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quarta-feira, 1 de março de 2017

Alguns pensamentos do A. W. Tozer


Temo porque os cristãos modernos são de falar muito e de fazer pouco. Usamos a linguagem do poder, mas as nossas ações demonstram fraqueza.
Um ministro ineficaz, semimorto, é uma propaganda melhor para o inferno que um bom homem morto.
Existe um verdadeiro perigo nos esforços de alguns de substituir a vida pela organização, de tal maneira que mesmo que tenham um nome para viver, estão espiritualmente mortos.
Não é o corpo na verdade o que ilumina, mas o Espírito da verdade.
O meu serviço será julgado por Cristo, não pelo que tenha feito, mas por quanto mais poderia ter feito.
Aos olhos de Deus, as minhas dádivas não são medidas por quanto dei, mas por quanto deixei para mim uma vez que separei a minha dádiva.
Santos que não são santos; essa é a tragédia do cristianismo.
Se um homem tratar de pôr a fé de Cristo junto com a opinião humana, ou trata de provar que os seus ensinos estão em harmonia com esta filosofia ou aquela religião, ao procurar defender a Cristo na realidade o está rejeitando.
Devemos odiar o pecado em nós mesmos e em todos os homens, mas jamais devemos subestimar o homem que se encontra no pecado.
Procurar Deus nas inspiradas Escrituras deixando de lado a sua própria revelação, não somente é fútil, como também perigoso.
Permaneça próximo de Jesus, e todos os lobos do mundo não poderão te ferir!
A verdadeira adoração procura a união com o ser amado, e é um esforço ativo para salvar a distância entre o coração e Deus a quem adoramos.
Quando encontro a alguém que se acha muito acomodado neste mundo e em seu sistema, sinto-me obrigado a duvidar que alguma vez nasceu verdadeiramente de novo. Na verdade, todos os cristãos que conheço que fazem algo para Deus são aqueles que não estão acordes à sua época, que não estão em concordância com a sua geração.
Eu não creio que nenhum bem duradouro possa provir de atividades religiosas que não lancem as suas raízes nesta qualidade da criatura: o temor. O animal que está dentro de nós é muito forte e seguro de si mesmo. Até que não tenha sido vencido, Deus não se revelará aos olhos da nossa fé.
O Espírito Santo não é um luxo que pretende criar cristãos de luxo, como também uma capa com letras douradas e cobertas de couro faz que um livro seja de luxo. O Espírito é uma necessidade imperativa. Só o Espírito eterno pode realizar obras eternas.
Existe a arte de esquecer, e cada cristão deveria fazer-se destro nisto. Esquecer as coisas que ficam para trás é uma necessidade positiva se é que vamos nos converter em algo a mais que bebês em Cristo.
Algo agradável na relação com o nosso Pai celestial é descobrir que nos ama pelo que somos, e que valoriza o nosso amor mais que muitas galáxias de novos mundos.
Hoje, como em todos os séculos, os verdadeiros cristãos são um enigma para o mundo, um espinho na carne de Adão, um enigma para os anjos, o deleite de Deus e a habitação do Espírito Santo.
Os pais da igreja escreveram dizendo que se um homem sente que está ocupando algum lugar no reino de Deus, isso é orgulho, e até que isso morra, na realidade não ocupa lugar algum.
O homem que está seriamente convencido de que merece ir para o inferno, possivelmente não vá para lá, enquanto que o homem que está seguro de que merece o céu, com toda segurança nunca entrará nesse bendito lugar.
O cientista moderno perdeu a Deus no meio das maravilhas deste mundo; nós os cristãos estamos em verdadeiro perigo de perder a Deus no meio das maravilhas de sua Palavra.
Qualquer avivamento que venha a uma nação e deixe às pessoas tão apaixonadas por dinheiro como antes e tão absorvida pelos prazeres mundanos, é uma armadilha e um engano.
Em muitas igrejas o cristianismo foi diluído de tal maneira, que a solução se tornou tão fraca que se fosse veneno não afetaria a ninguém, e se fosse remédio não curaria a ninguém.
É de duvidar que Deus abençoe a um homem grandemente antes que Ele o tenha ferido profundamente.
Um cristão real é um caso raro, sem dúvida. Ele sente amor supremo por Aquele a quem nunca viu; fala todos os dias familiarmente com alguém a quem não pode ver; espera ir para o céu pela virtude de Outro; se esvazia para estar cheio; admite que está errado se pode declarar-se reto; desce para levantar-se; é mais forte quando é mais fraco; mais rico quando é mais pobre e mais feliz quando se sente pior. Morre para poder viver; abandona para ter; dá de presente para guardar; vê o invisível; ouve o inaudível.
Fé é ver o invisível, mas não o inexistente.
Tenho achado que Deus é cordial e generoso e em todos os sentidos é fácil de viver com ele.
Eis aqui uma prova para ver se a sua missão na vida terminou: se ainda está vivo, é porque não.
Meu fogo não é grande, mas é real, e pode haver alguns que podem acender a sua vela em sua chama.
Como podemos desculpar essa paixão pela publicidade tão claramente evidente entre os líderes cristãos? O que dizer sobre a ambição política nos círculos da igreja? Ou sobre a enfebrecida palma que se estende por mais e maiores ‘oferendas de amor’? Ou sobre a egolatria desavergonhada entre cristãos? Como podemos explicar nós, um grosseiro homem de culto que habitualmente levanta um e outro líder popular ao tamanho de um colosso? O que dizer sobre o obsequioso ‘beija-mão’ a homens enriquecidos por aqueles que pretendem ser pregadores legítimos do evangelho? Há só uma resposta a estas perguntas; é simplesmente que nestas manifestações nós vemos o mundo e nada mais que o mundo. Nenhuma profissão apaixonada de amor pelas 'almas' pode trocar o mau pelo bom. Estes são os mesmos pecados que crucificaram a Jesus.
Quase tudo associado com o ministério pode ser aprendido com uma quantidade média do uso da inteligente. Não é difícil pregar ou dirigir assuntos da igreja ou atender uma chamada social; os casamentos e enterros podem ser conduzidos facilmente com um pouco de ajuda do Emily Post e o Manual do Ministro. Pode-se aprender a fazer um sermão tão facilmente como fabricar sapatos – introdução, conclusão e tudo. E assim com todo o trabalho do ministério que se faz na igreja de valor médio de hoje. Mas a oração é outra questão. Ali Mrs. Post está incapacitada, e o Manual do Ministro não pode oferecer assistência. Ali o solitário homem de Deus deve lutar sozinho, às vezes com jejum, lágrimas e cansaço inexprimível. Ali cada homem deve ser original, porque a verdadeira oração não pode ser imitada nem pode ser aprendida de ninguém.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Há tempo de calar (Ec. 3:7)



por George Gonsalves

“Façamos silêncio a fim de que possamos ouvir o sussurro de Deus”.
 Ralph W. Emerson

       Era provavelmente a última vez que pai e filho iriam se ver. O filho era John Patton e ele estava indo para uma missão que muitos consideravam suicida: pregar aos nativos das Novas Hébridas. Alguns deles eram canibais e haviam dizimado uma expedição cristã anos antes. Patton narrou o final de uma caminhada com seu pai, de cerca de dez quilômetros, até à estação de trem que o levaria para distante de sua família: “No último meio quilômetro, ou perto disso, caminhamos juntos em um silêncio quase impenetrável [...] Seus lábios continuavam se movendo em oração silenciosa por mim, e suas lágrimas caíram rápidas quando nossos olhos se encontraram, pois toda fala era vã!”[1] Há silêncios eloquentes. Existem momentos em que palavras podem quebrar a sacralidade de uma cena de amor, de empatia.
O mundo é ruidoso; há muito barulho (e ruim) por toda a parte. Outrossim, a igreja parece seguir em um contínuo frenesi de vozes e sons vazios. Ocorre, que muitas vezes precisamos calar nossa voz. Sim, há uma virtude no silêncio. Muitas vezes pecamos quando simplesmente não ficamos calados.
      A Bíblia relata o silêncio de Jesus em algumas ocasiões. Como sabemos que Ele nunca pecou, concluímos que Cristo calou exatamente quando devia. Certa vez, instigado pelo sumo sacerdote a se defender de falsas acusações, Mateus afirma que Jesus “guardou silêncio” (Mt. 26:62-63). Quando Pilatos lhe perguntou se não ouvia as acusações dos judeus, as Escrituras narram: “Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador” (Mt. 27:14). Havia, inclusive, uma profecia sobre este momento do Messias: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is. 53:7).
    Há várias situações em que um cristão deve calar-se. Uma delas é mencionada pelo salmista Davi: “Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua” (Sl. 39:1). Quantas conversas perniciosas já foram compartilhadas! Quantas palavras espúrias foram pronunciadas! Às vezes, falar pode trazer irritação, constrangimento ou incitar mágoa a outrem.
Muitas vezes, as palavras são apenas desnecessárias. Nunca esqueci o testemunho escrito pelo pastor Stephen Brown. Na primeira vez que teve que lidar com uma morte em sua congregação, ele passou por uma situação difícil. Preparou com cuidado as palavras para consolar a viúva. No entanto, ao chegar ao velório, esqueceu tudo. Tentou falar algumas palavras, mas fez tanta confusão que preferiu calar-se. Ficou, então, sentado no sofá, envergonhado e humilhado. Alguns dias mais tarde a esposa enlutada o procurou. Stephen começou a se desculpar, mas ela o interrompeu: “Pastor, quero agradecer-lhe tudo o que o senhor fez por mim. Não sei como poderia ter enfrentado tudo sem o senhor”. Com sinceridade, o pastor disse-lhe que não havia feito nada. Então, ela sorriu e disse: “O senhor esteve presente”.[2] Falamos, mas não somente com os lábios. Talvez, por isso a Bíblia diga: “seja pronto para ouvir, tardio para falar” (Tg. 1:19).
O silêncio também pode estar carregado de reverência. Ocorre quando estamos tão conscientes da presença de Deus que nos faltam forças e motivação para pronunciar qualquer palavra. O profeta Habacuque declarou: “O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hc. 2:20). Ficamos emudecidos perante a majestade divina. Reconhecemos nossa pequenez e Sua infinita grandeza. O sábio escritor de Eclesiastes afirmou: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra” (Ec. 5:2).
A.W. Tozer escreveu certa vez: “um progresso espiritual bem maior pode ser alcançado num curto momento de silêncio completo com temor diante da presença de Deus do que em anos de estudo, somente”[3]. Este silêncio não é o da frieza ou indiferença. Calamos não porque não temos nada a falar, mas porque não sabemos como expressar em palavras.



[1] Citado em PIPER. John, Completando as aflições de Cristo. São Paulo-SP, Shedd Publicações, 2010, p. 84.
[2] BROWN. Stephen. Quando a corda se rompe. Ed. Vida, 1990, p.91.
[3] Este mundo: lugar de lazer ou campo de batalha? Rio de Janeiro-RJ, Danprewans, 1999, p. 51.

Fonte: blog Graça e Saber (www.gracaesaber.com)