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terça-feira, 11 de maio de 2010

Uma Rosa para Kierkegaard

*

Eu trago uma rosa para Kierkegaard

Kierkegaard que não viu Hiroshima

Que, vista,
Explodiria com ela

E deixaria um apócrifo
Contra a América cristã

Eu trago uma rosa em nome de Cristo e
Quero encontrar-te
Senhor Soren
Quero nomear meu filho assim, Soren

Teu semblante triste eu trago do berço,
Quero teu ímpeto libertário
Para denunciar nossas incongruências
Nossos nadas (trans)feitos doutrina,
Adaptação e contentamento

Eu quero teus saltos
Pois tenho asas e um teto
Que me prende de usá-las
(e um mundo a alcançar para Cristo)

Ah, Soren, com o perdão da truculência
Quero dar uma banda
No coro dos contentes
E deitar todos de pernas
Para o ar

-Quem sabe, de um
Outro ângulo,
Finalmente não enxergam
Os não alcançados?


Trago uma rosa para ti, para mim
- Para a multidão de nós

e laços -

Oxalá a realize

Sammis Reachers

terça-feira, 2 de março de 2010

Palavras chave para a igreja de nossos dias - Parte III

Créditos da imagem: www.iebfaro.org

Comunhão

Comunhão é um termo grego. Vem de uma extensa gama de palavras com o sentido de confluência, amizade e convivência. Comunidade, comum, comunhão. Koinonia, o termo grego, ocorre em sua forma padrão 19 vezes no Novo Testamento grego. Atos 2:42, Romanos 15:26, I Coríntios 1:9, 10:16 (duas vezes), II Coríntios 6:14, 8:4, 9:13, 13:13, Gálatas 2:9, Filipenses 1:5, 2:1, 3:10, Filemon 1:6, Hebreus 13:16, I João 1:3 (duas vezes), 1:6 e 1:7.

Nós pensamos a comunhão como uma reunião de pessoas iguais. Esta não parece ser a verdade exarada da Bíblia. Claro, que os ânimos devem estar apaziguados na comunhão da Igreja Primitiva, mas é nela que os diáconos são instituídos. E por que o são? Porque há insatisfação. Algumas pessoas estão sendo preteridas e reclamam. Não reclamam porque são rebeldes ou gananciosas, há uma justa reinvindicação. Tal comportamento, para muitos de nós, seria insubordinação, quando não rebeldia. Esta segunda geração de líderes da Igreja, enfrenta um contexto em que a comunhão tinha sido abalado pela omissão ou negligência do próprio grupo. Será que não acontece o mesmo hoje em dia?

A comunhão é um estado a ser alcançado, uma meta a ser perseguida diariamente. No processo pode haver constrangimentos e dissabores, como a chuva é uma condição metereológica que traz vigor ao pasto, ao mesmo tempo em que inunda casas e mata pessoas. Embora adversa em suas consequências, não podemos exclui-la do nosso cotidiano, mas aprender a conviver com ela. Assim é que a comunhão não é reunião de iguais, mas a busca por igualdade entre diferentes. Tendo como referência o chamado de Cristo, devemos tolerar os fracos, se necessário carregando-os, para que o grupo seja beneficiado. Se alguém quer ser igual apenas para anular sua vontade própria, não está agradando a Deus. A tônica da palavra koinonia é abrir mão da vontade própria em nome da convivência possível com os demais. As outras opções são o despotismo ou o isolamento.

Logo, é uma palavra impessoal e imparcial. Se vamos ter comunhão, devemos fazer isso com qualquer pessoa, sob quaisquer condições e em qualquer situação. Vejamos o que afirma Paulo em Romanos 12:18: Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens. Quando eram feitas grandes cruzadas pelo Brasil afora, idos de 1980 a 1990, ouvi o Pr. Hidekazu Takayama, que já não prega mais, agora é deputado federal, afirmar: É preciso ter paz horizontal e paz vertical, paz com os homens e paz com Deus. É uma afirmativa que resume muito bem a essência do texto. Com frequência, a comunhão que queremos é a que se restringe às pessoas com quem temos empatia.

Outra dificuldade é ter uma comunhão distanciada. A tese é que enquanto não interajo com um irmão, não me choco com ele. Então, prefiro manter-me a uma distância segura. Isso é egoísmo bem disfarçado. A comunhão preconizada na Bíblia é a que se machuca, reconhece as feridas, mas tem um alvo. E, por isso, vai em frente. São as mesmas feridas que fazemos a Deus, quando o entristecemos com nossos pecados, mas Ele não desiste, esperando o dia em que haverá de nos encontrar em sua Glória. Tenhamos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus nos purifique de todo pecado!

Publicado em Reflexões Sobre Quase Tudo! Proibida a reprodução sem autorização do autor: Daladier Lima dos Santos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Palavras chave para a igreja de nossos dias - Parte I

Créditos da imagem: www.mensagensvirtuais.com.br

Perdão

Voltamos a este assunto muitas vezes ao longo de nossos textos, mas a cada dia sentimos que é imprescindível fazermos isto. Não apenas devemos buscar o perdão diante de Deus (I Jo 2:1), mas crer que todos os pecados foram apagados (Cl 2:14). Nesta última referência, o mestre William Barclay, nos ensina que havia duas palavras para cancelar ou riscar em grego. Uma era chiazen, que consistia em apor um X, a letra chi, sobre um documento. Até hoje adotamos uma prática semelhante, dando dois riscos cruzados, que parecem a mesma letra. A outra palavra é ecsaleiphen, e consiste em apagar um papiro ou pergaminho, utilizando a técnica do palimpsesto. Deus não apenas cancelou nossas dívidas, de modo que alguém pudesse vê-las, mas apagou totalmente.

Crentes há que vivem martirizados por pecados cometidos, e há irmãos que buscam martirizar outros pelo que fizeram outrora no mundo. Muitas vezes é o próprio Diabo que se especializa em aproveitar a fragilidade do cristão, atrofiando a fé de alguém. Não podemos deixar de arcar com as conseqüências de nossos erros, como, por exemplo, doenças decorrentes de vícios, mas fomos totalmente perdoados por Jesus, de todos os pecados (Mq 7:18,19) dos quais faz questão de não lembrar mais (Is 43:2).

Devemos também perdoar os nossos irmãos, em qualquer coisa que tenham feito e esquecer seus erros. É uma atitude difícil de ser tomada, pois somos egoístas, mas é um gesto bíblico ao qual Deus atenta sobremaneira. Muitos de nós não compreende passagens profundas como o perdão diante da oferta, que se torna rejeitada por Deus se insistirmos em fazê-lo com inimizade (Mt 5:23,24). Se Deus não aceita uma oferta de alguém que está intrigado com seu irmão, imagine receber tal pessoa no Céu? E olha que a recomendação foi para o caso de sabermos que alguém tem algo contra nós... Portanto, raízes de amargura semeadas pelo Inimigo e regadas por nós, tornam-se armas poderosas para desviar-nos das bênçãos de Deus (Hb 12:14,15), opondo irmãos entre si. Jesus afirmou, certa vez, que um reino dividido não pode prosperar (Lc 11:17).

A blogosfera, por vezes, manifesta este comportamento contraditório, aonde as pessoas classificam e denominam umas às outras, por um simples ponto de vista diferente. Infelizmente, aqui é um lugar aonde o ódio e a inimizade encontram um terreno fértil. Eles crescem diante da impessoalidade intríseca da web. Mas Deus não faz distinção entre real e virtual, especialmente no que tange à nossa espiritualidade.

É preciso compreender que o perdão traz consciência tranqüila diante de Deus e do próximo. E uma expectativa de vida saudável. Já há inúmeros estudos médicos comprovando que pessoas que cultivam ódio e inimizade afetam seu bem estar físico e emocional. A probabilidade de tais pessoas desenvolver quadros de infarto, depressão, hipertensão, transtorno obsessivo e/ou compulsivo, aumenta diante de tal comportamento.

Quem não gosta de mim por minhas posições sinta-se perdoado. E se alguém se sentiu ofendido por minhas colocações, sinceramente: Perdoe-me!

Bibliografia
Palavras Chave do Novo Testamento, William Barclay, 1985 - Edições Vida Nova

Publicado originalmente em Reflexões Sobre Quase Tudo!

domingo, 10 de janeiro de 2010

A Parábola das Dez Virgens






Nela, dez virgens, cinco loucas e cinco prudentes, saem ao encontro do esposo. Cada uma, leva consigo, uma lâmpada acesa. O esposo, demora a chegar. As lâmpadas das loucas, se apagam. Se afastam das prudentes, em busca de adquirirem azeite. Ao retornarem, o esposo havia acolhido as cinco virgens prudentes, deixando-as de fora: "Não vos conheço" Mt 25: 1-13.

O Esposo: É Cristo. Sua chegada, representa as bodas do Cordeiro, a segunda vinda à terra: Regozijemo-nos e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou" Ap 19:7.

Virgens: Representam a esposa, a igreja: "Porque estou zeloso de vós, com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como virgem pura a um marido, a saber, a Cristo" IICor 11:3.

Lâmpadas: Representam a vida, o espírito: "E a seu filho darei uma tribo: Para que Davi, meu servo, sempre tenha uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para por ali o meu nome" I Reis 11:36.

O Azeite: É O Espírito Santo de Deus. A Unção que mantêm acessa a lâmpada: " Tu, pois, ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveira, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas continuamente" Êxodo 27:20.

Virgens Loucas: Ao partirem ao encontro do esposo, carregavam lâmpadas acesas. Tinham azeite. Com a demora do esposo, suas lâmpadas apagaram (v8). Não tiveram suprimento suficiente para evitar a "morte" da lâmpada. Esse grupo de virgens, representa, os que dizem seguir a Cristo, porém, não O obedecem: "E aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica, compará-lo-ei ao homem louco..." Mt 7:26.

Essas virgens, usavam aliança de noivado, porém, traíam O Esposo. O relacionamento para com Ele, não era fiel e verdadeiro. Começaram com azeite, mas, não se esforçaram em mantê-lo até o casamento.

Em Busca de Azeite:"Dai-nos vosso azeite, porque nossas lâmpadas se apagam" (v8). As prudentes, se negaram a dividir o azeite: "Vão comprar" (v9). As loucas, esperavam ser salvas, com azeite alheio. Sem esforço. Mas, azeite, não é fácil, nem barato. Existe todo um processo para sua obtenção. A negação das prudentes, tem um significado muito especial e não é mesquinho: "Salvação é individual" Rm 14:12: "Cada um dará conta de si mesmo a Deus".

Uma compra, exige valor monetário. Adquirido com trabalho. As virgens prudentes, trabalharam diligentemente para se suprirem Estavam prontas para casamento. As loucas, queriam, a festa, não o esforço. Mantiveram o foco, no lado fácil do Cristianismo. Se acomodaram.

"E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo. Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Não vos conheço" (vs 10, 11, 12). Quando Jesus disse:"Buscai o Reino" Mt 6:33, essa busca, deve ser diária. O distanciamento de Deus, leva ao pecado, é "luz apagada".

Virgens Prudentes: "Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente..." Mt 7:24. As virgens, prudentes, obedeciam O Cordeiro. Por isso, tinham azeite suficiente para uma possível demora. Imagino-as, carregando um frasco, bem protegido, em uma bolsa a tiracolo, para não perder, nem quebrar.

Estavam mais interessadas em encontrar O Noivo, não em agradar suas colegas loucas. Negaram azeite para elas. Se nós, nos importamos em fazer apenas a vontade dos homens, estaremos desagradando a Deus. Perdendo azeite: "Não seja o caso que nos falte a nos e a vós" (v9). Ou seja, "escolhemos a Cristo". Já lhe convidaram a dividir azeite? Não é o mesmo que multiplicar.Se todas as prudentes, dividissem o azeite com as loucas, em pouco tempo, todas estariam no escuro. Todas, fora das bodas. Dividir azeite, aqui, significa fazer a vontade do mundo.

Quando o azeite acaba: Precisamos escolher em que grupo queremos estar: No das loucas, ou das prudentes. Se nos acomodarmos ao pouco azeite, não buscarmos abastecimento constante, morreremos. Foi assim com Adão e Eva. Começaram a vida, no Edén, cheios de azeite. Suas lâmpadas, brilhavam intensamente, até o dia que escolheram amar mais o mundo que a Deus. Resultado? trevas, lâmpadas apagadas(Gn. cap.3). Saul foi outro. Começou com azeite e terminou sem. O Espírito Santo de Deus, o deixou. A lâmpada, apagou. Homem louco (I Samuel 16:14).

Se suprindo de azeite: A Bíblia nos diz: "Hoje é o dia para o arrependimento" (Hb 3:15). Nós sabemos quando estamos ou não, supridos de azeite. As virgens loucas, sabiam. Resolveram arriscar. Não olhemos para a lâmpada alheia, achando que ela irá nos salvar. Adquiramos nosso próprio azeite: Arrependimento, confissão, obediência, comunhão. Assim, a luz não se apagará.

Alcançar o reino, exige sacrifício, renúncia, cravos e espinhos, chagas e cicatrizes. O Reino, não é só festa. "Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo". Rm 14:17. Por fim, é na vigilância que se encontra o segredo para a consolidação do casamento: "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir" Mt 25:13.

Por:Wilma Rejane.
A Tenda na Rocha

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Caiu? Levanta pô.


A igreja brasileira tem um grave defeito, ela enterra seus heróis vivos, já dizia um pastor conhecido. Por vezes os caras fizeram grandes coisas pelo Reino, edificaram vidas, consolidaram ministérios, fundaram missões e de repente quando uma fraqueza os assola e eles tropeçam, pronto, a igreja soterra. Existe um ditado que diz: “Deus perdoa, mas a igreja não”.


Já vimos diversos casos de crentes que foram expostos pela própria igreja ao escárnio porque caíram da graça em determinado momento. Deus sabe que somos imaturos, e por isso Ele não nos sepulta, mas estende a mão para que através do Seu imenso amor possamos ser restaurados em nossa família e em nosso ministério.


Sejamos pacientes, que na nossa vida cristã a misericórdia triunfe sobre o juízo. Que ao invés de pisarmos a cabeça do caído, possamos fazer como Deus faz e estender a mão para que ele se levante e saiba que alguém se importa com a restauração dele. Sejamos agentes do reino e não de satanás.

E no mais, tudo na mais santa paz!

Pr. Márcio de Souza

Visite o blog do Pastor: http://marciodesouza.blogspot.com

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dia de Finados, dia de reflexões



“Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente” - Romanos 14.5.

Apenas quem perdeu entes queridos sabe que essa dor emocional é quase física. Só quem passou pela separação de um alguém que gozava muita afinidade, um cônjuge, pai ou mãe, irmão ou amigo, é que sabe quão terrível é para o coração humano continuar batendo e ao mesmo tempo sentir a falta daquela pessoa que sabe-se que não voltará mais.

Os protestantes não desprezam o jazigo de seus falecidos, porém, não costumam ir em dia específico visitar túmulos, para ali colocar flores e velas, pois quem se vai não deseja que isto seja feito. Os evangélicos pontuam que é importante encontrar forças para superar a dor e demonstrar mais dedicação e mais carinho aos que ainda estão vivos e precisam deles, porque a vida continua. Nesta filosofia, os evangélicos preferem distribuir flores aos vivos ao invés de colocá-las em vasos nas sepulturas dos cemitérios.

No Dia de Finados, são muitas denominações evangélicas que possuem estratégia definida, formam grupos e vão aos cemitérios levar a mensagem da ressurreição. Entendem que este dia é um ótimo dia para fazer evangelismos. Com todo cuidado e consideração, lembram que chorar pelas pessoas queridas não é pecado. Lembram que a semente precisa morrer para dar frutos; que Deus não mata ninguém; e que Jesus Cristo é a ressurreição e a vida; levam conforto aos que estão sofrendo.

E.A.G.

Fonte: http://belverede.blogspot.com/ Artigo liberado para uso, desde que citado a fonte e não comercializado. Constar a seguinte referência: Eliseu Antonio Gomes | Blog Belverede via Confeitaria Cristã.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Uma nova Aliança Evangélica?

José Bernardo Entrevista com o miss. José Bernardo, líder da AMME Evangelizar, sobre o possível restabelecimento da Aliança Evangélica Brasileira.

O esforço mediado destacadamente por Valdir Steuernagel, Oswaldo Prado e Ariovaldo Ramos já conta com o apoio de vários líderes evangélicos e planeja-se uma nova reunião para o dia 14/12/2009.

José Bernardo pensa que merece um voto de esperança, vendo que o amor é mandamento inegociável.

O que motivou a participação da AMME Evangelizar na reunião sobre a possível restauração da Aliança Evangélica Brasileira?


A AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras) da qual a AMME é associada, na pessoa do nosso presidente – Silas Tostes, ajudou a promover esta reunião. Participamos por entender que a obra missionária pode ganhar com uma maior comunhão e unidade entre os cristãos evangélicos.

Como está se desenvolvendo a proposta para união dos evangélicos?

Neste momento, destacam-se três líderes evangélicos, muito queridos da Igreja e respeitados por sua militância na missão da Igreja, que participaram da antiga AEVB e entendem que é tempo de fazer um esforço neste sentido novamente: Valdir Steuernagel da Visão Mundial, Oswaldo Prado da Sepal e Ariovaldo Ramos da Igreja Batista da Água Branca. A reunião deste último dia 23 de outubro foi uma preparação para uma reunião mais ampla no dia 14 de dezembro, quando deve ser discutida uma proposta de carta de princípios que vai orientar a nova aliança e também será marcada uma futura assembleia de instalação.

Levando em conta a diversidade da Igreja Evangélica Brasileira, o que torna viável esta proposta de união dos evangélicos?

Primeiro, não podemos nos queixar da diversidade da Igreja Evangélica, isso é uma virtude. Obviamente toda virtude em excesso é um pecado, mas não podemos aceitar a ideia político centralizadora de Igreja que tem os romanistas. Ficamos livres do papismo e das tradições de influência pagã para seguir apenas a Palavra de Deus. Ficaremos firmes na liberdade que adquirimos, e isso custa o esforço de vencer a carne e amar. Nesse contexto, a proposta de organizar a nova AEVB como uma rede social é decisiva para tornar a proposta viável e produtiva.

De que maneira a proposta de união dos evangélicos pretende manter as igrejas evangélicas convivendo em maior unidade?

A ideia é manter a rede social. As redes sociais não seguem o padrão organizacional de uma pirâmide com um chefe no topo e muitos níveis de subordinados abaixo. As redes sociais são um ambiente de relacionamentos entre organismos, em que todos têm o mesmo nível e se relacionam conforme sua disponibilidade e necessidade. O modelo de redes sociais tem maior possibilidade de produzir comunhão e unidade do que o modelo usado antes pela AEVB, porque é um ambiente de troca, onde a igreja terá a vantagem de compartilhar o que tem de melhor e a vantagem de receber aquilo que lhe falta. Sobretudo, na experiência da AMME e em minha opinião, a rede social preserva a identidade vocacional de cada participante. Nenhuma uniformização será exigida. A liberdade bíblica será garantida.

Qual a garantia de que a nova AEVB não será usada para as conveniências da política partidária ou para endossar uma agenda que não reflita o pensamento bíblico?

A primeira garantia nesse modelo de relacionamento é a carta de princípios. Ela dirá o que qualquer igreja pode esperar da Aliança ou não. Cada igreja decidirá sua participação a partir dessa carta. A segunda garantia é o benefício. Cada igreja só participará na medida em que a Aliança efetivamente a beneficiar – produzir algo menos do que benefício, desautorizará e desconstituirá naturalmente a rede social. A terceira garantia é a participação equalitária – ninguém mandará em ninguém. Além de opinar igualmente, cada participante, com sua identidade preservada, fala na rede e fora dela também. A sociedade não ouvirá a voz única de um vigário, mas uma tendência do conjunto da rede, inclusive com suas vertentes. Creio que essas três garantias nos animam a, no mínimo, dar um voto de esperança a este esforço nobre, pelo cumprimento do supremo mandamento bíblico de amar.

Por que a AMME Evangelizar resolveu participar da discussão deste tema?

A mensagem fundamental do Evangelho que pregamos é o amor; O amor tão grande de Deus por nós que o levou a dar seu filho unigênito para que nós tivéssemos uma nova vida no lugar da que o pecado já havia nos tirado; O amor entre nós, certificado de nossa identidade como verdadeiros representantes de Cristo; O amor pelos outros, que nos leva a anunciar-lhes o Evangelho da salvação. Se a Igreja não vive este amor fundamental na mensagem cristã, não tem autoridade para evangelizar. Seja em uma nova AEVB, seja nos Conselhos de Pastores, seja nos eventos de confraternização promovidos por cada igreja, devemos atender às oportunidades de exercitar o amor, sabendo que é fundamento da evangelização. Ajudar a Igreja a andar em amor, é ajudar a Igreja a cumprir sua tarefa de evangelizar. Por isso a AMME está acompanhando este esforço pela nova AEVB com interesse.

Fonte: http://www.evangelizabrasil.com

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cadê os sete mil que ainda não dobraram os seus joelhos?


Jarbas Aragão

Em 1 Reis, capítulo 19, lemos que Elias

"se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.

Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.

Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.

Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo.

Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.

Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do SENHOR e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

Ele respondeu: Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida."

A história é bastante conhecida e fala de um momento de fragilidade, até mesmo de depressão do profeta que havia acabado de matar os falsos profetas, desafiado os reis e visto o poder de Deus se manifestar de uma forma única. Mesmo assim ele cansou, se desanimou e resolveu fugir.

De muitas maneiras posso me identificar com o sentimento de Elias. Também já travei batalhas que me deixaram cansado, desanimado e a ponto de desistir. Mas assim como o profeta do Antigo Testamento também já vi a mão do Senhor comigo nessas horas difíceis.

Olhando para a realidade da Igreja no Brasil nesses tempos, muitas vezes sou tomado pelo mesmo sentimento de Elias. Mesmo minhas vitórias são pequenas, se não forem inúteis diante do mal que assola meu país. Assim como naqueles dias, um dos elementos principais do problema é o abandono dos caminhos do Senhor por parte do seu povo.

Basta ligar a TV ou acessar a internet e vejo escândalos envolvendo o nome de igrejas, lideres e ministerios que parece não ter fim. Convivi e convivo com muitos pastores, missionários e líderes deste país. Conheço tanta gente boa, séria, dedicada ao evangelho. Recebo relatórios quase semanais de conhecidos que estão levando a Palavra do Senhor aos quatro cantos deste país e também em lugares onde há pouco ou nenhum conhecimento do evangelho. Gente que ama a Deus e se dedica a fazer o nome de Jesus conhecido.

Mesmo assim, diante de tanta sujeira e tanta coisa ruim, parece sobrar poucos motivos para achar que isso de fato faz diferença na realidade do país. Repetidas vezes escutei que o Brasil experimenta um avivamento, que nunca a igreja de Jesus cresceu tanto, agora temos representação política, artistas e músicos famos se converteram, os jogadores mostram o nome de Jesus em rede nacional etc, etc.

Na mesma proporção que o nome de Jesus é anunciado os problemas parecem surgir. Já vi vários famosos “desconverterem-se” ou darem motivos para acreditarmos que era tudo marketing. Li matérias terríveis da imprensa que joga todos os chamados evangélicos na vala comum dos hipócritas, aproveitadores da fé alheia e fanáticos sem cérebro.

Por que tem de se assim? Eu não sei a resposta. Sendo pastor já ouvi dezenas de piadas sobre o objetivo da igreja que pastoreio. Lembranças de escândalos financeiros e morais muitas vezes surgem na cabeça das pessoas quando ouvem as palavras “pastor”, “bispo”, “apóstolo” ou títulos semelhantes. Apesar disso os números dos que se dizem seguidores do Deus vivo aumenta no país. O próximo recenseamento nacional mostrará que a escalada continua.

Mas de que serve tudo isso? Continuamos vendo as mazelas da miséria, das drogas, da violência, da corrupção, da falta de expectativas de um futuro melhor tomar conta do país. Os políticos já mostraram que podemos esperar pouco ou nada deles. A crise mundial mostrou que esse é um tempo de incertezas. As ondas de nova gripe (aviária e suína) nos deixam um “lembrete” da fragilidade da vida.

Fazer o quê? Orar e esperar no Senhor é um caminho. Mas não é o único. Precisamos de profetas no sentido bíblico da Palavra. É assustador a falta que faz em nosso país de mobilizações consistentes em prol da família, dos valores bíblicos, do meio-ambiente, da vida. Não me refiro a marchas por Jesus, que já perderam seu propósito original de oração e sucumbiram ao show e a politicagem. Falo de um envolvimento mais consistente da igreja, voz profética com a sociedade. Posso dar um exemplo claro disso. Semanalmente faço cultos na cadeia de minha cidade. Também trabalho como voluntário num centro para menores infratores (que lembra a antiga FEBEM). Nas conversas que tenho com o pessoal que está ali, muitas vezes escuto que são “crentes”, “evangélicos” ou “de Jesus”. Muitos apesar de não se verem como tais, pertencem a famílias que frequentam alguma igreja. Mesmo assim eles estão presos, acusados dos mais variados crimes. Alguns conhecem as músicas que cantamos, outros dizem que oram todos os dias e há quem conheça várias porções das Escrituras. Mesmo assim estão encarcerados por terem infringido a lei de Deus e dos homens. Muitas vezes saí das visitas ou das aulas que dou com o coração pesado. Que evangelho é esse? Que igreja é essa?

Na internet existem centenas, talvez milhares de sites e blogs preocupados com a igreja. Muitos artigos bonitos, desabafos, críticas ferozes, vídeos que fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Aqueles que sentem o mesmo que Elias talvez acreditem que estão sozinhos, que são os únicos ou estão entre os poucos a ver essas coisas. Muitas vezes fui tomado pelo mesmo sentimento. Mas a verdade é que a esmagadora maioria das pessoas que precisariam ler os posts, artigos, desabafos etc não o fazem e nem o farão. Os incautos que se deixam levar por todo tipo de bobagem pregada em púlpitos das TVs em nome de Jesus não sabem que essas páginas e blogs existem. Ainda que tenham sua validade, precisamos de ações concretas, de propostas reais, não de discursos e retóricas vazias.

Por mais que me esforce para levar a Palavra da cruz, ainda é pouco ,eu sei. Mas não é em vão. Primeiro porque tenho a certeza que Deus continua no controle e depois porque não estou sozinho. O Senhor lembrou a Elias “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.”

A continuação da história de Elias mostra que depois de ouvir essas palavras (v. 18) ele partiu, seguiu em frente. Continuou a lutar em favor de Jeová e contra os falsos profetas. O consolo de Elias é que ele não estava sozinho. Tinha o Senhor com ele, mas também tinha sete mil que se negavam a seguir a Baal (símbolo de todo o mal que afligia Israel). Ainda hoje existem milhares que não se dobraram ao evangelho da barganha, da mentira e do vale-tudo. Onde eles estão eu não sei, mas você é um deles? Permita-me lembrá-lo, você não está sozinho! Mas não basta reclamar com Deus, é tempo de agir!

Via http://www.blogdos30.tk/

terça-feira, 22 de setembro de 2009

INSATISFEITOS

*
O Milagre dos Peixes - Adonias Assunção

Dr. Joed Venturini

Nós estamos insatisfeitos. Insatisfeitos com os nossos púlpitos de onde emanam cada vez mais mensagens sem relevância para o cotidiano do homem comum . Mensagens que dependem das ciências sociais , que se baseiam em filosofias e psicologias modernas e que soam mais como discursos de auto- ajuda do que a palavra de Deus . Mensagens que respondem a perguntas que o auditório não fez e que citam personagens desconhecidos da maioria. Mensagens desprovidas de conteúdo bíblico como se o prazo de validade da escritura estivesse vencido.


Estamos insatisfeitos. Insatisfeitos com o rumo de nossas igrejas. Igrejas que valorizam o marketing mais que o poder de Deus. Que vivem para resultados numéricos independentes de conversões reais e de discipulado que leve a verdadeiro crescimento. Igrejas que vivem apenas para a glória de certos líderes e que se tornaram clubes onde os interesses de alguns se sobrepõe ao desejo da maioria e a busca do Senhor ficou para um plano secundário.


Estamos insatisfeitos. Insatisfeitos com o tipo de Louvor que tem surgido no nosso meio. Louvor profissional, feito por profissionais, pagos como profissionais. Louvor que manipula as emoções, que aceita qualquer sugestão do mundo e que se contenta com as palmas da multidão. Louvor que deixa a idéia que adoração é algo apenas momentâneo, local e profissional e despreza a importância de uma vida que louve a Deus em espirito e em verdade.


Estamos insatisfeitos. Insatisfeitos com nossa Teologia. Teologia que não aprendeu a pensar sozinha. Que até hoje depende de pensadores de outros hemisférios e de outras épocas. Teologia que á falta de algo contextualizado recorre a pacotes de crescimento de igreja importados que prometem resultados miraculosos, mas exige do povo o que na maioria dos casos não pode dar .


Estamos insatisfeitos. Insatisfeitos com nossas publicações. Um enorme número de editoras e publicadoras voltadas para as leis de mercado. Publicações que misturam o trigo e o joio enganando o povo de Deus. Publicações que dependem de autores estrangeiros e despreza o pensador nacional. Publicações que enfatizam o sobrenatural, o incrível e o milagroso a fim de vender, mas que mostram pouco conteúdo sólido para o crescimento do povo de Deus.

Estamos insatisfeitos. Insatisfeitos com o estado da familia cristã. Família onde os divórcios são quase tantos quanto na população geral e onde os líderes casam e descasam sem dificuldade. Famílias onde as crianças são seres estragados por presentes demais, sem disciplina e sem temor de Deus. Famílias onde os jovens vivem exatamente como os jovens do mundo e no domingo fingem ser cristãos. Famílias onde o amor é tão vago quanto neblina matinal.

Mas nossa insatisfação não é apenas um brado de revolta intolerante. Queremos fazer dela uma força motriz positiva. Queremos usar toda a energia que ela desperta de maneira a produzir respostas a suas inquietações. E nossa primeira busca será por aqueles que sentem como nós uma insatisfação santa diante da derrocada da igreja. Cremos que como nos dias de Elias nem todos se curvaram a Baal. Procuramos por esses para juntos lutarmos pela purificação de nossos caminhos como cristãos e como igreja. Desejamos unir forças, pensamentos, orações e ações na busca de soluções para a hora em que vivemos.


Queremos ver nossos púlpitos pregando a palavra de forma expositiva e clara. Respondendo ás questões que o brasileiro tem. Falando de maneira equilibrada sobre como viver com Deus, como conhecer sua vontade, como manter um casamento saudável, como criar filhos para o Senhor, como estabilizar as finanças domésticas, como enfrentar a violência urbana, como lidar com uma doença terminal, como ser benção para as familias da terra. Queremos mensagens relevantes que sejam mais que injeção de ânimo para uma semana de trabalho. Mensagens que no seu término nos deixem e impressão clara de que “ouvimos a voz de Deus”.


Queremos ver igrejas unidas em oração e jejum. Arrependidas por suas falhas, dispostas a pedir e a delegar perdão. Igrejas que dependem da orientação do Espirito Santo e não de regras publicitárias. Igrejas onde a comunhão é prioridade e o apoio mútuo acontece a cada dia, onde as conversões são genuínas e o discipulado é contínuo. Igrejas onde os líderes são servos, os templos são a casa de serviço e oração e os membros se sentem parte integrante do corpo.


Queremos um louvor voluntário e espiritual. Não artistas impressionando mas adoradores rendendo graças. Louvor que emane da experiência com Deus e flua em gratidão. Louvor que não constrange nem manipula mas conduz suavemente á presença do altíssimo. Louvor que sai do templo e da hora do culto e continua nas casas ao longo da semana.


Queremos uma Teologia nossa. Contextualizada e prática. Queremos pensadores brasileiros nos mostrando o que a palavra tem para a nossa realidade brasileira. Queremos ver homens de Deus da nossa terra, cujas vidas e ministérios atestam de sua vida espiritual com o Senhor escrevendo e pregando de tal modo que nos vejamos em suas palavras e entendamos seus raciocinios. Queremos Teologia Brasileira.


Queremos Publicações que se atenham à palavra de Deus. Que nos transmitam a verdade da Bíblia independentemente de ser ou não um “sucesso” de mercado. Queremos livros que nos sirvam de advertência, admoestação, estímulo e regozijo naquilo que nosso Deus é e faz seja nas páginas das escrituras seja nas vidas de seus servos. Queremos publicações que dêem lugar aos escritores de nossa terra cujas vidas e obras estão dentro de nosso universo. Queremos alimento sólido e não sensacionalismo.


Queremos familias cristãs ajustadas e felizes. Famílias onde os casamentos refletem o amor de Jesus, onde os casais vivem um amor pleno, romântico, físico e espiritual, os filhos conhecem as regras da disciplina e respeito e os jovens conhecem a Deus de primeira mão e não de ouvir falar. Famílias que são luz nas trevas de nossa sociedade e que atraem aqueles que não conhecem a vida com Deus.


Acreditamos que nosso discurso não é utópico por mais irrealista que pareça. Acreditamos que nossa insatisfação vem do Senhor. Cremos estar em boa companhia pois muitos foram os insatisfeitos nas páginas da Bíblia e na História da Igreja. Desejamos conhecer e encontrar aqueles que sentem como nós . Queremos agir usando idéias e soluções práticas para que nossos sonhos caminhem em direção à realidade. E que o Senhor da Obra nos abençoe.

Visite o blog do autor: http://www.joedventurini.blogspot.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cansado de gente cansada da igreja!

*

Jarbas Aragão

Durante minha caminhada cristã, desde 1993 para ser mais específico, encontrei com todo tipo de crente. Gente que ama e gente que odeia a igreja. Gente que se alegra pelo crescimento dela e gente que se desespera com isso. Gente que acredita na instituição e gente que não acredita. Eu mesmo já tive altos e baixos na fé, já troquei de igreja, de denominação e de “ministério” amais de uma vez. Os motivos foram vários, desde uma questão de geografia até a mais pura e simples incompatibilidade teológica com o(s) pastor(es). Também já tive um tempo (curto) fora da igreja. Sei como se sentem os que saem da igreja.

O que me faz repensar muitas vezes até que ponto essa aparente crise de confiança na instituição que parece ter se popularizado nesta era da internet. Tenho visto nas redes sociais e nos blogs que se multiplicam diariamente muita gente só reclamar da igreja. Alguns apenas repetem o mantra “Jesus não fundou uma igreja”, outros foram profundamente ofendidos/feridos por algo ou alguém dentro de uma igreja e reagiram. De um tempo pra cá surgiram vários livros sobre o assunto, tanto nacionais quanto traduzidos. Lembro dealguns: Igreja? To fora (Ricardo Agreste), Igreja: por que me importar? (Philip Yancey), Igreja? e eu com isso (Ariovaldo Ramos) e mais recente o candidato a best seller “Por que você não quer mais ir à igreja” de Wayne Jacobsen e Dave Coleman.

Sejam os livros, sejam o blogs, todos tem seus argumentos (pró e contra) e certamente bons motivos para estimular seus leitores a irem (ou não) à igreja. Até ai eu entendo e posso concordar. O que eu não entendo é porque vemos tanta gente agir da mesma maneira que os que ele condena agem. Eu explico. Leio textos de pessoas que atacam a instituição igreja com tanta convicção e paixão que acabam mostrando o mesmo tipo de intolerância com quem pensa diferente quanto tem/teriam os membros das igrejas que eles participaram. É uma verdadeira enxurrada de material ridicularizando este ou aquele pregador, esta ou aquela igreja, este ou aquele ministério. Isso me cansa. Esse enfado proclamado aos quatro ventos enfada também! Não quero dizer que não existam pastores maus, ou igrejas que manipulam ou exploram as pessoas. Mas a premissa de fazer disso uma regra é cansativa demais. Parece que ninguém mais presta!

Realmente não vejo sentido em ficar tanto tempo argumento contra algo, se a melhor opção seria sair de trás do computador , da sua zona de conforto e fazer algo de construtivo. Essa era a motivação de Jesus, afinal não vemos no NT ele reclamando o tempo todo do sistema judaico. O Senhor que muitos desses cristãos cansados de igreja dizem seguir mostrou sua insatisfação sim, mas agiu também. Jesus não ficou apenas fazendo piadas dos sacerdotes, nem escreveu textos ridicularizando os rituais e sacrifícios judaicos, tampouco incentivou os judeus sérios a simplesmente pararem de ir ao Templo. Da mesma maneira, os reformadores foram o que o nome indica, pessoas que buscaram reformar o que estava errado. Protestante no sentido de protestar contra o que estava ruim, errado, distorcido. Quando não conseguiram o que queriam, fundaram sua própria igreja. Sim, isso causou alguns problemas (e às vezes causa até hoje). Mas ao menos foi uma atitude coerente com o que pensavam.

Hoje em dia parece que é muito mais fácil ficar em casa apontando o dedo pros erros alheios. É fácil criticar todos os pastores e todas as igrejas como se fossem tudo a mesma coisa. Não sou cego aos problemas da igreja evangélica brasileira, nem penso que o cristão sincero não pode pensar. O que me cansa nisso tudo é ver que existem tantos ministérios sérios por aí, tantos missionários que dão sua vida pelo evangelho, tanta gente que só quer anunciar a salvação e viver pra Deus. Esse em geral eu não vejo eles escreverem nada, estão ocupados demais trabalhando em prol do Reino.

A maioria do pessoal que se diz cansado (ou livre) de igreja no fundo se acha melhor que nós, “os pobres coitados” que ainda acreditam que a Bíblia ensina que existe um corpo de Cristo e que esse corpo deve se reunir, algo instituído por Deus para que o evangelho seja anunciado. Gostaria realmente de saber até aonde vai o compromisso desse pessoal que se vangloria de estar cansado e de ter se libertado da instituição. Quantas pessoas eles levaram a Jesus no último ano? Quanto investiram do seu bolso na propagação do evangelho? Quanto tempo passaram orando por mudanças na sua própria vida? Orando pelos líderes que eles gostam de atacar? Uma resposta honesta seria bem-vinda. Acho que surpreenderia a muitos.

Poderia citar aqui muitos versículos para defender a igreja, mas não preciso fazer isso. Qualquer um que leia com honestidade o NT sabe como a igreja é retratada em suas páginas. Mas realmente estou cansado desse pessoal tentar fazer com que outros abandonem os bancos das igrejas. Já estive em igrejas em quatro continentes. Ela segue existindo, quer eles queriam quer não queiram. Por mais que se acuse e se ataque, tem dois mil anos que ela anda por ai e pelo que sei só terminará com a volta de Cristo.

Termino com um pedido e um lembrete. Pedido: Sua igreja está ruim? Faça sua parte para melhorá-la. Não deu, não quer? Abra sua própria igreja (não conheço outro termo bíblico para reunião de cristãos, sorry)! Aproveite essa disposição e inteligência que Deus te deu para ajudar outros a conhecer o caminho para Deus. E o lembrete? Meus caros irmãos cansados da igreja, Lucas 6:42 também vale para você “Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.”


Fonte: Blog dos 30! - http://30autores.blogspot.com

quinta-feira, 25 de junho de 2009

APOSTOLICISMO

*


Senhor Jesus, livra-nos do apostolicismo.

Dá-nos apóstolos de verdade.

Dá-nos apóstolos que não enxergam apenas as principais avenidas dos grandes centros urbanos, as altas ofertas e salários.

Livra-nos do apostolicismo.

Dá-nos apóstolos que queiram pregar no sertão, no interior, nos povoados pobres, onde nenhuma perspectiva de vida luxuosa é vislumbrada.

Livra-nos do apostolicismo.

Dá-nos apóstolos que não se gloriam nos grandes templos erguidos para a sua própria glória e louvor.

Livra-nos do apostolicismo.

Dá-nos apóstolos de verdade!

Que o Senhor Jesus continue honrando e abençoando os verdadeiros apóstolos.

Pr. Altair Germano

http://www.altairgermano.com/

sábado, 16 de maio de 2009

Uma analogia do nosso tempo

Créditos da imagem: picasaweb.google.com
Havia um grupo chamado Confraternização dos Pescadores, que ficava numa área cercada de lagoas e rios cheios de peixes famintos. Os membros deste grupo reuniam-se regularmente para discutir a vocação da pescaria, a abundância de peixes e a empolgação de pescar. Eles estavam animados concernente à pescaria!

Alguém sugeriu que escrevessem
uma filosofia acerca da pescaria, então, eles definiram o que ela é e o propósito em pescar. Descobriram que estavam tratando do assunto de forma invertida. Estavam vendo a pescaria do ponto de vista do pescador e não dos peixes. Perguntaram, como é que os peixes vêem o mundo? O que é que os peixes acham dos pescadores? Qual é a isca preferida dos peixes e quando é que ficam com fome? Eles queriam saber a resposta a estas perguntas.

Então, os membros desta Confraternização fizeram pesquisas e freqüentaram conferências sobre pescaria. Alguns viajaram longe para estudar outros tipos de peixes e seus hábitos diferentes. Alguns até obtiveram um doutorado na disciplina de pescaria. Mas nenhum deles foi pescar peixes.

Eles formaram uma comissão
para enviar pescadores. Sendo que havia mais pesqueiros do que pescadores, outra comissão foi formada para determinar os locais prioritários. Uma relação dos locais prioritários foi colocada no quadro de avisos de todos os salões desta Confraternização. Mesmo assim, ninguém foi pescar. Uma pesquisa foi feita para descobrir por quê. A maioria dos membros não respondeu a pesquisa, mas, daqueles que responderam, descobriram que alguns sentiram a necessidade de estudar peixes, outros queriam somente fornecer equipamento de pescaria e alguns queriam viajar para motivar outros pescadores. Com tantas reuniões, conferências e palestras, ninguém tinha tempo para pescar.

João era um novo membro da Confraternização dos Pescadores.
Depois de uma reunião animada, ele foi pescar. Tentou pescar, descobriu como fazer e pegou um peixe excelente. Na próxima reunião, ele falou da sua experiência e foi homenageado pelo que fez. Ele foi agendado para visitar todos os salões da confraternização para contar sua experiência. Devido a todos os convites e a sua eleição à Diretoria da Confraternização, ele não tinha mais tempo para pescar.

Logo, ele sentiu um vazio e desconforto no seu interior.
Ele queria sentir mais uma vez o peixe puxando a vara. Ele cancelou todos seus compromissos, entregou seu cargo na Diretoria e chamou um amigo para ir pescar. Os dois foram pescar e pegaram muitos peixes. Os membros da Confraternização dos Pescadores eram muitos, havia uma abundância de peixes, mas os pescadores eram poucos.

Infelizmente desconheço o(a) autor(a), se alguém souber me avise, não quero "autorar" texto de ninguém.
Qualquer semelhança com nossas igrejas não é mera coincidência. As pessoas se habituaram a descrever as coisas ao invés de experimentá-las. É assim que existem tantos manuais de como ensinar e tão poucos verdadeiros professores, tantos livros sobre casamento e tantas uniões desfeitas, tantos lançamentos sobre a Bíblia e tão pouca prática da Palavra de Deus, tantos tratados sobre a verdadeira adoração e tão poucos adoradores. Hoje as pessoas não fazem por não saber, mas por não querer. Já são poucos os ceifeiros na seara, os adoradores nas igrejas, os salvos nas ruas. Esquecemos as palavras de Tiago: E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos (Tg 1:22).

Daladier Lima, em Reflexões Sobre Quase Tudo

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Carta a uma noiva


Mesmo não sendo dado a republicações, por ocasião da eleição da CGADB, desejo postar novamente uma mensagem de 23 de maio do ano passado.

O que te fizeram linda morena? Ou seria loura, parda ou índia? Bem a cor não importa, acho mesmo que a todas abarcas. Lembras como estavas prometida a um noivo exigente? Ou ainda estás? Ele esperava que teu maior presente fosse tua pureza. Confiou aos homens tua guarida, esperando que nós zelássemos por ti. Agora como te sentes? Como enxergas tua história? Ele disse que voltaria logo. Teus amigos te fizeram cansada da espera?

Como te desfiguraram! Zombaram do teu pudor, menosprezaram tua ingenuidade, fizeram pouco caso do teu amor. Tu eras chamada pra fora, pra viver uma vida nova, diferente na essência e no conteúdo. Era teu destino ser imortal, usufruindo dessa propriedade intrínseca ao noivo. Tua história proclamava reverente que a glória era teu destino, ser servida à mesa, ter o respeito de Deus, cercada de uma beleza tal que o tempo não corrompe.

Não a glória dos homens, perigosa, sensitiva, superficial, melancólica, tendenciosa, temporária, prima-irmã do mal. Tu não precisavas de fama, nem do nome escrito por aí, como um outdoor ambulante, aparecendo aqui e ali. Ser proclamada na mídia, nem ser politicamente correta. Adequar-se a padrões humanos, ser sociável e bem aceita. Teu nome seria declarado diante dos anjos e do próprio Deus! Para quê glória maior?

Nada aconteceu de repente, foi surgindo devagar, um movimento dissimulado e comprometedor. Um jogo enganoso de palavras, a intenção era tornar-te conhecida. Mas acabaram te enjaulando em pressupostos dúbios, tão inverossímeis quanto as intenções dos protagonistas. Olhando a história podemos perceber traços marcantes de dúvida. Ora ias, ora vinhas. Como se as promessas de mudança de rumo te fascinasse. A realidade é que te desfiguravam. Vai ficando cada dia mais difícil te reconhecer nas últimas fotos e vídeos, onde cantas e danças atabalhoadamente, como se o teu penhor nada valesse. Como se a coreografia fosse mais importante que teu sentimento de transcendência.

A quem pertences hoje, já que cada um quer ser teu dono e até mesmo mudar teu nome? Aos interesseiros de plantão e seus interesses tão mutáveis como a areia do deserto, toadas pelo vento das novidades? Aos comerciantes e seu dinheiro, cujo valor é tão mutável quanto? Ou ao noivo, que distante e resoluto anseia que te resguardes? Sugiro que decidas, já que ninguém pode fazê-lo por ti. É, ninguém pode decidir um destino traçado, dirias. Mas, há alguma tendência a ser definida, se queres atingir o objetivo de chegar intacta ao fim.

Ah! Teu nome especial e único, traduzia em suas seis letras tudo para nós. A luta seria renhida, o caminho seria atroz, mas a vitória seria certeira, o noivo seguia veloz. E não permitiria que nem mesmo todo exército demoníaco te venceria. Nem suas portas te abraçaria. Não sei se confiavas neste voto. Digo isto porque aderiste a estratégias que prometiam fermento para tua trajetória de crescimento. Isto era desnecessário porque cada passo estava previsto. Bastava te concentrar no básico: entender o mundo ao redor, preservando-se das máculas. Vejo que estás valorizando o acessório, em detrimento do fundamental.

Infiltraram em tua mente a política partidária. A revolução era um caminho indispensável ao teu objetivo de permaneceres pura? Ou era uma desculpa para teu engajamento? Para mudar o mundo, tentaram te mudar? A mudança não deveria partir de ti? Lembro que eras sal e luz, portanto... Resulta agora que te usam em suas peças publicitárias, como se teu apoio a tais causas trouxesse credibilidade às propostas. Não era isso que o noivo queria. Também não era alienação, mas apenas santificação.

Chegar ao casamento sem manchas era possível, cada coisa tem seu tempo. Mas o marketing, na sua forma mais letal, te seduziu. Hoje há inúmeros apaixonados, e poucos que te amam. Apenas se aproveitam de ti, de tua aura, de tua estatura. Tem cuidado de ti mesma, e da promessa que recebeste. Guarda-a como um tesouro, o que realmente é. Ela é fiel para te resguardar até o dia em encontrarás teu noivo num altar jamais usado. Ou já não queres mais casar?

Abraços, Igreja!

Postado originalmente em Reflexões Sobre Quase Tudo!