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domingo, 19 de janeiro de 2020

Estudos Bíblicos diários (em vídeo): Café da Manhã Espiritual


A iniciativa Estudos Bíblicos - Café da Manhã Espiritual (Minutos com Deus), é um trabalho desenvolvido pela irmã Kaka Gomes e que objetiva compartilhar, a cada dia, uma pequena reflexão dirigida a partir de um versículo bíblico selecionado.
Através de breves vídeos, publicados no Youtube e em redes sociais, somos edificados com palavras de reflexão e exortação.

Canal do Youtube: https://www.youtube.com/channel/UC4Bl9olRK3Gzp6rgHzSLZLQ
Blog: https://estudobiblico.home.blog/
Página Facebook: https://www.facebook.com/estudosbiblicos.home.blog/


Ouça algumas das reflexões:


 




domingo, 5 de maio de 2019

150 esboços sobre a Oração e diversos outros recursos em livro gratuito


Uma antologia é fundamentalmente um filtro e uma espécie de condensador (meta)literário. Por seu caráter de antologia, e por antologiar gêneros diversos, como frases, sermões e orações, agregando a isso outros recursos práticos, este humilde e gratuito livro, que circula apenas em formato eletrônico, se configura num dos mais significativos livros sobre a Oração já publicados em língua portuguesa. 
Nosso objetivo, ao nos apoiarmos nos ombros de gigantes e usufruirmos dos recursos da lavra dos mais diversos irmãos e ministérios, não é trazer prejuízo a qualquer, mas prestar um serviço à Igreja de Cristo. E cumprir a vocação da literatura cristã de ofertar o melhor conteúdo possível ao máximo de pessoas possíveis, da maneira mais graciosa possível, rendendo nisso glórias ao Deus vivo, de onde todo o bem emana.
Estão aqui coligidas em torno de mil citações, de autores os mais diversos da cristandade, citações divididas em duas partes: Frases Gerais sobre a Oração e Frases sobre a importância da Oração nas obras de Evangelização e Missões.
Para além disso, coligimos 150 esboços de sermões sobre o tema da Oração. Tais esboços, claro esteja, prestam-se igualmente como estudos bíblicos, muito oportunos para os momentos devocionais em particular ou em grupo.
Coligimos ainda trechos de orações de grandes nomes do cristianismo, desde Pais da Igreja como Clemente de Roma até nomes recentes como Martin Luther King. Tais textos não devem ser tomados como modelos rijos e nem prestam-se a objetos para a repetição, mas objetivam apenas ilustrar e aclarar aspectos da oração e dar notícia da devoção e correição de fé de nossos co-herdeiros da graça de Cristo.
Como referido, agregamos a este livro recursos outros que poderão auxiliar todos aqueles que trilham os caminhos da comunhão divina através da oração. Concordância Bíblica ExaustivaDatas Comemorativas para a Intercessão específica, um modelo de Diário de Oração e outros recursos, são itens que irão enriquecer a devoção do leitor.
Oração é oração praticada; sua ciência é quase toda ela empírica, desenvolvida pelo contato dos joelhos no chão e a abertura de coração.
Que este humilde livro, mais do que agregar conhecimento teórico, enriqueça seu ferramental prático e lhe constranja a orar mais e melhor, crescendo de fé em fé, até assenhorear-se de todas as promessas de Deus a que só temos acesso através da oração.
Compartilhe este livro, sempre gratuitamente, com todos os irmãos ao seu alcance.

Sammis Reachers
Organizador

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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Um livro de citações em comemoração aos 500 Anos da Reforma Protestante




      Este é um livrinho singelo. São apenas 39 páginas, reunindo citações de temática diversificada da lavra daqueles que chamamos de Reformadores, tais como Lutero, Calvino e Zwinglio, e também dos assim chamados Pré-Reformadores, como Savonarola, Huss e Wycliffe, cujo esforço e eventual martírio foram precursores da Reforma maior que havia de vir.

      Neste ano comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Por ocasião de tal efeméride, devemos ter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

      Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No mais, aqui estão: os pais reformadores, em suas próprias palavras.



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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

AS OBRAS DE ARMÍNIO EM PORTUGUÊS



       Acabo de receber o esperado lançamento da CPAD, As obras de Armínio. Dividido em três volumes, a obra alcança mais de 1.500 páginas e é uma excelente oportunidade de conhecermos de primeira mão o pensamento do teólogo holandês Jacó Armínio (1560-1609), que ousou contestar o calvinismo, doutrina dominante na Europa, na época em que viveu.

       No primeiro volume (592p), há uma breve biografia do autor e a exposição de seu entendimento sobre doutrinas bíblicas clássicas, tais como: predestinação, providência divina, livre-arbítrio do homem, graça de Deus, perseverança dos santos, certeza da salvação, dentre outras. Suas opiniões sobre estes temas causaram grande controvérsia entre os calvinistas. No segundo tomo (464p), há a explanação sobre outros tópicos importantes da fé cristã, como por exemplo: perfeição das Escrituras, natureza de Deus, criação e ceia do Senhor. Finalmente, no último volume (487p), encontramos o debate escrito entre Armínio e o calvinista Francis Junius, professor da Universidade de Leiden, além de um exame sobre o tratado do puritano William Perkins sobre a predestinação.  


     Geralmente, os discípulos não repetem completamente os ensinamentos dos seus mestres. Eles os modificam por divergências pessoais, ou por fatores externos (políticos, sociais ou econômicos). Deste modo, muitos dizem que Calvino não é calvinista, assim como John Wesley, evangelista do séc. XVIII, não é wesleyano. Com a obra do teólogo holandês, lançada pela primeira vez no Brasil pela CPAD, poderemos, enfim, responder à pergunta: Armínio é arminiano? 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Do Conhecimento e do Conhecimento de Deus


"Wir müssen wissen. Wir werden wissen." (Nós precisamos saber, e nós iremos saber). Essa frase lapidar (literalmente: está inscrita em sua lápide, na pacata Göttingen), do matemático alemão David Hilbert, encontra um sutil paralelo no (para mim revelador e perturbador) versículo bíblico: "A glória de Deus é ocultar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis." (Provérbios 25:2). 
A própria Bíblia reconhece a sanha humana em busca do conhecimento; ainda que em outras passagens menospreze a sabedoria 'puramente' (pois seria isso possível?) humana, não deseja com isso negar a validade da busca por conhecimento e sabedoria, e mesmo como que valida e legaliza sua existência, como naquele que é (e uma vez mais esta é uma questão subjetiva, amigo leitor) para mim o mais significativo versículo bíblico, em relação aos meus anseios mais primevos, mais profundos de criança devoradora de enciclopédias: "Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido." (1 Coríntios 13:12). 
Há quem anseie Paz eterna; outros, a eterna comunhão com Deus, ou simplesmente (e, incluindo os santos e os hipócritas, isto engloba a maioria de nós), safar-se do Inferno. Mas que significado teria tal comunhão com Deus se eu não pudesse ADENTRAR o mistério-Deus, se eu não pudesse USUFRUÍ-LO como convém? Como não cobiçar o objeto-mór da sede de conhecimento de que fomos (por Deus ou pela Queda, ainda não pude discernir) feitos plenos - o graal e o líquido no graal e a Mão que sustenta a mão que empunha o graal, o de tudo a fonte, o lugar-pra-onde-retornar (pois após o Big Bang não há de vir o Big Crunch?): Deus Absconditus, o Deus que se esconde ("Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel". - Isaías 45:15). Cuja glória imarcescível nos atiça a violentamente buscá-lo.

Sammis Reachers

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A Queda humana e o nascimento da Esperança


“A poesia, a mais intima, é serva da esperança e esperança é transcendência. 
É a grandeza das pequenas coisas, o que não se corrompe”.
Adélia Prado

De nossa rebelião contra Deus originou-se a Queda; de nossa imediata rebelião contra a Queda originou-se imediatamente a Esperança.
Metaforicamente, a Queda deu-nos esses filhos: Caim e Abel, Morte e Esperança.
Se a Esperança é essa menininha tão forte, tão experimentada nos combates, ‘a última a morrer’, como assevera o ditado, é simplesmente porque ela nasceu em nosso dia mais negro, nossa noite mais densa, e como já falei em outro lugar, ela é plantação de Deus: a Queda a regou e fez germinar.
Sim, você pode fugir da especificidade da metáfora e tornar para a literalidade, você pode dizer: “Mas Caim matou Abel”. E eu lhe direi: Sim, e Caim não venceu; apenas deu o start, deu início à partida. Partida que foi vencida por um nazareno. 
Mas a guerra, vencida, continua: há bolsões de resistência e enclaves onde apenas o inimigo faz-se presente. A guerra precisa ser levada até eles; levada a todos os rincões. Para cada povo, língua e nação. E então, sim, virá o fim. Com o retorno do Filho do Homem, ou seja, o Filho da Esperança. Filho do Homem, Filho da Esperança: agora você pode entender melhor esse nome?

Sammis Reachers

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

KIERKEGAARD e a pedagogia do Desespero no eu humano


por Júnior Fernandes[1]


[...] se a tua vida foi ou não de desespero e, se, desesperado, tu ignoravas sê-lo, ou soterravas em ti esse desespero, como um segredo angustioso, [...] que pode então importar o resto! Vitórias ou derrotas, para ti tudo está perdido, a eternidade não te dá como seu, ela não te conheceu ou, pior ainda, identificando-te, amarra-te ao teu eu, o teu eu de desespero!
Kierkegaard, O Desespero Humano



            “Algum dia, não somente os meus escritos, mas até a minha vida e todo complicado segredo do seu mecanismo serão minuciosamente estudados”. Isso foi o que Kierkegaard previu para posteridade. Em vida foi um pensador esquecido, a filosofia hegeliana ofuscava qualquer brilho que cintilasse de um filosofar existencial. Hegel era moda à época. Não havia espaço para preocupações existenciais; assim, Sören Aabye Kierkegaard foi um filósofo solitário e esquecido de todos. Para fazer valer sua previsão, financiou seu próprio pensamento com a herança que o pai lhe deixara. Sua Obra compreende uma diversidade de escritos que permeiam o labirinto da alma humana: angústia, desespero, fé, pecado, singularidade são alguns dos temas da verve kierkegaardiana. Como nos diz France Farago, “sua obra é uma obra de iniciação à vida, aos caminhos que se deve percorrer no tempo para encontrar o que ela esconde de eternidade.”[2] Dado esse multifário temático, tentaremos abordar aqui o ser no mundo, marcado pelo desespero – a doença mortal, no dizer de Kierkegaard.

            Para o filósofo dinamarquês, a existência é como que uma escada, onde no primeiro degrau temos a fase estética; no segundo, a fase ética; no último, a religiosa. São os estágios existenciais, onde o existente pode ou não galgar o degrau superior. Segundo Kierkegaard, o desespero acompanha o homem em toda sua vida, isto é, em qualquer estágio em que ele se encontre; basta-lhe ser consciente de que é um indivíduo, um ser existente no mundo. No entanto, no estágio religioso, há uma possibilidade de cura para essa doença mortal. “O homem em estado de desespero, verifica que se desespera não de fatos contingentes, mas de si mesmo. O desespero kierkegaardiano constituiria, portanto, o fato de o indivíduo ver-se confrontado com a vacuidade, o vazio, que não pode ser preenchido pelos prazeres estéticos, nem pelas obrigações éticas.”[3]

            No estágio estético, o indivíduo vive apenas o instante, ou seja, aquilo que traga prazeres imediatos. Aqui, ele busca incessantemente fugir do tédio, do nada e, consequentemente, do vazio da vida.  Entretanto, quando tais prazeres se acabam – ei-lo em desespero. Este, na verdade, já estava presente em seu ser, só aguardava o momento de ressurgir e agravar os seus sintomas. Entretanto, quando a crise passa e o desespero mitiga em estado letárgico, volta o indivíduo, noutro instante, a viver – para usar uma tipificação kierkegaardiana – como um Don Juan; mal sabe ele que “em cada instante que desesperamos apanhamos o desespero”[4]. É uma “bola de neve”.

            Naturalmente um desesperado desse naipe vive especulando as situações mais prazenteiras; seu mundo de conveniências, apenas contribui para o não conhecimento de si; assim, vive em um constante escapismo dos sofrimentos que a vida lhe apresenta.
           
            “À medida que o homem – diz Leda Hume – vai se desencantando de suas ilusões, próprias ao mundo dos sentidos, ele vai adquirindo mais consciência da existência nas suas profundas contradições. Mas nem sempre isso significa libertação.”[5] Ao adquirir consciência, esta lhe faz notar a sua situação no mundo e a resultante disso será o possível aumento do desespero; assim, “a intensidade de desespero aumenta com a consciência”[6], ou seja, a consciência é o termômetro dessa febre mortal.

            O estágio estético precede o ético, sendo este um degrau superior em relação àquele. Para Kierkegaard, um dos sinais do estágio ético é o matrimônio. O casamento qualifica o indivíduo como ser responsável, aparentemente dotado de certa responsabilidade. Apesar disso, Kierkegaard não se casou. Viveu, como dissemos antes, solitariamente. O matrimônio é a noção do viver ético. Assim, o homem ético “tem, por exemplo, uma profissão sólida [...] e mantém um casamento; ele se realiza, portanto, na responsabilidade dos compromissos escolhidos [...]”[7]. Esse momento é evidenciado com mais intensidade na obra Temor e Tremor, que analisa a questão ética sob o prisma paradoxal da obediência-morte versus desobediência-vida; neste livro, Kierkegaard põe em apreço a fidelidade do patriarca Abraão, quando este recebe de Deus a ordem para executar, em Morija, seu filho Isaac. Claro que Abraão foi tomado pelo desespero, ao decidir pelo sacrifico: “quando se voltou para puxar a faca, viu Isaac que a mão esquerda do pai se crispava de desespero [...]”[8]. No entanto, Abraão vale-se da fé para transpor as divisas da ética e galgar o degrau do estágio religioso.

            Assim, em Temor e Tremor, Kierkegaard analisa através da esfera religiosa o problema da fé, onde o patriarca bíblico é confirmado como homem-modelo; visto que, mesmo diante da possibilidade aparente de destruir a semente de sua prole, prefere obedecer a Deus. Abraão a princípio não sabia o intuito de Deus: pô-lo à prova. No entanto, preocupou-se em obedecê-Lo, pois cria que, em meio ao paradoxo, Deus cumpriria a promessa que o faria pai de uma grande nação.
           
            Abraão, como vimos, escolhe o paradoxo, ou seja, supera o estágio ético da vida quando opta por obedecer a Deus sacrificando Isaac, seu filho. Aqui o desespero serviu para fazê-lo sentir que existia no mundo; a fé, porém, o remete para o face a face com Deus – a existência sublime.

            No plano teológico o patriarca não pecou, pois preferiu a obediência. No ético, porém, se houvesse a consumação do sacrifício, sobre Abraão descansaria o estigma de um criminoso. Certamente, isso seria para os céticos, passagem predileta das Escrituras para condenar o ato abrâmico. Todavia, a hipótese ética, nesse sentido, está fora de cogitação. Desse modo, ao obedecer, Abraão supera o plano ético da vida para, através da fé, “cair nos braços de Deus”.
           
O estágio religioso, evidenciado pela fé e o absurdo, denota o lado autêntico da existência; e esse existir verdadeiro é acentuado intimamente pela noção do pecado. Assim, a existência autêntica para Kierkegaard é a do cristão. Existir é viver para Deus; por isso, quanto mais consciente da ideia de Deus, mais o eu concretiza-se e torna-se infinito. Nesse estágio, o que leva o indivíduo ao desespero é a sua percepção do pecado. Esta noção de pecado é a consciência do próprio temor que este eu-teológico tem de pecar. É por isso que Kierkegaard diz que “o desespero é o primeiro elemento da fé”[9], e esta aponta para Deus como alívio dessa perturbação do espírito; no entanto o homem agora desespera por estar consciente de um eu perpassado pelo pecado.

            Devemos enfatizar e alertar que Kierkegaard é um pensador religioso. Acima de tudo defensor de um cristianismo puro e autêntico. Ele é considerado por alguns um Santo Agostinho contemporâneo. Entretanto, esse cristianismo que nosso filósofo defende não é aquele apresentado pela Igreja dinamarquesa de seu tempo, com quem rompeu e polemizou. Nem tampouco, esse que é pintado hoje, na forma de exploração mercantilista da fé. Com efeito, quantas seitas, movimentos secretos de tendência proselitista, religiões “cristãs” ou não, ao perceberem as pessoas sem esperanças, tomadas pelo desespero, apresentam e negociam seus “pacotes” de salvação? O cristianismo do filósofo do desespero é outro.

            Numa concepção kierkegaardiana, “‘tornar-se cristão’ outra coisa não é senão assumir a tarefa de apropriação existencial, vivida, daquilo que Cristo queria dizer já durante sua vida, quando se queixava de não ser compreendido [...]”[10]. Ou como cita Hohlenberg  uma passagem em que o próprio Kierkegaard refere-se a uma entrega total a Cristo: “Está lançada a sorte – atravessei o Rubicão. Certamente este caminho me levará à luta, mas não renunciarei. [...] Quero correr pelo caminho que encontrei e gritar a todos aqueles que encontrar: Não olhe para trás, como a mulher de Lot, mas lembrar-se de que estamos subindo uma ladeira”[11]. É assim o cristianismo kierkegaardiano: um salto de fé, uma paixão pelo paradoxo absurdo.
           
            Assim, o cristianismo autêntico requer um salto, como aquele que Abraão deu e fez com que o seu eu tornar-se “elevado a uma altitude, a uma potência superior.”[12] Eis o irracionalismo kierkegaardiano: o salto de fé.

            Com efeito, parecer-nos-á irracional, por exemplo, pularmos do último andar de um edifício em chamas, quando a razão nos aponta uma possibilidade de escape por meio de uma engenhosidade humana, mesmo que lá embaixo estejam nossos pais a clamar: “salte meu filho!” No entanto, se é uma criança que está no andar em chamas, basta somente que a mãe diga: “salte meu filho, nos meus braços, e estarás a salvo!” Logo a criança salta. Viver autenticamente em Cristo, portanto, é uma entrega total, um salto de fé para estar Nele.
           
            Em Kierkegaard, a fé, portanto, é o elemento que nos remete a Deus. Por meio dela a consciência do eu fervoroso eleva-se ao conhecimento de Cristo. Desse modo, o salto de fé transpõe o abismo da razão e do pecado, e conduz a Deus.

            Deduz-se que a existência autêntica é aquela que nos eleva a Deus pela fé em seu filho. Esta certeza não permite ser demonstrada em uma fórmula, ou no raio de uma lente microscópica, pois a fé prescinde toda probabilidade factual. Ela, pois, derrete o gelo da razão.

            Talvez tenha sido isso que levou Wittgenstein a dizer que “um pensador religioso honesto é como um equilibrista em corda bamba. Quase parece que ele está andando sobre o nada, apenas ar. Seu apoio é o mais escasso imaginável. E mesmo assim é possível andar sobre ele.”[13]

            Em suma, poderíamos, para melhor esclarecer, sistematizar da seguinte maneira: No homem de viver espontâneo, imediatista, para quem o pecado é apenas um troféu de suas proezas, o efeito do desespero é letal. No homem cristão, o desespero é um trampolim que o impulsiona em seu salto de fé. Desse modo, duas idiossincrasias, portanto, devem ser ponderadas a respeito do desespero: fé e pecado.

            Kierkegaard não fez apologia ao desespero, mas o identificou nos indivíduos como um sinal da existência do homem à deriva no mundo. Como possibilidade viável para cura desse mal, apresentou como “cavaleiro da fé” a mensagem de um cristianismo autêntico, livre das amarras mercantilistas e promessas de um falso paraíso. Por fim, registro aqui o desfecho de sua vida, quando aos 40 anos sofreu um colapso que o deixou com a metade inferior do corpo paralisada; pouco depois de um mês, sofreu outro ataque que o levou à morte. Não pediu, contudo, que em sua lápide fosse gravado o epitáfio “Aquele solitário”, conforme havia registrado em seu diário, mas a estrofe de um hino religioso:
           
            “Falta pouco,
            para eu vencer.
            Então todos os conflitos
            estarão terminados.
            Poderei descansar, então,
            no vale das rosas,
            entretendo-me sempre
            com Jesus.”[14]


BIBLIOGRAFIA


FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Trad. Ephraim F. Alves. Petrópolis-RJ: Vozes, 2006.
GARDINER, Patrick. Kierkegaard. Trad. Antonio Carlos Vilela. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
HELFERICH, Christoph. História da filosofia. Trad. Luiz S. Repa; Maria E. H. Cavalheiro; Rodnei do Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
KIERKEGAARD, Sören. O Desespero humano. Trad. Alex Marins. Porto Alegre: Marin Claret, 2002.
___________________. Temor e Tremor. Trad. Maria José Marinho. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Col. Os Pensadores)
REZENDE, Antonio (org.) Curso de filosofia. 10. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.



[1] Graduado em filosofia. Advogado. Prof. de filosofia na rede pública de ensino do DF. Autor dos livros O Sofrimento dos Filósofos e Trevas Trovões Trovas: escritos de uma noite escura (este, não publicado). Para citar o autor, use a referência: PIRES JR. J. Fernandes. 
[2] Compreender Kierkegaard, p. 20
[3] CHAUÍ, Marilena de Souza. Kierkegaard, vida e obra, XII – (Col. Os pensadores)
[4] KIERKEGAARD, Sören. O Desespero humano, p. 23
[5] In: REZENDE, Antonio (org.). Curso de filosofia, p. 210
[6] KIERKGAARD, Sören. Op. cit, p. 49
[7] HELFERICH, Christoph. História da filosofia, p. 336
[8] KIERKEGAARD, Sören. Temor e tremor. p. 115 (grifo nosso)
[9]   Idem, O Desespero humano. P. 74
[10]  FARAGO, France. Op. cit, p. 185
[11] In: Idem, Ibidem, p. 42
[12] KIERKEGAARD, Sören. Op. cit., p. 105
[13] Apud GARDINER, Patrick. Kierkegaard, 128
[14] HELFERICH, Christoph. História da filosofia, p. 337

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Quem precisa de Teologia?



Izaldil Tavares (O mais novo colaborador da Confeitaria Cristã!)

Para eu cuidar bem da minha saúde, preciso ser médico? Para não deixar incendiar a minha casa, preciso estudar o processo químico do fogo? Para viajar em avião, preciso ser piloto? Se não há tais necessidades, por que preciso valorizar tanto os estudos teológicos para ser um cristão?
Creio que devemos deixar a Medicina para os médicos, a questão das chamas, para os químicos e bombeiros, a condução da aeronave para os pilotos e a Teologia...para os que lideram nas igrejas.
Não estou me pondo de exclusivista; faço um raciocínio lógico, porque tenho visto uma supervalorização da Teologia, que provoca enorme interesse em grande parte da sociedade cristã evangélica, em detrimento do estudo orientado das Escrituras Sagradas.
Isso provocou o incremento de "faculdades" de Teologia, pelo país, que admitem alunos sem formação secular, enganando-os com uma inválida "identidade ministerial": maldade que instrui maldosos, os quais sairão a propagar seus desconhecimentos e heresias aqui, ali e acolá.
Ninguém precisa de estudos teológicos para aprender Bíblia numa Escola Cristã Dominical; mas todos precisam de um líder ensinador com preparo bem feito tanto na instrução secular quanto na teológica. O resto é enganação de incautos e roubalheira de espertalhões.
Outro problema nesse âmbito é que muitas pessoas têm entendido um ministério pastoral como possibilidade de carreira profissional e bem remunerada. Não há vocação; não há chamada divina para essa gente: são mercenários. Esses procuram "documentar-se" para seguir sua infeliz carreira. E encontram que os "documente".
Cabe-nos o papel de denunciar essa corrupção também no meio evangélico brasileiro.

Izaldil Tavares
Servo do Senhor Jesus Cristo. Bacharel em Teologia. Evangelista, consagrado ao Santo Ministério, na Igreja Assembléia de Deus Bereana, em São Paulo. Articulista no www.portalberana.com.br. Casado, pai de 4 filhos: Carlos Alberto, Luís Roberto, Eneida Cristina e Camila. Professor de língua portuguesa e suas literaturas, em cursos pré-vestibulares e preparatórios para concursos públicos. Autor de material didático para ensino de Português/Literaturas/Redação Ex-professor titular de Português/Redação no Programa Vestibulando (TV Cultura-SP). Ex-professor no Curso COC Vestibulares/Organização Sorocabana de Ensino, na cidade de Sorocaba/SP e Coordenador do Departamento de Língua Portuguesa, no Instituto Marconi, em São Paulo/SP. Mantém o blog http://prof2tavares.blogspot.com.br/

sábado, 31 de agosto de 2013

Reflexões do espírito e da carne



Me conheces desde antes daquele ventre, antes da materialização. Nasci em Teu coração no Dia anterior aos dias, o Dia que tornará. Pela Palavra, para a palavra me chamastes. Minha ambição única é empossar palavras que possam sequer aproximar-se de expressar as periferias da Tua Glória – como uma criança correndo descalça pelas ruas de chão, que estica e eleva as mãos ofertantes, e estica e eleva o louvor de seu sorriso, e expande e expande seu sorriso, sem medo algum, tentando tocar o Sol.

 * * * * * 

 Sim, sim, ELE não faz acepção de pessoas. Apenas confere a cada um meios de enxergar ângulos variados do mesmo horizonte. E conforme você vê, você faz. 

 * * * * * 

 A alegria naturalmente aproxima-te à órbita dos campeões, assim como naturalmente a tristeza te aproxima dos humildes. 

 * * * * * 

 Só posso conhecer um homem numa situação extrema; só conheço um homem depois de observar, quando prestes ao precipício, qual partido ele toma. 

 * * * * * 

 Parece-nos que o tempo de Deus demora, pois nosso tempo medimos em distância, e o dEle é medido por instância e sincronicidade. 
Mas um dia o trigo estará maduro na espiga, e Ele enviará o anjo para a colheita. 
 Livra de tosquenejar o anjo que vela minha seara, Senhor; e contempla: meus instrumentos de arar já estão embotados, e o acalanto que existe para renovar-me, faz cada vez menos efeito, menos sentido – e isso é fel quando o considero em meu coração.

 * * * * * 

 Cale-se diante dEle toda a Terra: 
 Pois não existe dor como a da onisciência. 

 * * * * * 

 Deus é o Deus que ordena que se ame não apenas os inimigos manifestos, mas igualmente o agente duplo, o de pensamento & coração dobre. 
 Nietzsche dizia e escrevia que o cristianismo é a religião dos fracos. Errou: é preciso entrar no estreito, é preciso envergar o jugo suave, para entender o nível de forças que o verdadeiro cristianismo requer. Pois no Universo do Deus ágape, amar em verdade é a maior manifestação de poder, é a ação que requer mais poder, dentre todas ao alcance de homens e também de anjos. 

 Sammis Reachers

sábado, 17 de dezembro de 2011

O “NÃO” PRIMORDIAL

Artigo de João Tomaz Parreira

(a sair na revista Novas de Alegria, Janeiro 2012)


Não foi um salmista que inscreveu nas Escrituras Sagradas vários primeiros “nãos”, quando compôs o Salmo 1 como “porteiro” para confrontar aqueles que querem estar na Congregação dos Justos.

Muitíssimo antes foi o próprio Deus que ao promulgar um vastíssimo conjunto de “sins”, determinou apenas um “não”. O Não primordial. “Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás” (Gn 2,17)

Até este momento, a relação de Deus com a Sua Criatura, o Homem-Adão, estruturava-se, digamos assim, numa palavra: o Belo ou Bom (“E viu Deus que era bom”). Expandia-se esse relacionamento primevo apenas em Direitos, não chegara o momento do Dever arquetípico e explicíto.

Alguém escreveu, para o contexto do Éden, que “a provisão feita por Deus é modelo do cuidado paternal” (1)

Adão teve um abrigo, não uma prisão sufocante. Adão não era ainda mortal, embora feito de matéria precária (o pó, o barro, a terra ), mas o sopro divino, vivificante, o distinguiria das outras criaturas.

O Criador não era um deus determinista, que lançava o homem na fatalidade. A primeira residência do homem na Terra não foi um deserto, havia Beleza inocente mas também havia sedução, e o mais importante do relacionamento Criador-Criatura era o livre-arbítrio, a liberdade no Jardim.

O Éden, pela localização que posteriormente se passou a conhecer na Geografia, não era um símbolo, nem tão-pouco um mito ou um ícone ideológico para falar do verde, do belo, era um lugar (“plantou o Senhor Deus um jardim no Éden”, 2, 8). A forma hebraica para dizer “deleite” acabou no grego da Septuaginta a dizer “paradeisos”, (“parque, paraíso”).

Esse Paraíso promovia direitos, antes de qualquer constituição política, o usufruto universal dos bens divinos, os consequentes “sins” da liberdade de Deus para o ser humano, personificado no primeiro homem. E a liberdade de Deus é como Deus, ilimitada, irrestricta, porque – como escreve o teólogo Bernard Ramm (2) - “Ele é o Criador livre, o Reconciliador livre, o Redentor livre”. E a liberdade que concede ao homem é para que seja criatura diante d'Ele, em primeiro lugar, depois, criatura perante o mundo, que Ele criou também.

Foi nesta liberdade que Adão ficou diante de toda a criação, no Paraíso. Não podemos identificar as árvores, todas as árvores do Jardim do Éden, todas pertenciam ao homem no seu gozo pleno dos frutos das mesmas. A misericórdia divina, via-se e vê-se na multiplicidade, na multiplicação. O único desejo e escopo divinos de extinção de alguma categoria, é, sem dúvida, do Pecado.

Mas a liberdade inefável de Deus queria reter para si uma árvore, não por Sua causa, mas por causa dos “danos” que faria ao homem; e o Senhor, sendo cioso do seu “não”, ainda assim libertou o ser humano para a possibilidade de Escolher. E escolher implica Crise, isto é, tem todos os riscos da mudança.

Contudo, o Senhor no Jardim do Éden não confrontou o homem com uma escolha obrigatória, segundo o pensamento de Kierkegaard, nem com alternativas previamente
determinadas, na existência de Adão abriu-se a possibilidade existencial da opção.

O possível acto opcional de Adão, sabia-o omniscientemente Deus, iria cortar a relação, a liberdade iria estar acima da comunhão porque a liberdade é uma parte essencial da natureza do homem, o espírito é a fonte dessa liberdade. Adão ouviu o “não”, como não deixou de ouvir os “sins”.

Não havia, perante Deus, no Jardim do Éden, condições prévias para desobedecer – porque isso equivaleria ao controle do determinismo.

Mas no exacto momento da sedução, a quantidade desses “sins” disponíveis pelos cuidados divinos sucumbiu à qualidade do “não” primordial, a proibição, qualquer proibição depois disso, carrega em si o mistério. E tragédia.

Se se obedece, fica-se sem desvendar esse mistério; se não se obedece, fica-se a conhecê-lo e à tragédia. Mas valeu a pena? No caso edénico? Foi o que Adão e Eva escolheram. Desvendar o mistério do fruto e a tragédia. Diria que os chamados “nossos primeiros pais” sucubiram à paixão do “Não”.

Porque esta paixão é difícil de explicar, na sua interioridade, salvo melhor opinião, por isso é que a desobediência ao “não” divino é mais vezes usada em hermenêutica do que em homilética.

Raramente se ouve uma pregação centrada na preferência do “não” contra os “sins”. Às vezes até parece que se prima por proferir uma pregação determinista, da fatalidade, porque estava no Éden Satanaz a determinar tudo, o que não é verdade.

UM NÃO DIVINO E UMA ATITUDE DO HOMEM

Ao lermos atentamente a narrativa do Génesis (2, 16-17), não podemos, contudo, ignorar o termo “ordenou”, na oração gramatical “E ordenou o Senhor Deus ao homem”. O vocábulo oriundo de “ordem” ( há versões/traduções da Bíblia que usam a palavra “ordem”), deve ser pensada não em termos legalistas ou policiais, mas de uma Aliança tendente à responsabilização de Adão ( do ser humano) diante do Criador.

Tal Aliança não colocou em causa a soberania divina nem a liberdade de escolha humana. Assim, isso leva-nos, finalmente, à proposta de outro pensamento sobre a atitude de Adão: numa Aliança não pode haver desobediência, pode existir traição, e Adão e Eva trairam. “Nunca se é traído, senão pelos seus” - é um aforismo clássico, suponho que da psicologia. Apesar de traído (no Amor sublime que dedicava à Sua Criatura), mais do que desobedecido ( na sua soberania divina), Deus continuou a Amar Adão e Eva.

O Deus do Éden é o mesmo, não houve um Senhor para o Jardim e Outro fora do Jardim.

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(1)Génesis, Introdução e Comentário, Derek Kidner, pág. 57, Mundo Cristão, São Paulo

(2) Diccionario de Teologia Contemporanea, pág 24 e ss, Casa Bautista de Publicaciones,1975

João Tomaz Parreira

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Uma Líder Na Reforma Protestante - Katharina Von Bora





Wilma Rejane

"Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher", diz o ditado. Sou admiradora de Martinho Lutero, líder da reforma protestante, mas pouco se fala de sua esposa. Tive, portanto a curiosidade de pesquisar sobre ela, a mulher que fez Lutero desistir da batina e formar uma família. É bem verdade, Lutero já não concordava com muitos preceitos do catolicismo, inclusive o celibato.

Lutero escreveu em um de seus artigos: "Quando Deus fez o homem e a mulher, Ele abençoou e lhes disse: "Crescei e multiplicai-vos.  Essa passagem nos da a certeza de que o homem e a mulher têm o dever e a obrigação de se unir para se multiplicar".


Katharina Von Bora


Nasceu em 29 de Janeiro de 1499, na Alemanha. Com apenas 5 anos de idade foi estudar em regime de internato, em convento católico, onde permaneceu até 1523.  Ela foi educada por um professor e aprendeu latim numa época em que as mulheres não conseguiam ler nem mesmo a própria língua. Katharina fugiu do convento com mais 11 freiras. Ela e as demais ouviram falar do Ensino Bíblico de Lutero, consideraram seus princípios e quiseram deixar o convento. Um comerciante ajudou na fuga.Pois é, Katharina Von Bora, foi embora do convento para sempre!

Casou com Lutero dois anos após a sua fuga, em 1525. Consta-se que ela era uma ótima gerente familiar. Apesar dos fundos limitados e um grande número de hóspedes, plantou legumes e comprou uma fazenda com criação de bovinos, frangos e cerveja fabricada.







O casal teve seis filhos e ainda adotou mais quatro. A família,era considerada modelo na Alemanha. Lutero chamava sua esposa de "estrela da manhã de Wittinberg". Katie viveu por mais seis anos após a morte do esposo em 1546.

Katarina abriu as portas da sua casa para que monges, freiras, padres que escancaravam seus corações pra verdade de Deus e se tornavam adeptos da Reforma se refugiassem, mesmo sabendo que estavam entrando num tempo de perseguição e isso pudesse resultar numa invasão ao seu lar. Existiram vezes, que 25 pessoas moravam em sua casa, sem contar ela, Lutero, as crianças e os  órfãos  de quem cuidavam!

Lutero nunca se negava a ajudar um necessitado. Sempre oferecia dinheiro a quem precisava e logo logo, acabou com as lindas porcelanas que Katarina ganhou de presente de casamento, vendendo-as para conseguir dinheiro e abençoar aqueles que lutavam pela causa da graça de Cristo! 

Katy cuidou de Hans Lutero, seu primeiro filho, ao mesmo tempo em que seu esposo passava por uma terrível depressão. Ela se sentava ao seu lado e lia a Bíblia pra ele edificando seu coração. Conciliou as tarefas da casa, de hospedagem, mãe, esposa com a árdua tarefa de ajudar Lutero na tradução das escrituras para o alemão. Ouvia os desabafos de Martinho e sabia que cada vez que ele saia para pregar podia não o ver voltar, pois quanto mais pregava, mais inimigos Lutero ganhava. Expandir o Reino e as verdades bíblicas significava para Katarina poder ficar viúva. Mas ela sempre o encorajava: “Deus cuidará de nós. Não tema! Pregue!”.

Ela era admirável. Sua postura permitia Lutero pregar livremente e arriscar sua vida pela Verdade! Katarina não escreveu nenhum livro nem pregou nenhum sermão, mas sua inestimável ajuda possibilitou que o marido fizesse isso. Ela foi um grande apoio pra ele. Como Lutero mesmo disse a um amigo: “Minha querida Katy me mantém jovem e em boa forma também (risos). Sem ela eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita bem minhas viagens e, quando volto, está sempre me esperando. Cuida de mim nas depressões. Suporta meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho e, acima de tudo ama a Jesus. Depois de Jesus, ela é o melhor presente que Deus em deu em toda a vida... Se um dia escreverem a história da Reforma da Igreja espero que o nome dela apareça junto ao meu e oro por isso.”.


Bem, Lutero ficaria decepcionado ao saber que o nome da esposa nunca é citado quando o assunto é Reforma da Igreja, mas aos mais sensatos nunca ficará esquecido o ditado reformado: " Ao lado de um grande homem, há sempre uma grande mulher" por isso, Katarina Van Bora marcou presença na história.


quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Não deixando a sua congregação - Hebreus 11.25



"Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.  E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e ás boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” - Hebreus 10.23-25.

Não se afastando da sua congregação... Congregação, no grego: episunagwghn / episunagOgEn.

É sempre importante usar os textos bíblicos contextualizados.

O versículo 25 está atrelado com os de números 23 e 24 no livro Hebreus, trata-se de uma frase só.  “Não deixando” não é um imperativo, mas “retenhamos” é... E assim sendo, vemos que o escritor faz a determinação: é preciso congregar. Ele explica a razão para que sejamos frequentadores de templos. Qual? Através da unidade entre irmãos confessar com firmeza a fé em Jesus Cristo.

O termo "episunagwghn" refere-se ao ajuntamento completo com o objetivo de adoração. O mesmo  substantivo também é encontrado em 2ª Tessalonicenses 2.1, mas vertido ao idioma português por João Ferreira de Almeida usando a palavra "igreja".

E.A.G.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Dançando Para Deus


“Todavia, eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação” Hc 3:18

Quando o profeta Habacuque faz esse propósito de viver em alegria, estava a contemplar os campos sem frutos, os currais vazios, o chão árido e  seus irmãos a gemer de fome.  Apenas alguém que vive através da fé pode ser conduzido a esse estado de esperança e ânimo, mesmo em meio às piores circunstâncias.

A alegria da confissão de Habacuque, no grego é “Gil”, sugere “bailar de alegria” ou “saltar”, no original significa: "rodopiar em redor com movimentos intensos”. Foi exatamente isso que fez o Rei Davi em 2 Sm 6:16; "E sucedeu que, entrando a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, a filha de Saul estava olhando pela janela e viu que Davi ia saltando e girando acrobaticamente..." O Rei estava se alegrando no Senhor.

Alguma vez você foi movido a dançar para o Senhor em meio a um campo devastado? Agradeceu a chuva e a colheita que estaria por vir? Pode ser que alguém o chame de louco por isso, mas foi o que Habacuque ousou fazer.

No Evangelho de João também está escrito: “Abraão alegrou-se por ver o dia do Senhor” Jo 8:56. Ou seja, Abraão dançou intensamente após receber a promessa de um herdeiro que por sinal se chamaria: Isaque ou “riso”: “E chamou Abraão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, Isaque”. Gn 21:3.  A esterilidade de Sara resultou em riso para o casal.  Mas não foi em vão, foi através da fé . Abraão sorriu em meio à sequidão: - "Sara, vamos ter um filho, ele se chamara riso."


"Sabei, pois que os que são da fé são filhos de Abraão” Gl 3:7.

Sou grata a Deus por todas as vezes que Ele me fez sorrir nas adversidades. Quando pude ouvir a voz suave do Espírito Santo contrastando com o turbilhão de vozes negativas. O mundo é assim, uma marcha solene sob o jugo da escravidão, cuja melodia impõe medo, dúvidas, desilusões e morte. Um a um cambaleia rumo a um destino desprovido de graça.

Mas a voz de Deus nos convida a se alegrar, dançar como Habacuque, Davi  e Abraão embalados pela fé, pela certeza do que olhos, ouvidos e mãos alcançarão trazendo a existência, as coisas que não são como se já fossem Rm 4:17. Que assim seja para você, amado leitor. Que através da fé, possas contemplar as promessas do Deus que ama a todos incondicionalmente e que tem por vontade trazer riso, dança , alegria para nossas vidas,  para glória do Seu nome.


Wilma Rejane.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

DUNAMIS: O PODER DE DEUS EM AÇÃO

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“Mas, recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.” Atos 1.8

 “O Espírito Santo é a garantia do poder de Deus para cumprir o nosso chamado aqui na terra.” Dave Roberson

     Tenho tido a oportunidade e privilégio de ministrar ao Corpo de Cristo sobre a vontade de Deus em manifestar o Seu poder sobrenatural na vida de todo cristão. Sou uma testemunha ocular dessa  “força sobrenatural”  que opera a vontade Dele de forma maravilhosa, poderosa e miraculosa na vida daqueles que recebem de bom grado a mensagem do Evangelho. Creio que todo cristão necessita buscar a plenitude do Espírito Santo e a manifestação de Seus dons através de sua vida, pois “a manifestação do Espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso”. E ainda: “segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais...’’.(1 Co 12.7 ; 14.1). Paulo, o apóstolo, já advertia os crentes em Éfeso dizendo:  “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito’’(Ef 5.18). Creio fielmente que é desejo do nosso Deus que cada um de Seus filhos seja cheio do Espírito Santo e que o poder do Altíssimo opere em suas vidas e através delas. Esse “poder” é o segredo do sucesso da missão da Igreja. Pense nisso.

     Entendo que o propósito de todo cristão ser cheio do Espírito Santo é eminentemente prático. Aliás, os discípulos de Cristo no dia de Pentecostes “ficaram cheios do Espírito Santo...’’ (At 2.4), porque os mesmos enfrentavam uma tarefa sobrenatural, onde necessitavam também de um poder sobrenatural para dar testemunho Dele, pois “com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus...’’(At 4.33).  Aliás, há uma série de termos para "poder" no Novo Testamento(NT). O evangelista e médico amado, Lucas,  empregou a palavra grega dunamis em Atos 1.8, mas existe também exousia, thronos, bia, ischys, kratos e keras. Por que dunamis foi escolhido para revelar e registrar esse ‘’poder’’ do Espírito Santo na vida do cristão?  Vejamos: exousia é traduzida como "autoridade". Porém, geralmente era empregada num contexto político(Rm 13.1-3). Thronos  significava a pessoa que detinha semelhante posição de autoridade ou força.  Bia está relacionada ao emprego da força coerciva. Ischyskratos significavam força física. E keras, por sua vez, indicava força e, juntamente com kratos, formam as duas palavras do NT cujo significado fica mais próximo de exousia edunamis.

     Porém, dunamis tem um sentido todo especial. Lembre-se que a plenitude do Espírito concedia esse poder (dunamis) de que os apóstolos precisavam para a batalha sem tréguas em que se engajaram (Ef 6.10-18). Essa capacidade sobrenatural a que o texto de Atos 1.8 se refere, tem o sentido de habilidade, “uma força herdada que reside em alguém pela virtude de sua natureza”. É a palavra que revela o poder de Deus em ação. É a palavra que demonstra a virtude do Espírito em plena atividade  na vida do cristão. Aleluia! Assim, o evangelista Lucas escolheu dunamis, pois é a palavra por excelência para se referir ao poder do Espírito Santo em ação na vida dos que Nele crêem. O próprio Senhor Jesus disse aos discípulos "... permanecei, pois na cidade", aos quais  Ele havia comissionado para evangelizar o mundo, "até que do alto sejais revestidos de poder..." (Lc 24.49; At 1.8).  Por isso, a plenitude do Espírito é uma experiência essencial e indispensável para o sucesso no ministério cristão. É mandamento da Bíblia: ”...enchei-vos do Espírito.’’(Ef 5.18). E você, meu amigo(a)? Tem buscado verdadeiramente ser ‘’...cheio do Espírito Santo’’? Tem buscado ser cheio desse “poder” ?  Pense nisso.

      Querido(a), estar cheio do Espírito Santo e do Seu poder é um direito de todo cristão e também um dever. Ser cheio do Espírito Santo é deixar ser totalmente controlado por Ele. O seu intelecto, suas emoções, sua vontade, suas forças físicas, tudo fica a disposição do Espírito, para que sejam alcançados os desígnios de Deus. A minha oração é que cada cristão nessa cidade, nesse estado e em toda essa nação seja uma verdadeira voz profética e uma potência espiritual nas mãos do Altissímo, pois assim diz o Senhor nosso Deus: “ Filho do homem, come este rolo, vai e fala à casa de Israel’’ Ez 3.1. Aleluia! Ele espera isso de você!  “Em Deus faremos proezas...''

No amor de Cristo,  Pastor M. Price*-  www.mprice.com.br  /   www.mpriceg.blogspot.com



*Missionário e médico. Presidente do Diretório Estadual no RJ e Conselheiro Nacional da Sociedade Bíblica do Brasil. Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Evangelista e radialista. Coordenador geral da C.E.U (Capelania Evangélica Universitária) na UERJ. Escritor e colunista de vários jornais e revistas cristãs no Brasil.
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