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segunda-feira, 26 de março de 2018

NÃO O ACHARAM


Correram para aquele culto. Procuraram-no no meio dos cânticos; procuraram-no entre os partícipes; procuraram-no no sermão e nos avisos. Não o acharam.

Correram para aquela vigília. Procuraram-no entre os que se punham de joelhos; procuraram-no nos lábios dos que torciam as frases e diziam coisas desconexas; procuraram-nos entre aqueles que choravam e gritavam. Não o acharam.

Correram para a obra social. Procuraram-no nos que distribuíam comida; procuraram-no nos que cantavam e distribuíam santinhos; procuraram-no entre os que se serviam do pão e da sopa da noite. Não o acharam.

Correram para a procissão. Procuraram-no entre os que carregavam o andor com a imagem de escultura; procuraram-no nas rezas e nas ladainhas cantadas pelos que caminhavam com velas na mão; procuraram-no nos objetos religiosos. Não o acharam.

Correram para a marcha. Procuraram-no no trio elétrico que conduzia músicos e apóstolos; procuraram-no entre os que falavam de tudo pelo microfone; procuraram-no entre os que faziam as salvas circularem. Não o acharam.

Então voltaram ao escritório central e deram o parecer: "Por mais que o buscássemos, por mais que os nossos detetives tenham investigado, por mais que tenhamos contemplado os lugares onde ele supostamente pudesse estar, não achamos sequer um vestígio de sua presença. Nossa conclusão é única: ELE NÃO ESTÁ LÁ".

Sim. Ele desapareceu.

O púlpito da igreja, construído para que a Sua Palavra fosse proclamada aos que se dispusessem a ouvi-la, agora é utilizado para falar de futilidades, de política, da venda de produtos, da vanglória dos ministérios, dos cursos de auto-ajuda, de prosperidade financeira e da jactância dos que procuram um entretenimento barato, possível e jactancioso. Jesus não está mais ali.

As vigílias de oração, constituídas por quem ansiava buscar a Deus com dedicação, com tempo de qualidade e com muita confiança no Pai Celestial, no poder do Espírito Santo, não se reúne mais em nome de Jesus, mas em nome do apóstolo impostor, no nome do Espírito Santo (cujo verdadeiro objetivo nunca foi esse, mas sim glorificar ao nome de Jesus Cristo). Reúnem-se para ostentar poderes sobrenaturais, para sacrificar e simular sofrimentos com o fim de verem suas preces atendidas, não confiando na graça absoluta de Deus. Jesus Cristo é quem menos importa nestas vigílias, usado-O apenas como fórmula em suas frases de efeito. Jesus não está mais presente ali...

As obras sociais, como expressão de amor reagente (nós O amamos porque Ele nos amou primeiro e, consequentemente, devemos amar o próximo com a nós mesmos) tornou-se ostentação de suposta bondade e virtude, ou de chamarisco de ofertas (olhem como nós somos bons com os carentes e invistam em nós!), ou de busca de pontos na eternidade (salvação pelas obras). Verdadeiras empresas são montadas com a finalidade do suposto bem e o que menos importa é o que deveria gerar a boa obra (fazê-lo como se estivéssemos fazendo por Jesus). Ele também não está ali.

A procissão, tão comum entre aqueles que tentam adorar a Deus sem observarem o que o próprio Senhor ensinou em Sua Palavra (não farás imagens e nem lhes prestará cultos), transformou-se em festejo público, em item de turismo urbano, em festa de calendário religioso e em ostentação pública de tradição, de família e de suposta religiosidade (as mãos que levam a imagem são as que conduziram as baterias da festa da carne, o Carnaval). Ali, sob um clima de morte (pois as imagens estão inertes) o povo ostenta uma fé que não traz vida, só traz lembranças de como seria bom se fosse real, ídolos que precisam de braços para erguê-los, uma autêntica fantasia humana. Jesus não estava na procissão.

Também não estava na marcha, ainda que se chamasse "PARA JESUS". Não era para Ele. Era para o apóstolo fajuto, para o candidato ao cargo público, para a gravadora gospel vender cds, para entrar no livro dos recordes como a maior do mundo, para fazer o povo brincar e dançar e mostrar à cidade um entretenimento mais saudável, para justificar a existência das seitas ali propagadas, para gerar lucro aos vendilhões da fé e às cidades que a abrigam. Há glória para as denominações, para as bandas, para os falsos apóstolos;só não há glória para o Jesus verdadeiro, o da Bíblia e da história!

Sim. Ele tem estado ausente. Aliás, talvez esteja ausente da vida de algum leitor, quando não O honra com a sua obediência à Palavra, quando não dedica parte de seu dia à oração e à leitura da Bíblia, quando não congrega junto com o Seu povo, mesmo que numa pequenina congregação verdadeira, quando não testifica da salvação àqueles que ainda não a experimentaram. Infelizmente Jesus não está presente na casa de muitos que se dizem do Senhor. Ele não se faz presente na briga constante da família, nos gastos exagerados, nas dívidas contraídas pelas más decisões e nos costumes que não são compatíveis com a Sua vontade. Ele não está presente nas televisões e nos celulares de gente que não vive para ele. Mesmo que se chamem cristãs, mesmo que sejam religiosas, mesmo que falem o tempo todo o Seu nome. E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6:46). Quem devia ter Jesus não tem e tem provocado escândalo: Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós. (Rm 2:24).

À propósito, estaria Jesus aí com você?

Wagner Antonio de Araújo

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Terceira Idade – Virtudes, Conflitos e Saídas


No decorrer dos anos o conceito sobre o envelhecimento tem sofrido modificações devido aos estudos cada vez mais profundos sobre o ser humano. Dados estatísticos revelam que, na década de 50, a média superior de vida era de 60 anos. Atualmente, o Brasil tem mais de 8% de sua população com pessoas acima dos 65 anos. A expectativa é de que no ano 2000 tenhamos 15% na faixa etária da terceira idade.
A vida é uma seqüência que só é construída com o passar dos anos. A Terceira Idade é classificada como a última seqüência da vida humana.
De acordo com a biologia e a psicologia, o corpo e a mente humana obedecem a uma cronologia que vai até um nível determinado de maturidade. A partir daí, começa o desgaste físico e mental.
Esse é um processo natural, que, mais cedo ou mais tarde, ocorre com tudo que existe no universo; até as pedras sofrem um desgaste.
Da mesma forma acontece com o ser humano, alguns envelhecem mais cedo do que outros, isso depende de fatores hereditários, ambiente em que se vive, condições de trabalho, situação econômica, etc. No entanto, há um fator determinante nesse processo, que é o psicológico. Há uma grande diferença entre o ser velho e o sentir-se velho. Existem pessoas que vivem como se tivessem 100 anos, quando na verdade têm 30 ou 40; assim como aqueles que tem 70 ou 90, mas vivem com muita disposição e vigor.
Não podemos negar ou fingir que não percebemos quando o corpo envia os sinais de seu amadurecimento. Com o passar dos anos, pode ser na casa dos 50 ou 60, o espelho, os amigos, a vida, começam a mostrar a realidade que para muitos é dificílima de aceitar: o envelhecimento do corpo. Sábiamente, Goethe escreveu: “A idade apodera-se de nós de surpresa.” E essa evidência pode desencadear grandes conflitos pessoais.

CRISES DA TERCEIRA IDADE

O fator cultural – Infelizmente, em nossa sociedade, os preconceitos em torno da pessoa de mais idade são muitos. A sociedade não tem respeito para com o idoso; considera-o improdutivo e senil, um peso a ser carregado.
O fator biológico - Uma das causas constantes de crise, é o conflito entre o desejo da alma e a limitação do corpo. A força muscular e a rapidez de resposta motora vão diminuindo gradualmente e as dores ou enfermidades mais freqüentes muitas vezes impedem a pessoa de fazer o que gostaria.
O fator emocional – Um possível sentimento de inutilidade também pode tornar-se um ponto conflitante. A possibilidade de não ser útil para ninguém pode fazer com que o idoso fique apático e deprimido.
Muitas vezes os familiares, preocupados com a fragilidade dos mais idosos, os proíbem de fazerem uma porção de coisas que, na verdade, ainda seriam capazes de realizar. No entanto, isso acaba causando uma grande frustração, tornando a vida na terceira idade triste e vazia.

BUSCANDO UM NOVO EQUILÍBRIO

Todas as fases da vida humana passam por transformações: a infância, a adolescência, a juventude, a vida adulta, o casamento, a gravidez, etc.   Em cada fase acontece em nós uma nova organização; a fim de mantermos o equilíbrio pessoal, mudamos comportamentos, atitudes, pensamentos. Na terceira idade acontece a mesma coisa.
Quando chega o inverno da vida, em que os cabelos vão ficando com a cor da neve, o ser humano necessita se proteger dos inconvenientes próprios da estação. É necessário reconhecer que é possível caminhar, quando não dá mais para correr e que há possibilidade de fazer um pouco, quando não puder mais fazer tudo. Cada um deve buscar dentro de si mesmo suas próprias possibilidades; mesmo que só lhe reste uma rica e intensa vida de oração.
Uma das coisas que mais podem ser positivas na terceira idade é poder olhar tudo o que foi possível realizar um dia e sentir que sua missão foi cumprida. A sensação do dever cumprido produz grande satisfação.
É hora de colher o que se plantou; de aproveitar os momentos preciosos da vida que ainda estão por vir.
Outro ponto interessante é a possibilidade de viver sem preocupação com o futuro. Simone de Bouvoir, em seu livro “A Velhice” (pág.375), cita o grande escritor Fontenelle, que morreu com quase 100 anos, como alguém que dizia que “Nessa idade, já estamos com uma posição definida. Não temos mais ambição; não desejamos mais nada, e usufruímos do que já semeamos. É a idade da colheita já realizada.”
O tempo disponível pode e deve ser usado em função de muitas coisas boas, como por exemplo, passear; visitar os amigos e os enfermos; desfrutar da companhia dos filhos, netos e, quem sabe, dos bisnetos; ler; estudar a Palavra; compartilhar experiências, entre outras coisas mais.

CONCLUSÃO

Todo ser humano tem grande valor, afinal, foi criado a imagem e semelhança de Deus.
Quando a sociedade em que vivemos, ou até mesmo familiares não sabem respeitar e apreciar a pessoa de mais idade, não quer dizer que ela tenha de viver desrespeitada e depreciada.
A conscientização dos inconvenientes que surgem com a chegada dos “anos dourados” não deve trazer consigo o sentimento de incapacidade. Uma atitude de auto valorização pode ajudar muito para que o idoso tenha uma qualidade de vida satisfatória, com todo o direito de ser feliz! Quando alguém tem a alegria natural de viver, ninguém pode tirá-la!
Conhecedor das profundezas do vivido coração do ser mais belo que criou, Deus inspirou um de seus servos a escrever: “Os justos florescerão como a palmeira (…) Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes.” (Salmo 92:12,14)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

JESUS–NO NOVO FILME “BEN-HUR”–“É UM INSTRUMENTO” ?





Quem viu há anos, ou nas sucessivas passagens nos canais de cinema do cabo, o filme Ben-Hur, baseado no romance de Lew Wallace do século XIX, interpretado por Charleton Heston, lembrar-se-á de que a figura de Jesus aparecia apenas em silhueta. Embora o enredo do romance se reporte a “A Tale of Christ”.
A nova readaptação de “Ben-Hur”, de 2016, trata a mesma história, como uma aventura desse tempo, sobretudo aventura ética e religiosa, em que os judeus têm uma palavra de supremacia moral a contrapor aos romanos, reforçando no filme o que foi o romance, classificado com algum exagero como “o mais influente livro cristão do século XIX”.
No que concerne à figura de Cristo no filme épico pré-cistão de 1959, Jesus não aparecia directamente, mas apenas em silhueta. 
Neste filme de 2016, a personagem Jesus (o actor Ricardo Santoro) aparece para construir todo o sentido ao protagonista Ben-Hur e à sua transformação espiritual.
O actor principal, Jack Huston, no papel de Ben-Hur, para reforçar a aparição de Jesus no filme, valorizando com legitimidade esta mais valia do "remake" do clássico, declarou à imprensa que a figura divina aparece porque “Jesus é um instrumento”.
Compreende-se, embora desajustado, o que se quis dizer com isso, é que assim o filme reforça a mensagem cristã.
Mas Jesus Cristo não pode nunca ser visto como um “instrumento”. Talvez, sem querer, isso explique muito do que se passa com as “igrejas” neo-pentecostais, as IURD, e outras derivadas, que apresentam Jesus de facto como “um instrumento” para todas as coisas: financeiras, pseudo milagres, manipulação dos fiéis, etc.etc.
© 


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Por que as mulheres "cristãs" estão assistindo "50 tons de cinza"?

Shane Idleman(*)

Ser seletivo com o que ver e ouvir não tem nada a ver com o legalismo; tem tudo a ver com sabedoria.
A verdade inevitável é que muitos estão se tornando insensíveis. Quando o Espírito Santo já não preenche corações e mentes com uma paixão pela pureza e santidade, há uma falta geral de convicção.
O compromisso nesta área pode ser bem ilustrado através de uma história que ouvi anos atrás.
Esquimós do árido Norte, muitas vezes matam lobos, tomando uma faca afiada e mergulhando-o em sangue. Eles deixam que o sangue congele na lâmina. Em seguida, eles enterram o cabo da faca na neve com a lâmina exposta. Como o lobo começa a lamber a lâmina, a língua torna-se dormente e insensível devido ao frio. Como ele continua a lamber, sua língua começa a sangrar, e ele lambe ainda mais rápido, sem saber que está consumindo o seu próprio sangue e lentamente se matando.
Com o tempo, os esquimós voltam e trazem para casa o animal morto.
Da mesma forma, o inimigo nos entorpece através do compromisso. Dentro de pouco tempo, nós, como os lobos, não percebemos que estamos a morrer - e morrendo espiritualmente. O inimigo nos dessensibiliza até que ficarmos dormentes para as coisas de Deus.
Uma famosa frase ressoa com clareza para nós ainda hoje: "Nem toda a água no mundo, não importa quanto ela tente, nunca poderá afundar um navio a menos que entre dentro dele. Toda a má influência do mundo, não importa o quanto ele tenta, nunca pode afundar a alma de um cristão a não ser que ela entre lá dentro."
A maior batalha que iremos sempre lutar é a que acontece dentro de nós. Nossa mente é o lugar onde a batalha é ganha ou perdida: "Como um homem pensa em seu coração assim ele é" (Provérbios 3.27). Gálatas 5.17 diz que o Espírito nos dá desejos que são opostos ao que a nossa natureza pecaminosa deseja, e que estas duas forças estão constantemente lutando umas contra as outras.
Como resultado, nossas escolhas são raramente livres deste conflito. Não se assuste. O fato de que há uma luta confirma o valor do nosso compromisso com Cristo e Seu padrão de santidade.
Há uma tendência muito preocupante em direção ao compromisso moral na igreja evangélica. Eu testemunhei imagens pornográficas em sites cristãos, clipes de filmes questionáveis ​​durante sermões em PowerPoint e jovens pastores falando de seus programa de TV favoritos que são sexualmente carregados, tudo sob o disfarce da "relatividade" da cultura.
Muitos estão se afastando de Cristo, não porque Ele falha com eles, ou porque a Palavra de Deus revela-se falsa, mas por causa do amor a este mundo (que é gratificante para carne). Não podemos ignorar a gravidade deste problema. Jesus disse que as preocupações e desejos deste mundo, juntamente com a sedução das riquezas, entram e sufocam a Palavra de Deus, tornando-a infrutífera (cf. Mc 4.19).
A paixão que já tivemos pela pureza da Palavra de Deus pode ser facilmente trocado pelos poluentes do mundo. Por esta razão, aproveito cada oportunidade de escrever ou falar sobre como fazer escolhas sábias de entretenimento. O que nós colocamos em nossa mente afeta nosso relacionamento com Deus em um nível muito profundo.
1 João 2.15-17 diz: "15 Não amem o mundo [a mentalidade dele] nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo. O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre."
O que vimos e ouvimos afeta o coração, é impossível separar os dois. Se queremos ter como nosso objetivo conhecer a Cristo mais pessoalmente, se gostaríamos de pregar a Cristo de forma mais poderosa. Por exemplo, se um pastor (ou líder cristão) enche sua mente com o mundo durante toda a semana e espera que o Espírito de Deus fale ousadamente por ele a partir do púlpito, ele vai está redondamente equivocado. E.M. Bounds disse: "O sermão não pode subir as forças vivificantes acima do homem. Os homens mortos geram sermões mortos e sermões mortos matam. Tudo depende do caráter espiritual do pregador".
Os cristãos carnais dão a Deus o "que lhe é devido" (algumas horas no domingo), mas esquecem-se ao Seu chamado para "sair do meio deles (o mundo) e ser separado." Cada dia da semana o mundo está influenciando você? Em que sua dieta mental consiste? Com quem você sai? O que e quem, você ouve? O seu coração está definido para as coisas de Deus ou para a influência do mundo? Um simples olhar rápido de seus "curtis" e posts no Facebook revelam o que você tem realmente dado valor.
Compromisso também engana. Tiago 1.22 nos lembra que se ouvirmos a Palavra de Deus sem obedecê-la estamos enganando a nós mesmos ... estamos enganados. O poder da Palavra de Deus está na aplicação. Além dos não cristãos, são os cristãos que estão se assistindo aos filmes  repletos de cenas sexuais explícitas e violentas que as deixam no "Top 10", ao não aplicar a pureza em suas vidas. São os cristãos que são viciados em pornografia que estão fomentando a indústria deste tipo de filmes.
Não podemos amar a Cristo e este mundo. A carnalidade destrói nosso relacionamento com Cristo e a genuína comunhão com outros crentes. Destrói nossa vida de oração também. O cristão carnal não ora, não adora, nem busca realmente o coração de Deus. A vida de oração profunda expõe fachadas e esmaga a hipocrisia. A carnalidade também destrói o poder espiritual e impede o enchimento do Espírito. Ela também afeta a nossa vida em casa. Em suma, tudo o que Deus nos chama a ser está comprometido.
Ser seletivo com o que ver e ouvir não tem nada a ver com legalismo; mas tem tudo a ver com sabedoria. Devemos reconhecer o que glorifica a Cristo e o que claramente não e em seguida, escolhamos viver de acordo. A graça não nos isenta de responsabilidade. Nós, na verdade, vivemos sob um padrão mais elevado quando a graça orienta nossas decisões, não as regras. Não se trata de seguir regras. Deixe sua liberdade em Cristo, e um relacionamento com Ele, orientá-lo. Todos nós já assistimos materiais questionáveis e fizemos escolhas erradas; não vivemos pesarosos por isso. Mas não justifiquemos o comportamento errado ao pensar que Deus não se importa com o que você vê ou ouve, Ele sem importa sim. Devemos servir e amar a Deus com a nossa mente. (Ver Romanos 7.25.).

(*) Shane Idleman é o autor da série de livros "What Works" e do  "One Nation Above God"

Publicado no Charisma News
Tradução Notícias Cristãs

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

KIERKEGAARD e a pedagogia do Desespero no eu humano


por Júnior Fernandes[1]


[...] se a tua vida foi ou não de desespero e, se, desesperado, tu ignoravas sê-lo, ou soterravas em ti esse desespero, como um segredo angustioso, [...] que pode então importar o resto! Vitórias ou derrotas, para ti tudo está perdido, a eternidade não te dá como seu, ela não te conheceu ou, pior ainda, identificando-te, amarra-te ao teu eu, o teu eu de desespero!
Kierkegaard, O Desespero Humano



            “Algum dia, não somente os meus escritos, mas até a minha vida e todo complicado segredo do seu mecanismo serão minuciosamente estudados”. Isso foi o que Kierkegaard previu para posteridade. Em vida foi um pensador esquecido, a filosofia hegeliana ofuscava qualquer brilho que cintilasse de um filosofar existencial. Hegel era moda à época. Não havia espaço para preocupações existenciais; assim, Sören Aabye Kierkegaard foi um filósofo solitário e esquecido de todos. Para fazer valer sua previsão, financiou seu próprio pensamento com a herança que o pai lhe deixara. Sua Obra compreende uma diversidade de escritos que permeiam o labirinto da alma humana: angústia, desespero, fé, pecado, singularidade são alguns dos temas da verve kierkegaardiana. Como nos diz France Farago, “sua obra é uma obra de iniciação à vida, aos caminhos que se deve percorrer no tempo para encontrar o que ela esconde de eternidade.”[2] Dado esse multifário temático, tentaremos abordar aqui o ser no mundo, marcado pelo desespero – a doença mortal, no dizer de Kierkegaard.

            Para o filósofo dinamarquês, a existência é como que uma escada, onde no primeiro degrau temos a fase estética; no segundo, a fase ética; no último, a religiosa. São os estágios existenciais, onde o existente pode ou não galgar o degrau superior. Segundo Kierkegaard, o desespero acompanha o homem em toda sua vida, isto é, em qualquer estágio em que ele se encontre; basta-lhe ser consciente de que é um indivíduo, um ser existente no mundo. No entanto, no estágio religioso, há uma possibilidade de cura para essa doença mortal. “O homem em estado de desespero, verifica que se desespera não de fatos contingentes, mas de si mesmo. O desespero kierkegaardiano constituiria, portanto, o fato de o indivíduo ver-se confrontado com a vacuidade, o vazio, que não pode ser preenchido pelos prazeres estéticos, nem pelas obrigações éticas.”[3]

            No estágio estético, o indivíduo vive apenas o instante, ou seja, aquilo que traga prazeres imediatos. Aqui, ele busca incessantemente fugir do tédio, do nada e, consequentemente, do vazio da vida.  Entretanto, quando tais prazeres se acabam – ei-lo em desespero. Este, na verdade, já estava presente em seu ser, só aguardava o momento de ressurgir e agravar os seus sintomas. Entretanto, quando a crise passa e o desespero mitiga em estado letárgico, volta o indivíduo, noutro instante, a viver – para usar uma tipificação kierkegaardiana – como um Don Juan; mal sabe ele que “em cada instante que desesperamos apanhamos o desespero”[4]. É uma “bola de neve”.

            Naturalmente um desesperado desse naipe vive especulando as situações mais prazenteiras; seu mundo de conveniências, apenas contribui para o não conhecimento de si; assim, vive em um constante escapismo dos sofrimentos que a vida lhe apresenta.
           
            “À medida que o homem – diz Leda Hume – vai se desencantando de suas ilusões, próprias ao mundo dos sentidos, ele vai adquirindo mais consciência da existência nas suas profundas contradições. Mas nem sempre isso significa libertação.”[5] Ao adquirir consciência, esta lhe faz notar a sua situação no mundo e a resultante disso será o possível aumento do desespero; assim, “a intensidade de desespero aumenta com a consciência”[6], ou seja, a consciência é o termômetro dessa febre mortal.

            O estágio estético precede o ético, sendo este um degrau superior em relação àquele. Para Kierkegaard, um dos sinais do estágio ético é o matrimônio. O casamento qualifica o indivíduo como ser responsável, aparentemente dotado de certa responsabilidade. Apesar disso, Kierkegaard não se casou. Viveu, como dissemos antes, solitariamente. O matrimônio é a noção do viver ético. Assim, o homem ético “tem, por exemplo, uma profissão sólida [...] e mantém um casamento; ele se realiza, portanto, na responsabilidade dos compromissos escolhidos [...]”[7]. Esse momento é evidenciado com mais intensidade na obra Temor e Tremor, que analisa a questão ética sob o prisma paradoxal da obediência-morte versus desobediência-vida; neste livro, Kierkegaard põe em apreço a fidelidade do patriarca Abraão, quando este recebe de Deus a ordem para executar, em Morija, seu filho Isaac. Claro que Abraão foi tomado pelo desespero, ao decidir pelo sacrifico: “quando se voltou para puxar a faca, viu Isaac que a mão esquerda do pai se crispava de desespero [...]”[8]. No entanto, Abraão vale-se da fé para transpor as divisas da ética e galgar o degrau do estágio religioso.

            Assim, em Temor e Tremor, Kierkegaard analisa através da esfera religiosa o problema da fé, onde o patriarca bíblico é confirmado como homem-modelo; visto que, mesmo diante da possibilidade aparente de destruir a semente de sua prole, prefere obedecer a Deus. Abraão a princípio não sabia o intuito de Deus: pô-lo à prova. No entanto, preocupou-se em obedecê-Lo, pois cria que, em meio ao paradoxo, Deus cumpriria a promessa que o faria pai de uma grande nação.
           
            Abraão, como vimos, escolhe o paradoxo, ou seja, supera o estágio ético da vida quando opta por obedecer a Deus sacrificando Isaac, seu filho. Aqui o desespero serviu para fazê-lo sentir que existia no mundo; a fé, porém, o remete para o face a face com Deus – a existência sublime.

            No plano teológico o patriarca não pecou, pois preferiu a obediência. No ético, porém, se houvesse a consumação do sacrifício, sobre Abraão descansaria o estigma de um criminoso. Certamente, isso seria para os céticos, passagem predileta das Escrituras para condenar o ato abrâmico. Todavia, a hipótese ética, nesse sentido, está fora de cogitação. Desse modo, ao obedecer, Abraão supera o plano ético da vida para, através da fé, “cair nos braços de Deus”.
           
O estágio religioso, evidenciado pela fé e o absurdo, denota o lado autêntico da existência; e esse existir verdadeiro é acentuado intimamente pela noção do pecado. Assim, a existência autêntica para Kierkegaard é a do cristão. Existir é viver para Deus; por isso, quanto mais consciente da ideia de Deus, mais o eu concretiza-se e torna-se infinito. Nesse estágio, o que leva o indivíduo ao desespero é a sua percepção do pecado. Esta noção de pecado é a consciência do próprio temor que este eu-teológico tem de pecar. É por isso que Kierkegaard diz que “o desespero é o primeiro elemento da fé”[9], e esta aponta para Deus como alívio dessa perturbação do espírito; no entanto o homem agora desespera por estar consciente de um eu perpassado pelo pecado.

            Devemos enfatizar e alertar que Kierkegaard é um pensador religioso. Acima de tudo defensor de um cristianismo puro e autêntico. Ele é considerado por alguns um Santo Agostinho contemporâneo. Entretanto, esse cristianismo que nosso filósofo defende não é aquele apresentado pela Igreja dinamarquesa de seu tempo, com quem rompeu e polemizou. Nem tampouco, esse que é pintado hoje, na forma de exploração mercantilista da fé. Com efeito, quantas seitas, movimentos secretos de tendência proselitista, religiões “cristãs” ou não, ao perceberem as pessoas sem esperanças, tomadas pelo desespero, apresentam e negociam seus “pacotes” de salvação? O cristianismo do filósofo do desespero é outro.

            Numa concepção kierkegaardiana, “‘tornar-se cristão’ outra coisa não é senão assumir a tarefa de apropriação existencial, vivida, daquilo que Cristo queria dizer já durante sua vida, quando se queixava de não ser compreendido [...]”[10]. Ou como cita Hohlenberg  uma passagem em que o próprio Kierkegaard refere-se a uma entrega total a Cristo: “Está lançada a sorte – atravessei o Rubicão. Certamente este caminho me levará à luta, mas não renunciarei. [...] Quero correr pelo caminho que encontrei e gritar a todos aqueles que encontrar: Não olhe para trás, como a mulher de Lot, mas lembrar-se de que estamos subindo uma ladeira”[11]. É assim o cristianismo kierkegaardiano: um salto de fé, uma paixão pelo paradoxo absurdo.
           
            Assim, o cristianismo autêntico requer um salto, como aquele que Abraão deu e fez com que o seu eu tornar-se “elevado a uma altitude, a uma potência superior.”[12] Eis o irracionalismo kierkegaardiano: o salto de fé.

            Com efeito, parecer-nos-á irracional, por exemplo, pularmos do último andar de um edifício em chamas, quando a razão nos aponta uma possibilidade de escape por meio de uma engenhosidade humana, mesmo que lá embaixo estejam nossos pais a clamar: “salte meu filho!” No entanto, se é uma criança que está no andar em chamas, basta somente que a mãe diga: “salte meu filho, nos meus braços, e estarás a salvo!” Logo a criança salta. Viver autenticamente em Cristo, portanto, é uma entrega total, um salto de fé para estar Nele.
           
            Em Kierkegaard, a fé, portanto, é o elemento que nos remete a Deus. Por meio dela a consciência do eu fervoroso eleva-se ao conhecimento de Cristo. Desse modo, o salto de fé transpõe o abismo da razão e do pecado, e conduz a Deus.

            Deduz-se que a existência autêntica é aquela que nos eleva a Deus pela fé em seu filho. Esta certeza não permite ser demonstrada em uma fórmula, ou no raio de uma lente microscópica, pois a fé prescinde toda probabilidade factual. Ela, pois, derrete o gelo da razão.

            Talvez tenha sido isso que levou Wittgenstein a dizer que “um pensador religioso honesto é como um equilibrista em corda bamba. Quase parece que ele está andando sobre o nada, apenas ar. Seu apoio é o mais escasso imaginável. E mesmo assim é possível andar sobre ele.”[13]

            Em suma, poderíamos, para melhor esclarecer, sistematizar da seguinte maneira: No homem de viver espontâneo, imediatista, para quem o pecado é apenas um troféu de suas proezas, o efeito do desespero é letal. No homem cristão, o desespero é um trampolim que o impulsiona em seu salto de fé. Desse modo, duas idiossincrasias, portanto, devem ser ponderadas a respeito do desespero: fé e pecado.

            Kierkegaard não fez apologia ao desespero, mas o identificou nos indivíduos como um sinal da existência do homem à deriva no mundo. Como possibilidade viável para cura desse mal, apresentou como “cavaleiro da fé” a mensagem de um cristianismo autêntico, livre das amarras mercantilistas e promessas de um falso paraíso. Por fim, registro aqui o desfecho de sua vida, quando aos 40 anos sofreu um colapso que o deixou com a metade inferior do corpo paralisada; pouco depois de um mês, sofreu outro ataque que o levou à morte. Não pediu, contudo, que em sua lápide fosse gravado o epitáfio “Aquele solitário”, conforme havia registrado em seu diário, mas a estrofe de um hino religioso:
           
            “Falta pouco,
            para eu vencer.
            Então todos os conflitos
            estarão terminados.
            Poderei descansar, então,
            no vale das rosas,
            entretendo-me sempre
            com Jesus.”[14]


BIBLIOGRAFIA


FARAGO, France. Compreender Kierkegaard. Trad. Ephraim F. Alves. Petrópolis-RJ: Vozes, 2006.
GARDINER, Patrick. Kierkegaard. Trad. Antonio Carlos Vilela. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
HELFERICH, Christoph. História da filosofia. Trad. Luiz S. Repa; Maria E. H. Cavalheiro; Rodnei do Nascimento. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
KIERKEGAARD, Sören. O Desespero humano. Trad. Alex Marins. Porto Alegre: Marin Claret, 2002.
___________________. Temor e Tremor. Trad. Maria José Marinho. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Col. Os Pensadores)
REZENDE, Antonio (org.) Curso de filosofia. 10. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.



[1] Graduado em filosofia. Advogado. Prof. de filosofia na rede pública de ensino do DF. Autor dos livros O Sofrimento dos Filósofos e Trevas Trovões Trovas: escritos de uma noite escura (este, não publicado). Para citar o autor, use a referência: PIRES JR. J. Fernandes. 
[2] Compreender Kierkegaard, p. 20
[3] CHAUÍ, Marilena de Souza. Kierkegaard, vida e obra, XII – (Col. Os pensadores)
[4] KIERKEGAARD, Sören. O Desespero humano, p. 23
[5] In: REZENDE, Antonio (org.). Curso de filosofia, p. 210
[6] KIERKGAARD, Sören. Op. cit, p. 49
[7] HELFERICH, Christoph. História da filosofia, p. 336
[8] KIERKEGAARD, Sören. Temor e tremor. p. 115 (grifo nosso)
[9]   Idem, O Desespero humano. P. 74
[10]  FARAGO, France. Op. cit, p. 185
[11] In: Idem, Ibidem, p. 42
[12] KIERKEGAARD, Sören. Op. cit., p. 105
[13] Apud GARDINER, Patrick. Kierkegaard, 128
[14] HELFERICH, Christoph. História da filosofia, p. 337

domingo, 29 de junho de 2014

Lilias Trotter e a Linguagem que Ninguém Conhece

Lilias Trotter foi missionária e também grande pintora. 
John Piper 
Enquanto escrevo isto, a minha mulher Noël está em Knoxville, Tennessee, onde foi falar numa conferência de mulheres. Entre os seus temas ela tem uma biografia de Lilias Trotter. Trotter foi para a Argélia em 1888 como missionária e fundou a Algiers Mission Band. Uma das coisas mais notáveis sobre ela é que era uma pintora bastante talentosa antes de sair para África, uma das melhores artistas do século XIX, de acordo com John Ruskin. Desistiu desta carreira em troca de viagens perigosas em regiões muçulmanas onde ganhou convertidos entre os árabes, os franceses, os judeus e africanos negros.
Noël indicou-me um dos seus perspicazes pensamentos. Ele tem profundas implicações para a propagação da fé cristã no nosso mundo deveras secular. Citá-lo-ei e depois farei alguns comentários. Cautela, pois não é simples de entender no início. Ela escreveu em 1929,
Quando queremos uma palavra de humildade, esperança ou santidade, só podemos buscá-la nos clássicos, vagamente conhecidos por leitores comuns. Nós escrevemos para um povo ainda não espiritualmente nascido; as palavras só serão entendidas quando as realidades nas quais elas se firmam necessitem serem expressas. Temos de construir uma linguagem espiritual contra a época em que será desejada (I. Lilias Trotter, por Blanche AF Pigott, [London: Marshall, Morgan & Scott Ltd, nd], pp . 129-30)
Não se trata apenas de apresentar um Evangelho em palavras que as pessoas podem compreender, mas de dar-lhes a semente de uma linguagem espiritual em que as coisas que o Espírito Santo ensina possam ser expressas. A carência disso parece ser inversamente proporcional à riqueza da linguagem no respeito aos assuntos seculares... As palavras para as realidades espirituais têm de ser enxertadas na linguagem coloquial, esperando a seiva da nova vida para uni-las numa torrente através delas. (ibid., p. 137)
Pense por um instante em como as palavras se relacionam com a realidade. A palavra "dor de cabeça" existe porque essa experiência existe. Uma pessoa que nunca teve uma dor de cabeça só pode adivinhar o que a palavra se refere. Pode tentar fazer uma analogia: Talvez seja como uma náusea na cabeça. Ou pegue na palavra "cavalheirismo." Se um homem não tem essas tão nobres inclinações não importa quantas definições usemos, ele não saberá, na realidade, do que estamos falando.
Ou perguntemos: "Por que é que existe a palavra obsequioso?" Ela existe porque ao longo do tempo as pessoas mais exigentes viram um tipo de atitude e comportamento que precisavam de uma palavra para descrever. Se você ainda não viu e sentiu este tipo de comportamento, então ouvir sinônimos tais comoaduladorbajulador, ou lisonjeiro não vão despertar esse conhecimento.
O que Lilias Trotter disse foi que as palavras referentes a realidades espirituais devem ser usadas mesmo quando a audiência - a cultura, a época - não tenha nenhuma experiência com a qual preencha os termos. "As palavras vão ser compreendidas quando as realidades para as quais se destacam venham a precisar de expressão. Temos de fazer uma linguagem espiritual [que sirva] o tempo em que será necessitada."
Imagine tentar comunicar a realidade da "santidade" e "reverência" a um bando de criminosos que apenas têm desprezo para com a religião e sem pano de fundo religioso. Imagine dizer-lhes que a palavra de Deus é "doce", ou que o "mansos" herdarão a terra, ou de que a fé apreende a "luz do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo." Estas realidades são absolutamente preciosas e cruciais. Elas não podem ser facilmente contidas ou transmitidas numa linguagem criada e definida sem essas experiências espirituais.
Noutras palavras, Lilias Trotter estava alertando contra a ideia de que todas as realidades cruciais podem ser comunicadas na linguagem e categorias que as pessoas trazem para o evangelho. Para ter certeza, o esforço deve ser feito para ajudar as pessoas a ver a nova realidade, usando como ponteiros as palavras que eles já conhecem. No dizer dela, "As palavras para realidades espirituais têm de ser enxertadas no coloquial." Mas o que vai fazer com que o entendimento aconteça será o despertar da nova vida espiritual, preenchendo as palavras enxertadas com a realidade. Então, como ela diz, "A seiva da vida nova [irá] uni-las numa torrente através delas."
Então, como ela conclui, não podemos simplesmente assumir que a linguagem secular pode compreender a realidade espiritual que queremos comunicar. Ao invés disso, devemos "dar-lhes a semente de uma linguagem espiritual em que as coisas que o Espírito Santo ensina possam ser expressas." Existem conceitos, palavras e categorias que talvez tenham de ser introduzidas (enxertadas em algo familiar), de modo a que as realidades preciosas possam ser entendidas. "As palavras serão entendidas quando as realidades para as quais se destacam venham a necessitar de expressão". Quando a "riqueza da língua para todas as finalidades seculares" é superior, ela diz, haverá pobreza da língua para fins espirituais.
Assim, apliquemo-nos a conhecer a realidade por detrás de toda a linguagem bíblica. E trabalhemos em construir tantas pontes para o nosso mundo quantas possamos para que os significados as possam atravessar. Mas não temamos em usar a linguagem espiritual da Bíblia onde ela é estrangeira. Quando todos os nossos esforços na comunicação forem feitos, Deus criará a realidade e preencherá as palavras.

domingo, 18 de maio de 2014

POSSO SER UM CRENTE DESIGREJADO?


Izaldil Tavares

Um dos problemas mais complicados nestes dias é o relacionamento social. O homem moderno assumiu, de modo bem pessoal, a direção de sua vida. Passou a viver, isoladamente, em sociedade. Paradoxal? Não. 
Ao próximo se dá o mínimo espaço para interferência, com base naquilo que se chama “privacidade”. O homem dá excessivo valor à “sua” privacidade, esquecendo que a vida não é tão privada assim; mormente em nossos dias, em que as câmeras em todos os lugares acompanham-nos passo a passo. O mundo todo tem conhecimento de nossas vidas!

Esse individualismo maléfico nasceu na idéia de autossuficiência, implantada no coração humano lá no Éden, por ocasião da queda do primeiro casal. Ali, a “serpente” inoculou esse veneno. “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.4-5).
Mas não foi esse o propósito de Deus. Deus não ama o personalismo humano. Ao criar o homem ele fez um convite ao Filho e ao Espírito Santo: “Façamos o homem...” O homem foi feito por um Deus que honrou a cooperação!
Deus permitiu a Adão um período de vida sem a companheira e, provavelmente, o homem sentiu falta de alguém com quem repartisse sua vida sobre a terra. Por isso, Deus disse que não era bom que a sua criatura vivesse só: fez-lhe uma adjutora, uma com quem ele dividisse a vida e as decisões. (Gn 2.18).
Por que as pessoas apreciam tanto a autogestão de suas vidas? Porque foram envenenadas lá no Éden. O homem foi feito para comungar plenamente com a família, com o próximo, com os seus circunstantes. O que passa dessa condição é influência edênica.
A sordidez diabólica nesse âmbito procura afastar o homem da comunicação de seus sucessos ou insucessos; venturas ou desventuras. Mas, promove a comunhão para o mal: malfeitores comungam seus malefícios; unem-se para a desgraça, para o roubo, para o achaque, para a destruição. (Mt 21.38).
Na Antiguidade vê-se que, na maioria das vezes, Deus se dirige a uma nação, a um povo, a um grupo com ideais afins. Quando se dirigiu a um indivíduo, pretendeu beneficiar a todos: A Noé ordenou que entrasse na arca com a família (Gn 7.1) Abraão ouviu uma promessa: ser Pai de muitas nações (Gn 12. 1-3) Os profetas traziam mensagens à população. Em certo sentido, Deus não vê a árvore; vê a floresta. No evangelho de João lê-se que Deus amou o mundo! (Jo 3.16).
Jesus aproximou de si os homens, fazia que multidões o seguissem, formou um colegiado com doze discípulos e, ressurreto, mandou que se “reunissem” em Jerusalém. No dia de Pentecoste, havia uma igreja reunida, com quase cento e vinte pessoas. Conclui-se que reunir-se na igreja é ordem do Senhor: “... ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). “E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.47). O Senhor acrescentava-os “à igreja”!
Por que muitos, em nossos dias, formam uma nova categoria de religiosos (eu não disse categorias de cristãos): os desigrejados? Ora, os tais agem assim, porque buscam as suas próprias desculpas, a fim de terem um álibi para as decisões antibíblicas que lhes invadem a alma. É mais fácil vasculhar o coração para achar uma boa desculpa ao próprio “modus vivendi” que contraria a Palavra de Deus, do que buscar o socorro do Altíssimo contra as fraquezas e decepções. É a mesma atitude envenenada de Adão com sua mulher, que preferiram arranjar uma desculpa. “O meu louvor virá de ti na grande congregação; pagarei os meus votos diante dos que o temem” (Sl 22.25). “O meu pé está posto em caminho plano; nas congregações louvarei ao Senhor” (Sl 26.12).
Meus irmãos, é sabido que não há congregação de pessoas perfeitas: cada um de nós, por si mesmo, comprova isso. Somos falhos. Mas há quem nos aperfeiçoe.
Lembremo-nos de que Jesus é o nosso Pastor. Não há pastor de uma ovelha só! A que está só ele agrega ao redil. Ele deixa as noventa e nove e, amoroso sai em busca daquela que se extraviou na jornada.
Não deixem o inimigo sugerir como voz adocicada que vocês podem servir a Deus de maneira autônoma: esse é o sopro da serpente! 
“Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande Pastor de ovelhas, vos aperfeiçoe em toda boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando Mem vós o que perante ele é agradável, por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém!” (Hb 13. 20-21).