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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um rapaz fugido de casa



 “Vale a pena voltar, mesmo que seja diferente”
Cesare Pavese
 



Bebendo a manhã molhada
de braços caídos, a única possessão
o vazio
nas mãos, feito de coisas que passaram
feito de coisas duma vida
outrora cheia, este rapaz
a quem chamaram pródigo, fugido
de casa, vem pela penumbra
do regresso, ainda não sabe
que os olhos do pai não têm vacilado
diante das estrelas
que os olhos do pai têm bebido
cada dia, cada hora o último fio de sol
até à madrugada.

25-9-2011 (Inédito)
J.T.Parreira

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Jardim do Éden


 “Lá onde existem as remotas/luzes”
Vicente Aleixandre


Onde existiram cores remotas
luzes próximas
de serem estrelas não desfeitas
ainda nas poeiras, metais
afinados pela Imensa Mão
Lá onde o pó
se tornou consistente
no corpo de um homem
e havia uma árvore com raízes
directas ao espírito desse homem
Lá onde existiram raios solares
dos quais não fugiam os olhos
e onde a noite podia refulgir
onde os animais se afagavam
sem lutar pelo seu nome
Lá onde o Paraíso foi
um pássaro imenso
com uma espada de lume.
 
14/9/2011

Inédito de J.T.Parreira

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O que Adão disse no Éden

Poema inédito de J.T.Parreira

Eating the peach, I feel like a murderer.

Henry Cole

Comer o fruto como um homicida
que se esconde atrás dos olhos fechados
Arrancar o fruto dos ramos como a noite
arranca a estrela cadente
para perdê-la
nas águas de um buraco fundo
Mergulhar o sabor do fruto
na corrente jovem do meu sangue
enquanto os dentes desferem
golpes letais na polpa
para aprender a ter fome
depois empurrar como uma pedra
meu próprio corpo
até à morte.


28/8/2011