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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Batalha Espiritual: Separação entre a luz e as trevas


Keka Gomes 

“E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.” (Genesis 1.3-5)

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.
Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.
Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Efésios 6.10-12)

Em meio às trevas Deus além de manifestar a luz ele observa que ela em si é boa, ao contrário das trevas, e faz uma clara separação, uma oposição.
A Luz manifesta a Verdade. No escuro nada enxergamos. Quando existe claridade neste plano físico podemos identificar aquilo que está perante nossos olhos, assim é quando temos acesso à Luz espiritual, nós compreendemos as situações mais diversas da vida.
É uma batalha entre o conhecer e o desconhecer, ela está primeiramente nas ideias que fazemos de tudo. Aqui neste versículo Deus cria a luz mas vemos que ela não era a luz natural do sol, era uma luz invisível, num outro plano ainda que este plano fizesse parte da terra, foi proclamada a presença de luz aqui mas não como fenômeno físico, com massa.
A bíblia é um livro que fala de muitas pelejas.

É conhecido que existe uma batalha espiritual nos lugares celestiais. Aliás, uma observação a se fazer: De tudo quanto Deus fez existir ele conclui ser bom, exceto quando fez os céus, os lugares celestiais, a atmosfera, o firmamento, o lugar onde habitam as forças malignas como é sitado em Efésios.
Também está claro que existem poderes operando e, por conseguinte, temos uma batalha que é o reflexo do antagonismo da luz e das trevas desde o início da criação, quando Deus faz distinção, separação entre estas duas. Sabemos disto.
Quando a raça humana cai em Adão, a separação feita por Deus na terra entre trevas e luz parece ter sido perdida pela consciência humana. E ela precisa ser restabelecida primeiramente no nosso entendimento, precisamos buscar conhecer tudo o que é Luz para fazer distinção clara do que é trevas. A queda veio por meio do homem que deu origem a um novo caos, o homem ficou separado de Deus, separado da Luz, sem o conhecimento de Deus e das belezas das leis de Deus, a maldade começou a operar no interior do homem, os erros começaram a atuar na mente humana, houve um desvio do que vem a ser o correto e o errado, e a raça humana com toda a criação geme por este colapso.
Adão não conhecia, através da experiência, as reais consequências de desobedecer a instrução divina, Deus lhe deu essa liberdade, não o impediu de agir de forma independente. Aqui recomeça Bereshit (Gênesis), não mais na terra, agora no plano espiritual, na vida humana, há no homem confusão, trevas, escuridão e morte. O homem morreu com Adão. Vejamos que tudo até então estava perfeito, havia plena separação entre trevas e luz, o Éden era um lugar de delícias, de paz, não haviam trevas ali, tudo funcionava em plena harmonia.
A batalha agora é para recuperar o status anterior à queda, pois a transgressão veio por meio do homem e também a regeneração veio por meio de outro homem, Cristo. Cristo é o padrão de Luz na vida humana, ele é aquele que no livro de Apocalipse estava no meio de sete castiçais, ele é a Luz, ele é a Verdade perdida, ele é o Caminho de volta à pureza, à santidade, à felicidade, ao amor, à Vida.
Jesus viveu intensamente a batalha espiritual, ele veio inaugurar o Reino da Luz nos dando vida espiritual através do Espírito derramado em Pentecostes (Shavuot). Jesus era profundo conhecedor das escrituras, da Torá. Quando confrontado por uma potestade maligna, o diabo, ele se defendeu usando o conhecimento que ele tinha da Torá. 
“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;
E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.(Lucas 4.1-4)

O relato demonstra como um cristão precisa agir quando confrontado nos lugares celestiais, ele precisa imitar o mestre. Quando espíritos malignos nos afrontarem por que nos falta o mantimento ou nos falta seja o que for, e nos acusar de não sermos filhos de Deus, lembremo-nos do que Jesus respondeu, o homem não vive só de coisas desta terra, o nosso sustento não é apenas pão, nós até passamos por breves momentos de privação, mas o sobrenatural nos alcança. Jesus aqui estava usando uma passagem que está escrita em Deuteronômio, capítulo 8, onde estava sendo lembrado ao povo que no meio do deserto Deus enviou o maná, sempre haverá provisão.
As trevas mentem, elas distorcem o conhecimento humano e nos fazem pensar de forma errada sobre Deus.
“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” (Jesus – João 5.39)
Está escrito“, Jesus conhecia a Torá e usava este conhecimento revelado de Deus, instrução dada ao homem para vencer as trevas. E ele nos aconselha a examinar os livros para encontrarmos tudo sobre ele e sobre a vida eterna.

Jesus diz ainda: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus”. (Mateus 22:29)Por isso Paulo diz que na guerra espiritual nós usemos a espada do Espírito que é a Palavra de Deus.
“E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.
Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.”(Lucas 4.6-8)
Satanás tenta plantar nos nossos corações a cobiça, a nos fazer adorar as riquezas, adorar o reconhecimento humano, adorar o status, adorar o poder. Faz parte da guerra sermos tentados a este respeito, mas Jesus usou o trecho do Antigo Testamento que estava em seu coração firmado como verdade e não acreditou na seta maligna.
“Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;
Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem,
E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.
E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.”(Lucas 4.8-12)

Ou seja, nós somos confrontados igualmente e muitas vezes ouvimos o que a sutileza das trevas está nos induzindo a fazer, “joga-te daqui”, desiste de tudo, experimenta algo perigoso porque se Deus for contigo ele te livra, Deus te perdoa, tenha uma ousadia na fé, tenta de outro jeito, erra mesmo, se mata. Se ele não pode nos invocar à morrer literalmente ele projeta em nós através de pensamentos, ou por palavras de outras pessoas, a outras formas de nos paralisar e nos matar, ele nos aprisiona, ele nos convence que nossos erros não terão consequências, como fez com Adão. E esquecemos que a pior morte é a espiritual, é a que rompe nosso discernimento de certo e errado e nos põe em caminhos tortuosos que nos trarão prejuízos sempre.
Esta é a batalha, precisamos pedir a Deus o discernimento porque os poderes, os principados, as potestades, este império maligno atua no homem, ele sugere ao homem o desvio e pode ser qualquer um. Tenhamos em mente que Jesus é nosso sacerdote supremo e foi tentado, todos nós também somos e seremos. Um título sacerdotal, episcopal, um cargo espiritual que consideremos elevadíssimo ou não, não estará livre de indução maligna. O correto é buscarmos em Deus respostas e direção e que seu Espírito esteja conosco nos revelando os segredos da Palavra.
Nesta batalha a Palavra é indispensável, assim como o Espírito de Deus, e ambos estão perto de nós e ao nosso fácil acesso.
A batalha será na nossa consciência, nas escolhas que fazemos, a sutileza é para nós resistirmos ao plano de Deus.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Herança de Abraão

A partida de abraão, por József Molnár

Jorge Pinheiro
Ao longo da história, vários foram os homens e mulheres que, em diversas épocas, influenciaram negativa ou positivamente as sociedades em particular e a humanidade em geral. Enumerá-los tornar-se-ia fastidioso porque a lista seria extensa. Emparceirando-os, verificaríamos, contudo, que deles apenas meia dúzia se sobressairia de quem se pudesse dizer que a sua influência se tornou extensiva a todo o mundo, deixando uma marca que atravessou séculos e continentes e que perdura ainda hoje. Se pedíssemos a alguém que enumerasse o nome de cinco personalidades que em seu entender mais influenciaram o curso da humanidade não deixaria de indicar o dos fundadores das principais religiões (Sidarta Gautama, Moisés, Zoroastro, Jesus Cristo, Lao Tzé, Muhamad), o de grandes guerreiros ou descobridores (Gengis Cão, Alexandre Magno, Júlio César, Marco Pólo, Vasco da Gama, Cristóvão Colombo), o de grandes pensadores, cientistas ou artistas (Sócrates, Platão, Einstein, Karl Marx, Mahatma Gandhi, Leonardo da Vinci, Beethoven) ou qualquer um dos muitos políticos que deixaram a sua marca indelével na história da humanidade. Não estaremos, contudo, talvez longe da verdade se arriscarmos afirmar que poucos citariam o nome de Abraão entre esses cinco.

E, no entanto, passados quase cerca de 40 séculos desde que ele empreendeu a sua caminhada histórica, saindo de Ur da Caldeia rumo a um destino que apenas pela fé conseguia vislumbrar e, talvez, deficientemente compreender, ainda hoje continuamos a ser influenciados de forma perene e constante por essa sua decisão, a ponto de podermos afirmar, sem forçar a realidade, que ele condicionou o devir de toda a humanidade. A sua decisão de obedecer à voz divina alterou para sempre o curso da humanidade e ainda hoje continuamos a sentir a sua influência. É verdade que genericamente Abraão é encarado apenas no quadro do universo religioso para isso contribuindo o facto de os seguidores dos três grande monoteísmos actuais o considerarem como pai fundador e alicerce das respectivas fés. É verdade que Abraão, considerado patriarca por todos quantos se lhe sentem devedores, foi movido por uma fé que podemos considerar de base e consistência religiosa. Mas não menos verdade será afirmar que, afinal, todos neste mundo, crentes e não crentes, são de uma forma ou outra seus filhos ou descendentes.

A história de Abraão vamos encontrá-la, com riqueza de pormenor no maior best-seller de toda a humanidade e jóia preciosa do universo sapiencial – a Bíblia Sagrada, mais concretamente no Génesis, entre os capítulos 12 e 25. Esses 14 capítulos retratam quadros de magnífica beleza e profundos ensinamentos cuja densidade está longe de esgotada.

Sabemos que Abraão vivia na opulenta cidade de Ur da Caldeia, cidade que rivalizava em grandeza e importância com a grande Babilónia, sendo considerada na altura (1940 a.C.) a mais importante urbe da região. Aos 75 anos, passa por uma experiência que irá modificar para sempre a sua vida e o curso da humanidade. Pouco sabemos de Abraão até então. Mas sabemos que vivia numa cidade opulenta, numa sociedade politeísta, num mundo em que, para apaziguar os caprichos das divindades, muitas vezes era necessário sacrificar a vida humana. Muito provavelmente viveria sem problemas de subsistência. Talvez uma das poucas tristezas que o afligisse fosse o facto de sua mulher Sarai ser estéril e, por essa razão, o seu nome não seria propagado após a sua morte entrando por isso no oblívio da memória colectiva.

E é nesse ambiente que Deus o chama e lhe faz uma promessa que a partir de então será a sua razão de existir: “Sai-te da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”. Obediente, Abraão deixa o conforto, o sossego e a reputação e parte. Deixa a segurança do adquirido e parte rumo ao desconhecido, fundamentado apenas numa promessa cujo único garante é o Deus eterno a quem fica ligado pelos laços da fé que vai crescendo e fortalecendo-se à medida que se entrega à obediência de quem o chamou. Conhecemos o resto da sua autêntica odisseia que resumimos de seguida: após renovar-lhe a chamada e a promessa de um filho, apesar da esterilidade de Sarai e da idade avançada de Abrão, Deus concede-lhe um filho, Isaque, depois de mudar o nome ao casal e de instituir a circuncisão e não sem que antes Abraão tivesse gerado Ismael da sua escrava Agar. Após a morte de Sara, Abraão volta a conceber seis outros filhos da concubina Quetura. Pelo meio, a destruição de Sodoma e Gomorra, o sacrifício não consumado do filho Isaque e o episódio em que, perante Abimeleque, Abraão nega que Sara fosse sua esposa.

Centremo-nos no conteúdo da promessa feita por Deus a Abraão e que ele transmite como herança a todos os seus descendentes. Nela há 3 elementos centrais: terra (Sai-te da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei), semente (E far-te-ei uma grande nação e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome e tu serás uma bênção) e bênção (E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra). Esta promessa, que se cumprirá na descendência de Abraão, dá origem a uma nova relação com a divindade, ou com a transcendência, se assim o quisermos, desconhecida da sociedade de então. Para além de ser um Deus único, transcendente e pessoal, o Deus de Abraão é um Deus que se relaciona com a sua criação através de pactos, que Ele honra e aprofunda, na medida da obediência do homem.

A Abraão, por seu lado, é exigido que se entregue à revelação de um Deus que se auto-revela e siga, passo a passo, em obediência comprometida, o caminho que se lhe vai abrindo no cumprimento do respeito mútuo pelo pacto estabelecido entre Deus e o Homem e que influenciará não só o momento presente, mas todas as gerações posteriores que receberem como sua herança a promessa abraâmica.

A terra passa a estar indissoluvelmente ligada à descendência de Abraão. Compulsando os pactos subsequentes que Deus vai estabelecendo com o Seu povo, verificamos que a relação do homem com a terra é a de um mordomo que, em nome do seu senhor, a torna produtiva, zelando e velando por ela, respeitando a sua integridade. A terra continua a ser de Deus, mas o Eterno coloca-a à disposição do Homem para nela este se frutificar e frutificá-la. E de facto, nos pactos posteriores, encontramos toda uma série de disposições que realçam esta tripla inter-relação – terra produtiva e respeitada, mansão do homem e reflexo e reflector da glória de Deus.

A semente ou descendência conhecerá a grandeza e erguer-se-á não como pedinte ou uma massa amorfa sem rumo, mas como sociedade organizada, disciplinada, com um programa bem definido de acção, em que a dignidade humana conhece um novo paradigma e em que a relação com o transcendente faz parte integrante do viver humano. Disso é reflexo o episódio do sacrifício não consumado de Isaque no monte Moriá. Filho prometido, filho da impossibilidade, a vida de Isaque é requerida pelo próprio Deus que permitiu a sua existência. Para além das várias lições que o episódio nos ensina, podemos destacar duas: Deus não se compraz com sacrifícios humanos e Deus exige confiança e obediência sem restrições a quem O aceita como presente na sua vida. Numa sociedade que utilizava o sacrifício humano para satisfazer a divindade, este episódio constitui uma ruptura definitiva do paradigma que encara o homem como descartável em nome do ter em preferência sobre o ser, em nome até de uma divindade supostamente clemente e misericordiosa. Nessa semente (ou descendência) contemplada na promessa abraâmica, o transcendente está também presente de forma visível e palpável e disso são reflexo dois episódios da vida de Abraão – a instituição da circuncisão e a mudança de nome do patriarca e sua esposa. A circuncisão, acto realizado no próprio corpo do crente no ponto fulcral da procriação masculina realça o facto não só de que o nosso corpo deve reflectir ele também a relação com a divindade, como ele próprio Lhe pertence. A mudança do nome é também significativa. Numa cultura em que o nome reflecte a própria pessoa e em que, em última instância, acaba por ser a própria pessoa, este episódio indica que a relação com Deus exige um abandono das nossas referências exclusivamente imanentes, exige uma renovação, uma transformação apenas possível pela acção divina interveniente no nosso viver. Abraão deixa de ser Abrão (pai da altura) para ser Abraão (pai de uma multidão, sendo sintomática esta intercalação de um som aspirado indiciador do sopro do espírito divino na natureza humana) e Sara deixa de ser Sarai e passa a ser Sara (princesa). E de novo, numa sociedade em que a mulher era considerada propriedade do homem e como ser sem alma, esta elevação da sua dignidade é sintomática.

No terceiro elemento da promessa/herança abraâmica, a bênção, temos toda uma teologia e programa de acção. A lei da causa e do efeito presente em todas as relações do homem que se movimenta numa tripla dimensão – consigo próprio, com o seu semelhante e com a divindade. Um apelo não apenas à obediência, mas à responsabilidade individual e colectiva, com uma origem inequívoca e insubstituível. Nos pactos subsequentes que complementam esta promessa divina, sem negar a ligação íntima e intrínseca entre causa e consequência, entre obediência e transgressão, a tónica é colocada indiscutivelmente na bênção resultante da actuação em obediência alicerçada e avalizada pela fidelidade divina. A bênção, o favor, a graça, a misericórdia de Deus tornam-se extensíveis a todos quantos entrarem em contacto com o recipiente da promessa divina. A tónica é colocada na bênção e não na maldição, porque Deus não tem prazer na destruição da sua criação, conforme ecoa o profeta Ezequiel (33:11, “A Bíblia para Todos”) – "Diz-lhes que, tão certo como eu ser o Deus da vida, lhes garanto que não tenho prazer em ver um transgressor morrer. O que eu gostaria era de o ver deixar de pecar e viver."

Este, num registo extremamente sucinto, o conteúdo da promessa de Deus a Abraão a qual, a partir do momento da sua recepção e aceitação se transforma na herança que o patriarca lega a todos os seus descendentes.

Abraão teve vários filhos de diversas mulheres. Podemos classificá-los em quatro categorias, indicado pela ordem do seu aparecimento:

Os filhos da servidão, representados por Ismael, filho da escrava Agar;

Os filhos da promissão, simbolizados em Isaque, filho da amada esposa de Abraão, Sara;

Os filhos da solidão, consubstanciados nos filhos da concubina Quetura, após a morte de Sara que, sem dúvida, deixou no coração de Abraão um vazio difícil de preencher;

Os filhos da adopção, reflectidos em todos quantos, em todo o lugar, aceitam colocar-se em obediência ao Deus de Abraão, mesmo sabendo não terem qualquer direito de primogenitura, adopção essa que se obtém, segundo as Escrituras, apenas e só através do acto de amor de Cristo Jesus por todos nós quando se entregou no altar do Calvário a uma morte vicária, pela qual, pela pena do apóstolo Paulo, podemos agora aproximar-nos de Deus e chamar-Lhe Pai.

Cada um destes tipos de filhos representa um sector da humanidade com características próprias e todos em conjunto constituem a humanidade na sua totalidade. Todos eles são herdeiros da herança deixada por Abraão à sua posteridade. A herança é a mesma, mas a forma como ela é vivida, transmitida e em alguns casos imposta, depende da condição em que cada filho se insere, condicionando toda a sua cosmovisão, o seu estar-no-mundo, o seu estar-com-o-outro.

Os filhos da promissão assumem o seu estatuto de filhos legítimos e é-lhes tentador considerarem-se os únicos com direitos absolutos à herança, numa atitude e visão legalista da sua condição que os faz considerarem-se os eleitos entre os eleitos, a nata da nata da sapiência e da resistência. Um filho da promessa sabe que é filho e comporta-se como filho com uma atitude de temor reverencial para com o pai.

Os filhos da escravidão não conseguem eximir-se a uma mentalidade de fatalismo que a curto ou longo prazo os reduz a uma posição de subserviência, de inferioridade, de perseguidos pelos que se consideram senhores. Um filho de escrava nunca pode encarar o senhor como pai, mas sempre como senhor, como dominador, cuja vontade final é desconhecida do filho.

Os filhos da solidão não conseguem escapar à angústia do niilismo, ao desespero de quem encara e considera a vida sem sentido. Um filho da solidão considera-se sempre resultado de uma segunda opção em que a razão de viver não é o amor mas a necessidade. Um filho da solidão encara o pai como ausente ou não existente.

Os filhos da adopção sabem que são filhos não por direito de primogenitura, mas em resultado de um acto de amor, de entrega e de dedicação. O filho da adopção sabe que não merece o estatuto de que goza e que lhe foi outorgado por um acto voluntário de entrega a ele estranho. O filho da adopção conhece o sabor da gratidão e encara o pai como aquele que tudo fará para o salvaguardar.

Para além da herança comum, cada um destes grupos de filhos depende da palavra, reduzida a livro, que se torna repositório de toda a sua práxis e ethos. E essa palavra, que reflecte a condição do filho, perpetua não apenas a herança, mas a forma como cada um a encara, a vive e a transmite.


A herança, repetimos, é a mesma, mas a forma como a vivemos, a transmitimos e por ela nos inter-relacionamos depende da interiorização da nossa condição face ao pai de quem somos herdeiros. Essa condição condiciona a nossa cosmovisão, condiciona a forma como vemos o outro, condiciona o nosso modelo de sociedade, condiciona a nossa relação com o transcendente. Cabe a cada um de nós decidir qual o nosso estatuto de filho.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Para guardar seu coração na Universidade


André Filipe Aefe


Querido amigo e irmão universitário, gostaria de compartilhar com você alguns conselhos que tiramos de nossa experiência na Universidade, mas também dos anos acompanhando universitários que, como você, amam Jesus Cristo e desejam guardar firme o coração.


a) Guarde seu corpo: da imoralidade e das drogas.


O tempo na Universidade apresentará oportunidades de autodestruição que, a princípio, parecerão muito mais atrativas que em outras fases da vida. Uma destas é a imoralidade. Determinadas festas e amizades farão um grande convite para tornar a sua sexualidade descartável. Já acompanhei cristãos com as mais extravagantes experiências sexuais, mas vazios e arrependidos pelo que fizeram do próprio corpo.
Uma outra forma de autodestruição são as drogas, legalizadas ou não. Uma das cenas mais tristes que vejo semestralmente próximas aos bares das Universidades são jovens inconscientes por beberam demais. Infelizmente, já vi jovens chegarem à Universidade sem terem sequer experimentado cerveja, mas após 3 ou 4 anos, não concluem seu curso por causa da dependência química e das dívidas por causa delas.
Muitas vezes, o que leva estes jovens a se entregarem tão facilmente é a tola ingenuidade de que, o que o mundo tem a oferecer é melhor do que a Graça de Cristo. O livro de Provérbios nos traz algumas advertências sobre este comportamento ingênuo, mostrando que "a falsa segurança dos tolos os destruirá" (Pv.1.32), que "comerão do fruto da sua conduta e se fartarão de suas próprias maquinações" (Pv.1.31). Mas conclui com esperança: "quem me ouvir (a sabedoria de Deus) viverá em segurança" (Pv.1.33).
Lembre-se que seu corpo, além de ser moradia do Espírito Santo (1Co6.19), é também o jardim guardado para o desfrute dentro no casamento (Ct.4.12).


b) Guarde sua mente: do abandono da fé ou da irrelevância da fé


Outro grande desafio na Universidade não vem das amizades nem do estilo de vida, mas de professores que, do alto de sua arrogância, zombam dos mais de 2.000 anos de pensamento cristão. Não são poucos os casos de professores e disciplinas que afrontam o cristianismo declaradamente. Essas pessoas podem levá-lo a crises de fé e até mesmo ao abandono da fé.
A crise de fé não é necessariamente ruim, e até pode ser muito produtiva, pois pode tirá-lo de uma religiosidade para levá-lo à convicção da fé. No entanto, podemos ser facilmente enredados pelo carisma de professores escarnecedores. Cuidado!, guarde sua mente se lembrando do que disse João: “...nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? (...) Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Escrevo-lhes estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar” (1Jo.2.21-26). Estas verdades alimentaram a mente de grandes pensadores do mundo, dos quais todos somos devedores! Não se envergonhe do Evangelho!
No entanto, há um perigo contrário, o da irrelevância da fé para seus estudos. É o perigo de você relegar seus pensamentos religiosos para os finais de semana e aceitar tudo o que colocam em sua mente sem auto crítica durante a semana. Lembre-se que "os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos" (Sl.19.1) e, portanto, não há nenhuma sabedoria neste mundo à parte da sabedoria de Deus e que "as palavras dos sábios são (...) como pregos bem fixados provenientes do único Pastor. Cuidado, meu filho; nada acrescente a eles. Não há limites para a produção de livros, e estudar demais deixa exausto o corpo. Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque isso é essencial para o homem" - Pv.12.11-13.


c) Guarde sua carreira: do ativismo ou do paternalismo.


Além destes dois perigos iniciais, há ainda o perigo de você perder o foco para o qual você está na Universidade e destruir sua carreira. Há muita coisa com a qual você poderá se envolver na universidade, como esportes, teatro, política e até mesmo em ministérios de evangelização na Universidade, como ABU etc. Essas coisas são maravilhosas. Aproveite o máximo que puder. No entanto, não se esqueça que você está na faculdade para se preparar para um carreira pela qual você glorificará a Deus!
Não se iluda com o fato de ter entrado numa boa faculdade e que isso garante um futuro promissor. Você pode descobrir tarde demais que isso é uma mentira. Você terá que "ralar" como todo mundo! Por isso, manere no ativismo próprio da juventude e invista em sua carreira para a glória de Deus! Aproveite para estagiar nos anos de faculdade, pois você pode correr o risco de concluir o curso desempregado e sem nenhuma experiência!
Um segundo perigo a este respeito é para aqueles que, morando longe dos pais, mas sendo sustentados por eles, se acostumam com este conforto e buscam prolongá-lo o mais possível, postergando a independência financeira para continuar uma vida de ociosidade. Lembre-se da advertência de Paulo: "esforcem-se para (...) trabalhar com as próprias mãos (...) a fim de que andem decentemente aos olhos dos que são de fora e não dependam de ninguém" - 1Ts.4.11-12. Deus, em sua graça comum, ajuda "quem cedo madruga" independente se você é um cristão ou não. Se você for um cristão preguiçoso, você passará fome!
Um parêntese é preciso ser feito. É possível que, no período de faculdade, seu coração esteja voltado quase que irremediavelmente para ministérios de evangelização e serviço à igreja. Avalie corajosamente o próprio coração. É possível que você esteja fazendo a faculdade apenas por uma pressão social ou paterna, mas que sua vocação seja mesmo a de pastor, ou missionário ou outra atividade ministerial. Isso é muito comum. O conselho que eu dou é para que, o quanto antes, resolva sua identidade vocacional e abrace com coragem aquilo para o que o Senhor o tem chamado!


d) Guarde sua comunhão: da solidão, do abandono da igreja e do bom uso de seus dons espirituais.


Este último tópico diz respeito a um perigo contrário ao anterior. É possível que você fique tão absorvido pelos estudos e pelo trabalho, que você se isole do mundo completamente. Você que vem de uma cidade interiorana para uma metropolitana descobrirá que há algo mais terrível que as provas finais: os finais de semana solitários na metrópole. A solidão pode ser agonizante e tão insuportável na cidade grande que tenho visto tristemente muitos estudantes se entregando à depressão e ao suicídio.
Um outro erro daqueles que vem de outra cidade é nunca cortar o cordão umbilical. Você não vai gostar do que vou lhe falar agora: existe uma grande probabilidade de você nunca mais voltar à sua cidade de origem, e nem àquela igreja que você cresceu e fez tantos amigos. E, mesmo se você voltar, nada mais será como antes. Você perceberá que você também não será mais o mesmo que saiu. Quero encorajá-lo a, pouco a pouco, se desligar de sua igreja de origem e engajar-se numa igreja da cidade onde você está. Faça amizades na igreja, sirva a igreja, use os dons que Deus lhe deu na igreja da sua nova cidade. E não apenas isso. Lembre-se de ser um instrumento de Deus na própria universidade. Eu tenho me surpreendido com o número de jovens na Universidade que são totalmente ignorantes da fé crista, e talvez a sua presença dentro da sala de aula nestes quatro anos seja a única chance que aquela pessoa terá para conhecer a Cristo. Não perca esta oportunidade!
Além do mais, abrevie as idas à sua antiga casa e experimente mais a cidade que você está morando. O que tenho visto a este respeito são estudantes que passam todo o seu período de faculdade divididos, mas quando terminam a faculdade, os seus antigos amigos deram rumo à vida, e você não fez nenhuma grande amizade na cidade em que está.
Abra seu coração para uma nova Igreja e para boas amizades cristãs. Mesmo que você tenha vivido um tempo especial na sua cidade anterior, nesta nova cidade Deus pode estar preparando a melhor fase da sua vida, como foi para mim. No período de faculdade eu vivi meus melhores tempos com Deus, desenvolvi minhas melhores amizades e encontrei a mulher com quem me casei.
E é isso o que desejo a você neste período que passa muito rápido, mas que deixará marcas profundas em você como nenhuma outra fase da vida, seja se você a levou de forma insensata, abandonando ao seu Deus, ou se você levou com sabedoria, no Temor do Senhor.
Que o temor do Senhor o acompanhe por todos os seus dias de universitário!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Refutando Nietzsche: Bendito Deus que dança!



"Se eles querem que eu acredite no seu deus,
eles vão ter que cantar comigo melhores músicas. 
Eu só poderia acreditar em um deus que dança."

- Friedrich W. Nietzsche (1844-1900)
Filósofo alemão


Wilma Rejane

Com a frase acima o filosofo Nietzsche, desafia o Deus dos cristãos em sua obra “Assim Falou Zaratustra” . Segundo ele, e revestido de um personagem do zoroastrismo, o cristianismo era a maior desgraça da humanidade e uma “muleta” para os fracos. O homem deveria decretar a morte de Deus para se tornar enfim um “super-homem”, confiando em seu potencial interior para  ser vitorioso (?). Ironicamente, Nietzsche, havia nascido em lar protestante , seus avós eram pastores luteranos. Ele ingressou na teologia, mas abandonou a fé ao se aprofundar na Filosofia.


O pensamento de Nietzsche,  influenciou significativamente o mundo moderno - infelizmente – e continua fazendo adeptos até nossos dias.  Pobre Nietzsche, viveu de forma miserável , convalescendo de tantos males que peregrinou por diversos lugares na tentativa de que em alguns deles, o clima lhe fosse favorável: Veneza, Gênova, Turim , Nice... até terminar seus dias em um sanatório em Basileia. Ele não sabia, mas desconfio –  tenho  fortes motivos para isso - que padecia de infelicidade crônica.  A falta de fé no Deus que dança esvaziou seu ser e para onde se movesse não encontrava paz. Ele a procurou em muitos lugares, mas ao matar dentro de si,  o Deus que poderia salvá-lo , morre ele.

O Deus que dança é tão latente que é impossível torna-Lo ausente. Ele dança nas nuvens, na natureza, nos homens. Através do movimento dos dias dos poentes e nascentes quando o céu muda em cores e luminosidade. Deus dança nas folhas das árvores que balançam pela força do vento, que se umedecem pelas 'lágrimas” do orvalho. Deus dança na brisa que nos acaricia, na lua que ora é cheia, nova, minguante, crescente. A lua dança com as estrelas, com a noite que chega, que se vai. Deus dança no mar quando rugem as ondas, bravas e mansas, “varrendo” a areia, emprestando movimento aos navegantes de um país a outro. Deus dança e canta por todos os dias pois sem Sua “batuta”, Sua harmonia, Sua voz, nem vida existiria.

Sofonias 3:17 diz: “O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para te salvar, Ele se deleitará em ti com alegria, calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo”. Alegria = Rinnah (Stong 07440) significa “dar brados de júbilo, aclamar, aplaudir fortemente com triunfo; cantar”. Literalmente: Deus dançara sobre o seu povo, jubilara, dará brados de vitória com alegria”.

Esse é o Deus dos cristãos, que dançou com seu povo ao abrir o mar vermelho, recolhendo as ondas como em espelhos para libertá-los do Egito. Rinnah foi a música que embalou as vitórias de Abraão, Isac e Jacó. O Isac, batizado riso, porque Deus dançou com o tempo grávido de promessas para uma mãe estéril e um pai de quase 100 anos. Deus dançou com os  antigos profetas e suas visões precisas do futuro que anunciavam o Messias Salvador nascido em Belém  da Judéia,  porque O Espírito Santo dançou no ventre de uma virgem, chamada Maria, obedecendo a melodia de Deus Criador.


Deus dança através do tempo e faz  natureza cantar, diz o Salmo 65:8-13: “Tu visitas a terra, e a refrescas; tu a enriqueces grandemente com o rio de Deus, que está cheio de água; tu lhe preparas o trigo, quando assim a tens preparada. Enches de água os seus sulcos; tu lhe aplanas as levas; tu a amoleces com a muita chuva; abençoas as suas novidades. Coroas o ano com a tua bondade, e as tuas veredas destilam gordura. Destilam sobre os pastos do deserto, e os outeiros os cingem de alegria. Os campos se vestem de rebanhos, e os vales se cobrem de trigo; eles se regozijam e cantam. “



Quem, a não ser um Deus que dança, desceria do céu para festejar com os homens a morte da morte?  Quem, a não ser um Deus que dança se ofereceria em sacrifício de morte pela humanidade para ressurgir vivo ao terceiro dia? Oh, poderosa melodia do Deus que dança!!! Aleluia é o Teu cântico preferido, a Ti entoamos louvores de gratidão por ter vindo dançar com teu povo! Por todos os lugares se ouve a Tua voz, ainda no silêncio Te ouvimos. O que seria de nós, não fora um Deus que dança e que nos convida para dançar com Ele, no banquete celestial onde já não haverá lágrima, nem pranto, nem qualquer dor?

Bendito esse Deus que não se cansa de dançar nos corações que se transformam pela obediência a canção da Cruz, entoada aos quatro cantos da terra: Jesus, Jesus, Jesus! Amo esse Deus que nos  faz dançar de alegria por ouvir Sua voz de Pai amoroso.

Nietzsche só poderia estar aturdido, embriagado por canções infernais vindas de um mundo onde não se pode dançar. É isso, prisioneiros não dançam. Escravos não podem dançar. Só mesmo a misericórdia de um Deus que dança para o libertar. Jamais ele ou algum outro incrédulo poderia encontrar paz e felicidade não fora nos braços do Cristo ressuscitado que se move em dança para perdoar e amar.

sábado, 20 de abril de 2013

Amós, o profeta boiadeiro e cuidador de sicômoros.

Judeu nas comemorações da Páscoa 2013 em Hebrom: " Louvado seja Deus em Israel"
Fotografia:israelnationalnews


Wilma Rejane

Israel vivia um período de grande prosperidade material. Os ricos cada vez mais ricos e os pobres sendo oprimidos. O sistema judicial corrompido, luxuria e idolatria generalizados, contudo  a nação acreditava que Deus os abençoava por conta da expansão no comércio, das alianças politicas e vitórias militares. Estavam enganados. A abundância dos celeiros, não representava a alegria de Deus. O sorriso da nação necessitava ser voltado para os céus, para as coisas espirituais e para Iavé, aquele que os amava tanto e de tal forma, que havia providenciado um profeta para entregar-lhes mensagem de arrependimento. 

Era reinado de Uzias, um período que corresponde a 792-740 a. C (Judá) e Jeroboão II 793-753 a.C. (Israel). Judá e Israel precisavam ouvir,  encontrar o caminho de volta ao relacionamento sincero e profundo com Deus, afinal aquelas nações haviam sido escolhidas para dizer ao mundo: "Ao Senhor Seu Deus adorarás e somente a Ele servirá". Como poderia o espelho do mundo, está tão manchado de sangue, obscurecido pelas trevas constantes que se apresentavam perante eles, conduzindo-os no secreto dos corações, nos lugares altos e baixos do relevo palestino? Eles precisavam ser feridos, para despertar da ilusão do pecado!


E Deus envia Amós, um boiadeiro e cultivador de sicômoros, para ser o farol, o portador de Sua mensagem. E os reis se aterrorizam com o agricultor que recusava título de profeta, mas cujas palavras cortavam qual navalha afiada:

"Foge daqui Amós, não profetizarás mais em Bétel, porque aqui é o santuário do rei" Amós 7:13.

E Amós responde: " Não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro e cultivador de sicômoros" Amós 7:14.

E essa fala de Amós, sempre mexeu comigo, porque ao reconhecer sua pequenez, ele se torna grande. Que mensageiro era esse? Retirado de detrás do rebanho, das copas das figueiras bravas, mãos calejadas e vestes puídas? Vai Amós, para o palácio dos reis, diz para eles que precisam obedecer a mim, tal qual os bois de tua boiada. Sim, essa gente farta e forte, precisa de um condutor, precisa aprumar as passadas, antes que eu os entregue ao matadouro. Vai  diz para esses nobres que eles não passam de figueira brava que só crescem e amadurecem ao serem feridos. Quanta profundidade nessa mensagem de Deus através de Amós!

Profeta fala, doa a quem doer. E hoje, não vivemos tempos tão diferente da época de Amós. As nações prosperam em inventos, ciência, comércio e as pessoas declinam em moral e relacionamento com Deus. Perseguem aqueles que falam firmemente contra as práticas de luxuria e outros pecados, e sempre há os tentam amenizar, tornar a mensagem dos profetas em algo amigável, em tempo de paz, quando o assunto é de intranquilidade. Mas para Deus não existe meio termo, ou é sim, ou não. O que Deus faz, através de Sua misericórdia e longanimidade é aguardar pacientemente que Sua mensagem seja ouvida e obedecida. Que os corações sejam convertidos pelo temor e amor ao Seu nome. Não nos enganemos tal qual Israel e Judá nos tempos de Amós.

As feridas dos Sicômoros.


Cultivador de sicômoros era Amós, o profeta também boiadeiro. Sicômoro é uma árvore de frutos semelhantes a figueira e folhas bem parecidas com parreiras. Podia ser encontrada em abundância pelas colinas de Israel:

"E fez o rei que em Jerusalém houvesse prata como pedras; e cedros em abundância como sicômoros que estão nas planícies." I Reis 10.27

Um aspecto interessante dessa figueira brava é que seus frutos precisam ser arranhados, cortados com algum instrumento pontiagudo para poderem crescer e amadurecer de modo que sirva para o consumo.  "O risco ou furo nos figos verdoengos do sicômoro provoca um acentuado aumento na emanação do gás etileno, o que acelera consideravelmente (de três a oito vezes) o crescimento e o amadurecimento do fruto. Isto é importante, visto que de outro modo o fruto não se desenvolve plenamente e continua duro, ou é estragado por vespas parasíticas que penetram no fruto e habitam nele para reprodução."

Sicômoros maduros


Essa mensagem,  Amós estava entregando a Judá e Israel, a mensagem dos sicômoros. A nação precisava ser ferida em sua vaidade para se tornar saudável e agradável. Quanta autoridade, quanta autenticidade na fala de Amós para os homens errantes, miúdos, verdoengos, sujeitos a vespas e parasitas. E essa mensagem serve para todos nós! A correção dói, obedecer ao Evangelho pode ser sofrido, doloroso, mas produz saúde em nós, crescimento! Todos precisamos de freio, de arrependimento, de renunciar as propostas do mundo, que se fazem presentes nas multidões. Precisamos  ficar a sós com Deus, buscar o silêncio contrastante aos numerosos passos humanos que seguem cegos os apelos desse século. Voltar, voltar a Deus, a cruz de Jesus!

Filho meu, não te esqueças da minha lei, e o teu coração guarde os meus mandamentos. Porque eles aumentarão os teus dias e te acrescentarão anos de vida e paz. Provérbios 3:1-2


Os sicômoros, lembremos deles. Em todo e qualquer tempo, porque Deus fala através do sofrimento, da dor e também da alegria (frutos saudáveis). É que Deus está em nosso cotidiano, a cada "risco" que nos faz derramar lágrimas, também crescer. Porque nada se conquista ou se perde sem aprendizado, mas que seja com Deus. Com  gratidão, reverência,  louvor. Com celeiros cheios ou vazios. Precisamos estar atentos, porque a prosperidade pode ser enganosa, mas a justiça de Deus é como o sol que jamais falha e ilumina os campos, após  noites frias e escuras E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra? Lucas 18:7-8.

Amós era a voz de Deus incomodando o pecado, riscando os figos, redirecionando os bois. E essa comparação não é insulto, porque o próprio Deus diz em Amós que muitas mulheres daquela época, estavam tais quais "vacas de Basã", só buscavam riqueza e fartura. Que assim não seja conosco. Mas que tal qual os figos cortados e machucados, sigamos firmes, nas pisaduras dAquele que sofreu em nosso lugar. A mensagem de Amós é atual e precisa ser ouvida por todos nós. Prosperidade nem sempre é sinal de benção, nem resultado de compromisso com Deus. Oprimir os pobres e satisfazer os desejos pecaminosos da mente e do corpo, desagradam profundamente a Deus. Que sejamos sensíveis a voz de Deus que nos fala através de coisas, por vezes, tão comuns, que tendemos a menosprezar. Deus trata o pecado de forma individual e também de forma coletiva: "Bendita é a nação, cujo Deus é o Senhor" Salmo 33:12. E uma nação abençoada se faz com pessoas que procuram obedecer a Deus.

Deus o abençoe.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Segredo do tempo e dos grãos de mostarda

Crianças japonesas em campo de mostarda


Wilma Rejane
A Tenda na Rocha



"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" Ec 3:1


"O presente, não é a única dimensão do tempo, mas é aquela, através da qual o tempo ganha significação", diz Merleau-Ponty. E essa meditação filosófica sobre o tempo, remeteu meus pensamentos aos versos Bíblicos do livro de Eclesiastes que tão perfeitamente ilustra o relacionamento humano com o relógio: há tempo para tudo.  O que é já foi, e o que há de ser também já foi; Deus fará renovar-se o que se passou. Eclesiastes 3:15. Somos passado e presente e sem o que fomos, nada seríamos. Mas sempre haverá tempo de escolhermos mudanças, de refletirmos sobre a vida (e a morte) e buscarmos a Deus com todo o coração, para que haja transformação.


O Reino de Deus é assim como o grão de mostarda ( Mt 13:31,32) e acho essa passagem fantástica, porque revela a grandeza das "pequeninas coisas". É que mudanças, nem sempre acontecem de um minuto a outro, mas de um minuto a outro elas estão sendo geradas pelo tempo, até que de repente, se veja a "enorme hortaliça que se formou, a maior de todas, que ocupou todo o território". E era só um grão. Por isso, não desistamos de buscar a Deus em todo o tempo, ainda que as respostas pareçam não vir, ainda que as coisas pareçam demorar a mudar, se perseverarmos, a "hortaliça crescerá".

Lembra-se de Davi? Deus o escolheu quando ainda estava por trás das malhadas" era um simples pastor de ovelhas, e dia a dia foi andando com Deus, obedecendo. Mesmo sendo ungido rei em Israel, aguardou o momento certo para substituir Saul, que há muito havia sido rejeitado para o cargo: pela soberba, inveja e tudo o mais que de mal fez. Davi cuidou do "grão de mostarda' persistiu mesmo quando tudo parecia desabar!Perseguido, jurado de morte, desacreditado pela família, mas firme com Deus dia e noite.


Lembra de José? Esse homem guardou os grãos de mostarda no terreno do seu coração, muito cedo. Ele olhava para secura, mas via os campos fartos.  A vida o maltratou, foram tantas circunstâncias que parecia impossível realizar os sonhos de se tornar um influente líder designado por Deus. Mas ele não deixou de regar os minúsculos grãos, nem mesmo preso, caluniado. É provável que o tenham chamado de perdedor, fracassado. Mas havia algo de especial em José, ele guardou a fé, acreditou em Deus, mesmo quando tudo parecia dar errado. E se não fosse o passado cheio de dificuldades de José, como dizer que ele viveu um tempo de vitória?


Nosso presente, dá significado ao passado e vice-versa. E se hoje, a vida, a sua e a minha, parece uma velha casa prestes a desmoronar, acredite, agora é o tempo de mudar! De pegar o pequenino grão de mostarda e plantá-lo no solo do coração que só pode ser fértil se estiver regado pela Palavra de Deus, pela fé no nome de Jesus ( Marcos 4:8)


As dificuldades vêm em nossas vidas por muitos motivos. Mas é necessário que lembremos que há males, causados por nós mesmos, por vícios que desagradam a Deus. Há males sob os quais não temos controle algum e por mais que queiramos, não depende de nossa força mudar a situação: doenças como câncer, a esterilidade e tantas outras coisas. Em todos os casos, jamais abandonemos o grão de mostarda que representa o Reino de Deus. Somente a fé no Verdadeiro Evangelho poderá nos dá tranquilidade e paz, poderá transformar campos devastados em terrenos cobertos de hortaliças, onde outros virão aninhar-se para serem alimentados.


Eclesiastes 3:14 Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam diante dele.

Houve um tempo em que vivi distante de Deus, tudo parecia ir bem, mas dentro de mim, havia um vazio incapaz de ser preenchido por mim mesma, pelas pessoas e coisas que amava. Mas quando tive um encontro real com Jesus, pude compreender a alegria que via descrita nos Evangelhos. A alegria que fazia com que homens louvassem mesmo estando aprisionados com mãos e pés amarrados. Pude compreender porque Jacó teve seu nome trocado para Israel. Compreendi que vitorioso não é quem não sofre, ou quem nada lhe falta, mas o que mesmo lhe faltando todas as coisas, ainda lhe resta o bem mais precioso: Jesus no coração. 


E depois que se compreende o que é viver através da fé no Filho de Deus, não é possível se desesperar, se sentir fracassado. A epístola de Romanos nos diz:  "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Romanos 8:35. Não sou capaz de descrever o conforto que me traz essa Palavra. Quão curadora ela é. O grão de mostarda jamais pode ser desprezado, o Reino de Deus se faz real em nós quando não O abandonamos, mesmo quando parece que tudo nos abandonou. 

É isso. Sobre tempo e grão de mostarda. Sobre fé guardada. Sobre a maravilhosa dádiva de viver na terra, sendo cidadão do Reino de Deus.


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Conheça o Vale de Elah: o lugar da batalha entre Davi e Golias






Wilma Rejane
A Tenda na Rocha


O lugar da batalha entre Davi e Golias ainda existe até nossos dias, preservado com o mesmo nome "Vale de Elah" : "Porém Saul e os homens de Israel se ajuntaram no vale de Elah, e ali ordenaram a batalha contra os filisteus" I Sm 17:2.  Elah significa carvalho, uma árvore muito comum na região.

Ainda é possível contemplar o riacho onde Davi ajuntou as cinco pedras que arrumou em uma funda, lançando-as direto no gigante Golias. O riacho atravessa o vale e recebe o nome de "ribeiro de Elah", é um riacho sazonal, seco na maior parte do ano. Por todo o riacho há abundantes seixos, pedrinhas de todos os tamanhos.

 Apanhando seixos em Elah


Nesse mesmo vale, Davi reuniu um exército de homens endividados em uma caverna "A caverna de Adulão". Adulão, é o nome de um sitio ao extremo leste do vale de Elah. Ainda hoje também é possível ver as inúmeras cavernas na região, mas é difícil afirmar em qual delas Davi se refugiou com os 400 homens, entre os mais pobres de Israel.




 Uma das cavernas em Adulão


Fiquei fascinada em saber que esse lugar ainda reserva características do tempo Bíblico em que ocorreu a famosa batalha entre Israel e filisteus. Esse é um dos lugares que gostaria de visitar. Conhecê-lo, ainda que virtualmente, me fez compreender melhor os caminhos percorridos por Davi para driblar ou vencer ou inimigos.

Frio, fome, feras, armadilhas traiçoeiras, tudo isso ele enfrentou por amor a Deus e a seu chamado de Rei ungido em Israel. Para que alcançasse a glória, antes lhe foi dado o vale. Elah, também é conhecido como "vale das sombras" e creio que nele Davi se inspirou para compor:

 Visão panorâmica do vale de Elah

"O Senhor é o meu pastor; de nada terei falta. Em verdes pastagens me faz repousar e me conduz a águas tranquilas; restaura-me o vigor. Guia-me nas veredas da justiça por amor do seu nome. Mesmo quando eu andar por um vale da sombra da morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me protegem. Preparas um banquete para mim à vista dos meus inimigos. Tu me honras, ungindo a minha cabeça com óleo e fazendo transbordar o meu cálice. Sei que a bondade e a fidelidade me acompanharão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do Senhor enquanto eu viver." Salmos 23:1-6


Relembrar Davi no vale das sombras, me fez firmar mais um versículo no coração: "Mas Deus garante; não nos dará provação maior do que podemos suportar" 1Co 10.13.

Davi poderia ter murmurado e lamentado enquanto esteve no vale, poderia ter desanimado, desistido, retroagido, mas não. Ele usou a geografia do vale a seu favor: a caverna para formar um exército, as pedrinhas para derrubar o gigante, os carvalhos para repousar à sua sombra... Isso nos diz algo?



Em Cristo.

sábado, 19 de maio de 2012

Enganoso é o coração do homem - Jeremias 17:9






Enganoso é o coração mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Jr 17:9




Wilma Rejane
A Tenda Na Rocha

Você sabe qual a origem da palavra “engano”? Significa “plane” : peregrinação ( Stong 4106) , é raiz de “planeta”. Eu nunca tinha parado para refletir sobre essa palavrinha de três silabas até ler na epístola de Judas: “Ai deles, porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré” Jd verso 11. Caim agiu enganosamente porque ao invés de cuidar do irmão, o matou. Balaão foi tentado a aceitar dinheiro e recompensas de Balaque para amaldiçoar Israel e Coré foi “engolido” pelo chão, após liderar uma rebelião contra Moisés (Nm 16:1-24).  Judas compara a ação dos três aos falsos mestres.

O engano faz com que cometamos coisas terríveis! Engano torna o homem peregrino, andando em círculos, “planeteando”. Andar em círculos não é algo agradável, nem próspero porque faz com que passemos pelos mesmos lugares muitas vezes  sem nunca chegar a um destino. Ou melhor: o destino do peregrino, é o abismo ( a exemplo de Coré). Por que? De tanto caminhar em círculos acaba por  formar uma depressão bem abaixo de seus pés, vindo a ser “engolidos” por ela. Foi isso que aconteceu com a maioria dos Israelitas quando da caminhada de 40 anos pelo deserto. Uma caravana de 600 mil homens (sem contar mulheres e crianças) saiu do Egito rumo a terra prometida e somente dois conseguiram chegar lá: Josué e Calebe.

Josué e Calebe não se deixaram enganar pelas propostas do mundo nem  pelas dúvidas lançadas por Satanás. Os demais murmuravam de tudo e todos: “ ah os alhos do Egito eram tão deliciosos ! A comida de lá era muito melhor que esse maná horrível vindo do céu! Não Moisés, não queremos esse seu Deus que faz mar se abrir e monte fumegar, queremos um bezerrinho de ouro que não fala, nem vê, nem ouve, sabe? É melhor porque ele não nos corrige, para ele tá tudo bem! Oh vida,  Deus disse que nossa terra  era a melhor de todas, mas só estamos vendo gigantes! Eles vão acabar conosco, afinal somos muito fraquinhos. Não queremos esses cachos de uvas enormes, nem as graúdas azeitonas, queremos alho, alho do Egito, será que nos entende?!"

De uma congregação de digamos três mil e quinhentas pessoas, apenas duas não estavam enganadas. Como disse Charles Chaplin: “A multidão é mesmo um monstro sem cabeça”. Quer dizer que Josué e Calebe nunca se enganaram? Deus disse que todo coração é enganoso, não existe nada no mundo que seja mais enganoso que o coração. E fazendo uso da etimologia da palavra “engano”: Não há nada no mundo que peregrine mais que o coração, ele anda por todos os lugares do planeta!! E quem é capaz de conhecer todo o planeta?!  Só Deus. Só Deus é capaz de conhecer o coração de cada homem, “Ele sonda o profundo e o escondido,  conhece o que está em trevas e com Ele mora a luz” Dn 2:22.

Interessante: Deus sonda o coração através da peregrinação, Deus sonda através do engano ! Como saber se escolhemos a Deus ou ao engano? Exatamente quando o engano se apresenta para nós: “Muito prazer, sou o engano quero te fazer uma proposta”! O engano por ser mentiroso, usa disfarce. Ele se apresenta como verdade, como algo que faz bem para o ego, para as vontades da carne e quando se percebe ( ou nunca se percebe) já se andou tanto em círculos que foi parar no abismo: de dose em dose, de passo em passo. Josué e Calebe resistiram ao engano porque escolheram Deus, em toda e qualquer circunstância: Tinha gigante? Deus é conosco para nos fazer vencer! Tinha multidões de inimigos? Um com Deus vence um exército!


Josué e Calebe desvendavam os disfarces do engano porque estavam na Luz, onde tudo se revela. O segredo desses dois homens estava justamente no coração, centro do agir! Em determinado momento da vida os dois se arrependeram dos pecados e se entregaram a Deus na certeza de que estavam seguindo a direção certa, não andando em círculos, mas rumo a um alvo! Josué e Calebe desejaram a Terra Prometida, eles contemplaram essa terra e nada nem ninguém era mais importante que o objetivo de chegar lá! Vejam como Deus é perfeito em tudo: se engano significa peregrinar, andar em círculos como um planeta, “arrepender-se” é andar para o alvo, acertar na marca, caminhar para um objetivo. Por isso que Jesus veio anunciando a salvação dizendo: “Arrependei-vos porque é chegado o Reino de Deus” Mt 3:2. Arrependei-vos = metanoeo (Strong 3340). Ou seja: mudem de direção, rumem a um objetivo!

Jacó peregrinou na terra de Cam (salmo 105:23) até ser provado e aprovado. Deus mudou seu nome de Jacó para Israel quando seu coração se converteu a verdade. Abraão peregrinou no deserto sendo provado por Deus até enfim, ser transformado: de Abrão para Abraão, pai dos que têm fé. Ou seja: Pai dos que não se entregam ao engano, não andam em círculos.  Quem não se deixa dominar pelo engano, rejeita o mal. Tem por meta chegar a Terra Prometida, a morada eterna. Assim falou apóstolo Paulo: “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação em Cristo Jesus” Fp 3:14. Paulo estava se negando a andar em círculos até ser engolido pelo abismo. Escolher Jesus é seguir para o alvo, é entrar pela porta estreita e pelo apertado caminho da salvação Lc 3:24.


Escolhi Jesus porque estava cansada de ser enganada. Cansada das muitas voltas pelos mesmos caminhos, do destino incerto,  da infidelidade dos 'deuses do Egito' que me escravizavam com promessas  de felicidade: enganos e mais enganos. Jesus é a Verdade que destrona e detona a mentira. Escolhamos Jesus que nos liberta de uma vez por todas dos enganos do Egito, que nos faz seguir avante e para o alvo!