sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Resposta ao Leitor

Recebi um E-mail do irmão Joel Santana, sobre os últimos vídeos aqui postados, que comparam as manifestações do corpo humano quanto às ações "espirituais" da Umbanda/Candoblé/Macumba e as do Retetê de Jeová.


Eis o e-mail recebido do irmão Joel:

Amado Presbitero Marcio Melania.

A Graça e a Paz de Jesus Cristo.
É com muito prazer que recebo, e leio os artigos vindo do Irmão. Não concordo com a forma como é tratado os pentecostais, esses videosmostrados, é uma prova realmente de imaturidade da liderança daquela Igreja, não podemos generelizar, sou pentescostal e não concordo com esse tipo de atitude. A Biblia nos ensina que devemos nos portar de modo que não devemos dá escândalo nem aos judeus, nem aosgregos, nem à igreja de Deus. (1Coríntios 10:32).
Além de imaturidade, são carentes de sabedoria e conhecimentos teologicos.

Joel Santana

Minha Resposta:

Querido irmão Joel,

Que a Graça e a Misericórdia do Senhor e a Paz que excede todo entendimento esteja sobre sua vida.

Obrigado por ser um leitor assíduo de meus blogs. São pessoas como o irmão, que fazem com que a nossa motivação para continuar este trabalho seja aumentada.
Quero informar-lhe, e não somente ao irmão, mas aos leitores de forma geral, que eu creio na atualidade dos dons espirituais, creio na ação do Espírito Santo nas vidas das pessoas, só que da forma bíblica, como é ensinada por Jesus e por Paulo em suas cartas.
Infelizmente, a falta de leitura da Palavra de Deus e a carnalidade, tem causada estas coisas estranhas no meio do povo de Deus.
São os descaminhos da espiritualidade e da religiosidade. O homem, infelizmente, tende a buscar coisas místicas para se relacionar com Deus. Acham necessário uma demonstração externa (estereotipada, infelizmente) deste relacionamento e busca nas manifestações do seu corpo, transmitir uma espiritualidade que agrade suas necessidades emocionais e psiquícas.
Infelizmente, muitos aproveitam-se disto e usam as pessoas como "massa de manobra" para fins diversos, algumas vezes escusos.
Conforme o apóstolo Paulo advertiu à Timóteo em sua segunda carta, no capítulo 3: "...nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos..."

Leia o texto completo do capítulo 3 abaixo com os destaques que eu dei:

1 SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
2 Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
3 Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
4 Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
5 Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
6 Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências;
7 Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
8 E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.
9 Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.
(A partir daqui Paulo estabelece a diferença)
10 Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência,
11 Perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o SENHOR de todas me livrou;
12 E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.
13 Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados.
14 Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido,
15 E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.
16 Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;
17 Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra.

Oremos: Senhor! Livra-nos destes "tempos trabalhosos". Livra-nos destes homens maus e enganadores. Apressa a vinda de Teu Filho bendito. Maranatha! Ora Vem Senhor Jesus!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Armas da luz

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Algumas vezes ouvimos pessoas dizendo que santidade tem a ver com ficar orando, só orando, diante de situações difíceis nessa vida...
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Orar é certo, mas ficar parado, só orando quando devemos agir, não... É preciso vigiar também. E a vigilância é armada, implica em ações!
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Como vigilantes, temos as armas da luz! Leia em Romanos 13.12 .
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Devemos usar as armas que Deus nos deu, sempre que necessário.
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Nosso inimigo é espiritual e é contra ele a nossa guerra, é contra quem devemos resistir.
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Algumas vezes, quando alguns semelhantes nos fazem males, somos levados a projetar emoções e ações ruins contra eles.
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Mas jamais podemos nos esquecer que as pessoas que se comportam com atitudes de inimizades contra nós são apenas pessoas que não estão vigilantes como deveriam estar e por causa disso prestam serviços errados seguindo à vontade do nosso real inimigo - que é espiritual.
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Então, é mais que necessário combater a origem do mal, não suas conseqüências, métodos de ações...
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Temos que lutar. As armaduras do crente são: cinto (verdade); justiça (couraça / blindagem); calçados (preparação da pregação do evangelho da paz); escudo (fé); capacete (certeza da salvação); espada do Espírito (Palavra de Deus). Efésios 6.13-20.
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Valorizemos cada vez mais a sinceridade, desprezemos todas as injustiças, nos esforcemos em conhecer mais e melhores planejamentos de evangelizações, firmemos nossos passos na Palavra de Deus porque a fé vem por ouvir a Palavra de Deus – que se encontra na Bíblia Sagrada.
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Ou seja, para vencer a luta espiritual é necessário trocar as estratégias e os argumentos humanos pelas idéias divinas.
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Podemos orar e ao mesmo tempo usar as armas que Deus nos deu. A vitória é nossa, basta lutar com as armar certas.
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E.A.G.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

CRENTE DIFERENTE

do Blog Hasbadana

"Quero ser um crente diferente. Não quero ser conhecido apenas como alguém que "não bebe, não fuma e não joga". Isso é muito pouco. A "geração saúde", que freqüenta as academias e come comida natural, não bebe e não fuma, e nem por isso pode ser chamada de cristã.

Também não me contento em ser chamado de crente por ter um modo diferente de me vestir. Durante muito tempo, no Brasil, a diferença que os crentes queriam mostrar era que eles se vestiam de uma maneira "esquisita", e isso acabou tornando-se motivo de chacota e que em nada engrandecia o Reino. Com certeza, usar uma roupa fora de moda, não faz de ninguém um cristão.

Também não me satisfaço com o modelo "gospel" de crente que há hoje em dia. Broche de Jesus, caneta de Jesus, meias de Jesus. Sabe-se lá onde isso vai chegar. “Tem muita gente ganhando rios de dinheiro com esses cosméticos" para o crente moderno. A grife "JESUS" tem vendido muito. Mas não adianta. Usar toda a parafernália do marketing "gospel" não faz de ninguém um cristão.

Pensei comigo: a moçada evangélica hoje está toda na Internet. E saí à busca de salas de bate-papo de evangélicos. Confesso que tentei inúmeras vezes, mas não consegui. Me adentrava por assuntos importantes e profundos da vida cristã e as respostas eram chavões o tempo todo. Não se pensa, cria ou reflete, só se repete chavão do tipo "glóooooria", "Tá amarrado", "É tremendooo", etc. Definitivamente, repetir chavões a todo o momento não faz de ninguém um cristão.

Quero ser um crente diferente. Que não seja alienado da vida e de seus acontecimentos. Que saiba discutir e entender as questões existenciais, como a dor, a miséria, a sexualidade, a paixão, o amor. Quero ser um crente que não vive acuado, com medo de tudo, vendo o diabo em toda a parte e querendo amarrá-lo a todo momento: Jesus Cristo o derrotou na cruz, ele é um derrotado, e eu não preciso ficar me preocupando com ele 24 horas por dia. Quero ser um crente que saiba falar de tudo e não apenas de religião, e que tenha, em todas as áreas, discernimento e sabedoria. Quero ser um crente que não tenha uma atitude conformista diante do mundo, do tipo: Ah, Deus quis assim....", mas que eu seja um agente de transformação nas mãos de Deus. Que a minha diferença não esteja na roupa, mas na essência: coração bom, olhos bons. Quero ser um crente que cria os filhos com liberdade, apenas corrigindo-lhes, para que cresçam e desabrochem toda a criatividade que Deus lhes deu. Quero ser um crente que vive bem com o seu próximo.

Quero ser reconhecido como um crente pelo que eu "sou" e não por aquilo que "não faço". Quero ser um crente simpático aos outros, agradável, piedoso, que se entristece com a dor do próximo, mas também se alegra com o seu sucesso (já reparou que as pessoas se solidarizam com nossas derrotas, mas poucos manifestam alegria quando vencemos?).

Não quero ter de falar a todo momento que sou crente, para que outros saibam, mas quero viver de tal modo que outros percebam Cristo em mim."

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A incompatibilidade da vida cristã com o preconceito

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Ter amor verdadeiro é questão de ser portador da fé viva em Deus
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A fé sem amor é morta, ela só trabalha através do amor (Gálatas 5.6).
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O alicerce do cristianismo é amar o próximo como amamos a nós mesmos.
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O Salmo 40 é o salmo da paciência. Em se tratando de relacionamentos com o próximo, diante de qualquer circunstância adversa, é melhor esperar em Deus porque Ele é justo e não erra em Suas conclusões sobre ninguém.
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O preconceito nasce da falta de paciência
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Um adágio popular diz que a pressa é inimiga da perfeição. E o apóstolo Paulo, em sua carta aos crentes colossentes (3.14), escreveu que o amor é o vínculo da perfeição.
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Para ser alguém justo jamais devemos agir de acordo com o que as situações parecem ser. O justo não julga pela aparência, mas sim pela reta justiça, que “declama” o Salmo 40.
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Quem se apressa em opiniões e atitudes se desvincula totalmente da sua fé em Deus
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Uma pessoa apressada no falar e formular conceitos, é alguém que não atingiu maturidade na fé, vive segundo uma religiosidade peculiar, ainda não aprendeu exercer o amor ao próximo que o Senhor exige.
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Jesus Cristo ordena que todos amem a todos. Porém, o apressado em falar e agir fala e faz coisas sem o conhecimento ideal da realidade dos fatos. Mente, de forma consciente e inconsciente. Mentir é faltar com o amor.
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A fé em Deus nos capacita a esperar nEle, clamar a Ele e ter a certeza que seremos ouvidos por Ele. Mas, infelizmente, são muitas as vezes que encontramos gente religiosa faltando com a paciência e consequentemente deixando de exercer o mandamento do amor e errando por faltar com a verdade.
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A falta de paciência quase sempre gera atitudes preconceituosas e muito injustas contra o próximo.
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Ser alguém paciente é ser alguém amoroso.
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O conceito é gerado pela análise paciente e o preconceito nasce da pressa
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Não é novidade: sabemos que o diabo é pai da mentira. Assim sendo, não podemos ter contato com a mentira de maneira alguma. No entanto há alguns religiosos que faltam com a verdade, são autores delas. E há outros que participam dessas mentiras como seus divulgadores.
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Tanto o primeiro quanto o segundo envolvido com a mentira estão errados. O segundo por maldade, associação com o mentiroso e/ou a falta de paciência em averiguar se o que está dito é mesmo fato ou mera versão mentirosa.
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A base do conceito de um cristão autêntico é a verdade, que jamais se relativisa.
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É fato que eu estou aqui, agora, criando este artigo; é fato que em outro momento, você, leitor, está lendo a digitação deste meu artigo. Essa é a verdade! Poderão existir mil versões sobre isso, mas todas elas estarão fora desta nossa realidade, serão meras fantasias.
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Eu escrevo e você lê: neste fato não existe outra verdade de outro alguém sobre o que acontece agora! Porém, alguns apressados, preconceituosos, quando confrontados sobre a questão das verdades e das versões, afirmam que disseram a verdade deles. Que verdade? Não existe mais de uma verdade para um só fato. A verdade não é relativa!
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Conclusão
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O preconceituoso, por várias razões erradas, se apressa para agir e falar, não se interessa em verificar as bases das situações em que se envolve, coisas que comenta. Desconhece ou despreza o valor que Deus dá aos que amam a justiça e esperam nEle para assim, com e em Deus, continuar agindo justamente.
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Por causa disso o preconceituoso dá passos imperfeitos, falta com o amor a Deus e ao próximo, toma partido em favor de fatos verdadeiros ou versões mentirosas como que por acidente de percurso.
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E.A.G.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Orar até orar de verdade é o desafio do cristão

( A. W. Tozer)

O Dr. Moody Stuart, um homem de oração, certa vez estabeleceu regras que o guiassem em suas orações. Entre essas regras, havia a seguinte: `Ore até orar de verdade´. A diferença entre orar até o momento em que você pára de orar, e orar até você realmente orar é ilustrada pelo evangelista americano John Wesley Lee. Ele sempre comparava um período de oração com um culto na igreja, e insistia que muitos de nós terminamos a reunião antes do culto ter terminado. Ele confessou que certa vez saiu cedo demais de uma reunião de oração e foi indo por uma rua para cuidar de alguns negócios urgentes. Ele não tinha caminhado muito quando uma voz em seu interior o repreendeu. `Filho,´ - a voz parecia perguntar - `você pronunciou a bênção quando a reunião não havia ainda terminado?´ Ele caiu em si e imediatamente voltou correndo ao lugar da reunião de oração, onde permaneceu até que toda a carga que sentia saiu e a bênção sobre si desceu.

O hábito de interromper nossas orações antes de termos realmente orado é algo tão comum quanto infeliz. Com freqüência os últimos dez minutos podem significar mais para nós do que a primeira meia hora, porque temos que gastar um bom tempo até atingirmos a verdadeira condição para uma oração efetiva. Pode ser que tenhamos que lutar com os nossos pensamentos de forma a retirá-los das muitas distrações que resultam do fato de habitarmos num mundo todo em desordem.

Aqui, assim como em todas as demais questões espirituais, temos que ter certeza de que estamos distinguindo o ideal do real. O ideal seria vivermos a cada momento num estado de perfeita união com Deus de forma que nenhum preparo fosse necessário. Mas na verdade são poucos os que honestamente podem dizer que é isso o que acontece em sua vida. Para sermos francos, a maioria de nós tem de admitir que com freqüência enfrentamos uma luta antes de ter condições de escapar de uma alienação emocional e de um senso de irrealidade que às vezes prevalecem em nós.

Não importando o que um idealismo sonhador possa dizer, somos forçados a encarar as coisas no nível da realidade prática. Se quando vamos orar o nosso coração sente-se endurecido e não espiritual, não deveríamos convencer-nos do contrário. Antes, devemos admitir a situação com franqueza, e então orar até o fim. Alguns cristãos chegam a sorrir diante da expressão `orar até o fim´, mas isso ou algo parecido com isso, é encontrado nos escritos de quase todos os grandes santos de oração, dos dias de Daniel até hoje.´
Não podemos parar de orar antes de termos orado de verdade.

Extraído do livro: "Este mundo: lugar de lazer ou campo de batalha"
A. W. Tozer - Danprewan Editora

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A sacra instituição do papado católico romano, na opinião de Erasmo de Rotterdam


Prosternemo-nos, agora, aos pés do Sumo Pontífice, e beijemos-lhe religiosamente as santas pantufas. Os papas dizem-se vigários de Jesus Cristo, mas, se procurassem conformar-se à vida de Deus seu mestre; se sofressem pacientemente os seus padecimentos e a sua cruz, mostrando o mesmo desprezo pelo mundo; se refletissem seriamente sobre o belo nome de papa, isto é, de pai, e sobre o santíssimo epíteto com que são honrados – quem seria mais infeliz do que eles? Quem desejaria comprar, com todos os haveres, esse cargo eminente, ou quem, uma vez elevado ao mesmo, desejaria, para sustentar-se nele, empregar a espada, os venenos e toda sorte de violências? Ai! Quantos bens perderiam eles se a sabedoria se apoderasse por um instante do seu ânimo! A sabedoria?! Bastaria que tivessem um grãozinho apenas daquele sal de que fala o Salvador. Perderiam, então, aquelas imensas riquezas, aquelas honras divinas, aquele vasto domínio, aquele gordo patrimônio, aquelas faustosas vitórias, todos aqueles cargos, aquelas dignidades e aqueles ofícios de que participam; todos aqueles impostos que percebem, quer nos próprios Estados, quer nos alheios; o fruto de todos aqueles favores e de todas aquelas indulgências, com as quais vão traficando tão vantajosamente; aquela numerosa corte de cavalos, de mulas, de servos; aquelas delícias e aqueles prazeres de que gozam continuamente. Observai, observai quantas coisas precisariam perder, sendo que isso é apenas uma sombra da felicidade pontifícia. Todos esses bens seriam logo sucedidos pelas vigílias, pelos jejuns, pelas lágrimas, pelas preces, pelos sermões, pelas meditações, pelos suspiros e mil outros trabalhos de natureza semelhante. Acrescentemos ainda que tantos escritores, tantos copistas, tantos notários, tantos advogados, tantos promotores, tantos secretários, tantos banqueiros, tantos escudeiros, tantos palafreneiros, tantos rufiões (silêncio neste ponto, pois é preciso respeitar os ouvidos castos), em suma, toda aquela prodigiosa turba de pessoas de toda classe, que arruínam (que honram, queria eu dizer) a sé de Roma – sim, digamos também que toda essa turba só poderia esperar morrer de fome. Seria o mais bárbaro, o mais abominável, o mais detestável de todos os delitos querer reduzir à sacola e ao bastão os supremos monarcas da igreja, os verdadeiros luminares do mundo. Dizem eles que a Pedro e a Paulo competia viver de esmolas, ficando com todo o peso do pontificado, mas eles podem comodamente sustentá-lo, reservando-se eles, para si, somente o que no mesmo existe de esplêndido e de agradável. Agora, pergunto: não fazem muito bem?

Erasmo de Roterdam, in O Elogio da Loucura (Ediouro Publicações).

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O ministério feminino é bíblico?

Domingo, Fevereiro 03, 2008
O ministério feminino é bíblico?
Créditos: www.imelpinhal.com.br/mulheres.asp

Uma grande questão ocupa as mentes evangélicas brasileiras neste momento: A mulher deve ocupar cargos no ministério evangélico ou não? De um lado, os conservadores acham que a igreja evangélica não possui tradição no assunto. Os missionários desbravaram os rincões de nosso país e há poucos registros nas igrejas históricas de mulheres no ministério . Alegam que é uma mudança desnecessária, e alguns, mais extremados, cheiram uma mudança dos paradigmas mais caros nesta sugestão. Estes chegam a afirmar que a Bíblia não possui qualquer exemplo de mulher exercendo um ministério, mas como veremos adiante isto não é verdade.

Os liberais acham que, num mundo igualitário como a ética e o pós-modernismo pregam, é urgente abrir o espaço para as mulheres no ministério. Aqui buscamos uma posição equilibrada, baseada na Palavra de Deus, não estamos interessados em defender uma ou outra tendência. Para mim não se trata de ser progressista ou conservador, vez que a Bíblia estabelece os parâmetros neste assunto, de maneira tal clara e evidente que não nos deixa dúvidas.

A Bíblia é muito rica em exemplos de mulheres na liderança. Estas citações se tornam mais importantes, quando observamos o ambiente machista reinante na Judéia. Atribue-se aos rabinos a seguinte oração: Graças te dou ó Pai, porque não nasci gentio, escravo ou mulher. Não me é possível comprovar a origem, nem mesmo a autenticidade desta citação. Seja como for, a história é rica em exemplos desta natureza. William Barclay nos informa que quando nascia um menino em Jerusalém, havia festa, quando menina, havia tristeza*.

Eu gostaria de citar dois exemplos emblemáticos, um do Novo e outro do Velho Testamento. No livro de Juízes, capítulos 4 e 5, há a história de Débora, uma mulher que exerceu o maior cargo da história judaica na época: o de juíza. Não só estabelecia o código legislativo do momento, como levava Israel á guerra e profetizava. Em todos aspectos seu ministério se assemelhava ao de Samuel. Há um outro detalhe importante, ela era casada com Lapidote. No entanto, não havia nenhuma influência deste sobre sua atuação ministerial. Num país machista e retalhado por dificuldades, uma mulher exercia livremente a liderança espiritual, ministerial, profética, legislativa, bélica e executiva.

No Novo Testamento, no capitulo 16 de Romanos, Paulo cita nominalmente diversas pessoas que o ajudaram no ministério, entre as quais diversas mulheres. Há duas citações de interesse para nossa análise. A primeira é a Febe. Em Romanos 16:1, Paulo diz que Febe era uma diákovon tês ekklêssías, diácono da igreja. Isto mesmo leitor, uma diaconisa! No versículo 6, ele fala do trabalho de outra mulher chamada Maria. E mais adiante, no versículo 12, ele diz: Saudai a Trifena e a Trifosa, as quais trabalham no Senhor. A palavra trabalho aqui é uma tradução do original grego, kopiôssas, o aoristo de kopiáô, trabalho duro. É a mesma palavra utilizada para o ministério terreno de Jesus, quando ele estava cansado em João 4:6, para a pesca em Lucas 5:5, para o ministério do próprio Paulo em I Coríntios 4:12 e 15:10. Em Coríntios 16:16, a conotação da palavra se refere aos obreiros que fazem a obra ministerial trabalhando duramente. A mesma conotação envolve as citações em Gl 4:11, Ef 4:28, Fp 2:16, Cl 1:29, I Ts 5:12, I Tm 4:10, 5:17, II Tm 2:6 e Ap 2:3.

Note um detalhe interessante: todas citações do trabalho feminino se referem ao trabalho ministerial, nunca ao trabalho doméstico como, por exemplo, quando a sogra de Pedro serviu Jesus após ser curada. Eu desafio a qualquer pessoa em bom senso contradizer as citações acima. Por outro lado, a EBD não abre mão de suas professoras que irão formar futuros pastores, obreiros e ministros. Livros de autoria feminina sobre aconselhamento e doutrina são vendidos pela CPAD, numa clara subversão da interpretação radical de I Tm 2:12. Enfim, diversos postos chave que os radicais "deveriam" ocupar com homens, são preenchidos por mulheres.

Por que, então, algumas igrejas evangélicas não ordenam mulheres? Penso não haver nenhuma explicação a não ser machismo ou comodismo. Não estamos pregando uma ruptura imediata com este costume, pois toda quebra abrupta de um paradigma traz prejuízos. O que defendemos é o abandono da justificação infundada de que na Bíblia não há citações ao trabalho ministerial feminino. O que de prático se poderia fazer é, gradualmente, abrir o ministério para as mulheres, e isto deveria começar já. De fato, temos milhares de mulheres, neste Brasil afora, que exercem diversas posições ministeriais, mesmo que não nominalmente.

Há mulheres que lideram grandes grupos de oração, que em nada diferem do trabalho pastoral, inclusive, com a visita periódica aos enfermos. Há outras que zelam a igreja e recepcionam, e em nada diferem do trabalho diaconal. Outras que pregam e expõem muito bem a Palavra de Deus, verdadeiras prebísteras (se é que esta palavra existe!). Na prática, já existe a abolição desta escravatura mimetizada no machismo brasileiro.

Faríamos bem em promover a abertura ministerial, para estas verdadeiras mães do rebanho do Senhor, discriminadas e surrupiadas no seu direito de exercer os dons que o Senhor deixou á sua igreja, e não apenas a nós, os homens! Lembrando, mais uma vez, que na prática elas já exercem seu ministério entre nós, mesmo sem o devido reconhecimento. Lembro de minha mãe, que por onde passou dirigindo Círculos de Oração, foi um pastor, presbítero e diácono para suas componentes. Suprindo suas necessidades doutrinárias (onde o pastor, não raro, falhava!), suas necessidades de aconselhamento, orando e até mesmo ajudando com víveres às mais necessitadas.Nada mais errado do que imaginar que o ministério feminino não é bíblico!

* Comentario al Nuevo Testamento, Volumen 4, Lucas – Editorial Clie