreendemos as situações mais diversas da vida.
É uma batalha entre o conhecer e o desconhecer, ela está primeiramente nas ideias que fazemos de tudo. Aqui neste versículo Deus cria a luz mas vemos que ela não era a luz natural do sol, era uma luz invisível, num outro plano ainda que este plano fizesse parte da terra, foi proclamada a presença de luz aqui mas não como fenômeno físico, com massa.
A bíblia é um livro que fala de muitas pelejas.

É conhecido que existe uma batalha espiritual nos lugares celestiais. Aliás, uma observação a se fazer: De tudo quanto Deus fez existir ele conclui ser bom, exceto quando fez os céus, os lugares celestiais, a atmosfera, o firmamento, o lugar onde habitam as forças malignas como é sitado em Efésios.
Também está claro que existem poderes operando e, por conseguinte, temos uma batalha que é o reflexo do antagonismo da luz e das trevas desde o início da criação, quando Deus faz distinção, separação entre estas duas. Sabemos disto.
Quando a raça humana cai em Adão, a separação feita por Deus na terra entre trevas e luz parece ter sido perdida pela consciência humana. E ela precisa ser restabelecida primeiramente no nosso entendimento, precisamos buscar conhecer tudo o que é Luz para fazer distinção clara do que é trevas. A queda veio por meio do homem que deu origem a um novo caos, o homem ficou separado de Deus, separado da Luz, sem o conhecimento de Deus e das belezas das leis de Deus, a maldade começou a operar no interior do homem, os erros começaram a atuar na mente humana, houve um desvio do que vem a ser o correto e o errado, e a raça humana com toda a criação geme por este colapso.
Adão não conhecia, através da experiência, as reais consequências de desobedecer a instrução divina, Deus lhe deu essa liberdade, não o impediu de agir de forma independente. Aqui recomeça Bereshit (Gênesis), não mais na terra, agora no plano espiritual, na vida humana, há no homem confusão, trevas, escuridão e morte. O homem morreu com Adão. Vejamos que tudo até então estava perfeito, havia plena separação entre trevas e luz, o Éden era um lugar de delícias, de paz, não haviam trevas ali, tudo funcionava em plena harmonia.
A batalha agora é para recuperar o status anterior à queda, pois a transgressão veio por meio do homem e também a regeneração veio por meio de outro homem, Cristo. Cristo é o padrão de Luz na vida humana, ele é aquele que no livro de Apocalipse estava no meio de sete castiçais, ele é a Luz, ele é a Verdade perdida, ele é o Caminho de volta à pureza, à santidade, à felicidade, ao amor, à Vida.
Jesus viveu intensamente a batalha espiritual, ele veio inaugurar o Reino da Luz nos dando vida espiritual através do Espírito derramado em Pentecostes (Shavuot). Jesus era profundo conhecedor das escrituras, da Torá. Quando confrontado por uma potestade maligna, o diabo, ele se defendeu usando o conhecimento que ele tinha da Torá. 
“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;
E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.(Lucas 4.1-4)

O relato demonstra como um cristão precisa agir quando confrontado nos lugares celestiais, ele precisa imitar o mestre. Quando espíritos malignos nos afrontarem por que nos falta o mantimento ou nos falta seja o que for, e nos acusar de não sermos filhos de Deus, lembremo-nos do que Jesus respondeu, o homem não vive só de coisas desta terra, o nosso sustento não é apenas pão, nós até passamos por breves momentos de privação, mas o sobrenatural nos alcança. Jesus aqui estava usando uma passagem que está escrita em Deuteronômio, capítulo 8, onde estava sendo lembrado ao povo que no meio do deserto Deus enviou o maná, sempre haverá provisão.
As trevas mentem, elas distorcem o conhecimento humano e nos fazem pensar de forma errada sobre Deus.
“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” (Jesus – João 5.39)
Está escrito“, Jesus conhecia a Torá e usava este conhecimento revelado de Deus, instrução dada ao homem para vencer as trevas. E ele nos aconselha a examinar os livros para encontrarmos tudo sobre ele e sobre a vida eterna.

Jesus diz ainda: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. (Mateus 22:29)Por isso Paulo diz que na guerra espiritual nós usemos a espada do Espírito que é a Palavra de Deus.
“E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.
Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.”(Lucas 4.6-8)
Satanás tenta plantar nos nossos corações a cobiça, a nos fazer adorar as riquezas, adorar o reconhecimento humano, adorar o status, adorar o poder. Faz parte da guerra sermos tentados a este respeito, mas Jesus usou o trecho do Antigo Testamento que estava em seu coração firmado como verdade e não acreditou na seta maligna.
“Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;
Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem,
E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.”(Lucas 4.8-12)

Ou seja, nós somos confrontados igualmente e muitas vezes ouvimos o que a sutileza das trevas está nos induzindo a fazer, “joga-te daqui”, desiste de tudo, experimenta algo perigoso porque se Deus for contigo ele te livra, Deus te perdoa, tenha uma ousadia na fé, tenta de outro jeito, erra mesmo, se mata. Se ele não pode nos invocar à morrer literalmente ele projeta em nós através de pensamentos, ou por palavras de outras pessoas, a outras formas de nos paralisar e nos matar, ele nos aprisiona, ele nos convence que nossos erros não terão consequências, como fez com Adão. E esquecemos que a pior morte é a espiritual, é a que rompe nosso discernimento de certo e errado e nos põe em caminhos tortuosos que nos trarão prejuízos sempre.
Esta é a batalha, precisamos pedir a Deus o discernimento porque os poderes, os principados, as potestades, este império maligno atua no homem, ele sugere ao homem o desvio e pode ser qualquer um. Tenhamos em mente que Jesus é nosso sacerdote supremo e foi tentado, todos nós também somos e seremos. Um título sacerdotal, episcopal, um cargo espiritual que consideremos elevadíssimo ou não, não estará livre de indução maligna. O correto é buscarmos em Deus respostas e direção e que seu Espírito esteja conosco nos revelando os segredos da Palavra.
Nesta batalha a Palavra é indispensável, assim como o Espírito de Deus, e ambos estão perto de nós e ao nosso fácil acesso.
A batalha será na nossa consciência, nas escolhas que fazemos, a sutileza é para nós resistirmos ao plano de Deus.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Jesus e a Música das Esferas, um conto de Sammis Reachers


Jesus e a Música das Esferas

      Éramos apenas eu, João e André, com Ele na face norte do monte Shir, defronte ao mar da Galileia. Os demais companheiros permaneceram em Tiberíades, em casa de Zebulom, colaborador judeu egresso do Ponto.
    Sobre o pico do monte, sendo fustigados por fortes ventos, Jesus convidou-nos a sentar. A seguir, abrindo o seu alforje, retirou uma flauta. De minha parte jamais a vira; quedei, como os demais, em abnegado e atônito silêncio. Levou o Rabi a flauta à boca; antes do toque entre lábio e madeira, julguei ter visto um sutil sorriso, que Ele só liberava quando prestes a externar esplendor.
    Quando a música, robusta, estabeleceu-se pelo ar, o ventou apertou. O mar lá embaixo encrespou-se, ondas passaram a estrugir contra as rochas, levantando uma fresca nuvem de gotículas que sobrescalavam até o alto da montanha, borrifando nossas faces. Permanecíamos sentados, enquanto Deus-andarilho tocava sua flauta.
    Houve um hiato na melodia; mas breve o Senhor retomou a música, agora suave e terna. O mar como que silenciou, enquanto multidões de aves marinhas passaram a sobrevoar o mirante em que estávamos, realizando sua marcha perfeita, como as Legiões de César. Absortos, éramos enlevados por seu baile, e curados pela música.
    André sorria maravilhado, tornado à infância pelo deslumbre. João conservava a expressão grave, o susto seco de quem faceara o abismo e a impossibilidade. Aproximou-se ainda mais do Senhor, como sempre fazia em momentos como este. Quando Ele novamente pausou a música, perguntou-lhe:
    — Mestre, é maravilhosa a melodia, e jamais ouvimos nada assim. Sequer já o vimos tocar; por que nos ocultou tal cousa? O Senhor poderia tocá-la para que os demais discípulos, ou mesmo todas as pessoas a ouçam? Dariam nisso mais glórias a Deus!
     O Mestre, que por João nutria perfeita ternura, sorriu.
    — Todo aquele que quiser pode ouvi-la, João; desde que criei esta Terra, a melodia jamais cessou de tocar. Ela respira quando tu respiras, e firma o chão sob teus pés, quando caminhas; ela dá crescimento às plantas e move as esferas. A tudo une e anima; leva a traz minhas ordenanças. Ela é minha Palavra criadora ininterrupta, que existe e subsiste em forma de música. Quando é preciso, como agora, ela recrudesce à forma de palavra de homem, assim como eu próprio esvaziei-me até a forma de filho do homem. Aguce teus ouvidos, ó menor de meus irmãos: Não pode ouvi-la?
   João silenciou, sustentando seu olhar de assombro, agora o dirigindo, inquiridor, para a paisagem.
    — E você, Mateus, pode ouvi-la?
    Deitei-me sobre a rocha; fechei os olhos, como quem se estende sobre a fruição, o devir. Não sentia, como João ou como quem é ferido por um aguilhão, tolhido por cadeias, necessidade de racionalizar. Aleijado na humildade de minha condição de pó, nada respondi ao Mestre - mas num repente o silêncio atmosférico, o próprio silêncio cósmico pareceu ganhar cores em meus ouvidos, numa vibração surda que ia preenchendo dimensões que eu sequer intuíra existir, e como que a tudo completava, ligando, ponto a ponto, a todas as coisas.
    Cerrando com ainda mais força os olhos inundados, sorri.


Nota ao leitor desavisado: Caro leitor, claro está que a situação aqui relatada jamais aconteceu, sendo uma perfeita ficção. Tão ficção que o palco onde transcorre a ação, um monte Shir (do hebraico, música), jamais existiu.

Sammis Reachers

terça-feira, 1 de maio de 2018

O caráter do pregador - E. M. Bounds



Pode um homem ambicioso, que busca louvor e posição destacada, pregar o Evangelho dAquele que não buscou para si mesmo reputação, mas tomou a forma de um servo? Pode o orgulhoso, o vaidoso, o egoísta, pregar o Evangelho dAquele que era modesto e humilde? Pode o mal-humorado, colérico, duro e mundano pregar as doutrinas que estão cheias de longanimidade, auto abnegação, ternura, que imperativamente exigem separação da inimizade e crucificação para o mundo? Pode o mercenário oficial, sem coração e negligente, pregar o Evangelho que exige que o Pastor dê Sua vida pelo rebanho? Pode o homem ambicioso, que pensa em termos de salário e dinheiro, pregar o Evangelho até que esgote o seu coração e possa dizer no espírito de Cristo e Paulo com as palavras de Wesley: “E eu o considero como esterco e escória; o calco sob os meus pés; e eu (ainda que não seja eu, mas a graça de Deus em mim) o estimo apenas como a lama de estrada, não o desejo, não o busco”?
E. M. Bounds

quarta-feira, 28 de março de 2018

UMA VIAGEM COM C.S. LEWIS







João Tomaz Parreira

O Narrador entrou numa fila extravagante para apanhar um autocarro, uma pequena multidão heteróclita esperava já o mesmo transporte. Essa paragem parecia ser o único lugar com vida de uma cidade deserta e sem beleza.
É o início do livro de C.S.Lewis cujo título original é “The Great Divorce” e na tradução em língua portuguesa “A Viagem”.
A passagem para o português, por Richard King e Lurdes Oliveira, usa vocabulário e sintaxe cuidados, dialogia e harmonia entre as frases, concordâncias irrepreensíveis, respeitando a semântica do autor, e como complemento útil, excelentes notas referenciais do Editor. Reconheço desconhecer o original, mas a leitura desta tradução é, sem dúvida, uma reescrita.
Sem meios, de momento, para fazer comparatismo com a tradução brasileira (O Grande Abismo, da Editora Vida), o que posso aduzir é que a versão A Viagem fazia falta na nossa língua comum.
O editor, meu amigo de há muitos anos, João Pedro Martins, do Desafio Miqueias, e o ilustrador da capa, também meu amigo Natanael Gama, fizeram um trabalho excelente.
O grafismo da capa, estruturado numa “linguagem gráfica” de BD(banda desenhada), reflecte essa viagem, que metaforicamente parece ser nocturna, isto é, com suficiente mistério e encantamento, como quando o dia nos dá os seus primeiros sinais envolto em neblinas.
Esta obra de Lewis é um contraponto, para não dizer confronto a uma outra, centenária, do poeta William Blake em que este faz um casamento entre o Céu e o Inferno. Assim, estando o leitor no domínio do que está para além de si e no diáfano espaço do celestial, dir-se-ia que a leitura de “A Viagem” se fará sempre com a predominância da sétima função da linguagem, para usar a expressão de Roman Jackobson, a linguagem mágica e encantatória.
De resto, como sabemos, desde As Crónicas de Nardia, C.S.Lewis sempre a utilizou nas suas alegorias.
O livro que comecei a ler não foge a esta “regra”, que em Lewis é um estilo irrefragável. É uma metáfora, é uma grande fábula, e se quisermos dizer de outra maneira, mais “bíblica”, é tipológico. Dir-se-ia que parece, no âmbito das intertextualidades, o Huis Clos ( À Porta Fechada ) de Jean-Paul Sartre, mas com uma multidão de protagonistas.
Do ponto de vista literário, que deve ser sempre aquele pelo qual abordamos a obra de Lewis, temos pela frente literatura do fantástico, que antecipou, de certa maneira com conteúdo teológico-cristão, a literatura sul-americana de Gabriel Garcia Marquez a Julio Cortázar. E séculos antes do autor de “Crónicas de Nardia”, John Bunyan com “O Peregrino”.
Em “A Viagem”, Lewis reflecte sobre a temática que é da bagagem do Cristão: a concepção do Céu e do Inferno. A vida – vivências, circunstâncias, conflitos, concordâncias - para além da morte.
Ambos os lugares não se interpenetram, tão-pouco se equivalem, não devem equivaler-se porque são equidistantes na vida do Cristão. Num “Study Guide” da obra, assinada pelo próprio autor, ao que suponho, lemos no início desse Guia de leitura que “não há um céu com um pouco de inferno”, nem o contrário.
O que existe entre ambos, é um abismo.
Percorrendo as páginas e tendo encontros com as personagens, temos a sensação de que nos deparamos com um texto, que é mais do que ficcional, é uma mitopeia, uma “mythopoeic fairy”, (conto de fadas ou mitopoema, para usar um neologismo traduzido do inglês).
É a imaginação a funcionar, tal como no clássico do século XVII de Bunyan, numa metalinguagem que se percebe ser (nas págs. 28 e 30) do âmbito do sobrenatural, melhor dito, do maravilhoso ou do domínio do extra-subjectivo. Como os filósofos, C.S.Lewis interpreta aqui a vida para além da morte de modo variado e, por vezes, iconograficamente, para transformar isso nas relações do quotidiano. Um dos referentes, a Morte, tem um código próprio, tal como o céu e o inferno na linguagem lewisiana para nos falar de A Viagem.
- Prefiro morrer”- diz uma personagem (o Fantasma, que é uma mulher)
- Mas já morreste! Não adianta ignorar isso”- disse o interlocutor ( o Espírito)
É uma obra estruturada no onírico – no final (pág.150), percebe-se isso -, como O Peregrino baseado num sonho, com as personagens dramáticas inominadas, sejam o Inteligente, o Poeta Desgrenhado, o Grandalhão e o Baixinho, o Luminoso, o Fantasma Esquálido e o Fantasma Episcopal, o Espírito, como no romance de Bunyan são, por exemplo, o Cristão, o Obstinado e o Adaptável, etc.
Não é uma obra com citações bíblicas a propósito e a despropósito, como encontramos hoje em alguns livros “evangélicos” que usam as Sagradas Escrituras como pretexto para escrever um “best-seller” de auto-ajuda por detrás do texto sagrado.
É uma obra de induções, isto é, induz-nos ao pensamento bíblico e conduz-nos à teologia, repondo desde a época em que foi escrito, 1945, até hoje, a concepção perdida da existência do Inferno e do Céu e da viagem do Crente e do Ateu para esses lugares.
Não é uma obra apocalíptica, no sentido da escatologia. O que é, de facto, é apenas um romance cujo locus é o após-a-morte, mas com diálogos como se fossem uma conversa entre as personagens em vida, e, no entanto, elas são dramatis personae que morreram e vivem já no plano da vida eterna.
No que concerne a aspectos teológicos sem mais, que são detectáveis, Deus e Jesus Cristo, o Cristianismo e a Verdade perpassam neste livro na forma de diálogo ou nas chamadas discussões de sociedade teológica.
Há, porém, uma metáfora que, neste livro de CSL, é indubitavelmente da teologia por muito que o homem queira esquecer-se, o Inferno. Mesmo quando o narrador adoça o termo com uma, impressionante chamando-lhe “cidade sombria”, “cidade cinzenta”, com “a sua contínua esperança de alvorecer.”
A linguista búlgara Julia Kristeva escreveu que “a presença da linguagem é sensível nas páginas da Bíblia”, uso esta frase a propósito de A Viagem para dizer o contrário, que a presença da Bíblia confere sensibilidade à linguagem desta e das demais obras de C.S.Lewis. __________




terça-feira, 27 de março de 2018

OVELHAS NO MEIO DE LOBOS






A História nem sempre é linear e um caminho sempre para a frente, sem regressos. A História pode repetir-se, enquanto houver Humanidade.
É neste princípio, estas linhas, como legenda ao desenho*, sob um produto religioso que são as chamadas “igrejas neo-pentecostais”.
Estas, sob os mais diversos nomes, são uma tentativa canhestra, mas com grandes objectivos, para actualizar o que elas acham ter sido o Pentecostes e até o período subsequente da “igreja primitiva” dos Actos.
Barulho, “canções” repetitivas, emocionalidades sem controle por iliteracia teológica, “espiritualidade” à flor da pele, desvios bíblicos, captação de recursos do “crente” para o suposto “bem” comunitário, com vista à prosperidade. E, pelo meio, “teólogos” de pacotilha e de coaching.
Num breve sintagma: lobos no meio do rebanho, e, infelizmente, há rebanhos sinceros que se deixam enganar pelos lobos. 

J.T.Parreira © 

*In The New York Times