quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Horas...


Eram três horas de longa sexta-feira
O sol iluminava a sobranceira
Faixa que aprumada se espraiava
Três cruzes aos raios cintilava

Dores, gritos, pragas, rompantes
Gente que jamais se viu antes
Resolução, ansiedade, saudade e morte
Homens entregues à própria sorte

Dali a cidade parecia mais distante
Menos acolhedora, sinistra, discrepante
Calava-se ao crime, ao jorro de sangue
A evidência tenra e humilhante

Idéias embaralhadas, sinais, profecias
Sentido embotado, coração apertado, tristes vias
Sentimentos conflitantes, regras esguias
Esvaem-se os prisioneiros em câimbras frias

O sangue cora a terra, que se tinge de violência
E regurgita o bem, que mal posto esperaria
É o Cordeiro sem mácula, que ali morreria
Cristo, o Santo que seu corpo daria

Sobre os pés é doloroso, às mãos calamitoso
As costas doem, os ossos trilham, rangem
Estalam os nervos, os olhos ardem
Sonhos morrem, sem destino ditoso

Triste e sofrido fim, mas ao Eterno agradou
Ele sabia de tudo, mas não recuou
Para que eu pudesse ter a salvação eterna
Recebê-lo em mim, sentir sua mão terna

Quem dera poder vê-lo e abraçá-lo nesta cruz
Mas poderosa me resplandece sua luz
Para sentir sua presença que doce reluz
E sem palavras gritar seu nome: Jesus!

Já que não pude estar em Jerusalém
Já que em mim não há nenhum bem
Já que brilhaste em minha mente insana
Já que quiseste salvar-me da morte lhana
Já que não pude levar tua cruz
Permite-me sentir tua glória, Jesus!

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