quarta-feira, 9 de março de 2016

Espartanos - Um conto sobre missionários


Espartanos

       Foi um e-mail de sua irmã, dando conta da tragédia.
      Éramos amigos da época do Exército, servimos juntos no extinto 3˚BI, em São Gonçalo.
      Após os dez meses regulamentares, dei baixa: planejava abrir o negócio que afinal nunca abri.
      Aritana (ele era um mulato com esse estranho nome de índio tupi) continuou na farda, engajou-se e chegou a 3˚ Sargento.
      Depois de sua baixa, foi homem de realizar nosso sonho: viajou para Aubagne, na França, e alistou-se na Legião Estrangeira.
      Ainda não contei porque Aritana, bem encaminhado no Exército Brasileiro, pediu sua baixa. Ele sempre sonhara ser um soldado na acepção veraz-voraz do termo: queria porque queria entrar em combate real, dizia mesmo que nascera para combater.
      Membro dos Comandos de Selva no Amazonas, aparentemente chegara onde queria: sabia das constantes e oficialmente abafadas incursões de membros das FARC colombianas território brasileiro adentro. Inimigos reais: Aritana precisava, e iria encontrá-los. Para isso fizera os testes e os extenuantes cursos para servir no Amazonas.
      Num estranho maio, chegou pela manhã a notícia, vinda via rádio de um informante duma tribo aruaque: dois barcos dos guerrilheiros desciam pelo rio Içá. O Comandante do Destacamento de Fronteira constituiu um Comando para ir de encontro ao grupo, mas excluíra Aritana da missão. A isso se seguiu uma discussão infrutífera, um frutífero soco no queixo do Comandante, um mês de cadeia e um pedido de baixa, para evitar a expulsão com desonra.

*  *  *

      Aritana chegou à Legião sonhando em combater. Onde fosse: operações da OTAN, Senegal, Chade, em Roma, Jerusalém ou no inferno.
      No último dia 14, ainda no campo de treinamento da Legião, em Castelnaudary, meu amigo espartano foi atingido acidentalmente pelo disparo de um fuzil bullpup FAMAS, arma regulamentar do Exército Francês. Tiro disparado por um recruta argelino.
      Morreu Aritana, o melhor soldado que vi, e de toda a galera do quartel, ou melhor, de todos os homens que conheci na vida, o melhor num combate corporal, sim, o melhor na porrada. Um gladiador nato, clássico. Um pedaço de aço, ou como eu disse, um espartano. Mas seus únicos combates na vida foram as lutas ferrenhas em busca de uma Luta, de um Sonho que sempre lhe fugiu; e nossas saudosas mas geopoliticamente irrelevantes brigas de bar.
      Mas por que relato sobre Aritana, por que sua história tem tirado meu sono nesses dias?
      Desde que me dediquei à obra de Deus, isso lá pelos idos de 1999, pouco antes de minha baixa, eu nutro o sonho de tornar-me também um diferente, um precioso e especializado tipo de soldado: um missionário. Percebi em algum momento que há uma e uma única causa por que combater, e qual é a verdadeira milícia e finalmente qual é a ponta de lança desta milícia. E tenho investido em cursos e livros, na consagração de minha vida, tarefas na igreja, do microfone à vassoura, da pá ao púlpito. E serviços comunitários em meus dias de folga, na intenção de adestrar meu espírito e meu corpo na arte de servir.
      E tenho encontrado a mesma resposta, as mesmas variações floreadas em que um ‘não’ alcança metamorfosear-se: “Nossa igreja não tem condições de enviar missionários”; “Você é louco? Vai morrer lá!”; “Mas e seu emprego, vai deixar um emprego tão bom para aventurar-se? Que desperdício, menino!”; “Ainda não é o tempo de Deus”; “Você não está capacitado”; “Ano que vem vamos entrar num propósito de oração, para Deus nos dar a direção sobre isso, irmão Sammis.”
      Tenho pensado sem parar em Aritana. Como ele, tenho há anos perseguido um sonho, tenho há anos visto ele ser-me negado, postergado, indeferido. O Universo não conspira contra mim, o Universo não conspira: tudo corre pela conta de Satanás, aliado à idiotice humana, esse outro obscuro deus, que por tanto e tantos responde.
      Não, eu não vou morrer sem ver o campo que o Senhor me direcionou. Não vou morrer aqui no solo cristão de um país cristão servindo principalmente a cristãos ou a uma maioria de renitentes já enfadados de ouvir a mensagem. Ainda que ela deva continuar a ser despejada a tempo e fora de tempo, como o bombardeio da luz do sol que não se esgota e jamais murmura, prefiro e vou bombardear solo virgem, extensões de trevas que nunca viram luz ou arado. Devo e vou morrer num lugar onde precisam de quem morra, onde desesperadamente anseiam por uma migalha da mesa do que aqui sobeja.
      Vendi minha casa. Moro sozinho e ainda não falei com minha família, mas isso é o de menos. O valor levantado permitirá que eu viva no campo por quase dois anos; com essa quantia em mãos a Agência Missionária resolveu aceitar-me. É uma Agência interdenominacional, sem condições de sustentar missionários. Apenas assessora, ajuda, pastoreia os pastores que envia. A quantia é muito mais do que muitos dos que partem dispõem, muito mais do que aquilo, entre realidades e as sempre muitas promessas, com que podem contar. E para além disso, não existe a fé? É hora de dar um salto kierkegaardiano, é tempo de experimentar essa arma, para além dos pacatos ensaios no simulador que a vida cristã aqui tem sido.
      Não, eu não vou morrer boicotado pelos generais, eu não vou morrer ferido num quartel, eu não vou morrer quando prestes a lançar-me; não vou morrer sem experimentar o verdadeiro combate. Parto ainda esta semana.
      Nosso velho sonho de guerra, Aritana. De alguma maneira vou realizá-lo.

Sammis Reachers



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

AS OBRAS DE ARMÍNIO EM PORTUGUÊS



       Acabo de receber o esperado lançamento da CPAD, As obras de Armínio. Dividido em três volumes, a obra alcança mais de 1.500 páginas e é uma excelente oportunidade de conhecermos de primeira mão o pensamento do teólogo holandês Jacó Armínio (1560-1609), que ousou contestar o calvinismo, doutrina dominante na Europa, na época em que viveu.

       No primeiro volume (592p), há uma breve biografia do autor e a exposição de seu entendimento sobre doutrinas bíblicas clássicas, tais como: predestinação, providência divina, livre-arbítrio do homem, graça de Deus, perseverança dos santos, certeza da salvação, dentre outras. Suas opiniões sobre estes temas causaram grande controvérsia entre os calvinistas. No segundo tomo (464p), há a explanação sobre outros tópicos importantes da fé cristã, como por exemplo: perfeição das Escrituras, natureza de Deus, criação e ceia do Senhor. Finalmente, no último volume (487p), encontramos o debate escrito entre Armínio e o calvinista Francis Junius, professor da Universidade de Leiden, além de um exame sobre o tratado do puritano William Perkins sobre a predestinação.  


     Geralmente, os discípulos não repetem completamente os ensinamentos dos seus mestres. Eles os modificam por divergências pessoais, ou por fatores externos (políticos, sociais ou econômicos). Deste modo, muitos dizem que Calvino não é calvinista, assim como John Wesley, evangelista do séc. XVIII, não é wesleyano. Com a obra do teólogo holandês, lançada pela primeira vez no Brasil pela CPAD, poderemos, enfim, responder à pergunta: Armínio é arminiano? 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Como defino a Humanidade sem Deus

Não é de hoje que a deterioração dos bons costumes e valores acontece

Por Eliseu Antonio Gomes


Posso estar enganando a mim mesmo, mas quero dizer que o problema da humanidade está na cabeça de cada geração nova que aparece neste planeta. A cada nova “safra”, os pais têm menos virtudes para oferecer aos seus filhos como exemplo bom. E esses filhos se tornam pais, e têm menos a dar à sua petizada; o petiz cresce, casa e o ciclo segue rumo ladeira abaixo.

Não é de hoje que a deterioração dos bons costumes e valores acontece. Lá pelos idos de 1930, a cultura norte-americana apresentava aos adolescentes de então, a personagem de desenhos animados, sempre de pernas de fora, voz e trejeitos insinuantes para o sexo fácil e sem compromisso, Beth Boop. E vieram mais frutas podres como modelos comportamentais: Marilyn Monroe; Madonna; Lady Gaga... 

E.A.G.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Do Conhecimento e do Conhecimento de Deus


"Wir müssen wissen. Wir werden wissen." (Nós precisamos saber, e nós iremos saber). Essa frase lapidar (literalmente: está inscrita em sua lápide, na pacata Göttingen), do matemático alemão David Hilbert, encontra um sutil paralelo no (para mim revelador e perturbador) versículo bíblico: "A glória de Deus é ocultar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis." (Provérbios 25:2). 
A própria Bíblia reconhece a sanha humana em busca do conhecimento; ainda que em outras passagens menospreze a sabedoria 'puramente' (pois seria isso possível?) humana, não deseja com isso negar a validade da busca por conhecimento e sabedoria, e mesmo como que valida e legaliza sua existência, como naquele que é (e uma vez mais esta é uma questão subjetiva, amigo leitor) para mim o mais significativo versículo bíblico, em relação aos meus anseios mais primevos, mais profundos de criança devoradora de enciclopédias: "Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido." (1 Coríntios 13:12). 
Há quem anseie Paz eterna; outros, a eterna comunhão com Deus, ou simplesmente (e, incluindo os santos e os hipócritas, isto engloba a maioria de nós), safar-se do Inferno. Mas que significado teria tal comunhão com Deus se eu não pudesse ADENTRAR o mistério-Deus, se eu não pudesse USUFRUÍ-LO como convém? Como não cobiçar o objeto-mór da sede de conhecimento de que fomos (por Deus ou pela Queda, ainda não pude discernir) feitos plenos - o graal e o líquido no graal e a Mão que sustenta a mão que empunha o graal, o de tudo a fonte, o lugar-pra-onde-retornar (pois após o Big Bang não há de vir o Big Crunch?): Deus Absconditus, o Deus que se esconde ("Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel". - Isaías 45:15). Cuja glória imarcescível nos atiça a violentamente buscá-lo.

Sammis Reachers

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Opinião de Reinaldo Azevedo sobre sugestão da ONU de aborto por microcefalia

Por João Cruzué:


Quando saio do trabalho, às 18:00 horas, eu sempre assisto o programa  "OS PINGOS NOS IS' na Rádio Jovem Pan News. Reinaldo Azevedo é um jornalista cristão, com muita pimenta na língua. Eu gosto e recomendo. No Youtube, é só procurar por "pingos nos is".

No vídeo, abaixo, ele desce a madeira no Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, um senhor filho de um Príncipe da Jordânia que está sugerindo descaradamente que as mulheres grávidas de fetos com microcefalia devem abortar. Daqui a pouco, se esta sugestão pega, a porta vai ficar escancarada para outro tipo de AGRESSÃO  aos direitos humanos, ou seja, a sugestão para aborto de fetos com outros tipos de deficiência. Assunto muito perigoso, maligno, que vem embrulhado e vendido  pela boca de IDIOTAS abortistas como esse fulano  da comissão de direitos humanos da ONU.  Agora escute o que o jornalista tem a dizer:







 Endereço, caso o vídeo não apareça maisOs pingos nos is - endereço no Youtube

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PARA ENCONTRAR A CRIANÇA ENVOLTA EM PANOS





Deus pôs no céu a mão a guiar uma estrela
No meio de lugar nenhum
Que é o espaço indecifrável da noite
A luz era o único lugar visível, não se via
A mão que a guiava, foi com surpresa
Que a viram estacionar os anos-luz
Sobre um discreto estábulo de Belém.


18-12-2015

© João Tomaz Parreira

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Teologia no Cartão de Natal

Pense no desenho de um cartão de Natal. O que você vê? A manjedoura, os reis magos, os pastores, José, Maria, o recém-nascido Jesus, a estrela resplandecente, os presentes, os animais… Estas figuras refletem exatamente a história do Natal, certo? Errado. Estudando com atenção os textos que narram o natal de Jesus você vai perceber que a maioria de nós crê em uma versão distorcida do seu nascimento. Versão recebida do Catolicismo Romano e diferente do que encontramos na Bíblia. Vejamos:

Os magos

Magos ou reis magos? Esta é a primeira questão. A tradição católico romana diz que eram “reis magos”, porém, a Bíblia não diz isso. Em nenhum lugar das Escrituras encontramos a expressão “reis magos”. De acordo com Mateus, eles eram apenas, e tão somente, magos (Mt 2.1).
E o que eram os magos naquela época? Magos, ou sábios (como aparece em algumas versões da Bíblia em inglês) eram aqueles que se dedicavam ao estudo das estrelas. Vieram do Oriente, de terras em que a astronomia era praticada, provavelmente dos países que conhecemos hoje sob o nome de Irã e Iraque.
E quantos eram eles? A Bíblia não diz. Diz apenas “uns magos”. Imagina-se três por causa dos três presentes que a criança recebeu (Mt 2.11). Contudo, podem ter sido dois, seis, nove, doze, dezoito, vinte… A tradição oriental cria em doze magos e entre eles os armênios falavam em quinze. Não sabemos. A Bíblia não diz. Não sabemos também os seus nomes. A Igreja Católica os chama de Melchior, Baltazar e Gaspar, porém, sem nenhuma base bíblica.
Vemos que os magos são personagens misteriosos na história de Jesus. Pouco sabemos a respeito deles. O que sabemos é que eles desempenham um papel especial na história de Cristo. Eles mostram que Jesus é o salvador não apenas dos judeus, mas de todos os povos. Ele é digno de toda honra e adoração, por isso a longa viagem e a entrega de presentes tão valiosos.
Estes são os verdadeiros magos (não reis-magos) da história de Cristo. Vamos ver agora outro elemento da história do Natal que também tem sido mal comprendido…

A estrela

Como a estrela que guiou os magos até Jesus é geralmente apresentada? Na maioria das figuras ela é grande e com intenso brilho. Em alguns casos, ela aparece até com uma grande cauda, própria de cometa. Como terá sido esta estrela, na realidade?
O texto de Mateus nos leva a crer que era uma estrela de proporções normais. Os magos somente a identificaram porque eram estudiosos das estrelas. Conheciam os astros celestes e perceberam que aquela estrela era especial. E, de fato, se fosse uma estrela gigantesca, com intenso brilho e fulgor, como geralmente aparece representada, não só os magos a teriam visto, mas também Herodes e todo o povo de Jerusalém. Tamanho astro celeste não passaria despercebido por aquelas terras em que a iluminação vem sempre do céu. Todos iriam atrás da estrela, não só os magos!
Deus falou com os magos por meio de uma linguagem que só eles compreendiam – uma estrela.
E como eles associaram esta estrela ao nascimento de Jesus? Teriam eles acesso às Escrituras para, como os judeus, esperar a vinda do Messias? Conheciam os magos a profecia de Números 24.17? “Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.” Ou teriam tido uma revelação mais direta de Deus quanto ao significado desta estrela? Todas as respostas são possíveis, porém, não sabemos qual é a correta. A Bíblia não diz.
O que sabemos, e o que Mateus deixa bem claro no registro bíblico, é que os magos chegaram em Jerusalém com um firme propósito: “… vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.” (v.2). E eles conseguiram. O verso 11 nos mostra os magos prostrando-se, adorando o menino rei e lhe entregando seus presentes. A estrela, guiada por Deus, os conduziu àquele que é a luz do mundo.

Onde estava Jesus

A nossa última questão é: Onde estava Jesus quando os magos vieram adorá-lo. O que você acha? Na estrebaria? Então leia o versículo 11, de Mateus 2. A resposta correta é: em uma casa.
Quando os magos chegaram em Belém, Jesus não estava mais na manjedoura. Ele estava com seus pais em uma casa. A viagem dos magos foi longa. Meses de percurso. Mais de um ano havia se passado e José e Maria não estavam mais naquela moradia provisória em que Jesus nasceu. Ao contrário do que muitos pensam, quando os magos chegaram, Jesus já tinha mais de um ano de idade. Podemos inferir isso analisando a sangrenta ordem do rei Herodes:
“Vendo-se iludido pelos magos, enfureceu-se Herodes grandemente e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos” (Mt 2.16).
Herodes mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo. Mas, por que dois anos? Que cálculo ele fez para chegar a este limite de idade? A resposta está no versículo 7: “Com isto, Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles com precisão quanto ao tempo em que a estrela aparecera”; e no final do verso 16: “… de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos”.
A informação que Herodes obteve dos magos, quanto ao aparecimento da estrela, o levou à idade de dois anos para baixo. Exterminando os meninos dentro deste limite de idade, com certeza, o cruel rei atingiria o menino Jesus.
Assim sendo, podemos sugerir que Jesus tinha menos de dois e mais de um ano de idade quando os magos o visitaram. Isto porque, se a informação dos magos levasse Herodes a concluir que Jesus estava com apenas alguns meses de vida, não haveria o porquê de se estipular o limite de dois anos para a chacina. Matando os meninos de um ano para baixo já seria o suficiente para atingir Jesus. Se ele estabeleceu “de dois anos para baixo” é porque Jesus já tinha mais de um ano de idade.
E os pastores? Onde entram nesta história? Entram bem no início dela. Eles foram os primeiros a ver o rei Jesus. Os pastores o encontraram logo após o seu nascimento, ainda na manjedoura (Lc 2.12,16).
Ao contrário do que geralmente aparece desenhado nos cartões de natal, os pastores não viram a estrela e nem se encontraram com os magos. Eles foram ao encontro de Jesus Cristo, o viram, e voltaram glorificando e louvando a Deus (Lc 2.20). Os magos, como vimos, chegaram muito tempo após a vinda dos pastores.
Qual seria, então, a ordem correta dos acontecimentos, de acordo com a Bíblia?Simplificando a história, a ordem seria esta:
1. José e Maria sobem para Belém, a fim de alistarem-se (Lc 2.1-5).
2. Jesus nasce e Maria o deita em uma manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria (Lc 2.6,7)
3. Nos campos, um anjo acompanhado por uma milícia celestial anuncia a uns pastores o nascimento do Salvador (Lc 2.8-14).
4. Os pastores imediatamente vão ver Jesus e o encontram deitado na manjedoura (Lc 2.15-19)
5. Os pastores voltam para os campos glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto (Lc 2.20).
(…) Em algum momento, que só Deus sabe, uma estrela aparece aos magos em algum país ao oriente de Jerusalém.
(…) Os magos iniciam a sua longa jornada.
6. Após meses de viagem, os magos chegam em Jerusalém (Mt 2.1,2).
7. Herodes chama os magos, se informa quanto ao tempo em que a estrela apareceu a eles, e pede aos magos que o avisem assim que encontrarem o rei Jesus (Mt 2.7,8).
8. Os magos partem para Belém (Mt 2.9).
9. Os magos continuam seguindo a estrela e chegam na casa em que está Jesus (Mt 2.9-11).
10. Os magos entram na casa e encontram Jesus com sua mãe. Prostram-se e o adoram. Abrem os seus tesouros e lhe entregam as suas ofertas: ouro, incenso e mirra (Mt 2.11).
11. Em sonho, recebem a advertência de Deus para não voltarem à presença do rei Herodes (Mt 2.12).
12. Os magos regressam, por outro caminho, para a sua terra (Mt 2.12). 
13. Em sonho, um anjo do Senhor manda José fugir com Maria e Jesus para o Egito, para escapar das mãos de Herodes (Mt 2.13).
14. José, de noite, toma Jesus e Maria e vai para o Egito (Mt 2.14).
15. Herodes percebe que foi enganado pelos magos e manda matar todos os meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo. Mas Jesus está a salvo, por causa da obediência de José.
A história continua e é bom a lermos sempre para não sermos influenciados pelas versões que encontramos por aí.
Muito tem sido falado sobre Jesus. As informações vêm de todos os lados: da tradição Católica, dos programas de televisão, das revistas e até dos cartões de Natal. Contudo, é necessário que a nossa fonte de informações sobre Cristo seja sempre a Bíblia.
A minha oração é que neste Natal Deus nos ajude a compreender a lição que aqueles magos nos deixaram. Que a nossa disposição para servir a Deus seja como a daqueles homens que não mediram esforços para adorar a Deus. Enfrentaram a distância, os desconfortos e os perigos da viagem para se prostrar perante o Rei Eterno. Que a nossa fé seja firme como a daqueles sábios.
E que, em todos os momentos da nossa vida, nós possamos, como aqueles homens, ter os olhos fixos nos céus. Que o nosso olhar esteja sempre voltado para o alto, para o Rei sublime. Olhando para os céus, seguiremos a nossa jornada amparados por Deus e sempre na direção correta. Boa viagem.
Por Rev. Ageu Cirilo de Magalhães Jr.
Diretor do Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

CHEGA DE FICAR SOBRE O TELHADO!


Dizer que o país vai mal é chover no molhado. Em cada esquina isso está na boca do povo. A questão já está bem mais adiante. A crise que sentimos como uma tempestade não é específica; é genérica. Também ela não desaguou de uma vez. 
Parece, à maioria de nós, que os anos de 2014 e de 2015 vêm figurar como os anos terríveis cujas maldades desabaram sobre esta terra. Mentira. 
A tempestade que ora se enfrenta começou há tempos, como uma garoa que, aos poucos, foi-se intensificando. Mas, como garoa não provoca enchente, pouco nos importou o que acontecia. Agora, a água já cobre os telhados, para onde nos socorremos, sem ver possibilidade de ajuda. 
A crise que parece ser apenas político-partidária tem ramificações terríveis e ela é apenas consequência da metástese da imoralidade que se desenvolveu por aqui. A crise não é apenas Lula, não é apenas Dilma, não são os deputados ou os senadores. A crise somos nós! Todos nós brasileiros insensatos, desapercebidos. 
Fala-se, hoje, em crise na educação escolar. Ela começou em 2014? Claro que não! Há anos, formam-se professores desqualificados (e como profissional do magistério, sei o que digo). De tempos a esta data, as salas de aula, no ensino superior, passaram do domínio do mestre (?) para o interminável falatório de pretensiosos estudantes "com uma ideia na cabeça e um punhado de parceiros para falar bobagens". Até as festas de formatura viraram orgias indescritíveis. O lixo começa no trote aos calouros e termina no baile de formatura! Que esperar de grande parte desses profissionais, outrora estudantes mergulhados no caldo da irresponsabilidade moral e intelectual? 
Pouquíssimos se salvam! 
Da crise na Educação nascem as demais crises, incluindo-se nisso uma camada de políticos desajustados, indecentes, imorais desde os bancos acadêmicos. 
Passou-se o desagradável e inadequado tempo de políticos defensores de ideologias esquerdistas, incompatíveis com o espírito brasileiro, uma vez que os esquerdistas de agora ajustaram-se à bagunça gramcista, de onde brotaram os imbecis políticos anarquistas, os quais têm dominado com suas porcas ideias uma população ignara. Para constatar o que exponho, basta ver que maldosas ideologias ressaltam no malfadado Ministério da Educação. E tiveram o desplante de alcunhar o Brasil de Pátria Educadora! 
Um governo que libera verba para tudo quanto é sujeira; veja-se a última revoltante notícia de uma peça (?) de teatro (?) em que se prega deslavadamente a imoralidade sexual pervertida, não merece, senão o mais intenso e imediato protesto de todos os brasileiros que se prezam. 
A crise que começou como uma garoa, foi crescendo. A maioria de nós está sobre os telhados, sem saída. Mas ainda há os que construíram suas casas no alto, sobre a rocha e não estão atingidos pela avalanche de cocô desta geração. A estes cabe o protesto imediato, a oposição ferrenha, sem medo, em defesa de um Brasil que não se formou para a pouca vergonha. Que se lixem os anticristãos! É hora de manifestação sadia de um povo que honra uma nação com princípios cristãos. É hora de se sair da caverna, ou todos seremos tragados. 

 Izaldil Tavares de Castro

terça-feira, 3 de novembro de 2015

SALMO CENTO E VINTE E SETE

É inútil levantar cedo, desviar

O curso desta morte lúcida
Que é o sono, inútil será contar estrelas
Até que amanheça, ir ao berço dos filhos
Ver se respiram, fazer mais filhos
Para serem frechas na aljava do valente

Se o Senhor não guardar o pão do bolor
O  pão ganho com desalento
Se não guardar da casa a trave-mestra
Nem vigiar nos olhos da sentinela
Tudo será vão como a areia
Que não resiste ao vento


12-09-2015
©  João Tomaz Parreira

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O propósito de Deus para um velho rabugento.


"Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, 
subirão com asas como águias; correrão, 
e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão."
(Isaías 40.31)

Velhice com propósito
Autor: João Cruzué
.
Senti o desejo de escrever uma mensagem sobre a velhice na semana passada, entre outras coisas, porque no início do ano que vem eu vou crava a marca dos 60. É uma idade que tem suas vantagens e desvantagens. A parte ruim (eu acho) é que a maior parte dos assuntos das conversas começa a girar em torno de doenças e remédios. A parte boa, no meu caso, é poder usar o espaço preferencial em filas, trens, metrôs, etc. Mas não são sobre estes assuntos que desejo escrever algumas linhas, senão sobre o grande engano do diabo em sua estratégia para eliminar o propósito de Deus dos sonhos dos velhos. Isto está particularmente muito claro na vida de Moisés.

No capítulo 7 do livro de Atos dos Apóstolos está registrado que, aos 40 anos, Moisés sentiu um impulso de ir para ver a situação dos judeus. Em algum tempo, antes dos quarenta, ele deve ter ouvido a voz de Deus, dizendo que ele, Moisés, era o libertador de Israel.

Moisés foi e viu seus irmãos judeus sendo espancados e maltratados. Já que ele era o libertador, não perdeu tempo: tratou de começar a obra de Deus pela FORÇA.  Todavia não era este o plano de Deus.

Daí, tendo sido expulso do Egito, fugiu para a terra de Midiã, onde começou a viver um longo tempo na "caverna", ou seja, começou a descrer da promessa e foi se acomodando à vida ordinária. Naturalmente, o dedo do diabo de alguma forma esteve presente durante aqueles outros 40 anos que Moisés passou no deserto. Isto é muito possível, porque se Moisés era o escolhido para libertar o povo de Israel e torná-lo em uma nação, com certeza, o engano do adversário fustigava Moisés naqueles longos anos de solidão e silêncio de Deus.

Na Carta de Paulo aos Efésios (1:9) fala que Deus é que os mistérios do propósito de Deus para nossa vida são nos dados a conhecer por revelação: "Descobrindo-nos [revelação] o mistério da SUA vontade, segundo o SEU beneplácito, do que propusera [propósito] em SI mesmo". Este assunto é mais esclarecedor no v.17: "Para que o Deus de nosso SENHOR Jesus Cristo, o PAI da Glória, vos dê em SEU conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação".

Ao final de 40 anos de "caverna" Moisés, já com 80 anos, estava perfeitamente convicto de que aquela história de libertador de Israel era fruto da sua imaginação ou de uma interpretação errada de um sonho. Mas não era.

Para todo verdadeiro servo de DEUS, não são os anos de vida que ditam o FIM dos propósitos de Deus na nossa vida. Na primeira resposta de Moisés (Êxodo 3.11) a Deus, uma coisa que não é dita, mas que fica implícita, é que Moisés se considerava um velho: "Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?" .  Deus foi falando com Moisés e a cada resposta ele se mostrava mais rabugento. Por fim, Deus perdeu a paciência com ele, quando pediu para mandar outra pessoa para o Egito.

Lucas registrou no Evangelho que escreveu: "Por quer para Deus nada é impossível" (Lc. 1.37)

Moisés Libertou Israel; Sara concebeu Isaque; de Isabel nasceu João Batista e Saulo, o perseguidor, foi transformado no Apóstolo dos gentios.

O maior engano de Moisés foi achar que Deus não tinha propósito para um velho. Em nossos dias, é comum que a partir dos 60 anos de idade, muitos sonhos são transformados em frustrações pela força sutil e quase imperceptível voz do diabo - o especialista na arte dos sofismas.  Muitos cristãos estão sendo enganados, mesmo com vastos registros bíblicos que mostram o contrário.

A conclusão que cheguei, na meditação desta manhã, é que Deus tem um propósito especial para a vida de cada Cristão; que os anos de nossa vida foram dados por Deus para cumprir este propósito; que o cansaço  muitas vezes vem da falta de exercícios físicos, essenciais para a manutenção do nosso corpo (templo do Espírito Santo) e da nossa mente. Que a tristeza e a caverna são as evidências mais claras de que o Espírito Santo não concorda com nossas atitudes. E isto é verdadeiro, porque quando estamos dentro do propósito de Deus, o Espírito de Deus se alegra e SUA alegria aformoseia o rosto.

Vá, portanto, e ouça a voz do Espírito Santo. 

"Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, 
subirão com asas como águias; correrão, 
e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão."
(Isaías 40.31)

A Paz de Cristo.

SP. 01/11/2015.






domingo, 11 de outubro de 2015

SALMO 137 DO SÉCULO PASSADO






Sentávamo-nos junto aos muros do gueto de Varsóvia
e chorávamos com uma estrela no peito,  nas sombras
dos casacos rotos, pensando
que éramos o povo escolhido.  Deus
estava em Jerusalém e lá pendurámos  nossas preces.
Os que nos tinham feito prisioneiros pediam-nos
que cantássemos com a nossa boca
cheia de pão negro, aqueles que nos haviam de destruir
queriam a nossa alegria. Mas como era possível
que entoássemos outro cântico senão um kaddish
pelos mortos? O canto do Senhor em terra estranha.
Se tu, Senhor, te esqueceres de nós, seremos harpas
partidas e as nossas cinzas voarão pelos ares
como um silêncio.

10-10-2015


©  João Tomaz Parreira  

sábado, 3 de outubro de 2015

Procura-se pastor de verdade


  • Procura-se pastor que realmente tenha alma de pastor. 
  • Procura-se pastor que sabe conviver com os demais pastores e não tem receio do sucesso do outro. 
  • Procura-se pastor com caráter íntegro, que revela em público o que é na intimidade de sua casa. 
  • Procura-se pastor que não provoca escândalos, nem envergonha a igreja diante da cidade. 
  • Procura-se pastor que prega somente o que Cristo pregou e nada mais além. 
  • Procura-se pastor que não deixa de socorrer a ovelha, mesmo quando por ela não é procurado. 
  • Procura-se pastor que não busca os interesses próprios, mas os do Reino de Deus. 
  • Procura-se pastor que ama intensamente sua esposa e filhos, ensinando assim o que é viver em família. 
  • Procura-se pastor que prega o Evangelho todos os dias da semana, tendo ou não um púlpito à sua frente. 
  • Procura-se pastor que gasta tempo com Deus e se reavalia, dia a dia, para saber se de fato está desenvolvendo o ministério certo. 
  • Procura-se pastor que sabe o que é sofrer por Cristo e perder a vida pelo Reino de Deus. 
 "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência."  (Jeremias 3.15) 

 Por: Samuel Costa

terça-feira, 15 de setembro de 2015

A literatura e as artes cristãs em revista: AMPLITUDE




AMPLITUDE é uma revista de cultura evangélica, com foco principal em ficção e poesia. Mas nosso leitmotiv, nosso motivo de ser e de existir, é a arte cristã em geral: Transitamos por música, cinema, fotografia, artes plásticas e quadrinhos. Publicamos artigos, estudos literários, crônicas e resenhas.
      Nossa intenção diz respeito àquela despretensiosa excelência dos humildes. Nosso porto de partida e porto de chegada é Cristo. Nosso objetivo é fomentar a reflexão e a expressão, AMPLIAR visões, entreter com valores cristãos, comunicar a verdade e o belo e estimular o engajamento artístico/intelectual entre nossos irmãos.
Nosso preço é nenhum: a revista circula gratuitamente, no democrático formato pdf.
      AMPLITUDE, revista cristã de literatura e artes, nasce como um espaço inter ou não-denominacional aberto à criação daqueles que por tanto tempo foram silenciados pela visão oblíqua e deturpada do velho status quo que via nas expressões artísticas algo menor, indigno ou mesmo inútil ao cristão ou à igreja.  Um fórum para os que tem-se visto alienados de veículos de expressão, de formas de publicar/expor/comunicar, de interagir entre pares, e para além dos pares.
      Esta revista nasce com dois anos de atraso, desde a gestação da ideia de uma revista dedicada fundamentalmente à nossa literatura, em conversações com o poeta e escritor lusitano J.T.Parreira. Porém, projetos outros impediram naquele momento a concretização da ideia.
      Como a focalização de nossas lentes recai fundamentalmente sobre a ficção e a poesia, esta edição inaugural chega com força total: são oito contos. Na poesia, contamos com nomes consagrados como o próprio J.T.Parreira, Israel Belo de Azevedo, Joanyr de Oliveira, Gióia Júnior e outros, aliados a novos nomes de excelente produção.
      O anglicano George Herbert, uma das figuras centrais dos assim chamados poetas metafísicos ingleses, inaugura a seção Jardim dos Clássicos.
      Marcelo Bittencourt apresenta sua história em quadrinhos Pobre Maria, encantando com seu texto e sua arte.
      Na seção de entrevistas, iniciamos com Veronica Brendler, idealizadora do Festival Nacional de Cinema Cristão.
      As artes plásticas são contempladas na seção Galeria, que abre suas portas com a obra de Rafaela Senfft, que também comparece com o artigo A arte moderna e a cosmovisão cristã.
      E vamos aos contos: O saudoso Joanyr de Oliveira, verdadeiro patrono da (boa) literatura evangélica, faz-se presente com o conto A Catequese ou Feliz 1953, onde o autor revisita os porões da ditadura brasileira, inspirado em eventos autobiográficos. J.T.Parreira comparece relatando sobre as crises ontológicas de Pedro, em Os Pronomes; e ainda o fino humor de Judson Canto em Uma mensagem imprópria; um singelo conto de Rosa Jurandir Braz, Você aceita esta Flor?; Célia Costa com o brevíssimo O que poderia ter sido, sobre o que poderia ter sido naquele Jardim de possibilidades; Margarete Solange Moraes com o pungente Filhos da Pobreza; este humilde escriba comparece com um conto de ficção científica, Degelo, ambientado em futuro(s) distópico(s); e Hêzaro Viana, fechando a edição com um forte e terno conto, Por Amor, em 12 páginas de ótima prosa.
      Confira ainda as seções: Notas Culturais, com pequenos flashes sobre o que rola na cena cultural cristã (e fora dela); Hot Spots, abarcando a cada edição citações da obra de um grande autor; Parlatorium, com citações diversas de autores de ontem e de hoje; e Resenhas, abarcando livros, música, cinema et al.

Para baixar a revista pelo site 4Shared, CLIQUEAQUI.
Para ler online ou baixar a revista pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para ler online ou baixar a revista pelo site SlideShare, CLIQUE AQUI.
Para ler online ou baixar a revista pelo site Issuu, CLIQUE AQUI.

Caso não consiga realizar o download, solicite o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br