"Dá-me
uma visão da tristeza infinita, milhares correndo em direção ao juízo de Deus. Dá-me
uma visão de terras distantes, perdidas sem Cristo, mãos estendidas. Mostra-me
a agonia do Getsêmani, dá-me o amor dele pelo mundo."
Wesley Duewell
Há hoje na
igreja de Cristo um grande abismo entre o que cremos e a forma como agimos.
Somos capazes de crer no amor cristão, mesmo contemplando terríveis choques
denominacionais dentro do corpo de Cristo. Cremos na comunhão entre os santos,
apesar de alguns possuírem mais do que necessitam e outros não terem nem sequer
alimentos à mesa. Cremos na unicidade do corpo de Cristo, mesmo que grupos se
neguem a adorar a Deus em conjunto com outros irmãos. Cremos na igreja como
célula de expansão da fé cristã ao mesmo tempo em que negamos todo tipo de
envolvimento financeiro, litúrgico ou humano com missões mundiais. Cremos na
universalidade do corpo de Cristo, apesar de não cedermos o “pastor local” para
nenhum trabalho fora da “igreja local”, e assim por diante. Partimos ao meio
nossa eclesiologia.
Certa vez,
um irmão me perguntou: “Teologicamente, até onde deve ir a ação da igreja?”
Após algum tempo refletindo, cheguei à conclusão de que a igreja necessita ir
até onde vai o sacrifício de Cristo.
“E entoavam
novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos,
porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de
toda tribo, língua, povo e nação.” (Ap 5.9.)
O sacrifício
de Cristo vai até ao último povo perdido da Terra, e é até aí que a igreja deve
ir.
Temos de
entender que nenhum despertamento missionário irá acontecer enquanto não nos
dispusermos a viver segundo o que cremos. Precisamos voltar a ser uma igreja
visionária, que traduza a sua teologia diante da gritante angústia do mundo sem
Cristo; que tenha os valores do reino de Deus; que entenda de uma vez por todas
que uma alma vale mais que o mundo inteiro; que ofereça sua vida, seus filhos e
suas forças para que ao fim, com lágrimas nos olhos e alegria no coração,
contemplemos, ajoelhados, lado a lado, homens de todas as extremidades da Terra
louvando conosco ao Cordeiro Jesus, formando com os santos, de todas as
gerações, a grande multidão dos salvos no último dia. Uma igreja visionária é
uma igreja que põe a mão no arado e ara a terra.
Ronaldo Lidório – Missões: O desafio
continua

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