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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Simplicidade é o caminho para Deus



Diferentemente dos religiosos de sua época, Jesus apresentou o Deus acessível e simples, que pode ser encontrado e adorado fora dos lugares e dias especiais.

Deus não depende de pontes, rituais,  sacerdotes, instituições, métodos, shows, pirotecnia, fumaça, portais, templos, luzes, palavras mágicas ou intermediadores para  se acomodar no coração dos pequeninos e também daqueles que se sabem menos dignos.

Sim! A grande notícia anunciada em e por Jesus é que Deus construiu uma casa entre nos. É encontrável! E Jesus vai além em sua pregação e ensino: pela primeira vez, Deus é chamado de "paizinho", demonstrando, assim, o grau de relacionamento possível com Ele.

Olhar para Deus como uma entidade distante e inacessível em vez de percebê-lo como um pai atencioso, amigo, presente e amoroso faz toda a diferença no tipo de relação que se constrói a partir daí.

O grande problema é que os atravessadores da fé até hoje fazem muita propaganda e se apresentam como "despachantes do divino" com credencial exclusiva.

O povo, que já não enxerga um palmo à frente, os segue como que se os seguindo estivesse seguindo o próprio Deus.

Eis aí o óbvio motivo do porque as religiões costumam gerar os seres mais alucinados e desconectados das realidades: são seguidores de todas as loucuras humanas, dos egos megalomaníacos dos líderes, da esquizofrenia de tentar se fazer caminho para Deus ao invés de apenas e simplesmente anunciá-lo. Sem curvas, sem desvios e sem letreiros luminosos.

É tudo engano! São cegos guiando outros cegos para a beira do precipício.

Jesus ensina que não existe fórmula mágica, lugar "santo" ou ritual para falar com Deus. É preciso apenas um coração sincero e vontade de aprender.

A gente sabe de tudo isso, mas nossa prática está longe de ser tão simples assim. Somos viciados em rituais, metodologias, altares de pedra, símbolos mágicos e sacrifícios.

Ainda temos medo de olhar o divino de frente sem apresentar uma oferenda, uma galinha ou até dinheiro. Ainda olhamos para Deus e o cultuamos como se ele precisasse dos nossos cânticos e orações para não ficar irado, se saber e se fazer Deus.

Não estou dizendo que cantar, orar e fazer isto ao lado de outros irmãos seja ruim ou desnecessário, muito pelo contrário! Os encontros comunitários, com gente sadia, do bem, são espaços de amadurecimento e crescimento pessoal, mas eu afirmo que um relacionamento saudável com Deus não depende exclusivamente dessas coisas para existir.

Tudo começa na simplicidade. Sem "neuras" e sem ensaios. E o Deus de toda a Paz vai realizando seu trabalho em nós dia a após dia. Limpando o que estiver sujo, curando o que realmente precisar de cura e nos libertando de todos os poderes da morte.

Tudo isso sem ritual agendado e sem magos ou sacerdotes. Sem campanhas, sem encenação, sem "atos proféticos", sem sacrificar animais ou bens. É simples assim. Quem ensinar ou pensar diferente ainda não conheceu Deus de verdade.



O Deus que É te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

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sábado, 22 de março de 2014

Só Jesus não salva!




Conheço todo tipo de gente que crê em alguma coisa. Sim! Todo tipo de gente e de fé. Tenho amigos evangélicos legais e também evangélicos alucinados adoecidos. Possuo amigos católicos praticantes, católicos não praticantes, espíritas, Nova Era, bruxos, umbandistas, deístas, budistas e até gente que não crê em nada além de si mesmo, nem em Deus! Também conheço os que apenas se convenceram acerca de alguma estrutura de fé e não enxergam um palmo a frente de seus olhos...

O interessante de se encontrar com pessoas e cabeças tão divergentes é que a gente vai aprendendo a discernir e respeitar o ser humano além da sua roupagem cultural e religiosa. É possível aprender (com certa limitação, é claro!) a ter um olhar mais apurado, voltado para o coração e não somente para o exterior, para a aparência, para as camadas mais superficiais do ser.

É um exercício diário tirar as escamas dos olhos e começar a perceber as sinceridades e também as emboscadas de quem tenta fazer contato (e contratos) com Deus por puro hábito mecânico, sem verdade, ou por medo mesmo.

O que percebo, com o aprendizado deste convívio, é que a religião, seja ela qual for, em algum ponto pode adoecer e aprisionar as pessoas em angústias e neuroses que vão se enraizando sem se perceber e sem se deixar tratar. A religião verdadeira não é encontrada em um simples ou complexo sistema de crenças. Não pode ser baseada na barganha ou no medo. Ela é experimentada no caminho diário, ritmo e curso natural da própria vida. Não só com palavras e aparências, mas com a prática do que se crê e da capacidade de se viver sem angústias em Deus e para Deus.

O problema é que muitos fazem do nome JESUS e da fé no nome de Jesus uma fé em si mesma, enclausurada e minimizada nas letras e na pronúncia. Ou seja, acredita-se no poder da junção ordenada das letras e no poder da entonação forte dos fonemas. Nada além disso.

Sem perceber, as pessoas passam a crer mais na formação correta da "palavra mágica" JESUS  que no ser além das letras. A palavrinha JESUS não possui poder nela mesma nem pode salvar qualquer pessoa. Quem salva é Quem está acima da letra e da capacidade de se pronunciar em qualquer língua as sílabas do Nome Eterno.

O que estou dizendo é que a fé nas letras J-E-S-U-S nem sempre é fé na PESSOA Jesus e que pode-se crer na pessoa Jesus e viver um encontro real com Deus sem, necessariamente, saber, conhecer ou pronunciar a palavra Jesus.

O apóstolo João, em seu evangelho, a respeito do ser Jesus, diz que o "Verbo se fez carne e habitou entre nós", em outras palavras, em Jesus, Deus se fez "encontrável", se materializou, construiu uma casa entre os homens. Não se trata mais de um sistema de crenças, de dizer, cantar ou gritar o nome correto ou da forma certa, mas de poder encontrá-lo na vida hoje, agora e em qualquer tempo até sem palavras e ritos.

Outras vezes, do mesmo modo, as pessoas transferem a fé para o objeto de culto. É a fé no crucifixo, na vela, na oferenda, no sacrifício, no púlpito, no altar, no monte, no sagrado, no culto, na música e até em outras pessoas. Esta fé também não resolve e reduz a vida a uma relação empobrecida de "encontro" com Deus somente nestes ambientes e objetos, quando, na verdade, Deus está para além do que se vê e do que se toca. Esta é uma característica inegável de Deus! Nenhuma religião ou lugar do mundo pode prendê-lo ou domesticá-lo!

A fé verdadeira produz vida com abundante confiança, mesmo nos mais profundos momentos de tristeza e dor. Sem muletas, sem amuletos, sem lugares especiais. A fé é um encontro diário, livre e renovador com Deus até para quem não sabe como crer.

Não se trata de fazer de conta que a dor não exista. Também não é uma desculpa alienada para fingir que "está tudo bem". A fé vivida em sua forma mais genuína e livre capacita a gente para encarar de frente a dor, a perda e até a morte. Sem medo, sem fingimento, sem angústias. Pode-se até vacilar, perder as forças e apertar o nó na garganta, mas a gente levanta, segue em frente porque sabe de verdade que não existe fim para quem crê assim. O encontro é real e vivo!

Também, a Palavra de Deus vai entrando e se enraizando por todos os modos no nosso entendimento e ganhando cada vez mais chão e razão. Não somente através de um "livro sagrado", mas através das Boas Novas diárias, reveladas no papo com os amigos, nas festas em família, com gente querida, no andar com quem se ama, no se perceber perdoado e no oferecer perdão, pão e a mão.

Percebemos e aprendemos que Deus fala e vai falando sempre como Ele quer, às vezes usa quem nós mesmos julgamos não serem "dignos" disso. Outras vezes é no silêncio, na incerteza e na simplicidade que Deus se revela como amigo sempre presente.

A fé em Deus vai se moldando delicadamente como que pelas mãos de um habilidoso e caprichoso escultor. Até um certo ponto a massa é informe, não se sabe bem o que resultará dali. Mas o escultor tem um objetivo, ele vai amparando e apertando o barro para dar forma e o que era apenas um monte de barro vai ganhando qualidades, contornos e depois cores e detalhes mais particulares. Este processo de modelagem diária vai trans-formando a fé em algo real, palpável e eterno.



O Deus que não precisa de nomes para ser adorado o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

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sábado, 27 de julho de 2013

Em seus passos o que Jesus JAMAIS faria?

 


"Em seus passos o que faria Jesus?" é o título de um livro escrito por Charles Sheldon e publicado originalmente em 1896, nos Estados Unidos, com o título "In His Steps".

A obra conta a história de Henry Maxwell, pastor da Primeira Igreja da cidade de Raymond, que vive honestamente sua vida confortável e sem contratempos, até o dia em que surge em sua igreja um homem pobre e necessitado. O episódio o leva a questionar seus próprios valores, o seu modo de vida e prioridades, colocando diante de si a inquietante questão: "O que Jesus faria?".

A partir disso, decide propor aos fiéis de sua igreja que se comprometam durante um ano a não fazerem nada sem antes perguntarem o que Jesus faria na mesma situação. O desenrolar da história descreve as experiências, tanto de satisfação e realização pessoal, como também de conflito e incompreensão que vão enfrentando à medida que se empenham em levar adiante o desafio proposto.

Hoje em dia há tanta gente doente e inescrupulosa dizendo agir "em nome de Jesus", proclamando da boca para fora "seguir os passos de Jesus", mas negando-o nas atitudes, enganando, extorquindo,  manipulando e oprimindo que fica difícil encontrar Jesus, de verdade, nos passos destes. Ainda que eles gritem ou cantem nervosamente o nome de Jesus o tempo todo e façam até alguns aparentes sinais milagrosos.

Algumas vezes a imagem e referência do Jesus dos Evangelhos se apaga e se confunde com tanta demonstração tosca do que querem erroneamente fazer parecer Jesus, mas nem de longe se parece efetivamente com os passos de Jesus.

Mais do que levantar questões meramente morais ou culturais, percebo a urgência de esclarecer o que não representa e jamais se veria na vida prática do verdadeiro Jesus dos Evangelhos.

Acredito que boa parte do engano se dá pelo fato das pessoas não lerem e não conhecerem minimamente os Evangelhos, além da grande distorção que se faz com as escrituras por dinheiro ou para fazer perpetuar os domínios aprisionantes das instituições e dos rituais de poder humano.

Jesus jamais exigiu sacrifícios pessoais, esforço financeiro ou físico, presentes ou qualquer tipo de oferta para abençoar, curar, salvar, purificar e orientar as pessoas a sua volta.

Jesus jamais utilizou seu poder como estratégia de marketing pessoal. Embora os milagres fossem um sinal para que as pessoas cressem, e muitos o buscavam por causa dos prodígios e do pão que era multiplicado milagrosamente, Jesus jamais utilizou isso para segurar o povo a sua volta.

Jesus jamais distribuiu pão só para garantir plateia e ter a quem evangelizar.

Jesus jamais rejeitou qualquer pessoa por não professar a fé da mesma forma que ele a professava e a entendia. Mesmo Jesus frequentando sinagogas, tendo nascido no judaísmo, jamais deixou de andar e falar com pagãos, gentios, pecadores e toda sorte de gente considerada impura para os padrões da lei de Moisés.

Jesus jamais deixou a lei da religião ser mais importante que a vida e a misericórdia.

Jesus jamais deixou de amar. Jamais recusou a mesa e a comunhão mesmo a quem ele, de antemão, já sabia que o trairia. Até diante da angústia, do medo e do abandono, Jesus jamais se deixou ser vencido pelo rancor.

Jesus jamais usou em benefício próprio a influência que exercia sobre os discípulos.

Jesus jamais ensinou expandir o Reino através do acúmulo de bens ou da construção de templos.

Jesus jamais fez conchavos políticos, acordos com Roma ou com a religião dominante em troca de favores, cargos e liberdade para continuar pregando o que e onde bem quisesse.

Jesus jamais deixou de dizer a verdade por medo ou conveniência.

Jesus jamais disse a verdade para agredir, ofender ou provocar vaziamente.

Jesus jamais disse a verdade só para provar que estava certo.

Jesus jamais usou a verdade, ao contrário, se deixou ser usado por ela.

Jesus jamais denunciou o pecado sem amor, de forma constrangedora, ameaçadora ou sem acolher até as últimas consequências o próprio pecador envolvido.

Jesus jamais tratou os pecados particulares das pessoas de forma pública e vexatória.

Jesus jamais se deixou levar pela aparência externa. O que o fazia se desdobrar em misericórdia era a sinceridade interior e despretensiosa.

Jesus jamais ficou indiferente ao sofrimento, fosse ele de ordem psíquica, espiritual ou física.

Jesus jamais tratou com diferença pobres e ricos. Se alguma diferença ficou evidente, jamais foi contra a justiça.

Jesus jamais deixou de ser humano, mesmo sendo Deus se fez servo de todos.

Muitas outras coisas jamais se encontrariam no espírito e nos passos do Jesus dos Evangelhos, da Palavra de Deus feita carne, materializada e revelada definitivamente aos homens. Os passos de Jesus são reconciliadores,  libertadores e despertam para a vida ainda que tudo a sua volta seja caos e morte. O que não se enquadra no Deus que se entrega por amor e misericórdia não cabe nos passos de Jesus.


O Deus que jamais se deixa enganar nos ensine a discernir nossos passos e nos abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Download gratuito do livro Ovelha Magra

Agora você pode ler o livro Ovelha Magra no seu Tablet, Smartphone ou E-reader.
O livro está no formato ePub. Para baixar é só clicar na imagem abaixo e seguir as instruções. O download será liberado depois que você publicar uma mensagem no Twitter ou Facebook. Boa leitura!


Se você quiser ler o eBook no seu computador, instale gratuitamente o Adobe Digital Editions.
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terça-feira, 28 de maio de 2013

Que lógica existe em Deus?



Nenhuma! Não existe qualquer lógica em um Deus que escolhe as coisas loucas deste mundo para ensinar e envergonhar as sábias! Quem tenta encontrar respostas científicas sobre Deus, mensurá-lo, codificá-lo e medi-lo empiricamente só encontrará no final deste caminho surpresa e frustração.

O Deus a respeito de quem Paulo, o apóstolo, declarou "Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?" não pode ser enclausurado e amarrado por respostas meramente humanas ou ritualísticas.

Não sei por quais motivos Deus permite que pessoas boas vão-se embora de maneira trágica e triste, enquanto uma infinidade de pessoas que gastam suas vidas se dedicando à maldade continuam aparentemente impunes. A lógica humana inverteria essa proposta, mas parece que Deus não liga para a lógica humana ou tenha uma resposta muito mais complexa e emaranhada para dar que a gente não consegue entender.

Talvez seja como tentar explicar para uma criança de dois anos os conceitos mais profundos da física quântica.

O fato é: não existe teoria que explique satisfatória e definitivamente porque Deus age assim.
Essa mania que Deus tem de amar insistentemente o homem e perdoá-lo, ainda que seja o mais terrível dos homens, derruba toda a lógica atribuída a Deus. A Graça e o Perdão oferecidos por Deus ao homem mau desconstrói todo o arquétipo que se tem, desde a antiguidade, da divindade que exige sacrifícios humanos para aplacar sua ira.

Definitivamente, as religiões tentam, mas não conseguem explicar Deus. Vejo as mais variadas figuras sacerdotais e institucionais tentarem segurar Deus dentro da sua pequena dimensão de mundo e filosofia da religião, mas Deus não se deixa ser segurado. Ele escapa sempre do controle da religião.

No entanto, a despeito de todas estas coisas, Deus é simples! Mais simples do que tentar dar respostas sobre ele ou o seu significado racional. O segredo do encontro sem explicação com Deus é a rendição, o coração humilde que não exige respostas, mas ama apesar de não entender. Quer apenas viver e descansar Nele... E se satisfaz no encontro.

É como quem namora. Quem ama não se pergunta pelos "porquês", mas admira o encontro, o olhar, o carinho, o aconchego.

O Deus revelado em Jesus, não o Jesus imposto pela religião, mas o Jesus amigo, companheiro, Deus conosco, Príncipe da Paz, Pai da Eternidade, Conselheiro, não pode ser definido por teorias da religião, mas somente vivido e experimentado no abraço e nas mãos dadas com o irmão que caminha ao nosso lado.

Conhecemos Deus na mesma medida e intensidade que nos conhecemos mutuamente e nos deixamos ser conhecidos. Provavelmente, por isso Jesus tenha dito: "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei". Embora Deus ouça nossas orações feitas solitárias em nossos quartos, é no convívio em comunidade que praticamos sua presença.

O perdão que recebemos de Deus é praticado e "devolvido" ao nosso irmão diariamente, setenta vezes sete, se for preciso. Porque Deus nos perdoará da mesma forma que perdoamos aqueles que nos ferem.

O Deus que a ciência tenta encontrar solitário nos tubos de ensaio está explicitamente revelado na oração de bondade  gratuita que se faz por um amigo enfermo ou pelo consolo entregue a quem chora ou sente fome.

A revelação de Deus não depende do templo ou do ritual, não depende da oferta que se faz, não depende de sacrifícios nem de lugares e horas marcadas.



O Deus que se revela no chão da simplicidade o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

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sábado, 23 de março de 2013

A guerra dos "ismos"




"Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestiais." (Efésios 6.12)

Eu já disse (aqui) o que penso sobre o tema da homossexualidade e os direitos civis das minorias, sejam elas quais forem, e como este assunto deveria ser tratado pela igreja. Eu disse "deveria", porque a igreja institucional, em sua grande maioria, ainda está muito longe do que aprendemos com Jesus sobre como se deve tratar um irmão que consideramos pecador.

Hoje, antes de continuar o texto propriamente dito, preciso colocar alguns pingos nos 'is' e fazer uma distinção importante entre as palavras homossexualidade e homossexualismo.

Homossexualidade é a condição, seja ela natural ou não, genética ou cultural/comportamental/espiritual, à propensão, inclinação ou tendência ao desejo por pessoas do mesmo sexo. Esta afinidade é, na maioria das vezes, involuntária.

Homossexualismo é ideologia. É uma crença. É como a opção que se faz por um partido político, um time de futebol ou escovar os dentes com a torneira fechada para não desperdiçar a água. É uma decisão consciente e tem a ver mais com convicções do que com uma tendência nata.

Todos nós somos testemunhas, atualmente, de uma guerra que ainda não foi declarada de forma aberta, mas que já se desenrola aos gritos, ofensas, agressões, ameaças, mentiras e golpes muito baixos. De um lado os ativistas gays e do outro ativistas pró-família.

Longe de dizer quem está com a razão ou defender uma postura ou outra. Na minha opinião, os dois lados já perderam a razão faz tempo. Aliás, talvez, nunca tenham de fato tido razão em algum momento da história. Desde o início, começaram seus discursos nos canais, na intenção e na forma errada.

Dos dois lados a desculpa é a luta pela liberdade, mas esta própria "liberdade" que se é pregada está acorrentada numa ideologia, em um "ismo". Seja o homossexualismo ou o moralismo.

O buraco se aprofunda quando se descobre que o real interesse dos dois lados desta batalha não é o ser humano ou a família. O direito de ser o que se é ou de dizer o que se pensa é apenas a desculpa de um jogo de poder muito mais sórdido e nojento do que parece ser.

Estamos diante de uma guerra de marketing e ideologias vazias cujos objetivos encobertos são: trazer mais votos para cada um dos lados e também provocar uma "cortina de fumaça" com a intenção maquiavélica de desviar a atenção da grande massa dos assuntos mais graves e realmente sérios da nação. Não se trata de "teoria da conspiração", mas estes temas insuflados pela mídia são intencionalmente alienantes.

Fico triste ao ver uma "igreja" sem relevância concreta. Nem espiritual nem social. Ela se garante apenas na bancada política que a representa truculenta e interesseiramente em Brasília. Não consigo encontrar o Jesus do Evangelho refletido nas palavras dessa "igreja" ou desses "pastores" que usam as mesmas armas, as mesmas mentiras, as mesmas ameaças e o mesmo ódio para combaterem seus inimigos e suas desavenças.

Segundo Paulo, o apóstolo, "nossas armas não são humanas/carnais, são espirituais e poderosas em Deus para destruir fortalezas" (2 coríntios 10.4). Jesus nunca defendeu causas ou ideologias. Nem mesmo o judaísmo recebeu de Jesus qualquer atenção a favor ou contra. Ele se envolveu com as pessoas, encarou as suas dores. Curou alguns, libertou outros, fortaleceu os fracos, tratou os pecadores com amor e respeito. Olhava as pessoas nos olhos, dizia o que devia ser dito para quem quer que fosse, grande ou pequeno, sacerdote ou incrédulo e andava nos ambientes mais estranhos aos puritanos.

Não é uma questão de "dar a outra face" pacifica, tola e ingenuamente, mas de testemunhar a Graça e o Perdão que nos alcançam de forma viva, verdadeira e concreta. Não só através de palavras, mas de andar no Evangelho consciente e definitivamente até as últimas consequências.

Enquanto o Verdadeiro Amor, a Fé e a Esperança não forem as únicas "armas" da Igreja, será difícil ver o mundo ser convencido do Pecado, da Justiça e do Juízo de Deus com este testemunho.



O Deus que nos chama à Paz o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vergonha alheia...




Já faz algum tempo que tenho vontade de escrever sobre esse assunto, mas não me sentia suficientemente motivado  para depositar aqui estas poucas palavras sobre algo tão incompreendido.

Nasci e cresci num ambiente onde a experiência da fé sempre foi muito importante, porém contundente. Dos dois lados da minha família a religiosidade sempre esteve no meu cotidiano e eu me via entre dois polos constantemente. A família do meu pai sempre foi muito católica. Minha avó paterna era bem engajada nas questões da paróquia católica na pequena cidade onde morava. Quando eu passava minhas férias na casa dela, sempre a via lendo a Bíblia com o terço ao lado, antes de dormir. Meu avô, por parte de mãe, era pastor evangélico. Converteu-se ainda jovem e aceitou o chamado pastoral já depois de casado. Ele visitava as igrejas que pastoreava a cavalo ou de bicicleta porque não tinha dinheiro para comprar um carro. Tempos difíceis aqueles!

O casamento dos meus pais levou um tempo para ser aceito pelas duas famílias. Havia meio que um ar de Montecchio e Capuleto na história deles. A cerimônia foi realizada por um padre e um pastor (meu avô) ao mesmo tempo. Desde muito novinho sempre passeei nos dois ambientes: católico e evangélico sem qualquer problema. Às vezes ouvia tanto um lado como o outro apontarem os motivos da fé que os movia.

Aprendi a respeitar e ouvir pacientemente os pontos de vista que eram diferentes do meu e responder com sinceridade às perguntas que me faziam e fazem sobre a fé que professo. De lá pra cá, sou a terceira geração nesta família protestante (e de pastores)...

Meu avô foi pastor em Anta, uma cidade bem pequena que fica na divisa entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a briga entre protestantes e católicos era sempre muito acirrada. Em 1960, quando ele chegou nessa cidade, foi até o padre e se apresentou como o novo pastor designado para a cidade. O nível de amizade entre os dois cresceu e chegou a um ponto surpreendente quando o alto-falante da igreja católica queimou e meu avô, contrariando o clima de embate entre as igrejas, emprestou o alto-falante da igreja onde era pastor para o padre anunciar as programações da igreja católica.

Naquela época os alto-falantes eram grandes cornetas, ficavam presos nas torres dos templos e não tinham como ser removidos facilmente. Emprestar o alto-falante significava anunciar a programação da igreja católica com o alto-falante da igreja evangélica, na própria igreja evangélica.

Não preciso dizer que, se naquela época isso já foi muito ousado, imagino que ainda hoje muita gente, dos dois lados, vai mandar alguma pedrada. Mas eu aguento.

Na faculdade de teologia vi esse tipo de pensamento convergente, declarado e explicado de um outro jeito: "quando a gente entra para a igreja evangélica, nos ensinam que os católicos não vão para o céu. É verdade! Muitos católicos não vão para o céu. Mas, por outro lado, é verdade que muitos evangélicos também não vão para o céu." Eu vou além...   Na palavrinha "católicos", sem ofensa, e sem comparação entre as palavras em si, mas só para ampliar o pensamento, eu vou acrescentar: ateus, espíritas, desviados, pagãos, prostitutas, gays e todo tipo de gente que nós (evangélicos) consideramos "pecadores"...

Bem, fiz esse preâmbulo todo para dizer que: dar voz a quem pensa diferente de mim não demonstra que estou em cima do muro ou que mudei de opinião, muito menos que minha fé não esteja firmada na Rocha. Demonstra respeito, vontade de aprender e dar atenção ao outro. Simplesmente ouço todas as coisas, opiniões e maneiras de enxergar a vida, tento me colocar no lugar do outro e absorvo somente aquilo que realmente é bom. O que não é bom deixo pra lá e se, de alguma forma, eu puder contribuir para a outra pessoa crescer e aperfeiçoar sua visão, farei com todo amor e respeito até que ela mesma perceba o equívoco. Desse jeito vou ganhando muitos irmãos de caminhada na fé.

Mas às vezes chega o momento de virar a mesa, como fez Jesus no templo ao expulsar os vendedores e ladrões que se utilizavam da fé do povo para enganar, explorar e enriquecer do ouro do templo. Nem Jesus nem Paulo pegavam leve com os que se diziam religiosos e ofendiam a Deus com sua prepotência, arrogância e autossuficiência ainda que fossem grandes e respeitados líderes religiosos.

Paulo e Jesus davam nomes, sim! Nomes! O que para muitos evangélicos atualmente seria uma afronta pelo que se diz "não toque no ungido" ou "não julgue para não ser julgado". Denunciavam, expunham as feridas da religião, não pela vontade de ganhar exposição, mas por amor ao Evangelho. O verdadeiro Evangelho. Havia grandes líderes que o povo cultuava como representantes e arautos da mensagem de Deus, mas eram apenas lobos em pele de ovelha, raça de víboras e sepulcros caiados. Jesus dizia: "façam o que eles dizem, mas não imitem os seus atos!".

O grande problema hoje é que a maioria do povo está cego, seduzido, entorpecido pela mensagem dos falsos profetas e não consegue discernir este tempo. O evangélico é conhecido hoje muito mais pelo show, pelo mercado, pelo colégio eleitoral, pela força da mídia e da pressão, sem amor e sem reflexão profunda, do que a mudança de vida exigida pelo Evangelho.

Sinto verdadeira vergonha alheia quando vejo um auto proclamado representante evangélico ganhar mídia e projeção muito mais pela polêmica que consegue gerar do que pelo anúncio: "vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados...".

Arrepia-me o fato do povo evangélico e muitos outros simpatizantes defendê-lo e acharem que está se pregando o Evangelho, que o pecado está sendo desmascarado. Pois eu digo que o pecado está sendo desmascarado, sim, muito mais pela "trave" que está no olho do povo evangélico do que pelo cisco no olho de quem está apenas batendo no peito da própria existência, se dizendo um pecador e sem coragem de olhar para o deus (com letra minúscula mesmo) vingativo, negociador e charlatão anunciado nas telas das nossas TVs.

O Jesus da Bíblia não se parece nem um pouco com o Jesus da televisão e dos grandes templos. Só quem está cego e enfadado da religião que se "auto salva" não consegue perceber. Para nossa tristeza e vergonha...

Não se faça de sábio aos seus próprios olhos! No Reino por vir, os últimos, os esquecidos, abandonados, pequeninos e menos proeminentes é que serão os primeiros.


O Deus que se revela aos simples e pequeninos o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O que é o Natal?





Há quem diga que o Natal, a história que conta e celebra o nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro, na verdade é a mistura de várias outras histórias e mitologias de alguns deuses pagãos da antiguidade. Entre estes ilustres personagens que emprestaram suas histórias figurariam, principalmente, Horus (egípcios), Mitra e Attis (persas e romanos) e até mesmo Krishna (hindus) que, segundo as fontes históricas dos seus povos de origem, bem antes da história do Jesus dos cristãos, teriam nascido no dia 25 de dezembro, também através de uma virgem. Coincidência?

Alguns outros elementos e símbolos utilizados nas festas natalinas também teriam seus correspondentes nas tradições pagãs como a árvore de natal, guirlandas e a troca de presentes nesta data.


Seria, então, o Natal uma grande farsa, um plágio ou uma celebração pagã disfarçada de festa cristã?

De fato, a conversão do imperador Constantino e a transformação do cristianismo na religião oficial do Império Romano, no século IV, provocou uma grande mistura das tradições pagãs romanas com as tradições cristãs. Festas, datas e costumes pagãos foram remodelados e recontados utilizando-se agora nomes e personagens da história cristã.

É verdade também que o dia 25 de dezembro foi "tomado emprestado". Talvez, quem sabe, na intenção de provocar uma melhor assimilação dos conceitos cristãos nos romanos, que foram sendo convertidos ao cristianismo. As datas e festas foram mantidas para facilitar a compreensão pedagógica da história do "novo" Deus que era apresentado ao mundo da época.

Independentemente das tradições pagãs e da acusação de suposta tentativa de plágio por parte da religião cristã, o fato é que o Jesus histórico é real e comprovável através de centenas e milhares de fontes documentadas dentro e fora dos textos bíblicos.

Alguns historiadores e pesquisadores indicam que o nascimento de Jesus teria ocorrido na verdade entre os meses de maio a julho, mas não se pode afirmar com certeza a data do nascimento de Jesus. Até mesmo o ano do seu nascimento é impreciso, com uma margem de erro de até 6 anos.

O que nos importa então é o testemunho de homens e mulheres que andaram com Jesus, estiveram presentes durante os seus feitos, foram testemunhas oculares, relataram suas impressões e experiências, dedicaram suas vidas a segui-lo e até foram capazes de morrer por ele depois de tudo o que vivenciaram.  A vida e a história contada por esta gente é o que dá sentido ao Natal cristão, muito além da confirmação ou comprovação da data em que Jesus tenha nascido.

Os escritores dos Evangelhos e dos demais textos do Novo Testamento são unânimes em afirmar não só a humanidade e historicidade de Jesus, mas que nele foi manifestada corporalmente a Graça e a Glória de Deus. E ainda mais: foram capazes de afirmar, correndo risco de vida, que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos, o que as autoridades da época proibiram severamente de se falar. Por que alguém seria capaz de enfrentar torturas, perseguição, prisão e o perigo de perder a própria vida por uma história que se soubesse que era mentirosa? Seria muito mais simples negar tudo, mas eles preferiram pagar com a própria vida do que mudar a versão dos fatos.

Deus se fez carne, assumiu a forma de homem por amor à humanidade, isso é o centro da mensagem e celebração do Natal. Falando a respeito de Jesus, o Evangelho de João afirma categoricamente: "O Verbo (Palavra) se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do Filho único de Deus" (João 1.14) e ainda "porque Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu único Filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (João 3.16). O apóstolo Paulo diz também: "Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Filipenses 2.6-7).

E Jesus? O que Ele diz a respeito de si mesmo? "Eu e o Pai somos um." (João 10.30), "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá" (João 11.25), "Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso" (Apocalipse 1.8).

Por que dar crédito a textos tão antigos? Novamente afirmo que mais importante do que os textos em si, além da informação histórica, é o testemunho daqueles que os escreveram.

De alguma forma, Deus se manifestou e se deixou testemunhar entre todos os povos da terra desde o início da criação. Algumas culturas absorveram a revelação e a transformaram para o bem, outras para o mal. A exemplo disso, ninguém pode negar que até mesmo o cristianismo tenha cometido seus equívocos na tentativa de decifrar e encapsular Deus com exclusividade. Nenhuma religião do mundo pode conter toda a revelação de Deus, mas em Jesus toda a plenitude de Deus foi exposta ao mundo.

Mitra, Horus, Attis, Krishna, Dionísio e outros deuses pagãos da antiguidade na verdade foram apenas lampejos e tentativas do homem entender Deus. Todos eles carregam o arquétipo do Cristo, tem alguma informação ou aproximação histórica com Jesus, mas são apenas imagens desfocadas da entrada de Deus na história humana. Por amor, Deus se permitiu ser conhecido até mesmo fora do contexto bíblico com a intenção de facilitar a compreensão das boas novas e do sacrifício eterno do Cordeiro de Deus antes mesmo da fundação do mundo.

Muitas outras culturas tentaram se aproximar de Deus através das suas próprias histórias, mas todos estes mitos e histórias só fazem sentido se entendidos através de Jesus, em quem Deus se apresentou à humanidade definitiva e absolutamente.

Apesar de a data ter vindo de fora do cristianismo e ter ganho um sentido extremamente comercial, o Natal é uma das maiores oportunidades que os cristãos de hoje têm para testemunhar que Deus se deu como presente para toda a humanidade, a fim de que todo aquele que Nele crer encontre a Vida Eterna.

Em verdade, o Natal é para ser celebrado, relembrado e testemunhado todos os dias. Mas ganha ênfase na mídia e no inconsciente coletivo do mundo todo no dia 25 de dezembro. Por que não utilizar esta data para explicar ao mundo o verdadeiro sentido do Natal?



O Deus que se deu e se fez presente na história do Natal te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A igreja sem porta




Bom seria se todos pudessem enxergar que o Cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo e que agora, já, neste exato momento, eternamente, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

A Lei acabou! Sim! O fim da Lei é Cristo para salvação de todo aquele que Nele crê! Toda dívida de morte e de sangue promulgada contra os homens foi paga integralmente! Está consumado para sempre! A cruz venceu! A loucura da cruz, do sacrifício eterno do sangue derramado pelo Cordeiro Eterno, aboliu de uma vez por todas outros sacrifícios e rasgou o véu da separação entre a humanidade e Deus.

Só não vê quem se faz de cego, quem tem medo da vida. Porque o Espírito da Vida é para todos os que creem, para todos os que se perceberam salvos no amor eterno do Deus que se entregou por toda a criação, por todo o universo.

Sim! A cruz alcançou redentoramente todas as galáxias. Libertou as extremidades acorrentadas do universo. Andrômeda e todos os buracos negros, estrelas anãs e cometas foram salvos. Um dia, por Graça e Misericórdia, se converterão em novos céus e nova terra. A criação encontra-se em dores de parto, para dar à luz o conhecimento de Deus. As dores são fortes, os gemidos são ouvidos por muitos e muitos anos, mas os filhos da Luz se levantarão glorificados, transformados, renascidos eternamente com as vestes lavadas no sangue do Cordeiro de Deus.

Homens e estrelas se converterão num eterno cântico de adoração ao Rei Eterno e Imortal.
Nuvens de testemunhas se aglomeram para receber os novos irmãos e irmãs que vão sendo feitos nesta igreja sem portas, sem muros, sem nomes ou fronteiras. A Igreja de Deus é invisível, indomável e não conhece outra forma de servir e adorar a Deus que não seja "onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome".  Simples assim, em todo e qualquer lugar... Com toda e qualquer pessoa.

Esses irmãos não são salvos pela frequência aos templos, não são salvos por terem seus nomes arrolados nos livros humanos, não ostentam tradições ou formas de culto, mas se encontram salvos e perdoados pela Graça de Deus. Somente por Graça e Misericórdia são salvos, nada além disso. Isto é fruto da bondade de Deus. Sim! Deus é amor!

A igreja com portas tem medo da igreja sem portas. Claro! Os maus ensinam que a salvação acontece somente da porta para dentro. Querem impor suas próprias vontades e espoliar os bens dos insensatos. Mas quem realmente encontra a salvação a encontra no aprisco do Bom Pastor que não conhece fronteiras nem de culturas nem de língua, muito menos de institucionalidade. O Bom Pastor dá de graça a vida sem exigir nada em troca. Bebam de graça da Água da Vida, sem sacrifícios e sem ofertas! É o que está escrito.

Para a liberdade foi que o Eterno Sumo Sacerdote nos reuniu neste culto, nesta celebração chamada chão da vida. No Cordeiro o culto é eterno, não acontece somente aos domingos, mas flui incessantemente no respirar e andar de cada um que é chamado de filho.

A Nova Aliança foi escrita na carne dos corações desta gente cansada e sobrecarregada que aprendeu a entregar seus fardos para quem é Manso e Suave. Nele não há mais medo, não há mais lágrimas de morte. Até quem já morreu  Nele encontra a Vida Eterna.

Os céticos duvidam, os pessimistas tentam desconstruí-lo, os medrosos tentam parar de ouvir Sua voz, mas o testemunho do Espírito sopra poderosa e calmamente. Um dia todo olho o verá, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é Senhor absoluto de toda a existência. No dia em que o mar devolver os seus mortos, todos saberão.

Senhor da Vida é o seu nome! Venceu a morte para sempre! Assim será o cântico eterno.


O Deus que faz o convite para a vida te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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sábado, 3 de novembro de 2012

Se eu não tiver amor...






"Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria..." este é um conhecido refrão de uma das músicas de Renato Russo, compositor e intérprete da banda Legião Urbana e também o trecho de uma das cartas que o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, no Novo Testamento.

A poesia de Renato lida inteira, na verdade, pouco tem a ver com o contexto macro de I Corintios 13, que trata do amor ágape, o amor que tudo sofre, tudo espera e tudo crê sem precisar de nada em troca.

Renato interpreta de forma equivocada e míope o amor de I Coríntios como sendo o amor eros, o amor da atração sexual, do namoro. O amor sexual depende da troca, do alimento diário de carinho, depende do apelo sensual, dos jogos de sedução e tantos outros elementos que fazem um homem e uma mulher se apaixonarem, por exemplo.

Nada errado em se amar assim. É bom! É prazeroso! Mas o texto da carta do apóstolo Paulo vai muito além da troca disputada e acariciada deste amor.

O amor eros um dia passa, um dia se esfria e perde o vigor. Até mesmo o amor phileo, o amor dos amigos, dos filhos e pais perde força e muitas vezes não consegue ser correspondido à altura e se frustra. Mas o amor ágape permanece inviolável, inabalável. Perdoa mesmo sem vontade ou sem forças. Perdoa o imperdoável. Acredita no inacreditável, não de forma boba ou inconsciente, mas dá nova chance. Diz a verdade, mesmo que seja dura, quando preciso. Se doa mesmo sabendo que não receberá nada em troca. Este amor é aprendido, exercitado e alimentado no amor eterno de Deus. A Graça de Deus é ágape e reside aí a necessidade de, como filhos de Deus, aprendermos a desenvolver o amor ágape nas nossas relações interpessoais.

João, na sua 1ª carta, diz: "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor" e ainda "Se alguém diz: eu amo a Deus, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê".

O amor de Deus nos reconciliou com ele por Graça, sem que nós merecêssemos, sem esforço da nossa parte, mesmo que não consigamos ficar de pé por muito tempo e tantas vezes caiamos e erremos novamente. O amor de Deus opera em nós, mesmo enquanto andamos no erro, no pecado.

Jesus ensina que devemos amar assim também. O perdão, graça e bênçãos que recebemos de Deus devem ser devolvidos àqueles que estão à nossa volta. Todos! O amor ágape não ama só quem devolve amor, mas ama também ao que o odeia, ao que nem se sabe amado ou o despreza.

O amor ágape é livre e não é privilégio de qualquer grupo em particular. É para todos. Vai onde ninguém se dispõe a ir, consegue romper os grilhões da maldade, da morte e opera doando-se abundantemente, sem ressentimento. Não conhece nomes, títulos ou passado. Não diz: "eu te amo enquanto me amares", mas ama poderosamente em oração e lágrimas se preciso, mas ama.

Ágape é um dom, um presente gratuito. Imerecido! Por isso se perpetua sem precisar do incentivo ou de "fazer por onde". Ágape dá a vida não somente pelos amigos, mas também pelos inimigos e deseja que sua vingança seja sempre transformada no abraço apertado do perdão, da reconstrução do caminho em direção à vida e não à morte.

O convite de Deus é sempre ao amor ágape. Este é o princípio e a finalidade de todas as coisas. Nele somos aperfeiçoados pelo e para o amor. Se não for assim, nada seremos, ainda que façamos chover curas, milagres e profecias.

Amamos nossos inimigos e ofensores com amor ágape ou exercemos sobre eles apenas o phileo enquanto durar nosso ânimo?

Vivemos o que pregamos como verdade ou nos conformamos nas nossas próprias fraquezas como desculpa para nada fazer ou falar?

Estamos mesmo dispostos a amar com tamanha entrega e viceralidade até as últimas consequências na Graça e no poder de Deus?

Particularmente, eu acredito que um dia todos nós seremos julgados não meramente pelo que fizemos de certo ou errado, pelo pecado que cometemos. Mas seremos medidos pelo bem que deixamos de fazer, pelo perdão que nos recusamos a oferecer e pela mão que não estendemos como graça aos nossos inimigos.

Paulo termina sua carta dizendo que no final de todas as coisas, de todos os tempos, poderes e universos, permanecerão apenas a fé, a esperança e o amor, mas o maior destes três é o amor.



O Deus que nos ama sem merecermos nos ensine a amar sem merecimento e nos abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Não acredito em templos





Uma vez perguntaram a Jesus onde era o lugar correto para se adorar a Deus. Quem fez essa pergunta foi uma mulher, samaritana, que não pertencia à "religião oficial" da época. Os judeus consideravam os samaritanos idólatras e impuros. Ela tão pouco teria, aos olhos dos moralistas, uma vida "santa" e "irrepreensível" para se aproximar e fazer tal questionamento ao Senhor, pois se tratava de uma mulher que já havia passado por cinco casamentos e o atual marido, bem... não era de fato marido dela. Um escândalo até mesmo para os discípulos de Jesus que achavam inapropriada aquela conversa.

A resposta de Jesus foi simples: sugerindo não se tratar do lugar físico/geográfico. A adoração a Deus deve ser pessoal, interior, espiritual e sincera.

A primeira coisa que salta aos olhos de quem lê o relato completo do Novo Testamento é que Jesus quebra muitos paradigmas, a começar por tirar da religião e do templo a exclusividade da mediação e do relacionamento com Deus. Nossa oração e adoração não dependem de um altar construído para serem ouvidas. O altar, o templo, o lugar de culto é o próprio coração.

A segunda coisa é que, diferentemente da tendência da religião de dizer quem é puro ou não, quem é mais especial, Deus não nos avalia por questões meramente morais ou sociais. Foi Jesus mesmo quem disse que prostitutas e corruptos poderiam ser mais dignos de entrar no Reino de Deus do que alguns que se consideram exclusivamente santos, mas vivem de forma hipócrita (Mateus 21.31).

O encontro com Deus é transformador, sim. E radical. Mas nem por isso acontece somente nos ambientes ou dias santificados pela igreja ou pelas religiões dos homens. Particularmente não acredito em templos ou em religiões como lugares e entidades sagrados em si mesmos. Acredito no Deus que não cabe dentro das religiões, não é totalmente explicado pela razão humana, ri dos tratados teológicos, não se detém nos limites impostos pelas tradições vazias. Ele conversa com ateus, pagãos e também faz amizade com quem é considerado "afastado de Deus". Deus é maior do que a própria Bíblia ou qualquer outro livro sagrado. Livros são confissões humanas, limitados, mas a Palavra de Deus é eterna e pode ser escrita até mesmo nos corações de quem não sabe ler, de quem não tem acesso ao papel.

O Deus apresentado por (e em) Jesus é o Deus que ama até as últimas consequências, que entende a aflição humana, se comunica multiformemente, que se compadece ao invés de condenar. É o Deus que tem mais prazer na reconciliação do que na condenação e não leva em conta o tempo da ignorância.

"Misericórdia quero" é o que Deus grita enquanto a religião vocifera "morte aos impuros".

Vejo uma multidão esquecida, adoecendo nos arredores da igreja. É gente que não encontrou abrigo, não foi acolhida, foi expulsa e considerada "fora dos padrões". Muitas vezes projetamos no outro o santo que não conseguimos ser e dizemos "enquanto você não se tornar como um de nós, não será aceito em nosso meio". Muitos, a partir desse ponto, decidem viver uma vida apenas de aparências, sem transformação real, simplesmente para serem "aceitos".

Nos esquecemos que quem santifica e transforma é Deus e não nossas imposições, arrogâncias e externalidades. É a caminhada, o dia a dia, que vai nos tratando, curando, limpando as feridas, trabalhando e completando a obra de Deus em nós. Não é no tempo que queremos, mas na compreensão e confiança de que quem opera tanto o querer como o realizar é Deus.

Neste sentido, até mesmo numa conversa de mesa de bar, Deus pode operar com graça, curar e inflamar corações cansados e sobrecarregados. Por que não? Os religiosos de hoje torcerão o nariz da mesma forma como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, quando o acusaram de andar com pecadores. Mas Deus trabalha sem se importar com o que falam. Enquanto uns ordenam, outros decretam e outros ainda profetizam suas impressões puramente carnais e humanas, o Senhor vai dando vista aos cegos e ouvidos aos surdos que estão fora dos domínios dos templos.

Nenhuma religião é dona de Deus. Nenhum sacerdote é detentor exclusivo da voz de Deus. Nada que não se pareça com o amor ou com o espírito de Jesus pode ser chamado de Evangelho ou Bíblico, ainda que dito e ordenado pelas grandes instituições religiosas. Pense nisso!


O Deus que ama e fala com pecadores te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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domingo, 12 de agosto de 2012

É proibido sofrer!




"É proibido sofrer!" Esta é a mensagem que vemos sendo anunciada em quase todos os lugares. Talvez nem sempre dita assim tão explícita, mas percebemos suas variações quando também se diz: "pare de sofrer!", "tenha uma vida vitoriosa!", "Você nasceu para ser cabeça e não cauda!", "decrete e profetize sua vitória!", "tome posse pela fé!" e tantas outras ordens e palavras que, na cabeça de muita gente, vira uma espécie de anestésico contra as dores que os problemas da vida provocam na gente.

A sociedade atual se esconde do sofrimento e o nega porque ele desmascara nossas fragilidades. A questão é que a ferida continua aberta, a infecção vai se alastrando cada vez mais, a doença emocional vai se enraizando, vai matando lentamente, mas seus efeitos são maquiados pela não sensação de dor. Se esquecem que o próprio sofrimento pode ser uma bênção, pois ele nos avisa sobre a necessidade de que algo deve ser feito.

Embora haja fundamento bíblico para nos dizermos mais do que vencedores por meio de Jesus, esta palavra "vencedores" não segue o modelo e o padrão moderno de entendimento do que seja vencedor segundo a ganância dos homens. O perfil do vencedor moderno é aquele que até pode passar por alguma dificuldade, mas consegue tudo o que quer. Sempre vence as dificuldades virando o jogo com palavras mágicas. Nunca demonstra em público suas fraquezas. Este é o vencedor das externalidades, da futileza, do terno Armani, da bolsa Louis Vuitton, do carro de luxo, de ter dinheiro, poder e influência sobre a vida das pessoas. É o que se faz vencedor pela força bruta, é o indestrutível. Infelizmente, este tipo de vencedor é anunciado adoecida e insistentemente em muitos púlpitos. Quem não se enquadra nesse padrão é rapidamente chamado de "sem fé", amaldiçoado, fraco ou derrotado.

Já, o Vencedor, segundo o Evangelho, é aquele que também sofre, também passa por algum tipo de privação, pode até vencer de alguma forma material, mas sabe discernir entre o momento de rir e o de chorar. Aprende a viver cada um destes momentos reconhecendo que há um Deus que não somente assiste, mas participa com a gente, ao nosso lado, de cada riso ou lágrima e usa essas coisas também como ensino e crescimento para cada um de nós.

Perder ou ganhar, ser fraco ou forte, no entendimento bíblico, não depende do troféu humano, das honrarias, homenagens, recompensas e reconhecimentos que se recebe em vida.

Vencer não tem a ver necessariamente com possuir bens ou ser curado de uma doença terminal. Estas coisas também, mas elas não tratam da essência. Estão na superfície de uma vida muito mais profunda, muito além de ter ou não os seus sonhos e pedidos realizados.

Aqueles que vencem ou venceram, nas Escrituras, perderam o mundo para ganhar a Vida. Alguns foram perseguidos, torturados, mortos, tiveram seus bens espoliados, famílias separadas. A maioria não foi nenhum exemplo de sucesso de empreendedorismo, de força de vontade ou estabilidade emocional. Passaram fome, fugiram, tiveram medo, alguns desistiram ou abandonaram seus projetos e chamados missionários, antes do tempo. Tiveram crises existenciais, ficaram deprimidos, se sentiram enfraquecidos, desejaram morrer mas foram salvos e reencaminhados não por suas próprias forças, mas pela Graça infinita, teimosa e amorosa de Deus. O verdadeiro vencedor é aquele que vence não por ele mesmo, mas vencido, vence em Deus.

O vencedor, segundo as Escrituras, sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas nem por isso deixa de se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Vive cada sentimento de forma verdadeira, sem máscaras e consciente.

Nesta vida ainda vamos perder e achar muitas coisas, muitas vezes. Alguns sonhos pessoais jamais serão alcançados, outros virão como que presentes de Deus para nossas mãos. Não se permita ser julgado pelos outros ou pela própria consciência por causa do que você ganha ou deixa de ganhar. O importante é, como diria nosso irmão Paulo, o apóstolo: "quer vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Romanos 14.8). Em outras palavras, desta vez, ditas por Jó "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o seu nome." (Jo 1.21).

O sofrimento em si não nos torna derrotados. Podemos, sim, aprender e sermos aperfeiçoados por causa dele. O rótulo é sempre algo imposto de fora pra dentro. Nem sempre expressa uma realidade. Não se auto impute um desmerecimento ou supervalorização falsos. O verdadeiro vencedor aprende a dar nomes às suas responsabilidades, projeta sua esperança não nas coisas que se veem, mas naquelas que são eternas. Assume seus erros, mas também consegue se alegrar com cada pequenino passo em direção à Vida. Sabe perdoar e também pedir perdão. O sofrimento dói, mas nos amadurece, nos ensina a reconhecer o que de fato podemos chamar de vitória.


O Deus que venceu por todos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Romanos 5



Mensagem ministrada na Igreja Metodista em Jardim Paraíso II - Nova Iguaçu no dia 25 de maio de 2012

Romanos 5



Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.
Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.
Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer.
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;
e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.
Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.
Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.
O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.
Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.
Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.
Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.
Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.




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segunda-feira, 16 de julho de 2012

A visão é turva



Sonho com uma igreja onde o discipulado não seja visto essencialmente como um método de fazer crescer numericamente. Onde não sejam estabelecidas metas e cronogramas de crescimento e multiplicação, como fazem os gerentes de marketing das grandes corporações comerciais.

No Evangelho de Mateus, capítulo 10, quando Jesus enviou seus discípulos pelas cidades para pregar, ele não disse nada sobre quantidade ou taxa de sucesso. Não estabeleceu nenhuma estratégia de abordagem, a não ser a de quando entrassem em alguma casa, declarar: "paz sobre esta casa!", e se houvesse algum filho da Paz ali, ela repousaria sobre a pessoa. Jesus não fez grandes campanhas publicitárias, não disse nada para agradar as pessoas simplesmente com a intenção de atraí-las. Embora Jesus curasse muita gente e expulsasse demônios, não fazia propaganda disso. Ele apenas disse que era para anunciar a chegada do Reino de Deus e que haveria lugares que receberiam a Palavra e outros não. Simples assim.

O discipulado aprendido com Jesus e os apóstolos por todo o Novo Testamento não tem seu foco ou ênfase na multiplicação do número de pessoas alcançadas, mas no ensino da Palavra. As "células", ou reuniões nas casas, aconteciam na igreja primitiva com a finalidade de promover profunda comunhão e aprendizado prático entre a irmandade. Sim, eram uma grande família. Estavam mais para grupos de convivência do que simples reuniões de estudo superficial do texto bíblico e chá com biscoito. Tudo lhes era comum, inclusive as necessidades que alguns passavam. As ofertas eram recolhidas não para comprar terrenos, construir templos ou bancar a vida luxuosa dos líderes, mas para suprir as carências que os irmãos mais pobres tinham.

Muitos sinais e prodígios eram feitos pelos apóstolos, mas nem os milagres físicos eram tão prodigiosos quanto o amor vivido e proclamado naqueles dias pelos discípulos de Jesus, de forma contínua e verdadeira. Havia profundo temor no coração de todos, era um só o sentimento de comunhão e o Senhor acrescentava, todos os dias, os que iam sendo salvos.

Não tenho nada contra o crescimento numérico. É claro que eu quero que o Evangelho alcance muitas pessoas; se possível, todos os que estão a minha volta. Mas nem sempre os números frios sintetizam realidades espirituais muito para além das estatísticas. O problema é quando se faz do crescimento um deus e aí passa a valer qualquer estratégia, qualquer método e desculpa para atrair as pessoas. O foco passa de pregar o que É certo para pregar o que certo.

Vejo muitas igrejas cheias, lotadas de gente vazia, escravizadas por seus próprios interesses e desejos mesquinhos. Crentes não em Deus, mas no milagre prometido que às vezes demora para chegar, nas correntes infinitas de orações e sacrifícios pessoais.

São lugares onde as reuniões de oração agora são chamadas de campanha e têm, em alguns casos, sete dias ou sete semanas para fazer acontecer o milagre. Quem decreta o milagre não é Deus, mas o "homem de Deus", emocionado e eufórico. E "Deus" fica como que "obrigado" a realizar o que pedem através do ato profético e do sacrifício deixado no altar.

Nesses lugares, quem chega, e vai sendo chamado de discípulo, vai aprendendo a arte do proselitismo religioso/denominacional. São transformados em corretores da fé na plaquinha da igreja, o que é muito diferente da consciência de um só corpo e um só batismo pregado pelo apóstolo Paulo. Este modelo de igreja exige muito entretenimento, muita mudança exterior e asséptica, muito falso moralismo, mas que pouco tem a ver com as mudanças mais profundas  até alcançar a mente de Cristo.

Será este o fim? Infelizmente, para este modelo de "igreja mercado", não vejo um futuro diferente. Queria estar errado, mas este modelo vai crescer muito ainda e se alastrar porque há uma demanda e um propósito para isso. A intenção é transmitir uma falsa sensação de conversão, sem compromisso real com a Palavra. As pessoas são carentes deste misticismo, e quando ele é feito em nome de "Jesus", parece que ganha validade. Suas mentes estão cauterizadas. São cegos guiando cegos. Pensam estar agindo em nome de Deus, mas o que é adorado nestes lugares é o poder dos seus próprios líderes.

Entretanto, a verdadeira igreja é de Deus. É invisível. Não tem fronteiras. As portas do inferno não prevalecem contra ela. Os discípulos de Jesus são identificados não pelo nome no letreiro de suas comunidades, mas pelo amor vivido e praticado visceralmente. O Evangelho não fica só no discurso, mas é ensinado e pregado com a própria vida, mesmo que seja preciso perdê-la.

A santidade ensinada não é externa, mas faz sentido e morada na vida, na caminhada dia após dia, mudando o caráter verdadeiramente. O compromisso com o outro não é o tapinha nas costas de quem diz: "estamos juntos", mas não se envolve até as últimas consequências. Este discipulado não acontece somente entre os que estão debaixo de uma "cobertura espiritual", não acontece somente na "célula", entre um grupo restrito ou em uma hora delimitada. O encontro com Deus não está marcado para um lugar isolado do mundo exterior. O Peniel de verdade é o Evangelho praticado na rua, no trabalho, na família e também fora da igreja.

O verdadeiro discipulado se aprende espiritualmente e não emotivamente. O fruto deste ensino até pode vir de forma numérica também, mas vem essencialmente na mudança provocada na vida dos discípulos.


O Deus que disse: "vá e faça discípulos de todas as nações" te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mudam as palavras e não nos avisam




As palavras estão em constante mudança de significado. Uma palavra que carrega um sentido hoje, não dirá a mesma coisa amanhã e eu posso dar algumas demonstrações simples do que estou dizendo.

A palavra "gato", por exemplo, há 100 anos se referia aos bichanos, felinos. Há 30 ou 40 anos já era usada para se referir a um homem bonito. Hoje se diz que "gato" é uma ligação clandestina numa rede elétrica e, amanhã ou depois, esta mesma palavra poderá ser utilizada para se referir a outra coisa que nem sabemos ainda. Isto é um ciclo interminável: as palavras sempre brincam de mudar de sinônimos. Se não percebermos o contexto no qual está sendo usada podemos incorrer em alguma confusão.

O mesmo acontece ao inverso, mantendo o significado mas com novas e diferentes palavras. Há algum tempo, nas comunidades de periferia do Rio, usava-se a palavra "sangue" (derivado de sangue bom) para se referir a alguém que era parceiro e em quem se podia confiar. Hoje a palavra substituta para parceiro/sangue é "braço" que faz referência à expressão "braço direito".

Uma palavra em um contexto pode ser entendida de forma completamente diferente em outro contexto. Nem sempre as pessoas conseguem se libertar das formas fechadas e entender que mais importante do que a palavra utilizada é o significado que ela carrega no momento, em contextos fora de sua realidade imediata.
Na religião este problema de significados é maior ainda. Parece que algumas instituições "santificam" determinadas palavras como se somente aquele determinado grupo de fonemas fosse o "correto", mas se esquecem que os significados se alteram com o tempo e, também, que algo pode ser dito ou explicado com outras palavras, mesmo que não façam parte daquele ambiente religioso.

Eu sou pastor em uma comunidade muito carente. Não é sempre que digo isso, mas eu sou pastor, sim. Na maioria das vezes, quando conheço novas pessoas, não falo imediatamente que sou pastor. Não é por vergonha do chamado espiritual. Muito pelo contrário. Mas porque esta palavrinha, atualmente, está muito distante e distorcida do que ela realmente significa. Só depois de alguma convivência e com mais tempo é que eu falo que sou pastor e o que REALMENTE um pastor faz ou deveria fazer.

Em primeiro lugar, um pastor não deveria ir para a televisão ou rádio pedir dinheiro e vender produtos, livros e CDs usando como apelo a fé das pessoas. Pastores não devem ser vistos como seres com poderes especiais e mais importantes para Deus do que qualquer outra pessoa, por menor e mais simples e até mesmo pecadora que seja. Pastores também erram, falham, são humanos, não estão acima do bem e do mal.

Pastores nem sempre são iletrados, ignorantes, presunçosos, arrogantes, superiores, donos da verdade, estrelas, distantes, egocêntricos, megalomaníacos e golpistas. Pastores nem sempre enganam os membros de suas comunidades e enriquecem com dinheiro dos dízimos e ofertas. Nem todos os pastores utilizam técnicas de autossugestão para fazer fiéis chorarem, se emocionarem, entrarem em transes de catarse coletiva e entregarem todo o dinheiro que têm. Mesmo que seja isso que apareça o tempo todo nas televisões.

Infelizmente, se alguém disser hoje que é pastor, será logo lembrado como aqueles homens de roupa branca, da televisão, expulsando demônios falsos e pedindo ofertas. Ou pior ainda: serão, invariavelmente, fora dos arraiais das igrejas, vistos como pessoas totalmente desconexas da realidade, quando não muito, tidos por neuróticos e até mesmo hipócritas por pregarem uma coisa na igreja e fazerem outra totalmente diferente fora dela.

Prefiro não ser chamado de pastor a ser associado a um destes modelos atuais de empresários da fé.
Outro dia um amigo me perguntou se na faculdade de teologia  já se saía com a "cabeça moldada e fechada contra outras religiões". Eu disse que sim e também que não. Depende de quem sai e como sai da faculdade. Uma coisa é demonizar indiscriminadamente tudo o que não seja chamado de "bíblico" ou "evangélico", como se tudo o que não carregasse essas palavrinhas e fonemas fosse do diabo. O problema é que muita gente, a maioria, entra e sai da faculdade fazendo e pensando assim. Outra coisa, muito diferente, é ter o olhar da Graça de Deus mesmo para as coisas que aparentemente são antagônicas à fé cristã. Lembro sempre do exemplo do centurião romano que era provavelmente pagão e Jesus viu nele uma fé que nem em Jerusalém, a "cidade santa", ele encontrou.

Não defendo denominações, não brigo para dizer que minha religião e suas regras de fé e práticas são melhores do que outra. Nem mesmo ao cristianismo imputo a infalibilidade, porque sei que nenhuma instituição religiosa ou filosófica tem em si mesma resposta para salvação de ninguém.

Olho para Jesus e vejo nele o Pai, um Deus pessoal, que se relaciona comigo como sou, mesmo que eu não mereça tal cuidado dele. Simples assim. Longe de eu ter alcançado o status de "perfeito" ou "sabedor de toda a verdade", aprendo com ele na Bíblia. Sim, na Bíblia. Um pouco a cada dia. Sou discípulo dele e não da leitura que a religião faz dele e me diz como é que tem que ser. Livre da carga institucional, eu o vejo e o percebo no meu dia a dia, nas coisas mais simples e também mais complexas e importantes. Do culto que dirijo em minha comunidade ao encontro romântico que tenho com minha esposa ou uma reunião de negócios que eu tenha a tratar com algum cliente. Em tudo Deus está presente na minha vida.

Não creio num Deus esotérico, que somente seja compreendido por um grupo restrito de "iluminados". Não creio em um Deus onde só se tenha acesso através de algum ritual ou palavras apropriadas. Creio num Deus que fala comigo, mas também fala com o PHD em neurociências, com uma pessoa muito humilde e até mesmo uma criança.

Vou além: creio em um Deus que não precisa nem mesmo ser chamado pelo nome que as religiões dão a ele para ouvir o pedido sincero de um coração aflito por respostas. Não é por acaso que Jesus disse que muitos viriam do oriente e do ocidente (Mateus 8.11), até mesmo prostitutas e pecadores, tomariam lugar à mesa no Grande Dia, a frente daqueles que se consideram "santos" ou "exclusivamente salvos". Outro aspecto incompreensível de Deus para as instituições religiosas é que ele entende o coração, os sentimentos das pessoas, e não somente o que elas conseguem externar em palavras. Logo, alguém que não saiba identificar Deus exatamente como um cristão consegue, poderá se surpreender um dia com a Graça infinita do Deus que não leva em consideração o tempo de ignorância, mas vê a sinceridade e a verdade do coração que o busca até sem saber dizer seu nome. A salvação e o relacionamento com Deus não são exclusividade de alguma religião ou grupo de sacerdotes. Pertence ao Deus que é essencialmente amor.


O Deus que nos entende até sem palavras te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!




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quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Novo Ser começa no olhar






Existe uma lenda urbana que fala sobre o início das vendas de sapato na Índia. Uma grande indústria de calçados, querendo encontrar novos mercados internacionais, logo após o término da 2ª Guerra Mundial, enviou dois dos seus melhores representantes para a Índia. Um para cada parte do país.
Sem que se falassem a respeito de suas impressões, os dois enviaram seus relatórios para a sede da companhia.
O primeiro, ao final do seu relatório, pedia para que a indústria abandonasse a ideia de vender sapatos na Índia e continuasse a pesquisar outros mercados porque ninguém usava sapatos naquele país.
O segundo enviou um relatório animadíssimo dizendo para a fábrica triplicar sua produção, investir num parque industrial maior, contratar mais funcionários e enviar mais vendedores para aquele país imediatamente, porque eles estavam diante da possibilidade de conquistar o maior mercado de sapatos do mundo, a Índia, onde ninguém usava sapatos ainda e eles seriam os primeiros a chegar.


Falamos tanto sobre transformação, mudança de vida, ânimo para vencer, mas nem sempre nos damos conta de que a transformação, de verdade, começa na forma como olhamos para dentro e fora de nós mesmos.

O novo jeito de olhar cura doenças incuráveis, aquelas que habitam dentro da alma. Mesmo que a doença física, por alguma razão, não deixe de existir, o olhar iluminado transforma a experiência mais dolorosa do mundo num grande aprendizado para a vida, mesmo que o seu fim seja encarar resignadamente a morte ou a perda.

Jesus fala sobre a necessidade dos nossos olhos serem bons e brilharem. Ele diz que se os nossos olhos forem trevas ou se olharmos de forma errada para as circunstâncias, todo o nosso ser interior será uma grande escuridão sem fim (Mateus 6). E o que aprendemos com isso?

Não se trata de pensamento positivo, de entusiasmo vazio ou negação da realidade. Pelo contrário, este novo olhar descortina a verdade, encara o bicho da existência e dos problemas de frente. Dá nomes aos bois. Ele se descobre sabedor de que todas as coisas cooperam (sempre) para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo um propósito que nem sempre nos é declarado objetivamente, mas que a infinita sabedoria sabe conduzir de forma magistral.

Quando nos descobrimos amados, supridos e guardados por quem é maior do que a vida e a morte, a alma ganha fôlego para continuar de pé e crendo muito além das coisas que se veem.

O salmo 23, por exemplo, fala a respeito de alguém que anda solitariamente por um lugar chamado "vale da sombra da morte", mas que não tem medo de estar ali porque sente a presença cuidadora de quem é infinitamente mais poderoso do que aquele lugar tenebroso.

Vejo muitas comunidades religiosas adoecerem o olhar das pessoas. Paradoxo, não? O lugar onde deveria ser um ambiente de crescimento espiritual, alegria, liberdade e amadurecimento acaba se tornando a antítese dele mesmo. É gente que deveria aprender a amar ao invés de odiar, perdoar ao invés de condenar, mandar para o céu ao invés de tentar mandar todo mundo para o inferno. Mas vivem o eterno peso do medo, da angústia de ser atropelado pela vida se andarem fora daquele ambiente. E vão se tornando cada vez mais cegos, com o olhar adoecido.

Tais pessoas creem na religião, no pastor, no padre, no sacerdote, na campanha, na oferenda, no guia, na cartomante, nas runas, nas cabalas, nos horóscopos como se estivessem crendo em Deus, mas de fato, sem saberem, não estão crendo Nele. Chamam estas coisas de "deus", mas centralizaram sua fé enganosamente nas suas próprias forças e, assim, se afastam de Deus.

A arrogância, a presunção e a autossuficiência pertencem ao grupo daqueles sentimentos que escurecem o olhar e embrutecem os sentimentos. Mas não precisa ser assim.

A verdadeira fé diz respeito a crer para o alto, para a Vida além desta vida, para a liberdade de crer se sabendo amado imerecidamente. Sem precisar se valer de mapas, de guias humanos ou "atravessadores da fé". A verdadeira fé é mediada pelo novo olhar provocado pela mente de Cristo que vai sendo formada em nós a cada dia, como um sol que vai nascendo e iluminando o nosso interior.

A verdadeira fé nos abre o ousado caminho de chamar  Deus de amigo, de paizinho. De olhar para Ele não como quem olha para um patrão ameaçador e sempre mal humorado, mas olhar para Deus como quem caminha ao nosso lado e nos dá a mão quando o caminho é escuro demais.

É uma atitude primariamente espiritual e não somente intelectual.


O Deus que vê com amor e graça e nos ensina a olhar assim também te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


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quinta-feira, 5 de abril de 2012

O que é Páscoa?

Páscoa é um evento religioso judaico/cristão, normalmente considerado pelas igrejas cristãs como a maior e a mais importante celebração. Na Páscoa os cristãos relembram e anunciam a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação que teria ocorrido durante a celebração da Páscoa dos judeus, em Jerusalém, entre o ano 30 e 33 da Era Comum.


Origem do nome

Os eventos da Páscoa teriam ocorrido primeiramente durante o Pessach (Passagem em Hebraico), data em que os judeus comemoram o êxodo, libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito, liderados por Moisés, para a Terra Prometida.
A palavra Páscoa advém exatamente do termo Pessach, em hebraico, da festa judaica. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques. O sentido de “passagem” vem do julgamento de Deus sobre Faraó e os egípcios, que oprimiam e escravizavam o povo judeu, até que Deus anuncia a Moisés que libertará o seu povo da escravidão.
Segundo a Bíblia (Livro do Êxodo), Deus mandou 10 pragas sobre o Egito. Na última delas (Êxodo capítulo 12), disse o Senhor a Moisés que todos os primogênitos egípcios seriam exterminados (com a passagem do anjo da morte por sobre suas casas), mas os primogênitos de Israel seriam poupados. Para isso, o povo de Israel deveria sacrificar um cordeiro, passar o sangue do cordeiro imolado sobre as portas de suas casas, e o anjo passaria por elas sem ferir seus primogênitos. Todos os demais primogênitos do Egito foram mortos, do filho do Faraó aos filhos dos prisioneiros. Isso causou intenso clamor e tristeza entre o povo egípcio, que culminou com a decisão do Faraó de libertar o povo de Israel, dando início ao Êxodo de Israel para a Terra Prometida.
A Bíblia judaica e cristã institui a celebração do Pessach em Êxodo 12.14: "Conservareis a memória daquele dia, celebrando-o como uma festa em honra ao Senhor: Fareis isto de geração em geração, pois é uma instituição perpétua".


Páscoa Cristã

A Páscoa cristã celebra a morte sacrificial e a ressurreição de Jesus Cristo. Nos Evangelhos, Jesus é anunciado como o "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", deste modo, toda a simbologia da Páscoa judaica aponta para Jesus que, através de sua morte e seu sangue, liberta o homem do poder da morte e do pecado.
A última ceia partilhada por Jesus Cristo e seus discípulos é narrada nos Evangelhos e é considerada, geralmente, um “sêder do pessach” – a refeição ritual que acompanha a festividade judaica – se nos ativermos à cronologia proposta pelos Evangelhos sinópticos. O Evangelho de João propõe uma cronologia mais acurada, ao situar a morte de Cristo por altura da hecatombe (do grego antigo ἑκατόμβη, composto de ἑκατόν "cem" e βοῦς "boi" - sacrifício coletivo de muitas vítimas) dos cordeiros do Pessach. Assim, a última ceia teria ocorrido um pouco antes desta mesma festividade.
Depois de morrer na cruz, o corpo de Jesus foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu por três dias, até sua ressurreição. É o dia santo mais importante para os cristãos.


Páscoa é pagã?

Não! E também, atualmente, sim! Muitos costumes modernos ligados ao período pascal originaram-se, de fato, dos festivais pagãos da primavera. Hoje existe um sincretismo entre a Páscoa judaico-cristã e rituais de passagem pagãos, mas nem sempre foi assim.
A festa moderna utiliza a imagem do coelho e ovos pintados com cores brilhantes, representando a luz solar, dados como presentes. Os antigos povos pagãos europeus da Idade Média, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Deméter. Na mitologia romana, é Ceres. Ishtar ou Astarte é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica.
Na primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados. A lebre (e não o coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada. A lebre de Eostre poderia ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações atuais.
As hipóteses mais aceitas relacionam a época do ano com Estremonat, nome de um antigo mês germânico, ou de Eostre, uma deusa germânica relacionada com a primavera que era homenageada todos os anos, no mês de Eostremonat, de acordo com o "Venerável Beda", historiador inglês do século VII. Porém, é importante mencionar que Ishtar é cognata de Inanna e Astarte (Mitologia Suméria e Mitologia Fenícia), ambas ligadas à fertilidade, das quais provavelmente o mito de "Ostern", e consequentemente a Páscoa moderna (direta e indiretamente), tiveram notórias influências.
Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou, novamente, o planeta Vênus). É uma deusa anglo-saxã, teutônica, da primavera, da ressurreição e do renascimento. Ela deu nome ao Shabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.


Conclusão

É comum, hoje, a prática de pintar ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas. Em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substituídos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não é citado na Bíblia, nem na Páscoa judaica, nem na Páscoa cristã. Portanto, este costume é uma alusão a antigos rituais pagãos.
A Páscoa, em suas raízes mais antigas, é uma festa genuinamente bíblica, que aponta figuradamente para o sacrifício de Jesus por toda a humanidade. Esta é a oportunidade que, como cristãos, discípulos de Jesus, temos de anunciar não somente o sentido cultural da festa mas, principalmente, que ela tem a ver com o amor de Deus por toda humanidade. Isto inclui todos nós. Deus entregou seu único filho, como sacrifício pelos nossos pecados e Nele, somente Nele, temos Vida Eterna, ou seja, "passamos" da morte para a vida. O evangelho de João, no capítulo 3, resume esta mensagem da seguinte forma: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que entregou (à morte) o seu único Filho para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a Vida Eterna."


Veja o que o "Coelhinho da Páscoa" tem a dizer sobre a Páscoa





Fonte: Ovelha Magra (www.ovelhamagra.com)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A fé no marketing



"O mercado é sórdido!", assim dizia meu professor de Sociedade e Economia na faculdade. Ele fazia referência à falta de escrúpulos nas guerras e disputas de poder econômico, defesa e conquista de mercados desde os tempos mais remotos da humanidade.

Aliás, dizia ele, que não há limites para mentiras, golpes, guerras, injustiças, ameaças e todo tipo de baixarias quando o interesse econômico está em jogo.

Não pense que o mercado é motivado por causas nobres! Ele enxerga como produto e bens de consumo qualquer ação, serviço ou mercadoria que possa gerar algum tipo de lucro, ainda que esta mercadoria sejam as coisas que, em tese, não deveríamos tratar por mercadoria como, por exemplo, a fome na Etiópia ou o analfabetismo no sertão brasileiro, mas há quem se beneficie muito com a exploração destes "produtos" e, portanto, os mantenha como estão, apesar do embrulho no estômago que saber destas coisas gera nas pessoas de bem.

A grosso modo, o marketing é a ferramenta que estuda e analisa o mercado para que um determinado produto seja melhor aceito e, consequentemente, venda mais e/ou gere mais retorno de investimento e lucro. Ele observa os concorrentes, a maneira das pessoas se comportarem, consumirem e, então, define as estratégias de abordagem e sedução para aquele público alvo específico.

Tenho visto, com muita tristeza, a fé ser tratada como um novo bem de consumo. O marketing da fé é explorado à exaustão, definindo metas, estratégias, mercados, linguagem, produtos e públicos.  Tudo vira "produto": a pregação de um determinado pastor, o CD do cantor ou ministério de louvor, as campanhas de milagres, as rosas ungidas, os lenços, as sessões de descarrego e a "mídia", que até então era o culto, agora ocupa lugar nas grandes emissoras de TV do Brasil porque este mercado da fé está crescendo. O problema é que aqueles que apenas consomem fé, como um benefício, um produto de valor agregado, vão se distanciando da verdadeira Fé, livre, libertadora e vivificante do Evangelho. Ela é aos poucos apagada, substituída por uma fé presa ao templo/loja e ao modismo cegante da época.

Na disputa deste "mercado gospel", na defesa da fatia deste "bolo(r) da fé", por interesses econômicos, assistimos as mais horripilantes safadezas e inacreditáveis mentiras, ao ponto até de "bispos" e "pastores" simularem exorcismos com o testemunho de "demônios" para desacreditar a igreja concorrente. "Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens" (Mateus 15.7-9).

Esta, infelizmente, é a realidade na grande maioria das "igrejas" espalhadas por aí. E aqueles que nela estão viraram "fiéis" (cegos), não de Deus, mas dos líderes destas empresas.

É claro que nem tudo está perdido. Ainda existe gente séria, discípulos de Jesus. A Igreja (com "i" maiúsculo) é invisível e somente de Deus, não pode ser negociada. O Reino de Deus não cabe atrás da plaquinha, nem dentro do templo de nenhuma religião do mundo! Ele está presente onde há corações sinceros e humildes, e para o desespero dos empreendedores da fé, está muito além dos nomes das igrejas e comunidades.

Não vejo problema algum em se adequar a linguagem ou a forma de se comunicar o Evangelho para que mais pessoas o entendam. Crianças e adultos, por exemplo, exigem abordagens diferentes não só do Evangelho, mas de tudo na vida; têm compreensões distintas sobre os mesmos assuntos, então, neste aspecto, o jeito de se entregar o conteúdo deve ser diferenciado para cada um. Simples assim. Mas quando ao método ou à estratégia são dados mais importância que à essência, então o que se pensa ser o caminho em direção às Boas Novas de Jesus acaba se transformando numa perigosa armadilha. As pessoas vão se prendendo à forma, à linguagem, endeusando templos, lugares, líderes, denominações/marcas e nomes.

Em busca de mais adeptos às suas igrejas ou de fidelizar seus clientes, alguns líderes religiosos acabam vendendo a imagem de que a verdadeira fé está naquele lugar, as outras igrejas são vistas como concorrentes e desmerecidas. Música, estilo, "bênçãos", "milagres" e "cobertura espiritual" são tratados como diferenciais e utilizados como técnica para atrair mais gente.

Perceba como estamos tão vendidos às técnicas do marketing da fé que nem diferenciamos mais as palavras "culto" de "produto". Quando dizemos que temos "culto para jovens" ou "culto para senhoras" estamos dizendo, na verdade, que temos "produtos para atrair jovens" e "produtos para atrair senhoras ", porque o culto é somente para Deus, não para o homem. Nós nos esquecemos que não é o tipo de culto que deve atrair as pessoas, mas sim a compreensão do perdão que recebemos de Deus. A Graça, ou seja, o Dom gratuito de Deus é o que nos motiva a louvá-lo.

O perigo de se fazer do "evangelismo estratégico" ou do "show/apresentação do culto" o alvo a ser buscado em si mesmo para atrair as pessoas é que o mercado, como de costume, exige  cada vez mais. Logo, o próximo lugar que proporcionar a "melhor bênção/oferta", "mais emoção" ou a "melhor apresentação do culto/produto" abocanhará a sua fatia de mercado conquistado.

Quero deixar bem claro que não sou contra a utilização de música, teatro, testemunhos, acrobacias, danças, pirotecnia e qualquer outra expressão de arte para se anunciar o evangelho ou como vontade de glorificar a Deus com tais atitudes. Mas não acredito na utilização destas coisas como "estratégia" ou "técnica" para alcançar outras pessoas "para Jesus". Tudo o que é estratégia deixa de ser verdadeiro quando se trata do Evangelho. O Evangelho nasce de dentro pra fora, naturalmente. É produzido pela Verdade que faz morada em nossos corações e alcança o outro ser humano. Não por ser simplesmente emocional ou atrativo, mas por produzir Vida e luz/compreensão para o nosso caminho em Deus.

A mensagem de Jesus nunca foi "venham ficar admirados com as coisas que sei fazer!", mas "arrependam-se e creiam no Evangelho!". E ainda: "Tomem sobre vocês a sua própria cruz e me sigam, fazendo as mesmas coisas que eu fiz, ensinando e imitando a maneira como andei entre vocês!".


O Deus que não faz propaganda vazia de si mesmo te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!




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