sábado, 31 de maio de 2008

Uma Parábola


Lembra-te dessa mulher
que arrancou com coragem
à escuridão do pó
uma moeda simples, única
mesmo diante das outras
-que eram nove.
Quando varria
não eram os seus passos
que ouvia, porque voava
sobre o chão da cozinha
seus olhos submergiam
no território onde nada
tem alma, e o chão
nunca lhe fugiu debaixo
dos seus pés.


poema inédito de J.T.Parreira

sexta-feira, 30 de maio de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Como as mulheres foram liberadas para cantar na Igreja


Aconteceu assim. Depois do ano 100 d.C., não muito perto, nem muito longe, estavam reunidos todos os líderes, sob a coordenação do pastor J, o presidente do conselho. O assunto fora mencionado pelo irmão D, que era responsável por uma congregação, e sempre trazia estas inquietações polêmicas.
- Irmãos, gostaria de saber o seguinte: as mulheres podem cantar á frente do público em nossas igrejas? - inquiriu ele.

A pergunta caiu como uma bomba. O irmão C, sempre muito bibliocêntrico, pediu a palavra: - Prezados, está escrito na Lei que os levitas seriam eternamente os dirigentes do louvor e do serviço na congregação. Portanto, não vejo com bons olhos tal concessão. Não é bíblica.

O irmão F veio em socorro de D: - Mas, Miriam não cantou do outro lado do mar? Débora não cantou após Jael matar Sísera? Estamos na Graça, isto já não está anulado?

O irmão C retrucou: - Todas as mulheres que cantaram na Bíblia foram exceções. Miriam cantou porque Moisés estava ocupado com a vara e Arão o ajudava. Débora cantou porque Lapidote era frouxo, e veja que o texto diz que ela cantou com Baraque, logo não estava sozinha. Jesus disse que na Graça, nenhum til da Lei cairá porque Ele a veio cumprir. O Concílio de Jerusalém nada fala a respeito. Nem mesmo os concílios posteriores. Portanto, irmãos, paremos de inovar e voltemo-nos para a Palavra que é nossa regra de fé e prática. Aliás, no Novo Testamento nenhuma mulher cantou, exceto aquela multidão que louvou no Apocalipse, onde, provavelmente, estavam muitas mulheres, mas isso será no fim dos tempos, não vamos antecipar as coisas. Além disso estou conjecturando, aquilo seria cantar ou louvar, há controvérsias.

O irmão G gritou do fundo da sala: - Por milênios os levitas cantaram e estava muito bom, que novidade é essa? Não vejo necessidade disso agora. Quem foi que inventou esta história, foi você D? Quem daria notas melhores e mais afinadas do que os levitas?

Os presentes se dividiram e a balbúrdia cresceu. O presidente, irmão J, solenemente bateu seu martelo de nogueira na mesa e pediu silêncio. Em seguida, disse: - Silêncio! Vamos ouvir o irmão A. Ele é um ancião e há muito faz teologia interpretativa para nós. O que o senhor tem a dizer?

- Bem - pigarreou A - o irmão C já bebeu na minha fonte. De fato, não há no Livro Sagrado quaisquer menção á mulheres cantando, salvo raríssimas exceções. Isso é uma inovação. Muitas mulheres ajudaram Paulo, alguns nomes, inclusive, são ambíguos, não há como saber se são de homens ou mulheres, é o caso de Júnias. Então, enxergo como uma inovação desnecessária, importada do Ocidente. Na Bíblia só há exceções para os casos em que faltam homens. É o caso de Débora.

- Ok. Vamos encerrar a reunião e o assunto - disse o presidente - Seja transcrito na ata que tal posição é a adotada por nós.

D ponderou: - Com licença, presidente. O salmo 34, uma cantiga de ninar para as crianças se sentirem nos braços da mãe, foi "cantado" por Jesus na cruz. Não é possível que em todos estes anos nenhuma mulher tenha cantado o mesmo salmo, enquanto embalava seus filhos. Me lembro de ter passado e visto várias mães cantando com e para seus filhos e até mesmo na igreja já observei esta atitude. Algumas até já cantaram no microfone da minha congregação...

A reunião veio abaixo: - O quê?!!!

O irmão C se imiscuiu: - Meu prezado irmão D, temos que decidir se vamos seguir a Palavra de Deus, ou se vamos seguir sua lógica. Que história é essa de dar oportunidade às mulheres para cantar? Ou o senhor segue a Bíblia ou se torna um herege. Que eisegese barata!

Uma voz baixa partiu do lado, era L: - A verdade é que as mulheres já cantam em várias de nossas igrejas. Melhor, ministram louvores para todos nós. Eu diria que ensinam cantar mesmo, e algumas vezes cantam melhor que os homens! Confesso que já pensei em colocar uma delas como maestrina.

C voltou-se contra ele: - Mas Paulo disse que a mulher estivesse calada e não somente isso, não a permitiu ensinar! Se há alguma congregação na qual as mulheres andam ensinando corinhos ou hinos, então as heresias já tomaram conta de nós, especialmente se seus maridos estiverem no meio da congregação! Era só o que faltava, vamos ouvir o canto das sereias!

N gritou do outro lado: - Ainda bem que nessa reunião só tem homem! Podemos dizer o que quisermos ser contestação.

V ainda tentou: - Meu irmão C, e você também N, estou vendo que o problema é freudiano. Os senhores não querem ouvir a voz das mulheres para não se embevecer com elas. Têm medo de ouvir um hino cantando por uma mulher? Ou que elas cantem melhor do que nós?

O irmão P entrou no debate: - Sabe qual é o problema? O senhor, irmão J, nunca estabeleceu uma regra uniforme no assunto. Aí uma mulher canta aqui, outra canta ali, o pessoal acaba gostando, depois para proibir, dá nisso. Temos que ter uma regra uniforme: mulher não canta e ponto final. Vocês sabem como as mulheres são habilidosas, acabariam cantando a qualquer momento.

D jogou lenha na fogueira: - Não sei qual o problema da mulher cantar na igreja. Lembro das prostatis, que tomavam conta das comunidades quando muitos homens de um local morriam. Elas cantavam sim com os que ficavam, ainda recitavam textos da Torá e lideravam reuniões comunitárias, uma coisa que fora proibida no Talmude.

C cortou a argumentação: - Estão vendo? Ele quer tomar a exceção pela regra. A regra é mulher não cantar, nem falar, nem ensinar. Em todo livro de Atos, qual mulher cantou? Não existe em toda a Bíblia o termo cantora! Fiquemos com Paulo e ponto final presidente.

V voltou: - Prezado C, sua mulher canta em casa?

C vociferou: - Claro! Paulo disse que em casa elas podiam cantar, até mesmo tirar dúvidas com seus maridos. Na igreja é que não podem cantar, liderar ou ensinar! Eu não quero mulher nenhuma, afora minha esposa e em casa, cantando no meu ouvido.

V incendiou: - Minha casa é uma extensão da igreja. Lembra que muitas igrejas começaram em lares? Na Bíblia até galo canta, porque minha mulher não cantaria? Sofonias manda as filhas de Sião cantarem, se fizeram isso ou não é outra história!

D disse: - Por falar em ensinar, as mulheres que ensinam ás crianças na sinagoga estão erradas?

S ajuntou: - É, estão erradas? Paulo disse que não eram para ensinar!

C, sempre á seu estilo, disse: - A regra é mulher não cantar, nem falar, nem ensinar, é a letra da Lei, não sou eu quem faz as regras. Temos colocado mulheres para ensinar às crianças porque elas são mais jeitosas e a maioria dos homens não quer ensinar crianças, é uma questão pragmática. São muito irriquietas, etc e tal. Você, S, quer ensinar crianças? Outra coisa: quem leva o filho para o Bar Mitsvá? É o pai, D, é o pai. O pai é quem declara a maioridade dos filhos.

D disse: - Não entendo. Agora pode. Mas cantar no púlpito não pode. É uma questão de conveniência. É o caso daquelas mulheres que estão sendo enviadas como missionárias? Quem vai cantar no culto delas enquanto homens não se convertem.

C retrucou: - A regra é só enviar homens ou casais. Em todo o Novo Testamento nenhuma mulher foi enviada, nem há um versículo que apóie tal iniciativa. A única exceção de missões lideradas por uma mulher foi a jovem na casa de Naamã.

S interveio: - Ah, mais ali ela não foi enviada, tinha sido sequestrada. A questão é: mulheres que estão sendo enviadas por algumas de nossas igrejas. Sinceramente, não sei como se faz uma aberração dessas.

L disse: - Acho que poderíamos deixá-las cantar uma vez ou outra. Tem até uns hinos que os homens cantam que foram compostos por mulheres. Ela pode compor, mas não pode cantar? E para compor ela não cantou? Além do mais, não sei nas igrejas de vocês, mas vez por outra na minha as mulheres são usadas em cânticos espirituais. O que fazer? Proibir o próprio Espírito Santo de usá-las?

T ajudou: - Lembremos que elas são maioria.

C interveio novamente: - É assim que nasce uma heresia. Primeiro, uma idéia conveniente, apesar de absurda, depois a maioria, e vão esquecendo o que disseram os santos apóstolos. Quem compôs os salmos? Homens. Quem cantou na prisão? Paulo e Silas. Ora essa!

J sempre político ponderou: - Quem aqui canta?

Todos levantaram os braços.

- Dos que levantaram o braço, quem é filho de Levi?

A ficha caiu. A reunião terminou, as mulheres continuaram cantando, e continuam até hoje.

Pra quem já pegou o bonde andando, ou seja, as mulheres cantando, está aí a história até então não contada.

Publicada originalmente em Reflexões Sobre Quase Tudo!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Carta a uma noiva

O que te fizeram linda morena? Ou seria loura, parda ou índia? Bem a cor não importa, acho mesmo que a todas abarcas. Lembras como estavas prometida a um noivo exigente? Ou ainda estás? Ele esperava que teu maior presente fosse tua pureza. Confiou aos homens tua guarida, esperando que nós zelássemos por ti. Agora como te sentes? Como enxergas tua história? Ele disse que voltaria logo. Teus amigos te fizeram cansada da espera?

Como te desfiguraram! Zombaram do teu pudor, menosprezaram tua ingenuidade, fizeram pouco caso do teu amor. Tu eras chamada pra fora, pra viver uma vida nova, diferente na essência e no conteúdo. Era teu destino ser imortal, usufruindo dessa propriedade intrínseca ao noivo. Tua história proclamava reverente que a glória era teu destino, ser servida à mesa, ter o respeito de Deus, cercada de uma beleza tal que o tempo não corrompe.

Não a glória dos homens, perigosa, sensitiva, superficial, melancólica, tendenciosa, temporária, prima-irmã do mal. Tu não precisavas de fama, nem do nome escrito por aí, como um outdoor ambulante, aparecendo aqui e ali. Ser proclamada na mídia, nem ser politicamente correta. Adequar-se a padrões humanos, ser sociável e bem aceita. Teu nome seria declarado diante dos anjos e do próprio Deus! Para quê glória maior?

Nada aconteceu de repente, foi surgindo devagar, um movimento dissimulado e comprometedor. Um jogo enganoso de palavras, a intenção era tornar-te conhecida. Mas acabaram te enjaulando em pressupostos dúbios, tão inverossímeis quanto as intenções dos protagonistas. Olhando a história podemos perceber traços marcantes de dúvida. Ora ias, ora vinhas. Como se as promessas de mudança de rumo te fascinasse. A realidade é que te desfiguravam. Vai ficando cada dia mais difícil te reconhecer nas últimas fotos e vídeos, onde cantas e danças atabalhoadamente, como se o teu penhor nada valesse. Como se a coreografia fosse mais importante que teu sentimento de transcendência.

A quem pertences hoje, já que cada um quer ser teu dono e até mesmo mudar teu nome? Aos interesseiros de plantão e seus interesses tão mutáveis como a areia do deserto, toadas pelo vento das novidades? Aos comerciantes e seu dinheiro, cujo valor é tão mutável quanto? Ou ao noivo, que distante e resoluto anseia que te resguardes? Sugiro que decidas, já que ninguém pode fazê-lo por ti. É, ninguém pode decidir um destino traçado, dirias. Mas, há alguma tendência a ser definida, se queres atingir o objetivo de chegar intacta ao fim.

Ah! Teu nome especial e único, traduzia em suas seis letras tudo para nós. A luta seria renhida, o caminho seria atroz, mas a vitória seria certeira, o noivo seguia veloz. E não permitiria que nem mesmo todo exército demoníaco te venceria. Nem suas portas te abraçaria. Não sei se confiavas neste voto. Digo isto porque aderiste a estratégias que prometiam fermento para tua trajetória de crescimento. Isto era desnecessário porque cada passo estava previsto. Bastava te concentrar no básico: entender o mundo ao redor, preservando-se das máculas. Vejo que estás valorizando o acessório, em detrimento do fundamental.

Infiltraram em tua mente a política partidária. A revolução era um caminho indispensável ao teu objetivo de permaneceres pura? Ou era uma desculpa para teu engajamento? Para mudar o mundo, tentaram te mudar? A mudança não deveria partir de ti? Lembro que eras sal e luz, portanto... Resulta agora que te usam em suas peças publicitárias, como se teu apoio a tais causas trouxesse credibilidade às propostas. Não era isso que o noivo queria. Também não era alienação, mas apenas santificação.

Chegar ao casamento sem manchas era possível, cada coisa tem seu tempo. Mas o marketing, na sua forma mais letal, te seduziu. Hoje há inúmeros apaixonados, e poucos que te amam. Apenas se aproveitam de ti, de tua aura, de tua estatura. Tem cuidado de ti mesma, e da promessa que recebeste. Guarda-a como um tesouro, o que realmente é. Ela é fiel para te resguardar até o dia em encontrarás teu noivo num altar jamais usado. Ou já não queres mais casar?

Abraços, Igreja!

domingo, 25 de maio de 2008

YOGA CRISTÃ?


Nestes últimos tempos, alguns autores católicos vem propagando a idéia de que a yoga pode ser usada para nos revelar e/ou aproximar mais de Deus. É a velha falácia da contemplação... E muitos no Ocidente (cristãos ou não) crêem que a yoga pode ser dissociada de seu teor religioso, tornando-se apenas um tipo de 'exercício' para a mente e corpo. Será? Vejamos o que Dave Hunt tem a dizer sobre o assunto:

"O iogue Bhajan morreu em 6 de outubro de 2004. Em 5 e 6 de abril de 2005, a Câmara e o Senado dos EUA, respectivamente, aprovaram por unanimidade uma moção conjunta homenageando o falecido líder sique por seus “ensinamentos [...] sobre o Siquismo e a yoga [...]”. A yoga está no cerne do Hinduísmo, e o Siquismo é como uma “denominação” dentro do Hinduísmo.

Em 11 de maio de 2005, o Capitólio ofereceu uma recepção especial para comemorar a resolução do Congresso. Entre os presentes estavam senadores e deputados dos EUA, funcionários do Departamento de Estado, representantes do governo da Índia, dignitários, autoridades e seguidores da doutrina sique [...]”. O comunicado à imprensa declarava que o iogue Bhajan havia melhorado a vida de milhares de pessoas “através de seus ensinamentos sobre a yoga e o Darma sique”.[1] Fundador da organização 3HO – Happy, Healthy, Holy (“Feliz, Saudável, Santo”) – ele ensinava que essas três qualidades da vida podiam ser alcançadas através da prática da yoga (A verdade sórdida é bem diferente disso, como mostraremos através de documentos no livro “A Yoga e os Cristãos”).

A base da técnica de yoga de Bhajan era o mantra “Sa-Ta-Na-Ma”, repetido de forma precisa durante a prática diária da yoga: “projetado mentalmente da parte superior traseira da cabeça, para baixo, e depois diretamente para fora através do terceiro olho [...] entre as sobrancelhas e a base do nariz [...]. Segundo o iogue Bhajan, “aplicando essa técnica, você pode conhecer o Desconhecido e ver o Invisível. Se você passar duas horas por dia em meditação, Deus meditará em você o resto do dia”.[2] É claro que só temos a palavra dele de que isso é verdade.

Continue a ler este artigo (e conheça surpreendentes revelações sobre este tema); clique aqui.

VIDA DE PASTOR



Norma Bernardo

Ele acorda, levanta, ajoelha e ora,
louva, consagra, jejua, exorta, sorri e chora.
Aprende, ensina, repreende, consola e abençoa.
Glorifica, prega, unge, visita, compreende e perdoa.

Semeia, cultiva, colhe, alimenta e oferece.
Acalenta, socorre, profetiza,
peleja, vence e agradece.
Santifica, ouve e cala. Dá, recebe, restaura,
triunfa, edifica, sente e fala.

Vida de pastor....
Olha o relógio, já está atrasado!
Se não tem carro, pega um ônibus apertado,
Vai ao hospital, presídio, velório, seja onde for
em busca da ovelha perdida,
pois ele é um pastor...
Seu corpo cansado aguarda
a hora de ir para a cama.
E quando isso acontece, logo o telefone chama.
Levanta apressado e reconhece a voz do outro lado;
é a ovelha aflita que precisa de cuidado.

E lá se vai o pastor, levando consolo ao coração aflito.
Dos seus olhos rola uma lágrima no lugar do grito.
É a dor que se transforma na alegria da compensação
por ter sido escolhido
para tão sublime missão.
É tarde quando volta para casa,
e neste momento a esposa diz:
“Hoje é o nosso aniversário de casamento”.
O clima de festa, a mesa arrumada...
mas a comida esfriou...e sem jeito diz:
perdoa, meu amor, esta é a vida de pastor.


Fonte: Blog Poesia Evangélica

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Explicação do Salmo I

Os ribeiros do salmo de David
têm tanta luz
que a nudez das raízes
que se vêem
são tanto cristais como água
pura

As raízes dos justos
de David
seguram o interior da terra


Poema inédito de J.T.Parreira

Crescendo na Graça


Sempre será minha oração,
somente amando sou cristão.
Me ensine a amar com atitude,
me ensine a amar de coração.

Nunca vou parar de meditar
na importância ao próximo dar.
Porém quero ir além de idéias,
amando de verdade, em caridade.

Fazendo isso vou aprendendo
o que é muito importante, pleno.
Preciso de um professor sábio
sempre manso e muito amável.

Porque é difícil, vou confessar,
a mim mesmo menos amar.
Mas é sem dúvida, o jeito de
amar outros como a mim mesmo.

v.carlos


Texto de publicação simultânea no Amandoaoproximo, Confeitaria Cristã, Dliver blog, Doxologia Brasil, Igreja Emergente e REDE VOX DEI.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Jesus e os ultra-religiosos

.
Recado para um cristão moralista no site Orkut

Com todo respeito, muitos que se consideram cristãos, hoje, se tivessem nascido em 33 a.C, em Israel, Galiléia, e tivessem a boa oportunidade de conhecer o filho mais velho de Maria, esposa de José, e crescessem ao seu lado, então, se juntariam ao grupo de inimigos dEle (os escribas, ou os publicanos, ou os fariseus), para falar muito mal do comportamento que Ele tinha. Diriam: Ele gosta de conversar com prostitutas e pecadores!

Com todo respeito, muitos dos cristãos de hoje, se nascidos lá no passado, nas terras santas, com certeza, se pudessem ouvir, de viva voz, o pregador galileu proferindo a parábola do fariseu e do publicano (Mateus 18.9-12), se sentiriam ofendidos por Ele e diriam que Ele pregava uma grande heresia e passariam a maquinar várias maneiras de acabar com o ministério dEle.

Cuidado! Jesus não agradou os religiosos da época em que pisou esse planeta!
.
.

E.A.G.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A parábola do filho inconveniente

Por Valmir Nascimento Milomem

Ela é muito conhecida. Famosa tanto no ambiente cristão quanto secular. Quase todos pastores já pregaram ou pelo menos dela fizeram menção. Os ensinadores tiram lições e mais lições do seu relato. A Bíblia a chama de “a parábola do filho pródigo”. Eu, por outro lado, a denomino de “a parábola do filho inconveniente”.

A parábola é sobre dois filhos. Um deles, o mais novo, em determinado momento de sua vida resolve se rebelar. Afadigado com a rotina diária pede ao pai a sua parte da fazenda. Pretende conhecer novas cidades. Novas pessoas. Novos relacionamentos. Novas culturas. O pai, homem justo e amoroso, não entra em atrito. Apesar do aperto no coração, consente ao pedido. Reparte então a fazenda entre os filhos.

O caçula, agora abastado e com a bolsa repleta de tesouro, parte rumo a uma terra longínqua e desconhecida, à procura de coisas e pessoas nunca vistas. Uma festa aqui, outra ali, outra acolá. Bebida, comida, farra e mulheres. O dinheiro rapidamente com o vento se vai assim como os falsos amigos e as mulheres. E num piscar de olhos resta somente um bolso vazio e um coração amargurado. Sem ter o que comer, beber, vestir, nem onde morar.

Ele então sai à procura de emprego. Distribui o seu “curriculum”. Faz entrevistas. Procura várias “empresas”. Mas nada de empregos de chefia, gerência ou coisa parecida. Nem ao menos um trabalho de operário qualquer ou talvez um ofício de pastorear ovelhas. Portanto, sem essa de salários altos e cargos de confiança. Sobra somente uma função que ninguém, quase ninguém gostaria de fazer: apascentar porcos. O filho de um rico fazendeiro dorme agora com os porcos. Acorda com os porcos. Alimenta-se com os porcos. Suja-se como os porcos. Enfim, vive como um porco.

O tempo passou, e, felizmente, um dia ele cai em si: “Até os trabalhadores do meu pai têm pão em abundância e eu aqui dando uma de tolo perecendo de fome. Não! Isso não pode continuar assim. Levantar-me-ei e irei ter o meu pai e direi a Ele: Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; faz-me como um dos teus trabalhadores”.

Pronto. Ele estava arrependido. Tudo estava planejado para o seu regresso. Ele sabia o que fazer e falar. Assim como havia planejado ele o fez: Levantou-se e pegou o caminho de volta para a fazenda. O pai ao vê-lo de longe, comoveu-se de íntima compaixão. O filho, então, lançou-se ao seu pescoço e o beijou e começou a dizer aquilo que havia preparado: “Pai, pequei contra o céu e perante ti; já não sou digno de ser chamado teu filho…”.

Mas antes que ele terminasse a última parte da frase original, “faz-me como um dos teus trabalhadores”, seu pai irrompeu ordenando aos servos: “Tragam depressa a melhor roupa e, vistam-no e, ponham um anel em sua mão e sandálias em seus pés; e mais, tragam o bezerro cevado, matem-no, e, comamos e nos alegremos. Porque este filho estava morto e reviveu; estava perdido e foi achado” (Mt. 15.23,24).
Que parábola maravilhosa. Que fim magnífico. Que final feliz! Alguém pode imaginar, pensando que a estória já terminou, no entanto, ainda não chegou o fim. Jesus continua: “E o seu filho mais velho estava no campo (…)” v. 26.

Mas que coisa, ainda existe o filho mais velho? Ia esquecendo que a parábola é sobe dois filhos. Por que essa parábola não acaba por aqui mesmo? Ela tá tão bonita! Tão perfeita! O final é feliz! Por que logo agora aparece esse irmão mais velho? Nós podemos objetar.

Mas não tem jeito. O irmão mais velho existe. E ele entra em cena. Qual uma mosca encontrada numa deliciosa refeição ou a visita impertinente no turno da noite, ele surge nas linhas finais da parábola. Um coadjuvante estranho. Até posso vê-lo saindo do campo depois de um dia de trabalho. Cansado. Suado. Olhos semi cerrados. Traz uma ferramenta de trabalho na mão. Esbaforido. Sem ar. Caminha com passos firmes rumo à casa da fazenda. Vários servos o acompanham. Parece um pelotão pronto para a batalha.choro.jpg

Por meio de um dos servos fica sabendo o que se passa na casa do pai: “Teu irmão voltou e o teu pai está fazendo a maior festa”. Ele então se indignou. Nem queria entrar na casa. Não queria saber do irmão. Ficou bravo até mesmo com o pai. “Como meu pai pôde recebê-lo? Ela nos deixou. Foi embora. Acabou com o seu dinheiro”.

Pronto. Foi-se o final feliz da parábola. O clima de amor dá lugar ao clima de rivalidade. O ambiente de felicidade dá lugar ao ambiente de hostilidade. No lugar de perdão, agora, por último, temos a inveja. Foi-se o final feliz!

Parece estranho e ao mesmo tempo engraçado (e isso eu percebi enquanto redigia este texto) o fato de que muitas das parábolas narradas por Jesus não terem um final essencialmente feliz. Lembremos da parábola do credor incompreensivo que no fim da história foi entregue aos atormentadores. Ou a parábola das bodas (Mt. 22.01) na qual os penetras foram lançados nas trevas exteriores. Ou a parábola dos lavradores maus (Mt. 21.33). E ainda a parábola das dez virgens (Mt. 25.1), que trágico fim teve as virgens imprudentes!

Refletindo sobre isso se percebe que as parábolas do Mestre são na realidade espelhos da nossa vida; não que o fim último de nossa existência seja a completa infelicidade, isso dependerá obviamente da nossa escolha ante o convite de Salvação de Cristo; espelha, por outro lado, os vários “finais” pelos quais passamos durante a jornada terrena sejam pertinentes ao trabalho, relacionamentos, aspecto financeiro ou no que diz respeito à saúde, e, até mesmo no que tange ao resultado da nossa caminha cristã.

Assim, no momento em que tudo parece bem e lá adiante vislumbramos uma placa de final feliz, logo nesse instante, aparece o filho mais velho. Suado. Esbaforido. Com uma foice na mão. Pronto para estragar o final de uma fase da nossa carreira existencial. Preparado para nos decepcionar. Por isso é que se houve freqüentemente: O casamento ia tão bem, mas separaram-se. Sua saúde era esplêndida, mas foi tomado por uma enfermidade. O trabalho transcorria normalmente, mas foi despedido.
Nossa existência, portanto, não é definitivamente um mar de rosas, cujos “finais” são repletos de felicidade, como querem alguns. Pelo contrário, às vezes, finais existem em nossa caminhada cuja felicidade é ofuscada pela doença, desemprego, morte ou outros fatores que nos levam ao sofrimento.

Nesse sentido, portanto, a P.F.P. (Parábola do Filho Pródigo) é também um reflexo da nossa vida, cujo final feliz foi apagado pela raiva do filho mais velho, eis o motivo pelo qual eu a chamo de P.F.I. (Parábola do Filho Inconveniente). Aquele filho que transforma momentos sublimes em momentos de terror. Tempo de alegria em tempo de tristeza. Hora de riso em hora de pranto.

O filho inconveniente na parábola não é aquele que erra e gasta toda a sua parte da fazenda pelo mundo afora. Mas sim aquele que não aceitou o arrependimento do irmão, tampouco o perdão concedido pelo pai. É aquele irmão legalista e meticuloso que não aceita de forma alguma a graça divina. É aquele que não concorda com o inexplicável amor do pai. O filho inconveniente é aquele que tem inveja. E como disse Rubem Alves, inveja é uma “doença do olhar”, pois consiste em um olhar torto, olhar distorcido.

Por isso, ninguém gosta de um irmão que lhe olhe torto, pois ele sempre trará um trágico fim para as nossas histórias. Ele é impertinente e inconveniente. Mas não tem jeito, ele existe. Não há como apagá-lo da parábola muito menos de nossas vidas, e, quando menos se espera ele aparece.

Nesse sentido portanto, e, sabendo que talvez você não concorde comigo, terminarei esse texto nesse ponto: num ambiente de final-não-feliz. Com a memória de um filho inconveniente rasgando um cenário de festa e alegria entre o pai e filho. Sei que você possivelmente não assentirá com a minha atitude, afinal gostamos dos finais felizes e desfechos deslumbrantes no estilo cinematográfico. Mas se eu escrevesse somente o que os leitores gostaM de ler, eu estaria fazendo uma simples conveniência: escrevendo para as pessoas sentirem-se felizes. Até que eu gostaria, colunistas são fascinados por essa possibilidade. Mas não posso; pois se eu o fizesse estaria sendo medíocre e insensato. Estaria pintando a vida com uma tinta cor-de-rosa.

O correto, então, não é fazer de conta que eles não existem, mas enfrentá-los. O ideal não é acabar com os filhos inconvenientes, mas sim superá-los.

O Talmude

Os leitores do Talmude
desenrolam os longos braços
seus olhos usados repetem portas
palavras fechadas
cada silêncio alude
a um mistério
Os leitores do Talmude
param o sábado
nas suas tarefas, param
o livro
a sua língua pousa cansada.


Poema de João Tomaz Parreira

in Poeta Salutor

segunda-feira, 12 de maio de 2008

ELEMENTAR


“Conhecidas desde os tempos antigos”. Atos 15:18

Numa viagem recente a Londres, saímos do metrô na estação da Baker Street, onde fomos recepcionados por uma estátua, em tamanho natural, do lendário detetive Sherlock Holmes. Criado pelo romancista Sir Arthur Conan Doyle, o detetive Holmes era um gênio da investigação que podia costumeiramente examinar algumas pistas, aparentemente sem ligação, e solucionar mistérios.

Confuso com essa estranha genialidade, seu assistente – Dr. Watson – pedia explicações, ao que Holmes respondia simplesmente “Elementar!”; e então apresentava a solução do caso.

Ah, se a vida funcionasse desta maneira! Tantas vezes enfrentamos eventos e circunstâncias que são muito mais embaraçosos do que um mistério de Sherlock Holmes. Lutamos para entendê-los, mas parece que nunca conseguimos totalmente.

Em tempos como esses, é confortante saber que temos um Deus que não precisa investigar a situação. Ele já sabe de tudo, perfeitamente bem. Em Atos 15:18 lemos: “conhecidas (coisas) desde os tempos antigos”. Deus nunca precisa interrogar-se ou recorrer ao raciocínio lógico.

Apesar de sermos finitos, nossas vidas estão nas mãos do Deus que sabe todos os “o quês”, “porquês”, e “quandos” que iremos enfrentar. Se confiarmos nEle, Ele nos guiará pelo caminho que deseja que tomemos. O Seu caminho nunca é o errado.

W. E. C.

In Devocional Nosso Andar Diário

_________________________________________________

Nota, ou melhor, opinião do editor – Sherlock Holmes deve ser a maior diversão já engendrada em 4.000 anos de Literatura...

sábado, 10 de maio de 2008

Hoje completo 45 anos de vida!

Para mim é um mais do que um fato.
Nunca pensei em chegar a ter essa idade.
Quando pequeno, com dez, onze anos, nunca me imaginava completando 18 anos.
Sempre achei que viver era até os dezoito era suficiente.
Ao completar dezoito, achei que nunca chegaria aos vinte e cinco.
E assim foi, sempre vivi a espectativa da vida dentro de um limite de tempo. Não sei o porque exatamente disso. Ainda hoje não me vejo com cinquenta anos, embora a perspectiva tenha mudado. Hoje, "percebo" que posso chegar aos 50, 60, 70 ou mais um pouco.
São 45 anos.
539 meses.
2.348 semanas.
16.437 dias.
394.487 horas.
23.669.220 minutos.
1.420.153.200 segundos.
Isto até as 09:30 deste sábado.

Ainda não sei calcular o tempo. Ainda estou como Moisés, pedindo a Deus que me ensine:
"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios." (Salmos 90.12)
Mas, o
cálculo de tempo de Deus é perfeito.
Em Romanos 5.6, nós lemos: “Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios.”
O cálculo de tempo de Deus é controlado pela Sua compaixão.
Também em 2 Pedro 3.8-9, nós lemos: “Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.”
Sobre o tempo, a Bíblia ainda nos mostra em Eclesiastes 3.1-8 “Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.”
Interessante lembrar que o próprio Deus se preocupou conosco, determinando que os luminares determinassem o nosso tempo, assim que os criou.
"E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos." (Gênesis 1.14)

Eu já disse acima, ainda estou à procura de alcançar um coração sábio.

A vida é uma escola. Ela nos ensina a ser espertos, calcular riscos, a investir para receber mais e especialmente a cuidar de nós mesmos.
O tempo não pára. Ele passa.
Alguns se preocupam com o envelhecimento somente quando os anos já se passaram. Não ouviram a advertência do Pregador: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias..." (Eclesiastes 12.1).
Os dias desperdiçados são justamente os que não trouxeram nenhuma lição sábia ao coração.
Mesmo que a maioria dos homens despreze a instrução que vem do Criador, o fiel servo pede, insistentemente, que Deus o ensine o que tem importância eterna.
Moisés percebeu a importância de se alcançar sabedoria.Durante quarenta anos foi instruído em tudo o que havia de melhor da sabedoria humana.Matou o egípcio que maltratava um israelita. Foi uma decisão aparentemente inteligente, mas não sábia. Depois fugiu para Midiã onde teve tempo para as aulas de Deus.
Por quarenta anos foi adquirindo sabedoria do alto que lhe serviu tão bem durante os últimos anos do governo do Povo Escolhido.
Mesmo sendo Moisés um servo humilde, Deus o escolheu para conduzir Israel, tirando-o do Egito até a Terra Prometida e para escrever os primeiros cinco livros da Bíblia.
Foi esse mesmo Moisés que escreveu o Salmo 90 e gravou esse pedido de ajuda para contar os seus dias de modo que alcançasse a sabedoria.
Dias são desperdiçados porque não os contamos como preciosas pérolas que podem ser trocadas por sabedoria do alto.
O Salmo 90.12 aponta na direção de verdadeiro sucesso.
Pedir a instrução do Criador infinito em poder e sabedoria é o único meio de chegarmos ao fim da vida felizes e bem-sucedidos aos olhos de Deus.

São 45 anos...
Não me considero realizado, mas feliz.
Mas ainda existe muito para fazer e aprender.

Estou feliz com meu Deus, que me separou dentre os escolhidos, para ser um ensinador. "E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas." (1 Coríntios 12.28)

Estou feliz com minha esposa. Sulamita tem sido uma companheira, com a qual venho tendo o prazer de compartilhar meus últimos 25 anos. Estou tão feliz com ela que, espero em Deus, viverei outros 45 anos ao seu lado.

Estou feliz com meus filhos, Márcio Ighor e Bárbara Sulamita, presentes de Deus; Vieram no momento certo para nossas vidas. Que o Senhor me permita viver para ver seus projetos de vida bem-sucedidos, seus filhos e os filhos de seus filhos.

No que diz respeito a realizações pessoais, ainda preciso:

Ser melhor servo - Que as pessoas me amem pelo que sou; nunca pelo que pareço ser.

Ser melhor marido - Os ultimos 25 anos, dos quais 23 de casamento, ainda não foram suficientes para me tornar o marido ideal. Tenho buscado isso, em Deus, pois pretendo alcançar o coração sábio como marido. Ainda me surpreendo com atitudes que deveriam ter ficado lá atrás, mas que, com auxílio dos Senhor e dos dias que virão, serão superadas.

Ser melhor pai - Confesso que a tarefa fica cada vez mais difícil. Não são os meus filhos que dificultam, mas os fatores externos têm sido um complicador.

Meu desejo é alcançar um coração sábio. Sei que o intelecto pode ser enriquecido com palavras, mas o coração só o será com as experiências... Que venham outros 45 anos, se o meu Paizinho permitir.

E...

"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios." (Salmos 90.12)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Sobre o Medo – Henri Nouwen

Se existe algo que me deixou admirado ao viajar pelos Estados Unidos para falar e ensinar é que somos um povo assustado (Nouwen estava em seu ‘período americano’). Tememos necessidades físicas ou o desconforto. Tememos por nossa segurança e por nossos empregos. No plano das relações internacionais, os países ricos constroem muralhas de proteção ao redor de suas riquezas para que nenhum estrangeiro as roube. Numa grande ironia, porém, tornamo-nos prisioneiros de nossos próprios medos. Quem é capaz de nos amedrontar exerce poder sobre nós.

Quando vivi, há alguns anos, entre os pobres da América Latina, encontrei um povo vivendo de modo diferente. Eles tinham aprendido que o medo não precisava ser dominante. Diante da tortura, da opressão e da pobreza, havia gente vivendo com gratidão e em paz. Encontrei menos medo ali do que nos países ricos, onde muitos possuem tanto. E foi aí que, de repente, percebi outro aspecto da opressão — não aquela que impera sobre pobres e humilhados, mas a opressão paradoxal que impera sobre os que detêm o poder.

No lado oposto da pobreza das nações do Sul estão o medo, a culpa e a solidão do Hemisfério Norte. O sofrimento de países opulentos como os Estados Unidos vem como conseqüência oculta da negligência para com os menos afortunados. É o sofrimento que acompanha a nossa injusta extravagância.


Henri Nouwen, em ‘Transforma meu pranto em dança’, lançado no Brasil pela editora Textus e mais recente pela Thomas Nelson Brasil.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Grandes Pensadores!

"O diabo pode nos tentar, a carne pode nos tentar, o mundo pode nos tentar, mas somos nós mesmos que pecamos."
(Geikie & Cowper )

"Somos capazes de cometer todos os pecados que observamos em nosso vizinho, a menos que a graça divina nos contenha."

(Agostinho )


"Deus pôs a igreja no mundo, e Satanás não tem feito outra coisa, senão colocar o mundo na igreja."

(Gulier)


"Sede homens e mulheres do mundo, mas não sejais homens ou mulheres mundanos."
(J. Escriva de Balaguer)

Um relato literário- o sacrifício de Isaque

36.Um relato literário no sacrifício de Isaque

O poeta e jornalista português João Tomaz Parreira escreve sobre as narrativas bíblicas. Vale conferir.

in Literatura e Arte-Cronópios

O Dono do Céu

O dono do céu
Aqui, pelo poeta Brissos Lino