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domingo, 19 de janeiro de 2020

Estudos Bíblicos diários (em vídeo): Café da Manhã Espiritual


A iniciativa Estudos Bíblicos - Café da Manhã Espiritual (Minutos com Deus), é um trabalho desenvolvido pela irmã Kaka Gomes e que objetiva compartilhar, a cada dia, uma pequena reflexão dirigida a partir de um versículo bíblico selecionado.
Através de breves vídeos, publicados no Youtube e em redes sociais, somos edificados com palavras de reflexão e exortação.

Canal do Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC4Bl9olRK3Gzp6rgHzSLZLQ
Blog: https://estudobiblico.home.blog/
Página Facebook: https://www.facebook.com/estudosbiblicos.home.blog/


Ouça algumas das reflexões:


 




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

VOCÊ É A JANELA DO SEU FILHO - Uma ilustração tocante



O poder que você tem a esse respeito nos lembra a comovente e agridoce história da janela, de G. W. Target:
Havia uma vez dois homens muito doentes no mesmo quarto de um hospital. Um dos homens, como parte de seu tratamento, foi autorizado a sentar na cama durante uma hora à tarde. Sua cama estava perto da janela que dava para o exterior.
O outro homem teve que permanecer deitado de costas o tempo todo, e ambos tinham que permanecer quietos e calmos. Essa foi a razão pela qual eles estavam sozinhos naquele pequeno quarto, e estavam gratos pela paz e privacidade que tinham. Uma desvantagem de sua condição era que não lhes permitiam fazer muitas coisas: eles não podiam ler, não podiam ouvir o rádio, muito menos assistir TV. Eles tinham que ficar quietos.
Então eles conversavam por horas e horas sobre a vida, a família e coisas assim. Toda tarde quando o homem ao lado da janela era levantado, passava o tempo descrevendo o que ele podia ver lá fora; e o outro homem começava a viver durante essas horas.
Da janela, podia-se ver, aparentemente, um lago, onde havia patos, e crianças jogando pão e brincando com eles, e jovens amantes de mãos dadas andando sob as árvores; havia flores e grama, partidas de futebol, pessoas curtindo o sol e, além das árvores, uma bela vista da cidade.
O homem apoiado nas costas ouvia tudo com atenção, aproveitando cada minuto. Chegou ao ponto de quase poder ver o que estava acontecendo lá fora.
Então, uma tarde, quando houve uma espécie de desfile, um pensamento o dominou: Por que o homem tinha que desfrutar perto da janela todo o prazer de ver o que estava acontecendo? Por que ele não podia ter a mesma oportunidade? Ele sentiu vergonha, e tentou não pensar assim, mas quanto mais ele tentava, mais queria mudar para aquele lugar. Não sabia o que fazer. Em poucos dias já estava amargurado. Ele queria estar ao lado da janela. Ele começou a planejar o que fazer, já não conseguia mais dormir bem e se sentia cada vez mais doente, algo que nenhum médico explicava.
Uma noite, enquanto olhava para o teto, o outro homem acordou
tossindo e engasgando; ele estendeu a mão para o botão que faria a enfermeira correr para ajudar. Mas ele assistiu a tudo sem se mexer. A tosse explodiu no escuro sem parar, sufocando o homem; por fim, cessou; o som da respiração deixou ser ouvido. O homem continuou olhando fixamente para o teto.
De manhã, a enfermeira entrou com água para lavá-los e encontrou o homem morto. Eles removeram seu corpo do quarto.
Assim que teve oportunidade, o homem perguntou se eles poderiam mover a sua cama para o lado da janela. Ao fazer isso, eles consertaram também as roupas para fazê-lo se sentir mais confortável, e eles o deixaram sozinho. Assim que eles saíram, ele se apoiou em um dos cotovelos para olhar pela janela. O que ele viu foi uma parede branca.
Esta história ilustra um princípio simples. Muito do seu filho vê, ele o faz através de seus olhos. O que você vê e o que você diz que vê têm muita influência sobre ele. Certifique-se de que ele experimente alguma felicidade, encorajamento, antecipação, alegria e amor.
Com sua ajuda, ele começará a ver tudo isso claramente.


Do livro 504 Ilustraciones Preferidas, de José Luis Martínez

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A importância de ter uma visão



A IMPORTÂNCIA DE TER UMA VISÃO

Não se lance ao caminho
se você não carrega sequer
a luz de uma esperança;
se você não carrega sequer
a luz de um sonho lindo,
não se lance ao caminho ...

Não se lance ao caminho
se você não carrega sequer
algum ideal oculto;
se você não tem uma visão.
Não se lance ao caminho.
Viandante e peregrino,
o cume não é alcançado
sem um brilho do divino.

Autor desconhecido

domingo, 28 de julho de 2019

SE NÃO TIVER JESUS NA (sua) ESCRITA


Posso escrever excelentes textos de aconselhamento ou de auto-ajuda; falar de coisas dignas da vida e de como construir um futuro promissor. Mas se o meu texto não tiver Jesus e Sua Palavra, de nada me valerá.
 
Posso demonstrar todo o conhecimento adquirido ao longo dos anos nas áreas de administração, psicologia, secretariado e diplomacia; posso analisar os fatos da vida, das guerras, da política e do mundo; mas se a minha análise não contemplar Jesus e Sua biografia, nada adiantará.
 
Posso descrever as situações psicológicas da humanidade, indicando análises e psicanálises de valor; posso avaliar no tempo e no espaço as razões e os motivos culturais, sócio-econômicos e cronológicos que levam a raça humana a agir como age dentro de suas gerações; mas se não olhar tudo isso sob o prisma de Jesus, nenhum significado relevante e permanente haverá.
 
Um escritor cristão precisa de Jesus. Ele não se divorcia de Cristo ao escrever os seus textos. Ele não abdica de sua fé para introduzir conceitos psicológicos ou psicanalíticos diversos. Toda a sua fala está construída sobre os valores que sedimentaram-se em seu coração pela fé que vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Cristo.
 
É impossível esconder o cristianismo no texto de quem é, de fato, um cristão. Mas é impossível encontrar Cristo naquele que não o mantém nem na mente e nem no coração, só na nomenclatura (cristão) ou nos adornos e enfeites (crucifixos e paramentos). As lâmpadas acesas clareiam; as apagadas nem são encontradas, pois mantém tudo no escuro.
 
Ao final de tudo os conceitos que hoje temos de psicanálise, psicologia, administração, auto-ajuda, posições políticas e diplomacia poderão mudar, acabar, melhorar, piorar. Tudo passará.
 
Mas aquele que mantém Cristo em tudo o que faz e, principalmente naquilo que escreve, tornará os seus textos relevantes para todo o tempo em que o mundo permanecer.
 
Pois tudo passa e toda a sua concupiscência; mas aquele que escreve fundamentado em Cristo em em Seus valores terá seu texto considerado atemporal, pois fundamentado nos imutáveis valores do Senhor.
 
Obs: ofereço ao escritor que fala bonito, mas
que deixou-se seduzir pelo humanismo, esquecendo-se
do Redentor que lhe dotou do dom da escrita.
 
por Wagner Antonio de Araújo

terça-feira, 1 de maio de 2018

O caráter do pregador - E. M. Bounds



Pode um homem ambicioso, que busca louvor e posição destacada, pregar o Evangelho dAquele que não buscou para si mesmo reputação, mas tomou a forma de um servo? Pode o orgulhoso, o vaidoso, o egoísta, pregar o Evangelho dAquele que era modesto e humilde? Pode o mal-humorado, colérico, duro e mundano pregar as doutrinas que estão cheias de longanimidade, auto abnegação, ternura, que imperativamente exigem separação da inimizade e crucificação para o mundo? Pode o mercenário oficial, sem coração e negligente, pregar o Evangelho que exige que o Pastor dê Sua vida pelo rebanho? Pode o homem ambicioso, que pensa em termos de salário e dinheiro, pregar o Evangelho até que esgote o seu coração e possa dizer no espírito de Cristo e Paulo com as palavras de Wesley: “E eu o considero como esterco e escória; o calco sob os meus pés; e eu (ainda que não seja eu, mas a graça de Deus em mim) o estimo apenas como a lama de estrada, não o desejo, não o busco”?
E. M. Bounds

segunda-feira, 26 de março de 2018

NÃO O ACHARAM


Correram para aquele culto. Procuraram-no no meio dos cânticos; procuraram-no entre os partícipes; procuraram-no no sermão e nos avisos. Não o acharam.

Correram para aquela vigília. Procuraram-no entre os que se punham de joelhos; procuraram-no nos lábios dos que torciam as frases e diziam coisas desconexas; procuraram-nos entre aqueles que choravam e gritavam. Não o acharam.

Correram para a obra social. Procuraram-no nos que distribuíam comida; procuraram-no nos que cantavam e distribuíam santinhos; procuraram-no entre os que se serviam do pão e da sopa da noite. Não o acharam.

Correram para a procissão. Procuraram-no entre os que carregavam o andor com a imagem de escultura; procuraram-no nas rezas e nas ladainhas cantadas pelos que caminhavam com velas na mão; procuraram-no nos objetos religiosos. Não o acharam.

Correram para a marcha. Procuraram-no no trio elétrico que conduzia músicos e apóstolos; procuraram-no entre os que falavam de tudo pelo microfone; procuraram-no entre os que faziam as salvas circularem. Não o acharam.

Então voltaram ao escritório central e deram o parecer: "Por mais que o buscássemos, por mais que os nossos detetives tenham investigado, por mais que tenhamos contemplado os lugares onde ele supostamente pudesse estar, não achamos sequer um vestígio de sua presença. Nossa conclusão é única: ELE NÃO ESTÁ LÁ".

Sim. Ele desapareceu.

O púlpito da igreja, construído para que a Sua Palavra fosse proclamada aos que se dispusessem a ouvi-la, agora é utilizado para falar de futilidades, de política, da venda de produtos, da vanglória dos ministérios, dos cursos de auto-ajuda, de prosperidade financeira e da jactância dos que procuram um entretenimento barato, possível e jactancioso. Jesus não está mais ali.

As vigílias de oração, constituídas por quem ansiava buscar a Deus com dedicação, com tempo de qualidade e com muita confiança no Pai Celestial, no poder do Espírito Santo, não se reúne mais em nome de Jesus, mas em nome do apóstolo impostor, no nome do Espírito Santo (cujo verdadeiro objetivo nunca foi esse, mas sim glorificar ao nome de Jesus Cristo). Reúnem-se para ostentar poderes sobrenaturais, para sacrificar e simular sofrimentos com o fim de verem suas preces atendidas, não confiando na graça absoluta de Deus. Jesus Cristo é quem menos importa nestas vigílias, usado-O apenas como fórmula em suas frases de efeito. Jesus não está mais presente ali...

As obras sociais, como expressão de amor reagente (nós O amamos porque Ele nos amou primeiro e, consequentemente, devemos amar o próximo com a nós mesmos) tornou-se ostentação de suposta bondade e virtude, ou de chamarisco de ofertas (olhem como nós somos bons com os carentes e invistam em nós!), ou de busca de pontos na eternidade (salvação pelas obras). Verdadeiras empresas são montadas com a finalidade do suposto bem e o que menos importa é o que deveria gerar a boa obra (fazê-lo como se estivéssemos fazendo por Jesus). Ele também não está ali.

A procissão, tão comum entre aqueles que tentam adorar a Deus sem observarem o que o próprio Senhor ensinou em Sua Palavra (não farás imagens e nem lhes prestará cultos), transformou-se em festejo público, em item de turismo urbano, em festa de calendário religioso e em ostentação pública de tradição, de família e de suposta religiosidade (as mãos que levam a imagem são as que conduziram as baterias da festa da carne, o Carnaval). Ali, sob um clima de morte (pois as imagens estão inertes) o povo ostenta uma fé que não traz vida, só traz lembranças de como seria bom se fosse real, ídolos que precisam de braços para erguê-los, uma autêntica fantasia humana. Jesus não estava na procissão.

Também não estava na marcha, ainda que se chamasse "PARA JESUS". Não era para Ele. Era para o apóstolo fajuto, para o candidato ao cargo público, para a gravadora gospel vender cds, para entrar no livro dos recordes como a maior do mundo, para fazer o povo brincar e dançar e mostrar à cidade um entretenimento mais saudável, para justificar a existência das seitas ali propagadas, para gerar lucro aos vendilhões da fé e às cidades que a abrigam. Há glória para as denominações, para as bandas, para os falsos apóstolos;só não há glória para o Jesus verdadeiro, o da Bíblia e da história!

Sim. Ele tem estado ausente. Aliás, talvez esteja ausente da vida de algum leitor, quando não O honra com a sua obediência à Palavra, quando não dedica parte de seu dia à oração e à leitura da Bíblia, quando não congrega junto com o Seu povo, mesmo que numa pequenina congregação verdadeira, quando não testifica da salvação àqueles que ainda não a experimentaram. Infelizmente Jesus não está presente na casa de muitos que se dizem do Senhor. Ele não se faz presente na briga constante da família, nos gastos exagerados, nas dívidas contraídas pelas más decisões e nos costumes que não são compatíveis com a Sua vontade. Ele não está presente nas televisões e nos celulares de gente que não vive para ele. Mesmo que se chamem cristãs, mesmo que sejam religiosas, mesmo que falem o tempo todo o Seu nome. E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6:46). Quem devia ter Jesus não tem e tem provocado escândalo: Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. (Rm 2:24).

À propósito, estaria Jesus aí com você?

Wagner Antonio de Araújo

domingo, 11 de fevereiro de 2018

"Mastigue isso direito, menino!"

Pensando e sorrindo, lembro das muita vezes que minha mãe ou minha avó gritavam essa frase: “mastigue isso direito, menino!”. É claro que elas sabiam que eu estava sempre comendo rápido para poder voltar correndo para a brincadeiras com os amigos ou mesmo para o vídeo-game. O tempo passou, o menino cresceu e se tornou homem, se tornou marido.
Essa semana ouvi uma pergunta que mexeu muito comigo, e dizia o seguinte: “Quanto tempo você tem gasto para fazer uma refeição? Você tem mastigado direito?” Seria rápido e fácil responder de imediato: “estou na correria, não tá dando tempo!” Mas resolvi pensar a respeito e descobri que minha resposta pronta tem tudo a ver com aquele menino que comia correndo para ir brincar. O menino que dificilmente saboreava do delicioso sabor que era a comida da mãe ou da avó.
Então, fazendo uma auto-análise sobre minha vida, me perguntei: “quantas coisas tenho vivido e não tenho saboreado? Quantas vezes estou ao lado da minha esposa e minha mente está no trabalho que eu preciso entregar amanhã? Quantas vezes tenho desfrutado de uma boa música, sem que meus pensamentos estejam ligados ao problema que aconteceu ontem no trabalho? Quantas vezes estou ouvindo um amigo compartilhar um problema, mas meus olhos estão focados no celular? Quanto tempo tenho reservado para estar a sós com Deus? Quantas vezes tenho feito coisas legais, sem me sentir culpado por não estar produzindo ou fazendo coisas que eu “deveria” estar fazendo?
Percebo que a vida anda “tão corrida” que não conseguimos mais desfrutar dos momentos que geram felicidade verdadeira. Realmente não acredito que a felicidade esteja nas coisas materiais ou num futuro que nunca chega, ou mesmo, nos momentos marcantes que vivi no passado, mas SOMENTE no que posso experimentar neste momento, agora, vivendo o PRESENTE.
Posso afirmar que quando entendemos que podemos viver o momento presente, nossa vida se torna um grande presente e todo grande presente gera alegria, sorriso e felicidade verdadeira.
Meu desejo é que você possa saborear com alegria cada momento da sua vida. Ao estar com sua esposa, decida estar só com ela. Ao ouvir um amigo, ouça seu amigo. Ao ouvir uma boa música, desfrute dela. Tenha um tempo para você, sem culpa. Ao reservar um tempo para Deus, esteja só com Ele e desfrute da sua doce presença.
“Mastigue isso direito, menino!”
Deus abençoe grandemente sua vida.

Junior Della Mea
@juniorDellaMea

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Mamonismo, a maior religião global



"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro".

Mateus 6:24


Lendo a tão pedagógica passagem bíblica, me ocorreu uma interessante reflexão. Se Jesus diz que não se pode servir a dois senhores, logo, segundo o próprio Jesus, a maior religião do mundo seria o mamonismo (adora$ão a Mamon - o bom e velho dinheiro, o deus sem rosto e inventor das máscaras), superando o cristianismo e o Islã com considerável vantagem. Mas há um problema: Aneste$iados, não sabemos reconhecer ou computar uma tão imensa multidão, que porventura nos abarca, e assim a principal religião humana, por carência de livro sagrado ou código definidor, segue como se não existisse, e no entanto por tudo responde.
Como se não existisse, sim, para nós, pois naquele Tribunal Celeste consta que há o nome de cada membrado na portentosa seita.

sábado, 21 de outubro de 2017

Buscando a direção de Deus - O fruto do trabalho de George Washington Carver


O fruto do trabalho de George Washington Carver

Infinitas plantações de algodão haviam sugado os nutrientes do solo sulista. Os fazendeiros pós-guerra civil enfrentaram uma terra arrasada e uma plantação devastada. George Washington Carver, um professor no Instituto Tuskegee do Alabama, ofereceu uma solução. Mudar a cultura e restaurar nitrogênio e fertilizante ao solo. Cultivar batata-doce, feijão-de-corda, soja e, acima de tudo, amendoim. Mas Carver não conseguiu convencer os fazendeiros.
Foi necessário que casulos de besouros o fizessem.
Saindo do México, eles se deslocaram em enxame, através do Texas, e entraram na Louisiana e no Mississipi. Por volta de ') 1915, o inseto consumidor de algodão havia atingido o Alabama. Carver viu a praga como uma oportunidade. "Queimem o seu algodão infestado", ele declarou, "e plantem amendoim."
Mas quem os compraria?
Uma viúva idosa bateu à porta de Carver. Depois de plantar e colher o amendoim, tinha centenas de quilos sobrando. Ela não estava sozinha. Carver descobriu celeiros e armazéns abarrotados, de amendoim. Estava estragando nos campos por falta de um mercado.
Anos depois ele se lembrou de como se retirou para o seu lugar favorito na mata; buscando a sabedoria de Deus.
— Ó, Deus, por que fizeste este universo? — ele exclamou. — Você quer saber demais para esta sua mente pequena. Pergunte-me algo que seja do seu tamanho — o Criador respondeu. Então eu disse: — Querido Senhor, diga-me, o homem foi feito para quê? — Homenzinho, você ainda está pedindo mais do que pode controlar. Abrevie a extensão do seu pedido e melhore o intento. Então, fiz a minha última pergunta: — Senhor, por que fizeste o amendoim? — Assim está melhor — respondeu. E me deu um punhado de amendoins e voltou comigo para o laboratório, e juntos nos pusemos a trabalhar.'
Trabalhando dia e noite, Carver despedaçou o amendoim e libertou a química mágica que transformaria o prejuízo em lucro. Em menos de cinco anos, a produção de amendoins transformou o seu território do Alabama em uma das áreas mais ricas do Estado. Durante toda a sua vida, Carver extraiu mais de trezentos produtos do amendoim.
Esta parte fala sobre você encontrar o seu amendoim — a tarefa feita sob medida que honra a Deus, ajuda os outros e emociona você.

- Max Lucado em “Quebrando a Rotina” Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 21-22.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dá-te e imita a Deus


"Toda a nossa vida é assim: desde o momento em que abrimos os nossos olhos pela manhã até quando os fechamos à noite, temos o poder de criar e o poder de destruir, o poder de dar os nossos dons – grandes e pequenos – e o poder de os recusar.
Provavelmente nenhum de nós encontrará alguma vez um homem a morrer na berma da estrada. E a maior parte de nós raramente será chamada a fazer um sacrifício realmente significativo por outra pessoa. Mas todos nós iremos encontrar milhares de pessoas cujas vidas podemos tornar um pouco mais ricas, um pouco mais felizes porque estávamos lá e porque demos o que tínhamos.

A cada momento cada um de nós tem alguma coisa a dar, alguma coisa que é precisa. Dá-la-emos? Temos de dar, simplesmente porque dar os nossos dons é a única maneira possível de encontrar a felicidade. A vida não é um desporto de bancada! Dar os nossos dons – todos eles, todos os dias – é a única maneira de realizar a nossa vida, a única maneira de crescermos à imagem e semelhança de Deus."

P. Dennis Clark

quarta-feira, 17 de maio de 2017

As Camélias do meu Jardim

As camélias do meu jardim

Quando estive pela última vez visitando a minha mãe no interior do estado,
eu trouxe de lá algumas mudas de camélias que, cresciam próximas à casa onde nasci.
Sabendo que ela não viveria mais por muito tempo,
eu as trouxe como uma homenagem a ela que sempre cuidava tão bem das suas camélias.
Plantei-as no meu jardim, em São Leopoldo, e elas vingaram.
No rigor do inverno, época em que minhas camélias estão em flor, converso com elas e
dou-me conta de algumas coisas.
As camélias do meu jardim florescem no seu devido tempo,
tanto as vermelhas como as brancas.
Elas florescem em São Leopoldo do mesmo modo como floresciam cinqüenta anos atrás
em São Pedro do Sul.
Estou convencido de que algumas coisas nesse mundo de Deus não mudam.
Existe uma força maior que as mantém como são.
No livro de Gênesis está escrito: “Deus falou, porei nas nuvens o meu arco;
ele será um sinal da aliança entre mim e a terra” (Gen 9,3).
O arco do qual o texto fala é o arco-íris.
O povo da época via nele um sinal de que Deus mantém este mundo,
que zelará pela sua preservação, que manterá os corpos celestes no seu curso e,
assim creio, cuidará que aquilo que é verdade permaneça sendo verdade.
Dizemos que tudo muda. Efetivamente nós mudamos, os tempos mudam, a natureza
se renova, os valores mudam. E é bom e necessário que assim seja.
Mesmo assim, creio que aquilo que está por trás de tudo, o que sustenta o universo,
os valores essenciais que norteiam a conduta humana não mudam. Não podem mudar.
Se estes mudam tudo se desagrega. Alguns fundamentos precisam permanecer,
tanto para o equilíbrio do universo, quanto para o equilíbrio da sociedade.
O que é bom, o que é justo e correto não pode ser relativizado.
As camélias do meu jardim não são imunes às mudanças do tempo,
elas – como todos nós – sofrem as influências do meio ambiente.
Mas, ao preservarem sua essência de camélias vermelhas e brancas,
que florescem no seu devido tempo, tanto em São Pedro do Sul quanto em São Leopoldo
ou na longínqua Austrália, elas dão um testemunho silencioso de que há leis,
verdades e valores fundamentais que precisam permanecer e ser cultivados
ao longo de toda vida e em todos os tempos e em todos os lugares.
Lothar Carlos Hoch
São Leopoldo, 23/09/2006

terça-feira, 9 de maio de 2017

"Mas irmão Sammis, por que você faz livros de graça?"


"Ideias não podem ser possuídas. Elas pertencem a quem quer que as compreenda." 
Sol LeWitt 

Mas há quem me pergunte, de quando em vez e algo inocentemente, o porquê dos livros gratuitos. Porque todo livro deveria ser gratuito, salvo o gasto em papel, gasto que não tenho. 
 "Mas o obreiro é digno de seu salário." Dê um salário ao obreiro, ora pois; o direito autoral vai muito além disso, é uma usurpação ad-infinitum (100 anos? Isso é o infinito, pois transcende a vida de um homem), um ato de lesa-humanidade. 
Ideias contundentes quando estrondam contra a concha em que o $istema lhe nutriu, hum? Isso começou há não muitos séculos, em terras de Adam Smith, e foi aperfeiçoado em terras de von Mises, mas isso é outro e mais complexo assunto, com sua própria carga nauseabunda.
O importante sobre uma aculturação, uma cangalha, é que nunca é tarde para ser livre, para deitar o fardo d'outros pelo chão. E basta despir-se um pouco para perceber a clareza de tudo isso, dessa transcendência, essa TRANS-pessoalidade do/no mundo das ideias, essa corrente unidirecional (para a frente, sim, mas isso não denota necessariamente uma fé cientificista no "progresso") e construto coletivo, VISCERALMENTE e aprioristicamente coletivo, que as ideias são. 
"Se cheguei até aqui foi porque me apoiei nos ombros de gigantes", dizia Newton, o Isaac. O Conhecimento é assim: nada surge do nada, todo conhecimento é CONHECIMENTO DERIVADO, elo de uma cadeia que nasceu no barro, nasceu em Adão. 
Por essas e outras que eu, o bom aluno que nunca gostou da escola, terminei como professor... 
Poderia estar ganhando dinheiro, mas sou tolo ou homem demais pra isso. Não sou um individuado e ambulante centro do Universo, sou um elo ínfimo num esforço amplo, membro de um corpo cumprindo sua função, seja o corpo social, seja o corpo de Cristo, sem que isso tolha minha individualidade e singularidade.

Sammis Reachers

sábado, 29 de abril de 2017

O perdão, a transcendência possível e suficiente


Não existe experiência de transcendência mais prática, mais alcançável - e no entanto mais luminosa e libertária - do que PERDOAR. Pois foi da vontade de Deus tornar, DESTA FORMA, a transcendência, a aproximação e vislumbre por imitação (a Ele!), disponível a cada ser humano da Terra. 
 Há quem a busque (por séculos que ainda não findaram) no isolamento de um mosteiro, um seminário, ou na quietude de sua casa de praia, sua concha de aconchegos - libertos do fluxo - e brincando (pois fora do fluxo, da Realidade, estamos num tubo de ensaio, ambiente controlado pois hermético onde só se pode fantasiar, brincar, SIMULAR), talvez, de perdoar, mas o quê? As pedras? 
A transcendência Deus quis que a encontrássemos na tormenta, no Coliseu e em Auschwitz. O velho Deus incompreendido.

S.R.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Alguns pensamentos do A. W. Tozer


Temo porque os cristãos modernos são de falar muito e de fazer pouco. Usamos a linguagem do poder, mas as nossas ações demonstram fraqueza.
Um ministro ineficaz, semimorto, é uma propaganda melhor para o inferno que um bom homem morto.
Existe um verdadeiro perigo nos esforços de alguns de substituir a vida pela organização, de tal maneira que mesmo que tenham um nome para viver, estão espiritualmente mortos.
Não é o corpo na verdade o que ilumina, mas o Espírito da verdade.
O meu serviço será julgado por Cristo, não pelo que tenha feito, mas por quanto mais poderia ter feito.
Aos olhos de Deus, as minhas dádivas não são medidas por quanto dei, mas por quanto deixei para mim uma vez que separei a minha dádiva.
Santos que não são santos; essa é a tragédia do cristianismo.
Se um homem tratar de pôr a fé de Cristo junto com a opinião humana, ou trata de provar que os seus ensinos estão em harmonia com esta filosofia ou aquela religião, ao procurar defender a Cristo na realidade o está rejeitando.
Devemos odiar o pecado em nós mesmos e em todos os homens, mas jamais devemos subestimar o homem que se encontra no pecado.
Procurar Deus nas inspiradas Escrituras deixando de lado a sua própria revelação, não somente é fútil, como também perigoso.
Permaneça próximo de Jesus, e todos os lobos do mundo não poderão te ferir!
A verdadeira adoração procura a união com o ser amado, e é um esforço ativo para salvar a distância entre o coração e Deus a quem adoramos.
Quando encontro a alguém que se acha muito acomodado neste mundo e em seu sistema, sinto-me obrigado a duvidar que alguma vez nasceu verdadeiramente de novo. Na verdade, todos os cristãos que conheço que fazem algo para Deus são aqueles que não estão acordes à sua época, que não estão em concordância com a sua geração.
Eu não creio que nenhum bem duradouro possa provir de atividades religiosas que não lancem as suas raízes nesta qualidade da criatura: o temor. O animal que está dentro de nós é muito forte e seguro de si mesmo. Até que não tenha sido vencido, Deus não se revelará aos olhos da nossa fé.
O Espírito Santo não é um luxo que pretende criar cristãos de luxo, como também uma capa com letras douradas e cobertas de couro faz que um livro seja de luxo. O Espírito é uma necessidade imperativa. Só o Espírito eterno pode realizar obras eternas.
Existe a arte de esquecer, e cada cristão deveria fazer-se destro nisto. Esquecer as coisas que ficam para trás é uma necessidade positiva se é que vamos nos converter em algo a mais que bebês em Cristo.
Algo agradável na relação com o nosso Pai celestial é descobrir que nos ama pelo que somos, e que valoriza o nosso amor mais que muitas galáxias de novos mundos.
Hoje, como em todos os séculos, os verdadeiros cristãos são um enigma para o mundo, um espinho na carne de Adão, um enigma para os anjos, o deleite de Deus e a habitação do Espírito Santo.
Os pais da igreja escreveram dizendo que se um homem sente que está ocupando algum lugar no reino de Deus, isso é orgulho, e até que isso morra, na realidade não ocupa lugar algum.
O homem que está seriamente convencido de que merece ir para o inferno, possivelmente não vá para lá, enquanto que o homem que está seguro de que merece o céu, com toda segurança nunca entrará nesse bendito lugar.
O cientista moderno perdeu a Deus no meio das maravilhas deste mundo; nós os cristãos estamos em verdadeiro perigo de perder a Deus no meio das maravilhas de sua Palavra.
Qualquer avivamento que venha a uma nação e deixe às pessoas tão apaixonadas por dinheiro como antes e tão absorvida pelos prazeres mundanos, é uma armadilha e um engano.
Em muitas igrejas o cristianismo foi diluído de tal maneira, que a solução se tornou tão fraca que se fosse veneno não afetaria a ninguém, e se fosse remédio não curaria a ninguém.
É de duvidar que Deus abençoe a um homem grandemente antes que Ele o tenha ferido profundamente.
Um cristão real é um caso raro, sem dúvida. Ele sente amor supremo por Aquele a quem nunca viu; fala todos os dias familiarmente com alguém a quem não pode ver; espera ir para o céu pela virtude de Outro; se esvazia para estar cheio; admite que está errado se pode declarar-se reto; desce para levantar-se; é mais forte quando é mais fraco; mais rico quando é mais pobre e mais feliz quando se sente pior. Morre para poder viver; abandona para ter; dá de presente para guardar; vê o invisível; ouve o inaudível.
Fé é ver o invisível, mas não o inexistente.
Tenho achado que Deus é cordial e generoso e em todos os sentidos é fácil de viver com ele.
Eis aqui uma prova para ver se a sua missão na vida terminou: se ainda está vivo, é porque não.
Meu fogo não é grande, mas é real, e pode haver alguns que podem acender a sua vela em sua chama.
Como podemos desculpar essa paixão pela publicidade tão claramente evidente entre os líderes cristãos? O que dizer sobre a ambição política nos círculos da igreja? Ou sobre a enfebrecida palma que se estende por mais e maiores ‘oferendas de amor’? Ou sobre a egolatria desavergonhada entre cristãos? Como podemos explicar nós, um grosseiro homem de culto que habitualmente levanta um e outro líder popular ao tamanho de um colosso? O que dizer sobre o obsequioso ‘beija-mão’ a homens enriquecidos por aqueles que pretendem ser pregadores legítimos do evangelho? Há só uma resposta a estas perguntas; é simplesmente que nestas manifestações nós vemos o mundo e nada mais que o mundo. Nenhuma profissão apaixonada de amor pelas 'almas' pode trocar o mau pelo bom. Estes são os mesmos pecados que crucificaram a Jesus.
Quase tudo associado com o ministério pode ser aprendido com uma quantidade média do uso da inteligente. Não é difícil pregar ou dirigir assuntos da igreja ou atender uma chamada social; os casamentos e enterros podem ser conduzidos facilmente com um pouco de ajuda do Emily Post e o Manual do Ministro. Pode-se aprender a fazer um sermão tão facilmente como fabricar sapatos – introdução, conclusão e tudo. E assim com todo o trabalho do ministério que se faz na igreja de valor médio de hoje. Mas a oração é outra questão. Ali Mrs. Post está incapacitada, e o Manual do Ministro não pode oferecer assistência. Ali o solitário homem de Deus deve lutar sozinho, às vezes com jejum, lágrimas e cansaço inexprimível. Ali cada homem deve ser original, porque a verdadeira oração não pode ser imitada nem pode ser aprendida de ninguém.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Don Richardson: O inigualável sacrifício de Cristo


O homem não-regenerado é duplamente perseguido! Primeiro, ele sente a eternidade, em direção à qual se move - partícula finita que é - como alguém estranhamente destinado. A seguir, descobre gravada em seu próprio coração uma lei que o condena a não atingir o seu destino eterno!
Não é de admirar que Paulo tenha escrito em outro ponto: “ Ai de mim se não pregar o evangelho” (1 Co 9.16). Nada mais pode dar fim a esta dupla perseguição do homem!
Aqueles dentre nós que estudaram as jornadas do apóstolo ainda mais profundamente no domínio gentio, descobriram que a sua observação cumpriu-se de maneiras que ele mesmo talvez jamais tivesse julgado possíveis. Por exemplo: Uma das exigências da lei mosaica era um estranho rito anual envolvendo dois bodes machos. Ambos os bodes eram primeiro apresentados ao Senhor (Lv 16.7). A seguir, o sumo sacerdote hebreu tirava sortes para escolher um dos bodes como oferta sacrificial. Depois disso, ele matava o bode escolhido e aspergia seu sangue sobre o “ propiciatório” (Lv 16.15).
O que acontecia ao outro bode? 
O sumo sacerdote impunha as mãos sobre a cabeça dele, depois confessava os pecados do povo, colocando-os simbolicamente sobre o segundo bode. Uma pessoa indicada para a tarefa levava então o mesmo para longe do povo e o soltava no deserto. Uma vez que o “ bode emissário” desaparecia de vista, o povo hebreu começava a louvar a Javé pela remoção de seus pecados.
Quando João Batista apontou para Jesus e disse: “ Eis o Cordeiro de Deus, cue tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29), ele identificou Jesus Cristo como o cumprimento perfeito e pessoal do simbolismo hebreu do bode expiatório. Eram necessários dois animais para representar o que Cristo iria realizar sozinho quando morresse pelos nossos pecados. Não satisfeito em simplesmente expiar nossos pecados, Ele também removeria a própria presença dos mesmos!

Trecho do livro O Fator Melquisedeque (Editora Vida Nova).


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A centralidade de Cristo - Erasmo de Roterdam


Fixa-te em Cristo como o seu único e absoluto bem. Não ame nada, nem te entusiasme com nada, nem queira nada que não seja Cristo, ou por Cristo. E não aborreça nada, nem despreze nada, nem fuja de nada, mas sim do pecado ou por causa do pecado.
O que faça -veles ou durma, comas ou bebas, descanse ou divirtas- tudo te acontecerá para acrescentar mais o seu prêmio. E assim acontecerá inclusive com alguns vícios menores, os que caem em nosso caminho para a virtude, se converterão para ti em motivo de prêmio. Mas se o teu olho é mau e olhas para outra coisa que não seja Cristo, então, o próprio bem que faz não reportará em fruto e até pode ser pernicioso. Toda coisa boa que não for bem feita é defeituosa. Tudo, pois, o que achar em seu caminho para a meta do supremo bem, terá que recusar ou aceitar enquanto estorva ou favorece a sua caminhada.
Os próprios filósofos vêem certos fins imperfeitos e intermediários, nos quais não terá que se deter, nem convém servir-se ou gozar deles. Como são meios, nem todos ajudam ou atrapalham de igual modo os que caminham para Cristo. Da mesma maneira, terá que recusá-los ou assumi-los na medida em que impedem ou favoreçam o seu caminhar para ele. O conhecimento, por exemplo, é mais útil para a piedade que a beleza, as forças do corpo ou as riquezas. E ainda que todo o saber possa se referir a Cristo, no entanto, uns conduzem melhor que outro em seu caminho.
Este fim é o que tem que medir a utilidade ou inutilidade dos meios. Amas o saber? Estupendo; ame-o por Cristo. Mas se o amas para saber por saber, fique ali onde era preciso seguir adiante. Mas se amas as letras para melhor poder achar e conhecer a Cristo, oculto nos mistérios das Escrituras -e uma vez conhecido, o ama; e conhecido e amado, o dás a conhecer e te alegras disso-, então aplica-te ao estudo das letras. Mas não além do que possa contribuir para um sólido conhecimento. Vale mais saber menos e amar mais, do que saber mais e não amar.


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Riqueza, frágil segurança


Joselir Martins

O ensinamento cristão ensina que o perigo não está no ambiente que o homem vive, o perigo está no próprio homem. O meio mais perigoso que existe para o homem é o meio confortável. Os fabricantes modernos tem procurado muitos meios de aumentar o buraco da agulha para que o camelo possa passar mais confortavelmente, mais à vontade! Um camelo bem econômico, bem diminuído, fruto dos 'biólogos' modernos, dos cristãos modernos, da igreja moderninha. Sem preces nem ladainha, mas com muitas hipocrisias.
Jesus ensinou que seria muito provável que os ricos não sejam dignos de confiança. Por isso mesmo é que éle é rico. Que os homens que dependem do conforto desta vida são corruptíveis. Financeiramente corrupto, politicamente corrupto e espiritualmente corrupto.
Ele ensinou também que ser rico é correr riscos de desastre moral. E que não é errado se submeter aos ricos, errado é sempre confiar nos ricos. Já que no altar dos ricos, o deus adorado não é outro, senão, MAMOM. O deus que oferece pão tirado das pedras. O deus pão -duro. O deus que oferece as glórias mais mundanas e pálidas.
O mistério do Evangelho é justamente ensinar que só faz a diferença quem sai dos bancos das catedrais e vai se encontrar com Deus no deserto! O mistério do Evangelho é o que o homem é, não o que o homem tem. "A vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui" ( Lucas 12:15).
A igreja verdadeira foi justamente edificada sobre a pedra, para poder um dia ir para cima. Porque para Deus, fragilidade também é força. Força esta que faz com que os fracos se sintam fortes, que os últimos se sintam os primeiros e os pobres ricos.

A PAZ!!!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Henri Nouwen e Philip Yancey: "Por sede de amor".


Minha única conversa longa com Henri Nouwen ocorreu logo depois de ele ter voltado de São Francisco, onde havia trabalhado por uma semana numa clínica para doentes de Aids. Naquela época, eu não sabia nada sobre as questões sexuais de Nouwen. Ele me contou o que vira no distrito de Castro. A palavra gay parecia totalmente fora de lugar naquele local, bem no apogeu da crise da Aids. Rapazes morriam todos os dias, e milhares andavam apavorados, sem saber se eram portadores do vírus. Mesmo nas lojas em que eram vendidas camisetas espalhafatosas e objetos que beiravam o obsceno, o medo pairava como um denso nevoeiro sobre as ruas. Não apenas o medo, disse ele, mas também o senti-mento de culpa, o ódio e a rejeição.
Na clínica, Nouwen ouvia histórias pessoais. "Sou um padre, este é meu trabalho. Ouço as histórias das pessoas. Elas se confessam a mim." Ele me contou de jovens banidos de suas próprias famílias, forçados a se prostituir nas ruas. Alguns deles tinham centenas de parceiros com quem haviam se encontrado em casas de banho, cujos nomes nunca souberam, sendo que, de um desses parceiros, eles haviam contraído o vírus que agora os estava matando. Nouwen olhou para mim com seus olhos penetrantes, brilhando de compaixão e dor. "Philip, aqueles rapazes estavam morrendo - literalmente - por causa de sua sede de amor." Ele prosseguiu, contando-me histórias individuais que ouvira ali. Todos os relatos tinham em comum a busca por um lugar seguro, por um relacionamento estável, por um lar, por aceitação, por amor incondicional, por perdão - a própria busca de Nouwen, percebi depois. 

Philip Yancey, no livro Alma Sobrevivente (Ed. Mundo Cristão).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

La Bruyère e a necessidade de Deus


Chamo mundanos, terrestres ou grosseiros aqueles cujo espírito e coração estão apegados a uma pequena porção do mundo que habitam, que é a terra; que nada estimam, que nada amam do além: homens de tão estreitos limites como aquilo que julgam seus domínios e possessões, cujo tamanho pode ser medido e cujas fronteiras podem ser mostradas. Não me surpreende que homens que se apoiam assim num átomo cambaleiem em seus mínimos esforços para sondar a verdade e que sua visão tão curta não lhes deixe atingir a Deus, através do céu e dos astros. Não percebendo a excelência do que é espírito nem a dignidade da alma, sentem menos ainda como esta é difícil de satisfazer, como a terra inteira é inferior a ela, como lhe é necessária a existência de um ser soberanamente perfeito, que é Deus, e quanto é indispensável uma religião que o revele e o garanta. Compreendo facilmente, pelo contrário, que é natural a esses espíritos caírem na incredulidade ou na indiferença e fazer com que Deus e a religião sirvam a política, isto é, a ordem e o ornamento deste mundo, única coisa, segundo eles, que merece atenção.

La Bruyère in Caracteres

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Ruysbroeck e a (im)possibilidade moderna de iluminação


"Se pudéssemos renunciar a nós mesmos e a todo o egoísmo em nosso trabalho, deveríamos, com nosso espírito nu de imagens, transcender todas as coisas, e sem intermediários ser conduzidos pelo Espírito de Deus até a Nudez... Quando transcendermos a nós mesmos, e nos tornarmos, em nossa ascensão para Deus, tão simples que o amor nu das alturas possa nos tomar, onde o amor abraça o amor, acima do exercício de qualquer virtude - isto é, em nossa Origem, de Onde nascemos espiritualmente - então cessamos, e nós e toda nossa individualidade morre em Deus".


Os afeitos aos estudos dos textos/discursos religiosos universais notarão a semelhança com um texto budista, hindu ou até mesmo sufi. Mas é do místico cristão do século XIV, (Jan Van) Ruysbroeck (Bélgica 1293-1381). 

Há algo de perturbador em todos os místicos cristãos, seja na 'ortodoxia' de um Ruysbroeck até o quase panteísmo (se não herético, fronteiriço) de um Eckhart. Algo incaptável, obscurecido no e pelo tempo, que nossa razão moderna logo se apressa a oferecer um primeiro combate. Interessante também, para os afeitos às religiões comparadas, a semelhança de percepções em relação à iluminação, à ascese e processos de epifania entre os místicos das variadas correntes, sem desejar entrar aqui no mérito da Verdade religiosa (pois sabemos que Jesus é a Verdade). 
Gosto de refletir se um dia terei alma, tempo e paz para me dedicar à contemplação mística de Deus. E se, possuindo eventualmente tais atributos, lograrei ir além de pálidos rudimentos, sombras de outras sombras, obliterado que terá sido meu entendimento pela velocidade e hipersolicitações (hiperinformação, hiperengajamentos) que a vida moderna terá me obrigado até então.
Há espaço para a verdadeira e efetiva (realizável) contemplação mística em nosso século?  Já que o pensamento místico cristão é de maneira geral a seara de alguns teólogos e doutores da igreja católica, um dos maiores teólogos católicos do século XX, Karl Rahner, dizia que "o cristão do futuro ou será místico ou nao será cristão." Espero que esteja certo neste prognóstico, espero que possamos lançarmo-nos na nudez de Deus.

Sammis Reachers