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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Deus e o paradoxo

A criação do céu, de Michelangelo
por George Gonsalves


Deus é o primeiro e o último

o início e o fim de todas as coisas

É único, mas trino

Autor e consumador da nossa fé

Habita no mais alto e sublime céu e com o abatido de espírito

Tão grande que nada pode contê-lo, mas encontra-se na menor partícula

Não há beleza para descrevê-lo, mas seu Filho não tinha formosura

Sua morada tem ruas de ouro, mas quando veio ao mundo nasceu em manjedoura

É pleno, mas deseja estar conosco

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

6.000.000




Seis milhões de nomes sob cinzas
toda a gente como de facto diziam
as estrelas
por cima dos vestidos
casacos sobretudos moribundos
Nenhum deles viu o fogo que nascia
dos fornos das galáxias da morte
seis milhões de nomes como cinza

Famílias inteiras com pequenos nomes
nos braços não chegariam
mais à idade de brincar nos pátios
ou os velhos
que jamais iriam acender a Menorá
iluminando o pôr-do sol de sexta à noite  

foram cinzas de seis milhões de nomes
que subiram à tristeza divina pelo ar.

13-06-2014

© João Tomaz Parreira 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Queria escrever...mas a tinta acabou


George Gonsalves

Dentre as folhas que se esparravam pela mesa, peguei uma e comecei a rabiscá-la, tentando definir a Deus:

Imutável
Incomparável
Infindável
Incompreensível
Indestrutível
Inquebrantável
Imbatível
Incansável
Indefectível
 Inefável
 Inominável
Indizível

Queria continuar a escrever...mas a tinta acabou.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A TRANSFIGURAÇÃO






Mas ninguém se atrevia a olhá-lo na cara,
porque era semelhante à dos anjos”
Oscar Wilde


Subiu ao monte
com um rosto no qual depois o sol nasceu,

a luz velando o rosto e sobre a luz
e o branco dos vestidos
os discípulos se alegraram,

o vento cantava no cume da montanha,
desceu a glória de uma nuvem
e as vozes, que traziam a certeza
da morte redentora, falou-se de cicatrizes
e ouviu-se a voz de Deus, que talvez trouxesse
a neve dos cabelos envolvida em lume.

9/8/2013
 
© João Tomaz Parreira  


















quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O Pecado


 
Ouvi a tua voz rasgar as folhas
estava nua
tive medo e escondi

os meus olhos.


7/12/2012
© João Tomaz Parreira


[Franz Von Stuck, O pecado (Die Sünde)]

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Descalibrei a sensatez



Descalibrei a sensatez,
chutei o balde da rigidez.
Quebrei a cara da fortaleza, e...
descobri que sou humano.

Sou "mano", de mim mesmo no outro.

Descrendo, todo dia, da crença na maldade,
o que permiti-me ser fraco.
Fortificadamente fraco.

Nu na alma, de peito aberto.

Abraçando a vida, de esperança viva.
Fabricante de versos e cores.
Arauto de todas as minhas incertezas.

Olhei-me no espelho e vi um menino.

Olhei novamente e vi um homem.
O tempo passou, passou rápido.
Tão rápido que não pôde ficar.

Não sei o que verei amanhã, no espelho ou fora dele.

Não tenho medo da outra imagem.
Não me preocupo em reconhecer-me.
Não tenho vontade de parar de viver.

Pra viver, basta estar vivo hoje ou amanhã.

Pra viver, basta se desacreditar da tristeza,
agradecer o pão, assumir o perdão,
arriscar acertar, mesmo sabendo que pode errar.

Acertar não é não errar o caminho,

mas admitir o erro e voltar atrás quando necessário.
Errando também se acerta,
porque acertando se conserta a vida.


(Pablo Massolar)



Leia outros artigos de Pablo Massolar
no Blog Ovelha Magra (www.ovelhamagra.com)

sábado, 12 de novembro de 2011

IN HOC SIGNO VINCES


Ao jovem Ali Abbas, vitimado pelo bombardeio americano num vilarejo em Bagdá em 2003, ataque que lhe custou a amputação de ambos os braços e a vida dos 16 membros de sua família (17, pois sua mãe estava grávida de seis meses).

Um pouco mais de empenho, Ali,
um pouco mais
de amor
e um outro panorama
nos engolfaria

Se Billy Graham tivesse gritado com
toda a sua força
Se Rick Warren entendesse realmente
se Lucado Hinn Meyer
levantassem um clamor
uma campanha uma
mobilização uma
GREVE
na nação
então talvez Ali Abbas
suas mãos hoje acenariam
suas mãos então
talvez
você ainda tivesse mãos
para acenar

Se Gandhi não estivesse certo, Ali,
se Gandhi não tivesse razão
em toda a miséria da verdade
se os cristãos não fossem como ele
disse
o único defeito do Cristianismo
talvez não houvesse
esta guerra

Talvez ainda mais,
talvez seu país
ainda fosse cristão
desde os dias de Paulo o apóstolo
até aqui
e as malversações satânicas
não pudessem a primazia
que hoje podem,
que hoje explodem.

Talvez não houvesse tantas
explosões no mundo
se os cristãos todos nós o fôssemos
realmente, se a América toda ela
realmente fosse.

Empinarias pipas na Bagdá ainda de pé
empinarias pipas
no grande Festival Anual de Pipas
da Igreja Batista de Bagdá
mas os cristãos
falharam em sua missão
ao longo da história,
ao longo das esquinas
falharam em seu perdão
e devolveram
mil olhos
por cada olho, cada terror.

Mas há um Cristo
que insistentemente morre
em cada um
de nossos pecados
e nos ressuscita,
que torna o mal
em múltiplos bens

há esperança, Ali,
para todo aquele
que se atrela aferra
agarra
à Esperança


sammis reachers

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SOLDADO



Pouco importa se em Delfos, Kinshasa
Ou no delta do Mekong
Que eu seja uma asa
Para os mutilados

Que a bala que ceifaria o inocente
Pare antes em meu peito
Ou seja interceptada pela mão
De Teu anjo

                                     - Tanto faz,
                                       Eis-nos aqui

Trago minha sede
Até os Teus regaços
Toda a minha sequidão
Deito diante de Ti
Rompo meus 32 anos de crepúsculos
Para chegar a Ti, Amanhecer

Sou dunas a deambular no deserto
Denunciante de toda a usurpação
Assassino das raposinhas do Caos
Por Ti, que me moeste
E vaso novo me formaste


Sammis Reachers
(texto e imagem)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Grande Noite Matricial versus O Amanhecer




Você já teve a sensação ‘matrixial’ de estar
Sempre preso a um pesadelo?
A cada acordar, após cada sorriso,
No centro sutil de cada uma de suas lágrimas?

Eu estou preso a um mesmo e multifacetado pesadelo.
Um dia, ainda num ventre, após meu incipiente cérebro
Atingir determinado número de neurônios,
E estabelecer um limite operacional mínimo
De conexões entre eles,
Eu tive meu primeiro e único sonho.
Era um pesadelo.
Nele, um alguém-entidade,
Meio pó, meio pai, nominado Adão
Me matou.

Estamos todos presos dentro de um pesadelo,
O primeiro, o mesmo e o único de cada um de nós.
Um omnipesadelo do qual Cristo
É nossa única incontornável possibilidade de DESPERTAR.


Sammis Reachers

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Entendi...



Entendi que para ter sol, não é preciso não ter nuvens...
Que para voar, não é preciso ter asas...
Que para sonhar, não é preciso dormir...
Que para querer, não há limites...

Entendi que para cantar, não precisa ser afinado...

Que para saber, nem sempre precisa perguntar...
Que para ter fé, não é preciso explicar...
Que para chorar, não é preciso doer...

Entendi que para dizer, não basta falar...

Que para sentir, basta um coração...
Que para beijar, pode ser com os olhos...
Que sorrir, pode começar de uma lágrima...

Entendi que, contra toda lógica, o tempo pode parar...

Que para sempre, pode ser dois segundos ou menos...
Que para agir, pensar pode travar...
Que para viver, não é preciso ter tempo...

Entendi que estar não é o mesmo que ser...

Que para conquistar, às vezes só depende da espera...
Que derrubar, pode ser construindo...
Que para chegar, correr pode atrapalhar...

Entendi que não preciso entender tudo...

Que para ser feliz, não preciso de bons motivos...
Que para fazer calar, não é preciso ter razão...
Que ter medo, pode ser com muita coragem...

Entendi que paradoxo tem outro lado ou não...

Que para ser maluco, não precisa ser da cabeça...
Que para ganhar, pode ser perdendo...
Que cobrar, pode ser a forma de perder tudo...

Entendi que perdoar todo dia é o mínimo para ser perdoado também...

Que para ser eu mesmo, preciso me colocar no lugar do outro...
Que para fazer um amigo, não é preciso ser um outro eu...
Que persistir, é o jeito de encontrar o caminho...

Entendi que a distância é um conceito nada matemático...

Que para se estar longe, pode ser de mãos dadas...
Que para ficar perto, só é preciso imaginar...
Que para amar, não precisa de mais nada...


Autor: Pablo Massolar



Leia outros textos do pastor Pablo Massolar
acessando o blog Ovelha Magra (ovelhamagra.com)

sábado, 7 de maio de 2011

O Salmo




Quem vem por cima do vento
tangendo uma harpa
quem vem tangendo nuvens
na harpa, como na sua casa
quem vem
tangendo a harpa como se derramasse
sobre a terra um vaso de água de cristal
quem vem a tanger a sua harpa
espalhando asas pelo ar
e a excitar o gineceu das rosas.


3/5/2011
João Tomaz Parreira

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Águia d'Aurora



A fumaça que sobe de minha choupana incendiada
Tece uma cicatriz na aurora
Me perdoe, mas incendeio baús de passados e amarras
Para voar livre para Ti, Amanhecer


A criança em mim (meu lastro e terna antítese)
apertou o Botão de Alarme
Da minha vida
E esse barulho, como um ranger de trilhos
É meu coração que explode


Meu tempo finda e
Eu aposto
todas as minhas fichas,
Todos os meus ossos
Em Ti


Escapei ainda ontem
Da vila de Maquiavel-dos-Mortos:
- Oh Cristo, eu vim
Em busca de tua Engenharia de Revolução


Diploma-me


Mata-me


Ressuscita-me
Ressuscita-me


Ressuscita-me


sammis reachers

sábado, 2 de abril de 2011

O Poema Sem Fim: dois trechos


sobrevoo o poema
e noto os moinhos de vento
em seu relevo
e feitorias, ruas de adultérios, c(omplex)idades
e todo o cortejo que acompanha a fauna
(perdoe-me, Senhor, mas todos os dias vejo-os
latirem e rugirem, e os acompanho) humana,
e todo o enfado (poetas morrem de enfado, leitor. Só pra constar.)

É isto o poema:
um moinho-de-tempo
a um tempo amortecedor, dispersor e fabulário
de minhas horas-dores
03/03/2011

Queria então criar cabras
e ter uma grande chácara
para todas as minhas fruteiras

e liberar-me num golpe, num lancinante golpe
(oh terríveis desenhos japoneses, como eu adoro golpear!)
de todos esses petropigmentos
que o asfalto impinge
e rodotormentos, ciberfestins de Belsazar,
ah

um lugar no ermo
onde eu pudesse realizar
o máximo ritual de transcendência desta Er@:
me  
 d  e   s    c    o      n       e       c         t          a           r

14/03/2011

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Eterno Natal !

Crianças Coreanas tocam sino em Campanha de Caridade Dez/2010










O Natal não é um dia, uma festa,
Não são presentes, nem vitrines, nem ceias,
Natal não é o sonho de consumo realizado,
Nem Papai Noel  descendo pelo telhado.
Não é vermelho e branco,
Nem luzes piscando.
Natal é a beleza do amor
Que se realiza na criação
Se consolida no coração
É a alegria da Salvação
Na vida dos que abraçam Emanuel
Natal, é Deus conosco
Nascido em manjedoura,
Acolhido na alma
Em morada eterna.

Wilma Rejane
A Tenda Na Rocha

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Dá-me os teus olhos



poema de João Tomaz Parreira


Esses olhos do profundo coração
tomaram-me descuidado, olhos
maiores que o meu olhar
desprevenido, como tão
silencioso entraste no meu peito
Como posso agora
que estou preso a ti por limos
verdes, invisíveis, desprender-me?
O teu olhar continuará
a prender-me a esta matéria branda
que sai da minha boca
e que se chama vida.

9/11/2010

domingo, 31 de outubro de 2010

dOIS pOEMAS

PAX MULTI MAX

uma PAZ
multifocal & multimodal
reinstaura a fluição edênica
confere-me asas que abarcam
todo o Orbe,
que cobrem o mundo e permitem
o vôo perfeito, total
- omniasas para que tudo voe
para Ti, ó Céu



A Oração Fundamental, opus minimalista

Termine os dias, Senhor.

Inicie o Dia.



Sammis Reachers - via http://liricoletivo.blogspot.com/

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A.D.D.



Em face à viscosa belicosidade do mundo
(quando respondo mal com mal)
blindo meus poros com lâminas
e sou o primeiro dos mutilados, Senhor,
o 1º dos Andarilhos Despedaçados pelo Desamor


Mas quando venço, quando 
tenho flores,
oh, Senhor!
Sou um céu
para 30 precipícios

Sammis Reachers

terça-feira, 27 de julho de 2010

Um poema de Gióia Júnior - Vem, Doce Morte

*

Vem, Doce Morte

Vem, doce morte, eu sei que não és o mistério
do sem fim, o pavor do escuro cemitério,
não és o vulto mau, a sombra horrenda e esguia
do cutelo fatal e da mão muito fria
cujo afago cruel, implacável, glacial,
causa toda a aflição do momento final...
Pintam-te assim: voraz, a bailar pela estepe
da existência, andrajosa e vestida de crepe,
megera desumana afogada em vinganças,
arrebatando mães e roubando crianças...
E como és diferente!

                                 És um sussurro manso,
um cântico de paz, um hino de descanso.
Vens brilhando, vens clara e majestosa, toda
adornada de luz como a manhã da Boda.
És o encontro, o momento eterno e majestoso
em que a noiva, feliz se aproxima do esposo...
És o dia esperado em que, os filhos da Luz
podem ver, afinal, o rosto de Jesus,
o dia em que Jesus conduz os filhos seus
para a Vida Eternal na Cidade de Deus,
onde não há mais pranto, onde não há mais dor,
onde existe somente a glória do Senhor!

És um caminho bom – o melhor dos caminhos –
macio, leve, azul, sem pedras ou espinhos.
Leva-me pela mão, ó delicada irmã,
ao Jardim multicor da Nova Canaã.
Irei como um menino, alegre, num transporte...
minh’alma te deseja e diz:
                                   “Vem, doce morte!”

Do livro 25 Anos de Gióia Júnior (Editora Betânia)
Via  http://poesiaevanglica.blogspot.com/

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Inquisição


O cão farejador
ítalo-alemão
(não seria teuto-italiano?)
que a Academia adestrou
encontrou um
fundo falso
no poema

e no fundo falso
uma mensagem
sem palavras, sem sinais,
signos

e ainda inserida
no já corpo estranho de
tão sinistra mensagem
uma subliminar

dizendo a Israel que marche

Sammis Reachers