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sábado, 8 de novembro de 2014

Versos religiosos de Cecília Meireles



Cecília Meireles (1901-1964)
por George Gonsalves

      Hoje é o dia de nascimento de Cecília Meireles, talvez a maior poetisa brasileira. Se fosse viva, estaria completando 113 anos de idade.

      Recentemente, li uma antologia poética dela com poemas arrebatadores. Cito abaixo alguns versos religiosos desta obra.

"Vou pelo braço da noite,
levando tudo o que é meu:
- a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu".
(Assovio)

"...Sempre mais comigo
vou levando os passos meus,
até me perder de todo
no indeterminado Deus".
(Em voz baixa)

"Quando o tempo em seu abraço
quebra o meu corpo, e tem pena,
quanto mais me despedaço,
mais fico inteira e serena.
Por meu dom, divino faço
tudo a que Deus me condena".
(Canção)

"Pode ser que também Deus se aviste,
nessa imóvel transparência.
E pode ser que Deus aviste teu coração,
e saiba por que desceste
esses degraus de cristal que iam para tão longe".
(Metal Rosicler)

sábado, 2 de agosto de 2014

Saberei que estou perdida...




Wilma Rejane



 Quando acordar e não mais sorrir pela beleza do dia,
Pela doce sinfonia do canto dos pássaros,
Pela dádiva de um demorado banho,
De um abraço, um beijo, um encontro,
Saberei que estou perdida....

Quando não mais sentir prazer em Te buscar,
Em orar e no Teu colo me debruçar,
Estarei em profundo sono,
Em caminho ermo, abandono
Saberei que estou perdida...

Quando o outro, cansado do mundo,
Me estender a mão, em busca de conforto,
E eu recolher meus braços,  desviar os olhos,
Negar o afago, conselho,
Saberei que estou perdida...

Quando o barulho do mundo,
Das violas, das horas,
Me atraírem para a traição
De mim mesma, da minha metade,
Me roubarem a renúncia e a cruz
Estarei perdida....


Quando a brisa me tocarE eu ignorar...
Quando a dor chegar
E eu murmurar
Quando me deres lutas
E eu me acovardar...

Quando eu negar que me amas
E me recusar a amar
Como me amas
Estarei perdida....

Se a vontade humana
Me for irresistível
E a Divina imperceptível
Estarei perdida....

Estarei perdida
Quando não mais chorar
Quando os ouvidos acrisolar
E o coração congelar...

Nunca me deixes estar perdida
Porque sem Ti não viverei
Não irei a lugar algum
Que me faça perder
Tua presença Jesus.



terça-feira, 20 de maio de 2014

PARA DESENHAR UMA FLOR


Primeiro faz-se subir da escuridão,
em que as raízes dormem,
um caule, depois
conhecemos
os passos que em silêncio dá, primeiro
um botão
que já revela o ponto ómega. A seguir,
como um lápis lazúli que esconde a mão invisível,
abre-se uma corola e com cuidado,
mesmo que as folhas anoiteçam,
vai-se desenhando a claridade da flor.

2/4/2014
© João Tomaz Parreira (J.T.Parreira)

domingo, 8 de dezembro de 2013

ISRAEL




Não te esqueças de pedir a memória
Nas tuas lamentações sagradas
Israel não adormeças no museu
Das tuas pedras, Israel
Não esqueças o mundo
Israel quando é que enviarás
Todas as semanas corações
Para lerem o Apocalipse?...

Israel tu conheces a lei
Dos artigos de Maimónides, tens o costume
De ler Moisés e ficar preocupado
Com todos os cordeiros do país
Israel tu repousas em citações
E costumas nutrir por Jeremias
A ternura das tuas lágrimas
Israel tu detestas Isaías
Por isso o encerras no vidro da universidade
Israel pensa naqueles que voaram
Como pombas e andaram apalpando
Pela noite as suas janelas
Que esconderam a vergonha dos seus olhos
Em pequenas ruas, ao comprarem leite
E sal para as suas feridas
Israel quando te tornarás um menino
Um bando de pombas a olhar o vento
Que descansa nas figueiras
Israel levanta em redor os teus olhos
Para o mundo ver que estão cheios de lágrimas
Como no ano 132, quando te tornaste sionista
E vestiste Bar-Cochba de messias
Israel acorda todos os sonhos dos lábios
Israel as sinagogas são tarde demais.

1/1986

© João Tomaz Parreira

sábado, 18 de agosto de 2012

O HERÓI DE ABETAIA, poema de Mário Barreto França

                      Pintura a óleo "Os 17 de Abetaia" - Otton Arruda Lopes 
                              Exposto no Museu da FEB - Belo Horizonte, MG.

"O HERÓI DE ABETAIA"

(Ao Regimento Sampaio e ao heroísmo do Sargento
Luiz Rodrigues Filho e do Capelão João Soren.)

...E a notícia correu, levando esse desfecho:
- "O Brasil declarou-se em guerra contra o Eixo!..."

O Sargento Luiz ouvia o rádio em casa;
E diante dessa nova, o coração lhe abrasa:
Pensou no Baipendi e nos outros navios,
afundados de noite, em meio aos desafios,
dos agressores vis, cobardes, desalmados,
que metralhavam rindo os botes apinhados,
de desvairadas mães, de filhos que choravam
e de esposas que ainda as ondas perscrutavam.
- Quem sabe? - para enviar um vislumbre de paz
aqueles que  - talvez - não voltariam mais...

E, cônscio do dever que a disciplina exige,
farda-se incontinente e ao quartel se dirige,
para se apresentar e ter o seu fuzil
com que defenderia a honra do Brasil...

Alguns meses depois, com a gloriosa F.E.B,
nalgum porto da Itália, ele também recebe,
de outros povos irmãos, a homenagem primeira
ao canto do hino pátrio, em frente da bandeira...
Nesse instante febril sua alma se extasia,
na ânsia de defender essa democracia,
que, em nome da justiça, acena para o mundo,
prometendo um futuro esplêndido e fecundo.
Onde o Direito e o Bem, irmanados no Amor,
fazem da vida um céu de primavera em flor...

Certo dia foi dada uma ordem ao Regimento
Sampaio, de avançar...
E a missão do Sargento
Luiz era envolver, pelo flanco, Abetaia.
- Um lugarejo que servia de atalaia,
ao exército alemão, que no Monte Castelo,
aguardava o sinal para o combate... -
Belo
e forte, ele dispôs seu grupo para o ataque,
dizendo - "Cada qual se bata com destaque,
procurando elevar bem alto a nossa terra,
defendendo as razões que trouxeram à guerra,
as forças do Brasil! Que cada um se convença
que o mundo de amanhã lavrará a sentença
de morte ou de perdão pelos feitos de agora,
que  hão de servir de marco à inolvidável hora
desta época que tem como escopo a Verdade.
- Suprema aspiração de toda a humanidade!"

E a luta começou. O sibilar das balas,
as chamas a rolar pelos bordos das valas.
Morteiros explodindo e canhões ribombando,
bombardeiros do céu granadas despejando.
E gritos, e explosões, e pragas e gemidos,
e os horrores da morte e o sangue dos feridos.
Tudo se misturava em delírio profundo,
sob o luto da noite, amortalhando o mundo...

O heróico grupo avança... Está  quase cumprida
difícil missão por ele recebida...
Já são poucos, então...

Calaram-se os canhões...
O inimigo abandona as suas posições...
É o assalto final...
O inimigo recua...
Mas... sobre o chão da Itália, à frouxa luz da lua,
os corpos dos heróis, frios ensanguentados,
marcavam, nesse instante, os traços mais sagrados,
que haveriam de unir a família remida
no monumento ideal da Pátria agradecida...

Algum tempo depois, na piedosa missão
de mortos recolher, um jovem capelão,
entre outros corpos, acha o do Sargento Luiz,
sobraçando a sua arma...
E um sorriso feliz,
nos lábios esboçado, era o argumento forte
que ele entrara no céu pelos umbrais da morte...

Um projétil lhe houvera atravessado o peito;
Mas não morrera logo... achara ainda um jeito,
de tirar do seu bolso um Novo Testamento
com Saltério... e sentir ali, nesse momento,
o desejo de ler, pela última vêz,
como se fora seu, o Salmo vinte e três:

- "O Senhor é o meu pastor, nada me faltará!
Deita-me em verde pasto e guia-me onde há
água tranquila e sã! Refrigera a minha alma!
Dirige-me à vereda esplendorosa e calma
da justiça e do amor! E ainda que ande sem norte
pelo vale da sombra esquálida  da morte,
não temo mal algum, pois tu estás comigo.
Teu cajado me guia e livra do perigo;
tua voz me consola; a tua unção me anima;
o meu cálice transborda; a minha alma sublima.
Na esperança e na fé! Certo, tua bondade,
tua misericórdia e tua caridade
seguir-me-hão, pra sempre, entre paz e alegrias;
e habitarei, Senhor, contigo longos dias!..."

E não lera mais nada...
A cabeça reclina
sobre o Saltério aberto...
E, na graça divina,
como um justo, perdoando, em paz adormeceu,
e como herói, honrando o seu país, morreu...

* * * * * *

Hoje no cemitério humilde de Pistóia.
- Pedaço do Brasil engastado na joia.
De uma saudade eterna - em chão da Itália, a lousa,
com um número qualquer, indica onde repousa,
à sombra do auri-verde estandarte, um sargento,
que, morrendo, exaltou seu nobre Regimento.
Porque soube atender, com presteza e valor,
ao chamado da Pátria e à voz do Bom Pastor!

- - - - -

 Mário Barreto França - Icaraí - 1947
______________________________

Colaboração da poeta Pérrima de Moraes Cláudio

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Descalibrei a sensatez



Descalibrei a sensatez,
chutei o balde da rigidez.
Quebrei a cara da fortaleza, e...
descobri que sou humano.

Sou "mano", de mim mesmo no outro.

Descrendo, todo dia, da crença na maldade,
o que permiti-me ser fraco.
Fortificadamente fraco.

Nu na alma, de peito aberto.

Abraçando a vida, de esperança viva.
Fabricante de versos e cores.
Arauto de todas as minhas incertezas.

Olhei-me no espelho e vi um menino.

Olhei novamente e vi um homem.
O tempo passou, passou rápido.
Tão rápido que não pôde ficar.

Não sei o que verei amanhã, no espelho ou fora dele.

Não tenho medo da outra imagem.
Não me preocupo em reconhecer-me.
Não tenho vontade de parar de viver.

Pra viver, basta estar vivo hoje ou amanhã.

Pra viver, basta se desacreditar da tristeza,
agradecer o pão, assumir o perdão,
arriscar acertar, mesmo sabendo que pode errar.

Acertar não é não errar o caminho,

mas admitir o erro e voltar atrás quando necessário.
Errando também se acerta,
porque acertando se conserta a vida.


(Pablo Massolar)



Leia outros artigos de Pablo Massolar
no Blog Ovelha Magra (www.ovelhamagra.com)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Poucas vezes a fome terá tido



Poema inédito de João Tomaz Parreira

Poucas vezes a fome terá tido
tanta altivez
como nos caixotes do lixo, com a cabeça
triste, levantada, a procurar
poucas vezes o homem terá sido
tão ignorado
pelo homem como quando lança as mãos
como uma rede
para apanhar o seu quinhão de ar
Estar escondido atrás da claridade
das cortinas da janela
e ver essa altiva pobreza, poucas vezes
terei tido nos meus olhos
a beleza dolorida de ser homem.

24/6/2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Exteriores (Carta de João em Patmos)

João Tomaz Parreira

Mandem de Éfeso um pouco de sal
Da nossa terra venha um pergaminho
Desenrolar maravilhas.
Tragam também um cântico para passar
No coração a voz dos irmãos,
Mandem todo o fogo que ardia
Do primeiro amor,
Um cheiro do anoitecer no vento,
Mandem-me para amenizar o azul
Quente que vem do mar.

Queria também que as trevas
Não enchessem o pouco verde
Da ilha.

Enviem-me pássaros para fazer
Das asas as sombras do vento,
A frescura quando assento
Nas pedras, o silêncio do olhar.

in e-book "Na Ilha Chamada Triste", sobre João em Patmos. Editado por Sammis Reachers.

sábado, 28 de maio de 2011

Não era ainda o maná no deserto


“Oraram, e ele fez vir codornizes, e saciou-os com o pão do céu”
Salmo, 105,40




Não era
ainda o tempo do maná
o pão sem raiz
solto dos céus, ainda era o tempo
das robustas panelas
das lágrimas dentro das cebolas
não era o tempo ainda
do céu com codornizes frescas
como a sombra da tarde
era o tempo da argila escravizar
as mãos e da recusa
da esperança vir aos palcos da alma
dar a face.

27/5/2011


João Tomaz Parreira

sábado, 14 de maio de 2011

Sozinho no Getsémani


“A minha alma está profundamente triste até à morte”
Jesus Cristo



Fiz sozinho as minhas pegadas
até aqui
e o veludo da noite pousando
nas pedras limou as arestas
a minha angústia vertendo gotas
pela minha fronte
meus olhos sozinhos
palmilhando o céu deixaram pegadas
cada anjo alheou-se de mim
na noite a transbordar de estrelas
como um cálice
nesta noite como a água
de sombras de um poço imenso
fiz sozinho as pegadas
da agonia na minha alma até aqui.

14/5/2011

Poema inédito de J.T.Parreira

terça-feira, 26 de abril de 2011

No Dia da Sua Morte



Hoje os cordeiros sentiram calafrios
no leite materno, beberam
os trigos o orvalho do chão
inclinando as espigas
hoje o sol abrandou
o seu ímpeto de fogo
e cedeu
a angústia pesada das pedras
dos sepulcros
hoje neste dia desigual
todas as mães sentiram
estremecer o útero
porque na cruz
uns olhos bordados de doçura
sucumbiam.

25/4/2011
 
Poema Inédito de J.T.Parreira

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Pedra, inédito de J.T.Parreira


Muito pouco tem sido dito
sobre a pedra, uma
fronteira do sepulcro
uma forma densa do não
muito pouco
perante as circunstâncias
se tem dito sobre a pedra
surda e um olho cego no dia
da ressurreição
não se entrava nem saía
dessa pedra, e no entanto
foi uma gota de água
como uma folha branda
um cristal tocado pela imensa
Mão, uma claridade
no primeiro dia da semana.


24/4/2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Almofada


De dia subimos os nossos montes
cada distância mais longe
depois de deitada a nossa cabeça
num novelo de nuvens
por dentro e por fora
um sonho bordado.


16/4/2011

J.T.Parreira

domingo, 10 de abril de 2011

Poema para Paixão, inédito de J.T.Parreira


Tu foste, apesar do cobre das lanças
e do cálice
de prata, Tu foste, envolto
na bela noite de Abril
e entraste na casa onde começaram
sacerdotes a jugular o cântico dos anjos
e o céu, que Te lançaram à face
Tu foste, mesmo assim
e abriste os braços como uma cruz
sem sinos a dobrar o som
E agora sem mais sofrimento
eu sei para onde foste, é bom.

10-4-2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A Mãe

Inédito de João Tomaz Parreira

Era a morte envergonhada
escondida nestes rostos
tão próximos do chão
pequenos corpos, um dia saberemos
como a morte com sapatos precários
caminhou nestes corpos infantis
como a morte se vergou
nestas costas ao peso
do inverno
Era a morte já tão arruinada
nestas roupas, um dia saberemos
como foram lentos os seus passos
a querer retardar a pressa
dos relógios.

(c) J.T.Parreira

Escrito em 27/1/2011, a partir de uma imagem daqui:
http://wikitravel.org/pt/Imagem:Woman_and_children_walking_to_the_death_barracks.jpg

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Enquanto arde Roma


Enquanto arde Roma e muda
o vento as chamas e o rugir
da multidão aponta a face
do cantor que na colina
dedilha os sons da lira


enquanto ardem mil sóis
na inquietação de Nero
porque o povo sobrevive
- e quem o autorizou
sobreviver?- pergunta


enquanto Roma arde, arde
de si mesma, e um poema
frouxo está surdo em chamas
pelo vento, enquanto
o sol arrefece a tarde.

4-4-2010

João Tomaz Parreira

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Pássaro Azul

There’s a bluebird in my heart
that wants to get out
Charles Bukowsky

O pássaro azul está
dentro do meu coração
voa sobre rios que confunde
com um delta
não o posso deixar
nunca só, é bastante
esperto para perceber
que o silêncio
se bater, é a morte
dentro do meu coração
às vezes dou-lhe
muito trabalho, debate-se
com o veludo
de sonhos enganosos
esse pássaro azul que está
dentro do meu coração
algumas vezes espreita
no globo ocular
para se fazer entender
outras vezes usa
a música suave
que faz dançar
as minhas mãos, às vezes
num buraco negro
é onde vou dar com ele
no espaço, triste a
respirar, dificilmente
o azul.

João Tomaz Parreira

Poema lido no Concerto Vozes para o Haiti, em Lisboa, a 14/3/2010

sábado, 28 de agosto de 2010

O Castanheiro de Ana Frank

Foto: El País.

Ana seguia as estações pelas folhas
do castanheiro, um detalhe
sem ruído
podia ver-se das janelas
vigiadas
o castanheiro de Ana Frank
o vento preso aos ramos
a primavera e o outono
o triste voo das folhas, podiam
ver-se desde a casa
de onde os olhos de Ana
na floresta, se evadiam.

25/8/2010

Poema de J.T.Parreira

sábado, 21 de agosto de 2010

Salmo 122, inédito de J.T.Parreira


Há uma casa que me espera, a casa
de alegrias, em que entro sem manto
nem glória sobre os ombros
a casa é apenas o que
meus olhos vêem
e o meu hino ergue
De dentro da casa
saem o dia e a noite, o céu
não é o que vemos azul
ou intangível negro
Alegrei-me quando me disseram
vamos à Casa do Senhor
construir as paredes
com nossos corpos
o tecto
com as imagens que estão
no nosso olhar
Alegrei-me quando de um golpe
a Casa do Senhor
escorou minhas ruínas.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lamento de pastor

Poema Inédito de João Tomaz Parreira


Lanço meus olhos na penumbra
para tocar o veludo
da tua lã, meu olfacto
lanço ao vento
para achar o teu perfume

lanço minhas mãos cansadas
de modelar silêncios
e meus ouvidos na sombra
lanço ao teu encontro
para desvendar teu corpo
entre os espinhos

lanço o meu coração
como uma estrela caída
que procura na noite
o teu balido.

19-2-2010