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domingo, 14 de julho de 2019

ORAI PELOS ENCARCERADOS - Wagner Antonio de Araújo


Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo. (Hb 13:3)
 
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. (Mt 25:36)
 
Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, (2Pe 2:12)
 
A moderna sociedade interpreta a prisão como um meio de ressocialização. Porém, interiormente, o nosso coração clama por punição, justiça. Justamente por falta deste elemento de retribuição é que acontecem diversos crimes e justiça com as próprias mãos, sempre impróprias, desproporcionais e sem moral.
 
As prisões brasileiras estão repletas de pessoas que devem pouco, enquanto muitos dos que muito devem estão ou no poder ou no empresariado. Os valores deste país não são nem justos e nem bíblicos. Honra-se o ímpio e pune-se o justo. Porém, entendendo-se que crime é crime, a prisão separa aqueles que devem e têm que pagar; separa aqueles que são um perigo para a sociedade, pelo menos teoricamente.
 
Mas são prisões horríveis e infernais. Um preso gasta R$1.400,00 de sustento em SP e R$4.200,00 numa prisão tercerizada do Amazonas. São os nossos impostos que pagam essa mantença. Um dinheiro desses poderia prover locais limpos, bem guardados, arejados, seguros, disciplinados, com organização e regras. Contudo, assim como um grande cano cheio de vazamentos, o dinheiro de cada preso irriga a corrupção de tantos, que vivem dos desvios públicos. Ao preso reserva-se gaiolas abarrotadas, latrinas imundas, salões insalubres, servidores inseguros e despreparados e uma ampla liberdade de circulação de gente e comunicação com o crime exterior das cadeias. Ou seja: o preso está apenas alocado na cela; mas continua em plena atividade criminal. No exterior um preso precisa usar telefone público e em frente de servidores públicos; aqui eles possuem até rede de comunicação por internet.  Nós, do lado de fora, ficamos perplexos. Eles, do lado de dentro, criam suas instituições paralelas, verdadeiros mini-estados onde celebram suas datas, defendem seus cidadãos e punem os seus inimigos. Ou seja: um poder paralelo que não tem limite. Por esta razão o país está perplexo e agora, através da mídia, expõe publicamente toda a podridão e a dimensão deste mal.
 
Mas, o que os três versículos que citei no início têm em comum com esta meditação?
 
1) O Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, ordena aos cristãos para lembrarem-se dos encarcerados e maltratados, e diz que deveríamos sentir a sua própria dor. Que dor? Não estão lá por demérito próprio? Muitos sim, mas outros não. Há gente inocente que está presa. Imaginemo-nos no lugar de um inocente, preso por engano, que é obrigado a submeter-se à submissão animal e ao fétido ambiente prisional para não ser morto. Um pai de família injustiçado, um jovem confundido, um perseguido por racismo, um jurado de morte no bairro onde vivia. Deus diz que devemos orar por eles. E pelos outros, pelos que merecem estar lá? Também orar, pois, atrás de toda essa bárbara satanização de vida, existe um resto da imagem original de Deus no coração de cada homem. E, se despertados em seu entendimento e em sua morte espiritual, poderão ter um autêntico encontro com Deus, uma transformação radical de vida. Poderão tornar-se novas criaturas e serem transformados nas celas. Libertados na prisão!
 
2) Jesus diz que esteve preso e que foram vê-lo. Quando esteve preso? Ele mesmo responde: quando fizermos isso por alguém, teremos feito a Ele. Como comparar Jesus a um marginal encarcerado? Não há comparação. A aplicação é outra: com o mesmo amor com que faríamos uma visita ao Senhor Jesus, deveríamos também nos ocupar e visitar um aprisionado, levando a ele uma atitude de autêntico amor. Porém, com critério e com cuidado, para que não nos tornemos reféns de atitudes nobres, mas imprudentes. Visitar Jesus na prisão é não esquecê-los como se fossem restos depositados num chiqueiro. Pensar e visitá-los é encaminhar a eles a mensagem de Cristo, os cuidados de Cristo, o amor em prática através de cuidados, de ajuda, de solidariedade com a família sofredora. O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Se fizermos isso como que para Jesus, faremos com amor. E Jesus disse que entenderá ser para Ele mesmo que fizemos.
 
3) Os blasfemos, violentos, maus, perecerão. Sim, é o que a Bíblia promete. Muito além da justiça humana, que é falha e imperfeita, a justiça divina saberá punir para sempre e de forma exemplar aquele que possui maldade intrínseca à sua natureza. Pessoas que não apenas matam, mas degolam, arrancam o coração, desossam, cospem, fazem vazar as entranhas, riem, se divertem a jogar futebol com a cabeça de um inimigo, tudo isso virá a juízo diante do Grande Trono Branco, onde o Justo Juiz impetrará a sentença final: a perdição eterna no lado de fogo e enxofre, onde o seu bicho não morre e onde o fogo nunca se apaga. Sofrimento eterno, não aniquilação eterna. Será terrível, horrendo, monstruoso, mas a Justa Justiça saberá dosar, impetrar, punir e fazer imperar a vontade do Criador. Nós sabemos quem são essas pessoas? Não. E por que não? Não são os que são cruéis? Sim, mas até um cruel pode ser, subitamente, alcançado pela luz do Céu e converter-se dos seus maus caminhos. Até um ímpio por completo pode ser transformado numa nova criatura, num novo nascido, num salvo pelo sangue de Cristo. O Apóstolo Paulo afirmou: Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. (1Tm 1:15).
 
Lembremo-nos que José do Egito foi um presidiário. E alí na prisão Deus usou a sua vida, tirando-o de lá e transformando-o no primeiro ministro do Egito. Daniel, o profeta, também; foi salvo da boca dos leões. Pedro, Paulo, João, Barnabé, Silas, todos foram encarcerados e diversos deles morreram decapitados, queimados, morreram na prisão. Mas eram crentes e luz para a glória de Deus. Há gente do Senhor nas prisões horrendas deste país. E nós devemos orar por eles. Orar e sustentá-los espiritualmente. Corresponder-nos com eles. Se possível, visitá-los. Apoiar o trabalho de missionários que se dedicam a levar o evangelho aos encarcerados. Buscar a justiça para os que ali sofrem injustamente. E clamar para que os ímpios e violentos criminosos sejam salvos pelo sangue de Jesus Cristo, fazendo chegar às mãos deles, aos ouvidos deles a Santa Palavra de Deus, única espada de dois gumes, capaz de converter um criminoso de seus erros e pecados.
 
Nesta semana triste para o Brasil, quando sessenta presos foram decapitados em Manaus por outros prisioneiros de grupos rivais, quando pensamos no grave problema prisional que vivemos como nação, pensemos nesta imensa população carcerária e elevemos aos céus as nossas preces, as nossas orações, em favor dos prisioneiros, para que os que lá estão injustamente sejam libertados, para que os convertidos do Senhor sejam protegidos e aguentem a difícil vida carcerária e para que os ímpios e criminosos, possuídos pelo Diabo, sejam libertados e transformados pelo poder de Deus.
 
Não nos esqueçamos do que o Senhor Jesus citou, em cumprimento ao Seu próprio ministério messiânico:
 
O Espírito do Senhor Deus está sobre mim; porque o Senhor me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (Is 61:1)
 
 
Wagner Antonio de Araújo

domingo, 5 de maio de 2019

150 esboços sobre a Oração e diversos outros recursos em livro gratuito


Uma antologia é fundamentalmente um filtro e uma espécie de condensador (meta)literário. Por seu caráter de antologia, e por antologiar gêneros diversos, como frases, sermões e orações, agregando a isso outros recursos práticos, este humilde e gratuito livro, que circula apenas em formato eletrônico, se configura num dos mais significativos livros sobre a Oração já publicados em língua portuguesa. 
Nosso objetivo, ao nos apoiarmos nos ombros de gigantes e usufruirmos dos recursos da lavra dos mais diversos irmãos e ministérios, não é trazer prejuízo a qualquer, mas prestar um serviço à Igreja de Cristo. E cumprir a vocação da literatura cristã de ofertar o melhor conteúdo possível ao máximo de pessoas possíveis, da maneira mais graciosa possível, rendendo nisso glórias ao Deus vivo, de onde todo o bem emana.
Estão aqui coligidas em torno de mil citações, de autores os mais diversos da cristandade, citações divididas em duas partes: Frases Gerais sobre a Oração e Frases sobre a importância da Oração nas obras de Evangelização e Missões.
Para além disso, coligimos 150 esboços de sermões sobre o tema da Oração. Tais esboços, claro esteja, prestam-se igualmente como estudos bíblicos, muito oportunos para os momentos devocionais em particular ou em grupo.
Coligimos ainda trechos de orações de grandes nomes do cristianismo, desde Pais da Igreja como Clemente de Roma até nomes recentes como Martin Luther King. Tais textos não devem ser tomados como modelos rijos e nem prestam-se a objetos para a repetição, mas objetivam apenas ilustrar e aclarar aspectos da oração e dar notícia da devoção e correição de fé de nossos co-herdeiros da graça de Cristo.
Como referido, agregamos a este livro recursos outros que poderão auxiliar todos aqueles que trilham os caminhos da comunhão divina através da oração. Concordância Bíblica ExaustivaDatas Comemorativas para a Intercessão específica, um modelo de Diário de Oração e outros recursos, são itens que irão enriquecer a devoção do leitor.
Oração é oração praticada; sua ciência é quase toda ela empírica, desenvolvida pelo contato dos joelhos no chão e a abertura de coração.
Que este humilde livro, mais do que agregar conhecimento teórico, enriqueça seu ferramental prático e lhe constranja a orar mais e melhor, crescendo de fé em fé, até assenhorear-se de todas as promessas de Deus a que só temos acesso através da oração.
Compartilhe este livro, sempre gratuitamente, com todos os irmãos ao seu alcance.

Sammis Reachers
Organizador

PARA BAIXAR O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Espartanos - Um conto sobre missionários


Espartanos

       Foi um e-mail de sua irmã, dando conta da tragédia.
      Éramos amigos da época do Exército, servimos juntos no extinto 3˚BI, em São Gonçalo.
      Após os dez meses regulamentares, dei baixa: planejava abrir o negócio que afinal nunca abri.
      Aritana (ele era um mulato com esse estranho nome de índio tupi) continuou na farda, engajou-se e chegou a 3˚ Sargento.
      Depois de sua baixa, foi homem de realizar nosso sonho: viajou para Aubagne, na França, e alistou-se na Legião Estrangeira.
      Ainda não contei porque Aritana, bem encaminhado no Exército Brasileiro, pediu sua baixa. Ele sempre sonhara ser um soldado na acepção veraz-voraz do termo: queria porque queria entrar em combate real, dizia mesmo que nascera para combater.
      Membro dos Comandos de Selva no Amazonas, aparentemente chegara onde queria: sabia das constantes e oficialmente abafadas incursões de membros das FARC colombianas território brasileiro adentro. Inimigos reais: Aritana precisava, e iria encontrá-los. Para isso fizera os testes e os extenuantes cursos para servir no Amazonas.
      Num estranho maio, chegou pela manhã a notícia, vinda via rádio de um informante duma tribo aruaque: dois barcos dos guerrilheiros desciam pelo rio Içá. O Comandante do Destacamento de Fronteira constituiu um Comando para ir de encontro ao grupo, mas excluíra Aritana da missão. A isso se seguiu uma discussão infrutífera, um frutífero soco no queixo do Comandante, um mês de cadeia e um pedido de baixa, para evitar a expulsão com desonra.

*  *  *

      Aritana chegou à Legião sonhando em combater. Onde fosse: operações da OTAN, Senegal, Chade, em Roma, Jerusalém ou no inferno.
      No último dia 14, ainda no campo de treinamento da Legião, em Castelnaudary, meu amigo espartano foi atingido acidentalmente pelo disparo de um fuzil bullpup FAMAS, arma regulamentar do Exército Francês. Tiro disparado por um recruta argelino.
      Morreu Aritana, o melhor soldado que vi, e de toda a galera do quartel, ou melhor, de todos os homens que conheci na vida, o melhor num combate corporal, sim, o melhor na porrada. Um gladiador nato, clássico. Um pedaço de aço, ou como eu disse, um espartano. Mas seus únicos combates na vida foram as lutas ferrenhas em busca de uma Luta, de um Sonho que sempre lhe fugiu; e nossas saudosas mas geopoliticamente irrelevantes brigas de bar.
      Mas por que relato sobre Aritana, por que sua história tem tirado meu sono nesses dias?
      Desde que me dediquei à obra de Deus, isso lá pelos idos de 1999, pouco antes de minha baixa, eu nutro o sonho de tornar-me também um diferente, um precioso e especializado tipo de soldado: um missionário. Percebi em algum momento que há uma e uma única causa por que combater, e qual é a verdadeira milícia e finalmente qual é a ponta de lança desta milícia. E tenho investido em cursos e livros, na consagração de minha vida, tarefas na igreja, do microfone à vassoura, da pá ao púlpito. E serviços comunitários em meus dias de folga, na intenção de adestrar meu espírito e meu corpo na arte de servir.
      E tenho encontrado a mesma resposta, as mesmas variações floreadas em que um ‘não’ alcança metamorfosear-se: “Nossa igreja não tem condições de enviar missionários”; “Você é louco? Vai morrer lá!”; “Mas e seu emprego, vai deixar um emprego tão bom para aventurar-se? Que desperdício, menino!”; “Ainda não é o tempo de Deus”; “Você não está capacitado”; “Ano que vem vamos entrar num propósito de oração, para Deus nos dar a direção sobre isso, irmão Sammis.”
      Tenho pensado sem parar em Aritana. Como ele, tenho há anos perseguido um sonho, tenho há anos visto ele ser-me negado, postergado, indeferido. O Universo não conspira contra mim, o Universo não conspira: tudo corre pela conta de Satanás, aliado à idiotice humana, esse outro obscuro deus, que por tanto e tantos responde.
      Não, eu não vou morrer sem ver o campo que o Senhor me direcionou. Não vou morrer aqui no solo cristão de um país cristão servindo principalmente a cristãos ou a uma maioria de renitentes já enfadados de ouvir a mensagem. Ainda que ela deva continuar a ser despejada a tempo e fora de tempo, como o bombardeio da luz do sol que não se esgota e jamais murmura, prefiro e vou bombardear solo virgem, extensões de trevas que nunca viram luz ou arado. Devo e vou morrer num lugar onde precisam de quem morra, onde desesperadamente anseiam por uma migalha da mesa do que aqui sobeja.
      Vendi minha casa. Moro sozinho e ainda não falei com minha família, mas isso é o de menos. O valor levantado permitirá que eu viva no campo por quase dois anos; com essa quantia em mãos a Agência Missionária resolveu aceitar-me. É uma Agência interdenominacional, sem condições de sustentar missionários. Apenas assessora, ajuda, pastoreia os pastores que envia. A quantia é muito mais do que muitos dos que partem dispõem, muito mais do que aquilo, entre realidades e as sempre muitas promessas, com que podem contar. E para além disso, não existe a fé? É hora de dar um salto kierkegaardiano, é tempo de experimentar essa arma, para além dos pacatos ensaios no simulador que a vida cristã aqui tem sido.
      Não, eu não vou morrer boicotado pelos generais, eu não vou morrer ferido num quartel, eu não vou morrer quando prestes a lançar-me; não vou morrer sem experimentar o verdadeiro combate. Parto ainda esta semana.
      Nosso velho sonho de guerra, Aritana. De alguma maneira vou realizá-lo.

Sammis Reachers



domingo, 29 de junho de 2014

Lilias Trotter e a Linguagem que Ninguém Conhece

Lilias Trotter foi missionária e também grande pintora. 
John Piper 
Enquanto escrevo isto, a minha mulher Noël está em Knoxville, Tennessee, onde foi falar numa conferência de mulheres. Entre os seus temas ela tem uma biografia de Lilias Trotter. Trotter foi para a Argélia em 1888 como missionária e fundou a Algiers Mission Band. Uma das coisas mais notáveis sobre ela é que era uma pintora bastante talentosa antes de sair para África, uma das melhores artistas do século XIX, de acordo com John Ruskin. Desistiu desta carreira em troca de viagens perigosas em regiões muçulmanas onde ganhou convertidos entre os árabes, os franceses, os judeus e africanos negros.
Noël indicou-me um dos seus perspicazes pensamentos. Ele tem profundas implicações para a propagação da fé cristã no nosso mundo deveras secular. Citá-lo-ei e depois farei alguns comentários. Cautela, pois não é simples de entender no início. Ela escreveu em 1929,
Quando queremos uma palavra de humildade, esperança ou santidade, só podemos buscá-la nos clássicos, vagamente conhecidos por leitores comuns. Nós escrevemos para um povo ainda não espiritualmente nascido; as palavras só serão entendidas quando as realidades nas quais elas se firmam necessitem serem expressas. Temos de construir uma linguagem espiritual contra a época em que será desejada (I. Lilias Trotter, por Blanche AF Pigott, [London: Marshall, Morgan & Scott Ltd, nd], pp . 129-30)
Não se trata apenas de apresentar um Evangelho em palavras que as pessoas podem compreender, mas de dar-lhes a semente de uma linguagem espiritual em que as coisas que o Espírito Santo ensina possam ser expressas. A carência disso parece ser inversamente proporcional à riqueza da linguagem no respeito aos assuntos seculares... As palavras para as realidades espirituais têm de ser enxertadas na linguagem coloquial, esperando a seiva da nova vida para uni-las numa torrente através delas. (ibid., p. 137)
Pense por um instante em como as palavras se relacionam com a realidade. A palavra "dor de cabeça" existe porque essa experiência existe. Uma pessoa que nunca teve uma dor de cabeça só pode adivinhar o que a palavra se refere. Pode tentar fazer uma analogia: Talvez seja como uma náusea na cabeça. Ou pegue na palavra "cavalheirismo." Se um homem não tem essas tão nobres inclinações não importa quantas definições usemos, ele não saberá, na realidade, do que estamos falando.
Ou perguntemos: "Por que é que existe a palavra obsequioso?" Ela existe porque ao longo do tempo as pessoas mais exigentes viram um tipo de atitude e comportamento que precisavam de uma palavra para descrever. Se você ainda não viu e sentiu este tipo de comportamento, então ouvir sinônimos tais comoaduladorbajulador, ou lisonjeiro não vão despertar esse conhecimento.
O que Lilias Trotter disse foi que as palavras referentes a realidades espirituais devem ser usadas mesmo quando a audiência - a cultura, a época - não tenha nenhuma experiência com a qual preencha os termos. "As palavras vão ser compreendidas quando as realidades para as quais se destacam venham a precisar de expressão. Temos de fazer uma linguagem espiritual [que sirva] o tempo em que será necessitada."
Imagine tentar comunicar a realidade da "santidade" e "reverência" a um bando de criminosos que apenas têm desprezo para com a religião e sem pano de fundo religioso. Imagine dizer-lhes que a palavra de Deus é "doce", ou que o "mansos" herdarão a terra, ou de que a fé apreende a "luz do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo." Estas realidades são absolutamente preciosas e cruciais. Elas não podem ser facilmente contidas ou transmitidas numa linguagem criada e definida sem essas experiências espirituais.
Noutras palavras, Lilias Trotter estava alertando contra a ideia de que todas as realidades cruciais podem ser comunicadas na linguagem e categorias que as pessoas trazem para o evangelho. Para ter certeza, o esforço deve ser feito para ajudar as pessoas a ver a nova realidade, usando como ponteiros as palavras que eles já conhecem. No dizer dela, "As palavras para realidades espirituais têm de ser enxertadas no coloquial." Mas o que vai fazer com que o entendimento aconteça será o despertar da nova vida espiritual, preenchendo as palavras enxertadas com a realidade. Então, como ela diz, "A seiva da vida nova [irá] uni-las numa torrente através delas."
Então, como ela conclui, não podemos simplesmente assumir que a linguagem secular pode compreender a realidade espiritual que queremos comunicar. Ao invés disso, devemos "dar-lhes a semente de uma linguagem espiritual em que as coisas que o Espírito Santo ensina possam ser expressas." Existem conceitos, palavras e categorias que talvez tenham de ser introduzidas (enxertadas em algo familiar), de modo a que as realidades preciosas possam ser entendidas. "As palavras serão entendidas quando as realidades para as quais se destacam venham a necessitar de expressão". Quando a "riqueza da língua para todas as finalidades seculares" é superior, ela diz, haverá pobreza da língua para fins espirituais.
Assim, apliquemo-nos a conhecer a realidade por detrás de toda a linguagem bíblica. E trabalhemos em construir tantas pontes para o nosso mundo quantas possamos para que os significados as possam atravessar. Mas não temamos em usar a linguagem espiritual da Bíblia onde ela é estrangeira. Quando todos os nossos esforços na comunicação forem feitos, Deus criará a realidade e preencherá as palavras.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Pakau - a chamada, o preço e a recompensa

Kelem Gaspar

Esse livro retrata minhas lutas e vitórias no campo missionário, mas acima de tudo é um livro que fala que os milagres de Deus ainda são presentes na vida daqueles que creem. Todo o livro brada que Ele Vive!. 

Você pode depositar R$ 20,00 no Banco do Brasil, Ag 1436-2, cc 6993-0 ou no Bradesco, Ag 0697-1, cc 0523.164-7. Depois, me manda uma mensagem ou e-mail com o comprovante e seu endereço completo com CEP para missgaspar@ig.com.br. Mandarei o livro autografado! Ou, se preferir, compre-o em uma livraria CPAD próximo de você!

Se fizer sua compra diretamente comigo, peço atenção para que você diga no e-mail qual livro prefere, pois lancei dois, o outro é: Segredos da Obra Missionária

Adquirindo-o, você está ajudando o nosso trabalho missionário aqui em Maracanã.

Fonte: Missionária Kelem Gaspar - Um blog missionário de verdade

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Porque evangelizar grupos minoritários, ou A urgência de missões na globalização

André Filipe Aefe!
foto by Jimmy Nelson, em Papua Nova-Guiné. in: "Before they pass away"

Evangelização e missões | Quando falamos em evangelização, normalmente estamos falando em algo mais abrangente como a pregação do evangelho a cada indivíduo da terra. Quando falamos em missões, falamos em algo mais específico como a pregação do evangelho a cada povo da terra. A evangelização ocorre na prática ordinária da igreja. O evangelho vai sendo pregado a cada indivíduo da terra através do testemunho individual de cada cristão em seu contexto. Missões, no entanto, requer preparo e envio de missionários.
Pela evangelização da Igreja de Antioquia, o evangelho poderia se espalhar pelo mundo como quando uma pedra é lançada na água, e a circunferência da onda gerada pelo impacto vai crescendo pouco a pouco. Em Atos 13, no entanto, o Espírito Santo ensinou à Igreja a necessidade do envio de missionários. A igreja não iria se espalhar somente através de um único ponto centrífugo, mas sim lançando pedrinhas para que o Evangelho se espalhasse por meio de vários eixos. Foi deste modo que a Igreja chegou em Chipre, na Ásia menor, na Europa e até nós. O envio de missionários é necessário porque, em determinando ponto, a evangelização ordinária encontrará barreiras, a onda é barrada por fronteiras, sejam elas geográficas, culturais, linguísticas, sociais etc. Por isso, se enviam missionários. O missionário é, portanto, aquele que transpõe barreiras para a evangelização.

Pieter Bruguel "A mais antiga torre de Babel"
Globalização e grupos minoritários | Nos dias atuais, no entanto, podemos ser levados a pensar que, com o progresso da globalização e com a uniformização das línguas e das culturas pelo mundo, as barreiras se tornam cada vez menores e o evangelho pode chegar a cada indivíduo sem qualquer impedimento, sendo missões algo desnecessário. Segundo relatório da Unesco, de 2001, mais de 50% das 6.800 línguas faladas no mundo correm risco de extinção, e segundo algumas estimativas, uma língua morre a cada 15 dias. E ainda, segundo um artigo científico publicado em 2003 pela Nature, 7,1% das línguas faladas no mundo estariam numa categoria de “criticamente ameaçadas(1)”. Agora, considerando o contexto brasileiro, segundo o linguísta Aryon Rodrigues, todas as 180 línguas indígenas “estão sujeitas a pressões muito fortes e pode-se considerar que todas estão ameaçadas de extinguir-se no decorrer deste século(2)”. Ainda, segundo o Relatório 2010 do Departamento de Assuntos Indígenas (DAI-AMTB), 48% das etnias indígenas vivem próximas a áreas urbanizadas ou em áreas urbanas e 111 etnias urbanizadas ou em processo de urbanização. Diante destes dados, as barreiras culturais não estariam diminuindo e a evangelização se tornando mais fácil? A cada dia que passa, culturas minoritárias são engolidas por culturas majoritárias e o mundo vai ficando cada vez mais homogêneo. Será que para a igreja esta é uma boa notícia? A globalização não estaria diminuindo as barreiras para a pregação do evangelho? Gostaria de responder a esta questão à luz da narrativa da torre de Babel.
A partir de Gênesis 4, vemos a humanidade seguindo duas gerações bem distintas: de um lado a geração de Caim, que desenvolveu a civilização antiga de maneira rebelde ao Deus da criação, seguindo seu próprio caminho. De outro lado, por sua vez, a linhagem de Sete, a linhagem da Aliança, que se manteve distante da perversidade de seus irmãos. Mas
Gn.6.1-9 nos mostra que essa linhagem se desenvolveu construindo uma civilização tão perversa e imoral que a própria linhagem da Aliança se corrompeu, a ponto de restar um único justo em toda a humanidade, tal era a força atrativa do Império surgido. Como castigo, mas também como graça, para preservar a linhagem de Noé, Deus destruiu todos os iníquos, e recomeçou a linhagem a partir dos três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé, reservando a linhagem de Sem para seu povo. No entanto, rapidamente se ergueu novamente a civilização da iniquidade, cooptando os justos. A enorme Torre de Babel é, então, arquitetada sob dois fundamentos: a criação de um Império universal, e o renome humano, em rebeldia ao Deus da criação. Desta vez, ao invés da destruição universal, Deus decide lançar mão de outro castigo, que guardava consigo graça abundante: ele divide os povos em culturas e línguas, e os espalha pela terra. O princípio é claro: num mundo debaixo do pecado, a humanidade unida alcançaria tal Iniquidade que sua violência seria uma tragédia para si mesma, e principalmente para o povo de Deus.
A idéia por trás daquela que diz que quando a “civilização" chega aos diversos povos facilita a evangelização, o que está por trás é a idéia de que vivemos numa cultura santa, e que ser um “homem civilizado" é quase a mesma coisa que ser um cristão. Esperar para que a globalização adeque todos os povos numa mesma cultura e língua para então evangelizar é um risco muito grande para a igreja. A igreja deve abolir qualquer tentativa de imperialismo de qualquer parte, seja através do domínio político, linguístico ou cultural. Evangelizar uma cultura distante pode parecer o mais difícil a curto prazo, mas a diversidade dos povos, dos poderes e da cultura é favorável à promoção do evangelho a longo prazo. A concentração de poder e a homogeneidade da cultura sempre sera ímpia, mesmo quando influenciada por princípios cristãos. Uma hora ou outra ela se voltará contra a igreja. O tempo do apóstolo Paulo vivia sob uma globalização semelhante. O Império Romano havia conquistado o mundo inteiro e o tinha integrado por estradas e uniformizado a língua. Paulo e a igreja foram favorecidos por esta concentração de poder a curto prazo. Ele se livrou de feras selvagens e de ter que se infliltrar em densas florestas, pois as estradas estavam abertas. Ele também não precisou aprender novas línguas, pois o grego era entendido em todo o Universo romano. No entanto, em pouco tempo, o Império se tornou hostil à igreja, e o que poderia ser simplesmente uma perseguição local, tornou-se uma perseguição mundial. A concentração de poder e a massificação da cultura sempre será desfavorável ao Evangelho.
Veja o caso da ONU, em que há certo aspecto de poder político universal. Contendo certa influência do cristianismo, são inegáveis os avanços em direitos humanos ao redor do mundo por intermédio dessa organização. No entanto, a longo prazo, ensina a história, ela vai se voltar contra o cristianismo. Isso já é possível deslumbrar com recentes sugestões às nações a respeito do casamento homossexual. Outro exemplo é o imperialismo cultural americano. A princípio isto parece favorável, pois os EUA possuem valores cristãos em suas bases. No entanto, o que se exporta por todo mundo, até às regiões mais longínquas da terra não é o evangelho, mas sim uma cultura consumista e pervertida, imoral e violenta, que escandalizaria as comunidades mais tradicionais pelo mundo, mas faz a cabeça das novas gerações. Um terceiro exemplo é o do avanço de uma religião universal. Uma coisa é um missionário pregar a uma cultura cuja religião seja local, outra coisa é ser envolvido sobre uma religião mundial. O exemplo é duplo, tanto o avanço do islamismo quanto o avanço do ateísmo provam a dificuldade que traz a globalização universal. A globalização universal facilita a divulgação destas outras doutrinas religiosas também, e elas terão proeminência sobre o cristianismo, pois o Império de Babel sempre favorece uma religião rebelde ao Deus verdadeiro: “os produtos imorais e não-religiosos de uma nação são tão destrutivos quanto aqueles de uma humanidade unida (...) muitas religiões falsas são melhores do que uma só, já que uma paralisa a outra(3)”.
Além do que dizemos acima, que os povos unidos sob uma única cultura se tornarão mais fortes e ímpios quando unidos, há ainda outro agravante que a globalização traz. A história tem contado que a apropriação das culturas minoritárias pelas culturas majoritárias produz desintegração da cultura minoritária, de um lado, integração da cultura majoritária nos seus aspectos mais perversos, como a imoralidade e a violência, e a não integração nos aspectos de humanidade. Um exemplo para ilustrar é ver o que vem acontecendo aos povos indígenas próximos às cidades. Eles se desintegram da rica cultura em que nasceram, perdendo suas canções, suas histórias, seus artesanatos etc; se integram à cultura pelo materialismo, pelo alcoolismo, pelas drogas, pela prostituição; mas não se integram quanto às oportunidades de educação, de trabalho e de demais direitos, deixando essas comunidades com graves carências sociais.
Sendo assim, tanto porque a globalização fortalece o lado mais perverso das culturas, e se torna uma potência cada vez mais forte contra a igreja, quanto porque a apropriação das culturas minoritárias a levam a um estado deplorável socialmente, o envio de missionários, e de maneira específica às culturas minoritárias, não apenas não é desnecessário, mas é urgente! Levar o evangelho às culturas enquanto ainda não intoxicadas por culturas maiores é antes uma obediência a Cristo e uma valorização às riquezas da graça de Deus disseminadas nas mais diversas culturas, do que desperdício de vida e de recursos.
O resultado será magnífico. A vinda do Cordeiro, o retorno de Cristo está pintado em Apocalipse: “Eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro” (Ap.7.9). A Segunda vinda e a adoração universal em nada será parecida com os shows gospel, cuja cultura uniformizada é cantada da mesma maneira em todo o mundo, e será mais parecida com o Pentecoste, em que cada um cantará em sua própria língua, vestido de sua própria cultura, em torno de sua própria tribo, clamando “em grande voz, dizendo: ‘Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” - Ap.7.10.
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1. GERARQUE, Eduardo. Diversidade sob risco de extinção. in: Biblioteca entre livros: línguas. São Paulo: Duetto, p.94-97.
2. RODRIGUES, Aryon. Línguas indígenas brasileiras ameaçadas de extinção.
3. DELITZSCH, APUD: VOS, Geerhardus. Teologia Bíblica do Antigo e Novo Testamentos. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p.81.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

6 formas de sua família e sua igreja local serem cooperadoras da Obra Missionária, tiradas do ministério do Apóstolo Paulo

André Filipe, Aefe!

Paulo sendo resgatado pelos seus discípulos
- por Gustave Doré
Neste texto, apresentamos 6 formas de você e sua igreja local abençoar a obra missionária, extraídas de exemplos de pessoas, anônimas algumas vezes, que investiram na vida e no ministério do apóstolo Paulo. O texto foi escrito para você que ama a obra missionária, mas ainda não teve a plena convicção de ir definitivamente aos campos. Talvez porque o Senhor o esteja chamando para ser um cooperador da obra onde você está, das seguintes maneiras:

1) Orando pelos missionários
Não há nada mais necessário aos missionários que a oração por suas vidas, por sua família, por sua equipe e pelos frutos do trabalho. Não é à toa que o apóstolo Paulo frequentemente pedia às igrejas que orassem tanto por perseverança na tribulação, quanto pelos frutos do seu ministério. Para a igreja de Roma, ele ensina que através das orações dos irmãos, eles estariam unidos na mesma luta: “Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor.” (15.30). O pedido era por perseverança na perseguição, como pelos frutos do ministério: “Orem para que eu esteja livre dos descrentes da Judéia e que o meu serviço em Jerusalém seja aceitável aos santos” - 15.31.
Para a igreja de Corinto, o apóstolo informa a igreja de suas lutas, para que as orações sejam específicas: “Irmãos, não queremos que vocês desconheçam as tribulações que sofremos na província da Ásia, as quais foram muito além da nossa capacidade de suportar, a ponto de perdermos a esperança da própria vida.” (2Co.1.8). E reconhece que Deus lhe dará graça em resposta às orações da igreja: “Nele temos colocado a nossa esperança de que continuará a livrar-nos, enquanto vocês nos ajudam com as suas orações” (2Co.1.10-11a) e mostra que o fruto das orações da igreja gerarão glórias a Deus: “Assim muitos darão graças por nossa causa, pelo favor a nós concedido em resposta às orações de muitos” (2Co.1.11b). Em Filipenses, ele reconhece mais uma vez que suas vitórias são fruto das orações da igreja: “De fato, continuarei a alegrar-me, pois sei que o que me aconteceu resultará em minha libertação, graças às orações de vocês e ao auxílio do Espírito de Jesus Cristo” - Fp.1.18-19.
Já na carta aos Efésios, ele pede coragem para pregar: “Orem também por mim, para que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho” (Ef.6.19-20). À igreja de Colossos, mais uma vez confia que os resultados de sua pregação serão fruto da oração dos santos: “Orem também por nós, para que Deus abra uma porta para a nossa mensagem (...) Orem para que eu possa manifestá-lo abertamente, como me cumpre fazê-lo” - Cl.4.3-4.
Deste modo, o apóstolo, em suas cartas, insiste que tanto o livramento de suas tribulações, quanto o resultado de sua mensagem serão fruto da luta dos irmãos em oração: “Orem por nós, para que a palavra do Senhor se propague rapidamente e receba a honra merecida, como aconteceu entre vocês. Orem também para que sejamos libertos dos homens perversos e maus, pois a fé não é de todos” - 2Ts.3.1-2.
Procure conhecer as lutas e os desafios dos missionários. Peça a ele individualmente que compartilhe seus desafios mais profundos que não são expostos em suas circulares. Ore para que Deus amoleça o coração dos ímpios que ouvirão a Palavra, mas ore também pelo relacionamento da equipe dos missionários, e sobretudo, pela família, pela vida, pela saúde e vida espiritual do missionário. Os problemas no campo poderão cansar o missionário. Os problemas de equipe poderão fazê-lo mudar de campo. Mas os problemas na família, na saúde e na vida espiritual do missionário podem tirá-lo de vez do campo. Quanto precisamos de lutadores na oração pelos missionários!

2) Investindo em missionários
Num mundo cada vez mais materialista, consumista e com pessoas cada vez mais sofisticadas, pessoas e igrejas com o dom de investir em missões evidenciam ainda mais a graça de Deus. É através desta graça, canalizada por igrejas locais, famílias e indivíduos é que a Obra missionária tem prosperado ao redor do mundo.
Sabemos que o apóstolo Paulo não era um mercenário. Muito pelo contrário, quando precisou, abriu mão de seu devido sustento: “Se outros têm direito de ser sustentados por vocês, não o temos nós ainda mais? Mas nós nunca usamos desse direito. Pelo contrário, suportamos tudo para não colocar obstáculo algum ao evangelho de Cristo” (1Co.9.12). No entanto, quando ele precisa falar sobre o assunto, ele não se constrange.
Para os Romanos, ele resolveu escrever a sua obra-prima teológica com o propósito de “colher algum fruto entre vocês, assim como tenho colhido entre os demais gentios” (Rm.1.13). É curioso o jogo de palavras que ele faz. O investimento financeiro, que ele pede, no versículo 13, redundará na pregação do Evangelho “a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes” (Rm.1.14) dos quais ele é “devedor”. As igrejas investem em Paulo, para que ele pague a sua dívida do Evangelho entre os gentios. No capítulo 15, versículo 24, ele ainda deixa claro que o investimento em missões, muito além de uma necessidade do missionário, é uma “oportunidade”: “Espero visitá-los de passagem e dar-lhes a oportunidade de me ajudar em minha viagem para lá”. Aos Filipenses, Paulo usa uma linguagem bancária e expande a ideia da “oportunidade”: “Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês” (Fp.4.17). Ou seja, o missionário está saindo para o mundo sanar sua dívida do evangelho com o campo, e as igrejas que investem neste missionário, receberão os “lucros” dele em sua “conta espiritual” de ações de graças a Deus.
Assim, não apenas a igreja local, mas famílias e indivíduos, busquem o dom da generosidade e invista em missões, este investimento sem risco, com lucros garantidos. Invista sistematicamente, com fidelidade, e esporadicamente, com generosidade. E não apenas dinheiro, mas também com recursos para o seu ministério, tal como viagens, Bíblias, literatura, construções etc.

3) Visitando missionários
Um dos grandes desafios do campo missionário é a solidão e a saudade. Uma visita a um missionário no campo é uma demonstração do amor de Deus através da Igreja.
Ainda na carta aos Romanos, Paulo escreve sobre uma mulher chamada Febe, “serva da igreja de Cencréia”  que “tem sido um grande auxílio para muita gente, inclusive para mim” (16.1). Esta é uma demonstração de uma serva do Senhor que, momentaneamente,  auxiliou Paulo no campo.
Aos Coríntios, Paulo escreve sobre Estéfana, Fortunato e Acaico, “porque eles supriram o que estava faltando da parte de vocês. Eles trouxeram alívio ao meu espírito, e ao de vocês também. Valorizem homens como estes” (1Co.16.17-18). Aos Filipenses, ele cita Evódia e Síntique, que “lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida” (Fp.4.3). Em um dos episódios mais comoventes de Atos, Paulo, não podendo ir até Éfeso, manda chamar os presbíteros da Igreja: “De Mileto, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso. Quando chegaram, ele lhes disse” (At.20.17-18) e ele dá uma palavra apaixonada na sua despedida: “Tendo dito isso, ajoelhou-se com todos eles e orou. Todos choraram muito e, abraçando-o, o beijavam. O que mais os entristeceu foi a declaração de que nunca mais veriam a sua face. Então o acompanharam até o navio” (Atos 20.36-38). Estes presbíteros nos dão uma grande lição sobre o cuidado do missionário.
Finalmente, no fim da vida, Paulo está na prisão abandonado, que é quando o Apóstolo demonstra a necessidade de companhia e a dor do abandono: “Procure vir logo ao meu encontro, pois Demas, amando este mundo, abandonou-me e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito, para a Dalmácia.
Só Lucas está comigo. Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério. Enviei Tíquico a Éfeso. Quando você vier, traga a capa que deixei na casa de Carpo, em Trôade, e os meus livros, especialmente os pergaminhos (...) Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão” - 2Tm.4.9-17.
Visite missionários. Além de você mesmo ser grandemente abençoado pelo testemunho de suas vidas, você pode abençoar grandemente a vida das famílias. Separe umas férias, algumas semanas. Prepare um curso para auxiliá-lo no campo, leve literatura, histórias para crianças; se programe para levar a mocidade da igreja etc. Todos serão ricamente abençoados!

4) Hospedando missionários
Quando o missionário volta do campo, seja em férias, seja em período de levantamento de parceiros, ele está, de certa forma, deslocado: sem casa, móveis, muitas vezes sem carro, etc. Como é bom para o missionário desfrutar de uma hospitalidade amável!
Tantas vezes, ao visitar as igrejas, o apóstolo Paulo é servido da hospitalidade dos irmãos. O apóstolo João, em sua terceira carta, escreve: “Eles falaram à igreja a respeito deste seu amor. Você fará bem se os encaminhar em sua viagem de modo agradável a Deus, pois foi por causa do Nome que eles saíram, sem receber ajuda alguma dos gentios. É, pois, nosso dever receber com hospitalidade a irmãos como esses, para que nos tornemos cooperadores em favor da verdade” (3Jo.1.6-8). Certamente, ele estava pensando nas palavras do seu Mestre Jesus: "Na cidade ou povoado em que entrarem, procurem alguém digno de recebê-los, e fiquem em sua casa até partirem. Ao entrarem na casa, saúdem-na. Se a casa for digna, que a paz de vocês repouse sobre ela; se não for, que a paz retorne para vocês” (Mt.10.11-13). A casa que recebe missionários tem que ser digna, e será abençoada com a paz do Senhor.
O apóstolo, por muito tempo, desfrutou da hospitalidade de Priscila e Áquila: “Depois disso Paulo saiu de Atenas e foi para Corinto. Ali, encontrou um judeu chamado Áqüila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com Priscila, sua mulher (...) Paulo foi vê-los e, uma vez que tinham a mesma profissão, ficou morando e trabalhando com eles, pois eram fabricantes de tendas.” (At.18.1-3). A estadia do apóstolo foi tão impactante, que o casal acabou se tornando companheiro de viagem de Paulo: “Paulo permaneceu em Corinto por algum tempo. Depois despediu-se dos irmãos e navegou para a Síria, acompanhado de Priscila e Áqüila” - At.18.18.
Receba missionários em sua casa, mas também em sua igreja. Chame-os para compartilhar do que Deus tem feito. Além do mais, a igreja está cheia de famílias de Deus que se agradam em oferecer viagens especiais para o descanso do missionário, ou casas no campo, ou casas em lugares amenos em que possam desfrutar de descanso. Este serviço também é hospitalidade e recebe a paz do Senhor.

5) Encorajando missionários
Você pode orar por missionários, investir em missionários, visitar missionários e receber missionários mas não ter, necessariamente, encorajado a família. Não perca a oportunidade de fazer isso. O missionário, num trabalho extraordinário e sobrenatural, como é o trabalho missionário, constantemente é acometido de desânimo, que pode ser um abismo que chama outro abismo.
O apóstolo Paulo, algumas vezes, precisou ser encorajado diretamente pelo Senhor, como em: “Certa noite o Senhor falou a Paulo em visão: "Não tenha medo, continue falando e não fique calado, pois estou com você, e ninguém vai lhe fazer mal ou feri-lo, porque tenho muita gente nesta cidade" (At.18.9-10). Mas, contantemente, o Senhor o encorajava por intermédio da Igreja: “Anseio vê-los, a fim de compartilhar com vocês algum dom espiritual, para fortalecê-los, isto é, para que eu e vocês sejamos mutuamente encorajados pela fé.” (Rm.1.11-12). E através de irmãos da igreja, como em 1Co.16.17-18: “Alegrei-me com a vinda de Estéfanas, Fortunato e Acaico, porque eles supriram o que estava faltando da parte de vocês. Eles trouxeram alívio ao meu espírito, e ao de vocês também. Valorizem homens como estes” (1Co.16.17-18) e em Fm.1.7: “Seu amor me tem dado grande alegria e consolação, porque você, irmão, tem reanimado o coração dos santos” Fm.1.7.
Você pode fortalecer nossos missionários no campo, os auxiliando a revigorar o espírito e assim produzir a obra do Senhor. Há várias maneiras além das outras já citadas acima. Você pode responder suas circulares, escrever a eles carinhosamente quando se passa um longo tempo entre elas. Você pode mandar livros, presentes para os filhos, se lembrar dos aniversários, mandar pregações em vídeo etc. Quando um missionário recebe um encorajamento da igreja, é como se Deus o estivesse falando: “Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar" - Js.1.9.

6) Investindo em vocacionados
Uma área pouco lembrada no serviço à obra missionária, mas de grande importância, é o cuidado com o vocacionado. Talvez a grande defasagem de missionários no campo não seja por serem poucos os vocacionados, mas por estes vocacionados estarem em igrejas que não os apóia.
Quando o apóstolo Paulo se converteu e começou a pregar em Damasco, teve que logo fugir de lá escondido. Então foi para Jerusalém, para se encontrar com a Igreja, “mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo” (At.9.26). A igreja não acreditou no seu chamado! Foi então que surgiu a figura do Barnabé pela primeira vez na vida do missionário. Ele acreditou no chamado dele, e o apresentou aos apóstolos. Mesmo assim, Paulo foi impedido de pregar o evangelho em Jerusalém, e “os irmãos o levaram para Cesaréia e o enviaram para Tarso” (At.9.30). Paulo voltou para a “casa da mamãe”, onde teria seu ministério enterrado, não fosse Barnabé, mais uma vez, investir em Paulo: “Então Barnabé foi a Tarso procurar Saulo e, quando o encontrou, o levou para Antioquia. Assim, durante um ano inteiro Barnabé e Saulo se reuniram com a igreja e ensinaram a muitos” (At. 11.25-26). Você já imaginou se Barnabé, como os outros apóstolos, não tivesse investido na vida deste homem?
O preparo do missionário é longo e muito dispendioso. Quantos vocacionados não estão nas igrejas sem que ninguém os apóie, olhando de um lado para o outro uma maneira de serem enviados? “E como pregarão, se não forem enviados?” (Rm.10.15). Quem sabe Deus não o está chamando para ser um Barnabé na vida de missionários, e indiretamente ser instrumento de Deus na vida de muitos povos?
Ore ao Senhor e peça a direção e a convicção para investir a sua própria vida, a de sua família, e de sua igreja local, na cooperação da Obra missionária.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Antologia de Teatro Missionário - Envie seus textos e faça parte deste projeto


Queridos irmãos,

Buscando sempre servir a Igreja, da maneira mais ampla e franca possível, como já temos feito ao longo dos anos, é com alegria que convido os irmãos a participarem do nosso mais novo projeto editorial, a Antologia Teatro Missionário. Nossa ideia é suprir uma lacuna ao reunir uma significativa seleta de peças, representações e jograis, APENAS sobre os temas de Missões e Evangelização. E isso num livro GRATUITO, a circular somente como e-book, livremente acessível para qualquer igreja, qualquer pessoa.

Em colaboração com a autora Vilma Pires (ela é também promotora missionária, e mantém os blogs Celeiro de Missões e Ensinar Brincando), estamos trabalhando à quatro mãos para oferecer mais este recurso gratuito para nossas igrejas.

Por isso viemos convidar a você que escreve peças, você que é autor e confia na qualidade do seu trabalho, a colaborar com esta obra, que desde já é de toda a igreja. Envie seus textos para nossa  avaliação. Caso aprovados, serão incluídos na obra.

Se a sua ideia é boa, mas você teme pela correção do texto, não se preocupe, pois estamos aqui para efetuar as correções necessárias, somando forças pela excelência do trabalho, para que em tudo possamos glorificar o nome de Cristo. Envie seu material!

Atenção: não se tratam de textos evangelísticos, com mensagens cujo foco está na conversão e salvação de almas, mas de textos sobre a importância/necessidade da evangelização, e sobre a obra missionária.

Escreva para nossos e-mails: sammisreachers@ig.com.br  ou  vilapores@yahoo.com.br


Sammis Reachers

terça-feira, 28 de maio de 2013

A igreja brasileira e a mordomia cristã, se é que ainda sabemos o que é isso


Entro na loja gospel da esquina e comprovo: Recursos para capacitação/discipulado/evangelização produzidos não por empresas, mas por entidades denominacionais brasileiras  (ou seja, ligadas a igrejas/denominações e que EM TESE não deveriam objetivar o lucro) são vendidos com toda pompa e circunstância, pelo preço 'de mercado'. Sem traumas. Enquanto isso, nos EUA há tantos recursos gratuitos (muitos produzidos por pequenos ministérios independentes) que você nem sabe o que escolher ou ler primeiro... 
 O tempo passa e não aprendemos. Editoras denominacionais como a CPAD (editora da maior igreja do Brasil, a Assembléia, da qual faço parte) não oferece nada de graça. Uma grande missão de apoio a lideranças (que prefiro não citar o nome) agora oferece cursos online... cursos pagos, e pagos bem caro. 
O que há conosco? Onde nos perdemos em nossa mordomia (missão/dom/obrigação de servir) cristã? Não consegue-se arcar com os custos de produzir algo e disponibilizar de graça para a igreja? Pois então traduza material gratuito americano, inglês, canadense ou em espanhol, e disponibilize!!! Vamos lá, igreja! Podemos acabar com o analfabetismo e semi-analfabetismo teológico, missiológico, em alguns poucos anos. Se eu pudesse, faria isso sistematicamente. Mas não sou tradutor; meus contatos com diversos tradutores tentando sensibilizá-los redundaram em conversas e desconversas, ou seja, em nada. 
 Visite meus blogs Arsenal do Crente e Veredas Missionárias e você encontrará toneladas de recursos gratuitos, alguns deles em português - mas quase sempre produzidos por estrangeiros. Os caras produzem e traduzem em nossa língua, dão-se ao trabalho de fazer O NOSSO TRABALHO. 
A quem honra, honra; vergonha para quem a merece. 
 Quando converteremos nossos bolsos, nosso trabalho para Cristo?

segunda-feira, 25 de março de 2013

Há tempo de calar (Ec. 3:7)



por George Gonsalves

“Façamos silêncio a fim de que possamos ouvir o sussurro de Deus”.
 Ralph W. Emerson

       Era provavelmente a última vez que pai e filho iriam se ver. O filho era John Patton e ele estava indo para uma missão que muitos consideravam suicida: pregar aos nativos das Novas Hébridas. Alguns deles eram canibais e haviam dizimado uma expedição cristã anos antes. Patton narrou o final de uma caminhada com seu pai, de cerca de dez quilômetros, até à estação de trem que o levaria para distante de sua família: “No último meio quilômetro, ou perto disso, caminhamos juntos em um silêncio quase impenetrável [...] Seus lábios continuavam se movendo em oração silenciosa por mim, e suas lágrimas caíram rápidas quando nossos olhos se encontraram, pois toda fala era vã!”[1] Há silêncios eloquentes. Existem momentos em que palavras podem quebrar a sacralidade de uma cena de amor, de empatia.
O mundo é ruidoso; há muito barulho (e ruim) por toda a parte. Outrossim, a igreja parece seguir em um contínuo frenesi de vozes e sons vazios. Ocorre, que muitas vezes precisamos calar nossa voz. Sim, há uma virtude no silêncio. Muitas vezes pecamos quando simplesmente não ficamos calados.
      A Bíblia relata o silêncio de Jesus em algumas ocasiões. Como sabemos que Ele nunca pecou, concluímos que Cristo calou exatamente quando devia. Certa vez, instigado pelo sumo sacerdote a se defender de falsas acusações, Mateus afirma que Jesus “guardou silêncio” (Mt. 26:62-63). Quando Pilatos lhe perguntou se não ouvia as acusações dos judeus, as Escrituras narram: “Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador” (Mt. 27:14). Havia, inclusive, uma profecia sobre este momento do Messias: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (Is. 53:7).
    Há várias situações em que um cristão deve calar-se. Uma delas é mencionada pelo salmista Davi: “Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua” (Sl. 39:1). Quantas conversas perniciosas já foram compartilhadas! Quantas palavras espúrias foram pronunciadas! Às vezes, falar pode trazer irritação, constrangimento ou incitar mágoa a outrem.
Muitas vezes, as palavras são apenas desnecessárias. Nunca esqueci o testemunho escrito pelo pastor Stephen Brown. Na primeira vez que teve que lidar com uma morte em sua congregação, ele passou por uma situação difícil. Preparou com cuidado as palavras para consolar a viúva. No entanto, ao chegar ao velório, esqueceu tudo. Tentou falar algumas palavras, mas fez tanta confusão que preferiu calar-se. Ficou, então, sentado no sofá, envergonhado e humilhado. Alguns dias mais tarde a esposa enlutada o procurou. Stephen começou a se desculpar, mas ela o interrompeu: “Pastor, quero agradecer-lhe tudo o que o senhor fez por mim. Não sei como poderia ter enfrentado tudo sem o senhor”. Com sinceridade, o pastor disse-lhe que não havia feito nada. Então, ela sorriu e disse: “O senhor esteve presente”.[2] Falamos, mas não somente com os lábios. Talvez, por isso a Bíblia diga: “seja pronto para ouvir, tardio para falar” (Tg. 1:19).
O silêncio também pode estar carregado de reverência. Ocorre quando estamos tão conscientes da presença de Deus que nos faltam forças e motivação para pronunciar qualquer palavra. O profeta Habacuque declarou: “O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hc. 2:20). Ficamos emudecidos perante a majestade divina. Reconhecemos nossa pequenez e Sua infinita grandeza. O sábio escritor de Eclesiastes afirmou: “Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra” (Ec. 5:2).
A.W. Tozer escreveu certa vez: “um progresso espiritual bem maior pode ser alcançado num curto momento de silêncio completo com temor diante da presença de Deus do que em anos de estudo, somente”[3]. Este silêncio não é o da frieza ou indiferença. Calamos não porque não temos nada a falar, mas porque não sabemos como expressar em palavras.



[1] Citado em PIPER. John, Completando as aflições de Cristo. São Paulo-SP, Shedd Publicações, 2010, p. 84.
[2] BROWN. Stephen. Quando a corda se rompe. Ed. Vida, 1990, p.91.
[3] Este mundo: lugar de lazer ou campo de batalha? Rio de Janeiro-RJ, Danprewans, 1999, p. 51.

Fonte: blog Graça e Saber (www.gracaesaber.com)

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Conferência de tradução da Bíblia


A Conferência de Tradução da Bíblia foi realizada pela ALUMI em parceria com a Wicliffe Bible Translators, em 14 de outubro de 2006, em São Paulo.

Para ser envolver com o ministério de Tradução da Bíblia, acesse:
http://www.missaoalem.org.br/

A importância da Tradução da Bíblia
Andres Casanueva - Diretor associado Wycliffe International para as Américas



O processo de tradução da Bíblia
Robert Dooley - tradutor do Antigo e Novo Testamento Guarani Mbyá



A formação do tradutor da Bíblia
Steve Marlett - Diretor acadêmico da SIL para as Américas



O impacto da tradução da Bíblia
 Steve Sheldon - Diretor da Wiclife no Brasil